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Cultura Africana e Afro-Brasileira no Ensino de Física: Estudos sobre os Saberes Físicos Corporificados na Capoeira

Matheus Laercio De Jesus Silva, Rafaele Rodrigues De Araujo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Cultura Africana e Afro-Brasileira no Ensino de Física: Estudos sobre os Saberes Físicos Corporificados na Capoeira

## Matheus Laercio de Jesus Silva 1 , Rafaele Rodrigues de Araujo 2

- 1 Graduande(o,a) em Física (Licenciatura). FURG. E-mail: laerciomatheus@gmail.com
- 2 Doutora em Educação em Ciências. Instituto de Matemática, Estatística e Física. FURG. E-mail: rafaelearaujo@furg.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Currículo; Ensino Médio

## Resumo expandido

O presente trabalho aborda os saberes físicos corporificados na prática da capoeira, tendo como objetivo uma produção de conhecimento científico antirracista, que fomente a presença da lei 10.639/03 no currículo de Física do Ensino Médio. Para isso, foi necessário analisar a performance dos movimentos e golpes na capoeira(ANJOS, 2003), do mesmo modo, foi possível identificar conceitos chaves, no conteúdo de física, a serem elaborados em uma situação de estudo ou tema gerador, tais como: atrito; pressão; centro de gravidade; equilíbrio; giro; conservação do momento angular; rotação; impulso; trajetória; saltos; queda livre e movimento parabólico. Faz-se perceber que a produção e a implementação do conhecimento oriundo desse contexto histórico-cultural no ensino de Física, apesar de ocupar um cenário de baixo grau hierárquico (REGIS, 2018), satisfazem diversas habilidades exigidas por metodologias antirracistas no ensino de ciências naturais (BRASIL, 2006) e nos documentos oficiais que regularizam a educação (BRASIL, 2018).

Deste modo, a justificativa da historiografia da capoeira é essencial para produzir uma ótica racializada no currículo da física, sendo necessário analisar o seu papel na história desde o brasil colônia até a atualidade, identificando as mutações culturais na qual a capoeira passou ao longo da sua existência, caracterizando-se como luta, jogo, dança e, por último, mas não menos importante, esporte. Pela mesma razão, para traçar essa história, é necessário introduzir a influência da regionalidade nos polos capoeristicos presente no brasil, decerto que esta influência também se caracteriza nas terminologias linguística figurada(ANJOS, 2003), trazendo conceitos chaves na física associados a metáforas e metonímia, utilizados oralmente nos comandos das aulas capoeristicas onde são inseridas a prática de determinado movimento ou sequência de movimentos, tais como: gingar ; giro ; meia-lua-decompasso ; meia-lua-de-frente ; voô-de-mocergo ; e etecetera. Sendo estes ilustrados abaixo:

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Figura 01 : No ato de 'gingar' do capoeirista, temos a influência da força de atrito

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Figura 02 : Partindo da ginga , temos o movimento 'giro' pelo capoeirista, de modo a ser influenciado pela força em torno do próprio eixo, ou seja, o torque.

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Figura 03 : Partindo da ginga , temos respectivamente o movimento 'meia-lua-decompasso' e 'meia-lua-de-frente', cujo descreve um semicírculo no golpe giratório, de forma a ser influenciado pela conservação do momento angular e inércia rotacional.

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Figura 04 : No golpe 'voô-de-morcego', temos que o capoeirista exerce o ato com braços e pernas flexionados, sendo um ato de impulso seguido de uma trajetória parabólica.

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Em suma, o atual cenário, caracterizado como hegemônico (GOMES; 2012, GOODSON, 2018) , mostra a necessidade de tratarmos dessas epistemologias alternativas que foram invisibilizadas ao longo da história do ensino de física, em busca de um ensino interdisciplinar antirracista nas ciências físicas, que aborde o pensamento físico pelos sujeitos de diáspora afro-brasileira (REIS, 2012), promovendo uma educação libertadora, contra o epistemicídio(PESSANHAL, 2019), e emancipatória no século XXI. No âmbito da conclusão, podemos guiar novas

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estratégias didáticas que poderiam ser empregadas nas disciplinas de Física do Ensino Médio e novas ementas em toda sua estrutura de séries. Criando um currículo integrado e articulado sobre contribuições na Física a partir de tecnologias culturais afro-brasileiras, e como produção final, anseia-se a produção de um material didático com uma situação de estudo interdisciplinar, também utilizando um formalismo matemático ontologicamente neutro(BUNGE, 2010), que aborde os conteúdos de mecânica sobre a lei 10.639/03.

## Referências

ANJOS, Eliane Dantas. Glossário Terminológico Ilustrado de Movimentos e Golpes na Capoeira : Um estudo Término-Lingüístico. 2003. Dissertação (Mestre em Letras). Universidade de São Paulo, São Paulo. 2003

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Currícular -Educação é a Base. Brasília, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/conselhonacional-de-educacao/base-nacional-comum-curricular-bncc-etapa-ensino-medio. Acesso em: 8 dez. 2020.

\_\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais. 2006. Disponível em:

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/orientacoes\_etnicoraciais.pdf Acesso em 12 jan. 2021

GOMES, Nilma Lino. Relações Étnico-Raciais, Educação e Descolonização dos Currículos. Currículo sem Fronteiras , v.12, n.1, pp.98-109, Jan/Abr. 2012. ISSN 1645-1384

GOODSON, Ivor. Currículo: Teoria e História. 15 ed. Petrópolis: Vozes, 2018. P.101-116. ISBN: 978-85-326-1428-5

BUNGE, Mario. Caçando a Realidade: A luta pelo realismo. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2010. P.92-98. ISBN: 97-85273-0896-0

PESSANHAL, Eliseu Amaro de Melo. Do epistemicídio: as estratégias de matar o conhecimento negro áfricano e afrodiaspórico. Problemata, v. 10. n. 2, p. 167-194, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.7443/problemata.v10i2.49136. Acesso em: 10 fev. 2021.

REGIS, Katia. BASÍLIO, Guilherme. Currículo e Relações Étnico-Raciais: o Estado da Arte. Educar em Revista , v. 34, n. 69, p. 33-60, maio/jun. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/er/v34n69/0104-4060-er-34-69-33.pdf. Acesso em: 21 janeiro 2021.

REIS, Marilise Luiza Martins. Diáspora como movimento Social: A Red de Mujeres Afrolatinoamericanas, Afrocaribeñas y de la Diaspora e as políticas de combate do racismo numa perspectiva transnacional. 2012. Tese (Doutorado em Sociologia Política). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012.

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