Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ENSINO DE FÍSICA E REPRESENTAÇÕES DA CIÊNCIA: PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DO 1$^o$ ANO DO ENSINO MÉDIO

Jaqueline May Borsatto, Alisson Antonio Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA E REPRESENTAÇÕES DA CIÊNCIA: PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DO 1º ANO DO ENSINO MÉDIO

## Jaqueline May Borsatto , Alisson Antonio Martins 1 2

1 UTFPR/PPGFCET/GEPEF, mayborsatto@gmail.com

2

UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF; UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br

Palavras-chave : Representações de ciência, Cientista, Mulheres na ciência.

## Resumo expandido

Historicamente, a atividade científica privilegiou determinados grupos sociais, construindo-se estereótipos em torno às imagens dos cientistas e sobre o fazer ciência. Leta (2003) aponta que o perfil recorrentemente associado a este profissional é o do homem branco, vestido de jaleco e que trabalha em um laboratório.

Num contexto marcado por discriminações e preconceitos que envolvem a profissão de cientista, é de suma importância o desenvolvimento de atividades sobre representatividade. Apresentar a diversidade existente na população e romper estereótipos é necessário para que as/os jovens possam se ver em qualquer campo ou área do conhecimento, como pertencentes a eles, não sendo de um grupo seleto, que pretensamente estaria predestinado a ocupar essas posições.

Os sujeitos estabelecem identidades que adquirem sentido por meio da linguagem e dos sistemas simbólicos pelos quais são representadas. Isto torna possível determinar quem somos e aquilo que podemos nos tornar. A cultura é o principal formador das identidades, que são diversas, e determinam grupos de pertencimento. Elas envolvem relações de poder, definindo quem serão incluídos ou excluídos (LOURO, 2007; SILVA, 2012).

Neste sentido, este trabalho, de cunho exploratório, objetivou analisar, na disciplina de Física, a perspectiva de um grupo de estudantes do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola pública paranaense quanto ao perfil e ao papel do cientista e apresentar uma discussão sobre imagem recorrentemente retratada.

Para alcançar este objetivo, foi desenvolvida uma atividade de ensino remoto constituída de três etapas, por meio de comunicações virtuais, devido à pandemia provocada pelo Coronavírus. A primeira etapa visou analisar as concepções das/dos estudantes sobre a imagem da/do cientista e ocorreu por meio de três atividades: a) descrição sobre quais seriam as características essenciais para uma pessoa se tornar cientista; b) assinalar as imagens que apresentariam cientistas; e, c) elaboração de um desenho de uma pessoa cientista em seu ambiente de trabalho. Na segunda etapa, debateu-se sobre a luta histórica das mulheres na ciência, questionando-se os desafios que estas enfrentaram em seu ramo de trabalho, listando a contribuição de algumas delas na Física. A terceira e última etapa pretendeu romper com os estereótipos associados ao profissional da ciência, exibindo uma tirinha na qual há uma explanação sobre como se constitui o trabalho de um profissional da ciência.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

19 a 30 de julho de 2021 - Online

A partir das respostas da primeira etapa, verificou-se que algumas/alguns estudantes imaginam a/o cientista como um gênio excêntrico, estereótipo intensamente divulgado em filmes de ficção científica e animações infantis, sendo recorrente, inclusive, em filmes e curtas-metragens que objetivam divulgar a ciência e a tecnologia (REZNIK, 2019; RAMOS; OLSCHOWSKY, 2009).

Esta caracterização expressa uma realidade distante da personalidade, aparência e comportamento das/dos estudantes, representando uma personificação caricata, excludente e que não expressa o trabalho das/dos reais cientistas. A maior parte das/dos participantes colocou as qualidades 'inteligência' somada à 'dedicação' como requisitos para seguir esta profissão. Entende-se que essa inteligência apontada por elas/eles, refere-se, pela cultura popular, como algo inato, não estando normalmente sob o controle do indivíduo. Por outro lado, uma parcela de estudantes apontou as características 'curiosidade' e o 'interesse pelos estudos', aspectos com os quais as/os estudantes podem se reconhecer, uma vez que podem ser construídos e desenvolvidos ao longo da vivência.

Na atividade de indicar quais das dez imagens de pessoas apresentadas seriam cientistas, os mais apontados foram Albert Einstein (100%) e Stephen Hawking (87,5%). De certo modo, este resultado é esperado, pois tais cientistas são muito famosos, sendo constantemente retratados na cultura popular. Em seguida, encontram-se Marie Curie (66,7%) e Chien-Shiung Wu (62,5%). A primeira é a cientista feminina mais famosa por ter sido a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel, ademais, por duas vezes. A imagem de Chien-Shiung Wu, única pessoa de traços orientais colocada no formulário, estava com caracterização do ambiente de trabalho, podendo ter influenciado na indicação. O maior descrédito entre as opções de pessoas foi dado à Mae Jemison, a primeira mulher negra a ir para o espaço. O único homem branco menos votado foi Nicola Tesla. Estas não indicações podem ser em decorrência da imagem estereotipada tradicional do homem cientista.

Quanto à atividade de desenhar cientistas em seu ambiente de trabalho (Figura 01), identificou-se que a maioria ilustra o cientista como um homem, adulto, de jaleco, em um laboratório, conduzindo suas experiências por meio da manipulação de frascos ou equipamentos de análises laboratoriais, estando de acordo com os resultados encontrados por Leta (2003).

Figura 01: Desenho dos(das) estudantes representando a pessoa cientista no ambiente de trabalho. Fonte: Autoria própria (2021).

<!-- image -->

A concepção do 'fazer ciência' retratada é daqueles profissionais que trabalham no ramo da pesquisa experimental. Aparentemente, os/as pesquisadores/as teóricos/as cujas ferramentas de trabalhos são compostas por computadores, livros e papéis, não são lembrados ou popularmente conhecidos, com exceção daqueles que ganharam projeção midiática.

Dentre os desenhos, em um deles a pessoa profissional da ciência é ilustrada como uma mulher. O desenho foi feito por um menino, o que não implica numa representação própria, mas, possivelmente, uma perspectiva de que a simbologia estereotipada pode estar sendo mudada, com novas abordagens de representação na mídia, cultura e na própria sala de aula, o que influencia sobre o pensar acerca da atividade científica considerada, também, como atividade feminina.

A segunda etapa da atividade teve uma baixa adesão, porém, mesmo assim, foi possível perceber a indignação de uma estudante perante às injustiças decorridas pelo machismo do século XX, nas quais as mulheres não obtiveram os devidos reconhecimentos. Neste espaço foram listadas importantes colaborações à Física realizadas por mulheres, visando apresentar um momento de representatividade.

Na terceira e última etapa, concluindo as discussões desenvolvidas, revelouse que todos os integrantes das imagens apresentadas na primeira etapa eram cientistas, assim, juntamente com a tirinha, argumentou-se que qualquer pessoa poderia se tornar cientista, devendo haver condições formativas que permitam este desenvolvimento.

A partir dessas análises, verificou-se que a perspectiva das/dos estudantes quanto ao perfil e ao papel da/do cientista apresentaram características estereotipadas, em conformidade com os resultados encontrados em outros estudos. Contudo, esta imagem não é fixa, podendo ser modificada por meio de discussões e outras formas de representação.

## Referências

LETA, Jacqueline. As mulheres na ciência brasileira: crescimento, contrastes e um perfil de sucesso. Estudos avançados , São Paulo, v. 17, n. 49, p. 271-284, 2003.

LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação : uma perspectiva pósestruturalista. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

RAMOS, Jerussa Figueiredo; OLSCHOWSKY Joliane. As Representações Sociais de Cientistas em Filmes de Animação Infantil. In: XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2009. Disponível em &lt;

http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-1225-1.pdf&gt; Acesso em 21 out 2020.

REZNIK, Gabriela; MASSARANI, Luisa; MOREIRA, Ildeu de Castro. Como a imagem de cientista aparece em curtas de animação?. História, ciências, saúdeManguinhos , Rio de Janeiro, v. 26, n. 3, p. 753-777, 2019.

SILVA, Tomás T . Identidade e diferença : a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.