A FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NA TRAJETÓRIA ACADÊMICA DOS LICENCIANDOS DESDE O ENSINO MÉDIO
João José Dos Santos Alves, Karol Amon Marx De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NA TRAJETÓRIA ACADÊMICA DOS LICENCIANDOS DESDE O ENSINO MÉDIO
João José dos Santos Alves 1 , Karol Amon Marx de Oliveira 2
1 UFRRJ/ICE/DEFIS, joaoalves@ufrrj.br
2 UFRRJ/ICE/DEFIS, piafis@hotmail.com
Palavras-chave : Física Moderna, Ensino na graduação, Física Nuclear
## Resumo expandido
A preocupação com a inserção dos conteúdos da Física Moderna e Contemporânea (FMC) no Ensino Médio (EM) vem sendo objeto de estudo e de discussão entre vários pesquisadores da área de Ensino de Física, ao longo das últimas décadas. A importância desse conhecimento é um consenso entre muitos autores (Oliveira, 2007; Monteiro, 2009; Palandi, 2010; Dominguini, 2012; Ostermann, 2014) por considerá-lo uma ferramenta essencial que possa auxiliar os alunos num melhor entendimento do mundo em que estão inseridos, além de contribuir para a formação da cidadania. Para isso, sugerem a inserção dos conteúdos da FMC na grade curricular de acordo com o que os documentos oficiais, os Parâmetros e Diretrizes Curriculares (PCN), estabelecem. Alguns desses autores apresentam ainda algumas propostas pedagógicas adequadas a essa incorporação, além de apresentarem um levantamento histórico que aponta para o início dessas discussões, seja em nível nacional ou internacional. No entanto, devido a existência de obstáculos que contribuem para a ausência desse saber nas salas de aula, tais como as dificuldades que os próprios professores do EM encontram na inserção desse conhecimento, o complexo formalismo matemático não adequado para essa etapa do ensino formal, o pouco tempo destinado à disciplina de Física, a indisponibilidade de material de apoio, as lacunas oriundas da má formação do professor, entre outros motivos, despertam a necessidade para a busca de formas alternativas de ensinar ciências e que possam auxiliar as novas demandas do ensino, como aponta Zimmermam (2007). Segundo esta autora, além de praticarem um ensino inadequado, não estarem preparadas para enfrentarem as questões científicas e tecnológicas complexas e que desafiam a sociedade, as escolas também não incentivam os alunos a se interessarem pela ciência. Nisso, os resultados são desastrosos na medida em que os alunos saem dessa escola com um conhecimento superficial, apresentam fracas conexões entre os conceitos mais importantes, ficam com as concepções não científicas de como o mundo funciona, são acríticos e sem capacidade de aplicarem o conhecimento em novos contextos. Tais aspectos estão em total desacordo com o que prega a Teoria da Aprendizagem Significativa TAS de David Ausubel (Moreira, 2001). A peça fundamental dessa teoria está no aprendiz, na medida em que, além da predisposição para aprender, deve também participar ativamente no processo de construção do próprio conhecimento. Nisso, considerar as vivências, as experiências, as idéias presentes na estrutura cognitiva do aluno, os chamados subsunçores, segundo a TAS, se constituem aspectos relevantes da teoria que considera a assimilação dos conteúdos como uma modificação dos subsunçores existentes na estrutura cognitiva do aprendiz pelo confronto entre as ideias iniciais com o novo conteúdo abordado na escola. Ao considerar que os avanços científicos e
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
tecnológicos do mundo atual e vivenciado pelo aluno podem despertá-lo para o conhecimento, e considerando o fato de que a Física detém uma contribuição no avanço e desenvolvimento do conhecimento científico, Oliveira (2007) apresenta pontos de convergência com a TAS. No entanto, os pesquisadores afirmam que a Física no EM não acompanhou as evoluções científicas e tecnológicas e consequentemente se constata uma defasagem entre os conteúdos estudados nas escolas e as informações que chegam aos alunos. Por outro lado, apesar de defenderem a importância da FMC no ensino médio, Monteiro et al. (2009) , além de obstáculos já citados, apontam para a existência de uma racionalidade técnica observada nos professores ao afirmarem desconhecer alguma técnica na área de educação que os pudesse auxiliar na abordagem da FMC. Nesse sentido, mudanças observadas nos livros didáticos do ensino público no Brasil publicados em dois períodos distintos e que denotam a preocupação no sentido de promover a referida inserção, são aportes positivos destacados por Dominguini et al. (2012), ao perceberem um volume maior de conteúdos nos livros mais recentes, além de constatar uma estruturação equivalente em relação aos outros conteúdos. No intuito de mapear o estado em que se encontra a abordagem desses temas da FMC no EM, e tendo por base teórica a TAS, elaboramos um projeto inserido no âmbito da disciplina Estrutura da Matéria II da UFRRJ que visa num primeiro momento acompanhar os aspectos relacionados à interação, à visão e à relevância da FMC, junto aos licenciandos através das suas carreiras acadêmicas, com o início no EM. Na disciplina, são abordados tópicos da FMC, tais como a espectroscopia, a experiência de Franck e Hertz, a radiação nuclear entre outros, que em princípio, deveriam ser trabalhados experimentalmente. No entanto, devido a existência de alguns obstáculos, nomeadamente a falta de equipamentos e aparelhos, principalmente relacionados à Física das radiações Nuclear, esse estudo ficou restrito a uma abordagem teórica. Esse dado contribui para que o tema fosse a primeira a ser abordada na nossa pesquisa junto aos discentes. Nisso, os licenciandos foram convidados a responderem um questionário em que seria possível fazer o acompanhamento desse tópico ao longo das suas trajetórias acadêmicas. As respostas se referem aos três semestres consecutivos em que a disciplina foi ministrada. Posteriormente, os resultados obtidos foram analisados e confrontados com os diferentes dados obtidos pelos pesquisadores já mencionados, visando destacar possíveis interlocuções e/ou divergências e ainda refletir sobre possibilidades da inserção da FMC no EM. Nesse evento, pretendemos apresentar os resultados, relativos à FN, e através dos quais torna-se possível trazer algumas contribuições relacionadas ao tema. Pensamos ainda que esses frutos se configuram como um importante instrumento de reflexão entre os diferentes agentes educacionais presentes nos colégios, nas secretarias e nas universidades, contribuem para uma adequada formação dos futuros professores, detêm a possibilidade de trazerem novas contribuições relacionados ao ensino da FMC no EM, e ainda incitarem a criação de novas propostas de ações pedagógicas que visam defender a importância desses conhecimentos nos colégios que visam promover o exercício da cidadania e a formação de cidadãos críticos. Nota-se que a maioria dos discentes que participaram da pesquisa vieram de colégios públicos localizados na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, uma região que apresenta altos índices de evasão escolar, índices de reprovações consideráveis e baixo índice de desenvolvimento humano (IDH).
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## Referências
DOMINGUINI, L.; MAXIMIANO, J. R.; CARDOSO, L.. IX Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul/ IX ANPED Sul , 2012.
MOREIRA, Marco Antonio, Aprendizagem Significativa: a teoria de David Ausubel, São Paulo: Centauro , 2001.
MONTEIRO, M. A.; NARDI, R.; FILHOS, J. B. B. Dificuldade dos professores em introduzir a física moderna no ensino médio: a necessidade de superação da racionalidade técnica nos processos formativos, Ensino de ciências e matemática, I: temas sobre a formação de professores [online], São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica , p. 258, 2009.
OLIVEIRA, F. F.; VIANNA, D. M.; GERBASSI, R. S., Física moderna no ensino médio: o que dizem os professores, Revista Brasileira do Ensino de Física , v. 29, n. 3, p. 447-454, 2007.
OSTERMANN, F. e MOREIRA, M. A.. Uma Revisão Bibliográfica sobre a Área de Pesquisa 'Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio', Investigações em Ensino de Ciências v. 5, n. 1, 2014.
PALANDI, J.; FIGUEIREDO, D. B.; DENARDIN, J. C.; MAGNAGO, R. M. Física Nuclear, Grupo de Ensino de Física, Universidade Federal de Santa Maria, 2010.
ZIMMERMAM, E. Pedagogos e o ensino de Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 24, n. 2, p. 261-280, 2007.
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