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SIMULAÇÃO COMO COMPLEMENTAÇÃO AO LIVRO DIDÁTICO: UMA PROPOSTA DE ALINHAMENTO COM A BNCC

Rafael Avelino Victoria, Maria Ines Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SIMULAÇÃO COMO COMPLEMENTAÇÃO AO LIVRO DIDÁTICO: UMA PROPOSTA DE ALINHAMENTO COM A BNCC

## VICTORIA Rafael Avelino 1 , MARTINS Maria Inês 2

1, 2 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Departamento de Física, ines@pucminas.br

Palavras-chave

: BNCC, Simulação, Momento linear

## Resumo expandido

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento normativo que define o conjunto progressivo de aprendizagens essenciais a ser desenvolvido nos alunos brasileiros durante a Educação Básica (BRASIL, 2018). As escolas encontramse em processo de planejamento para a implementação dos modelos trazidos pela nova base amparados pelo Guia de Implementação da BNCC (BRASIL, 2020). A BNCC mantém a abordagem do ensino por competências, para o Ensino Médio (EM), por áreas de conhecimento, com a Física compondo as Ciências da Natureza e suas Tecnologias, contudo em organização distinta das matrizes de competências adotadas em documentos anteriores, ora especificando competências a serem desenvolvidas através da formação geral e de itinerários.

Para a BNCC 'competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho' (BRASIL, 2018). Para Jonnaert (2009), um ser competente é capaz de mobilizar, selecionar e coordenar um acervo de recursos, dos quais fazem parte alguns de seus conhecimentos e recursos afetivos e sociais, para tratar eficazmente uma situação, tendo um olhar crítico sobre os resultados desse tratamento. E ainda afirma que o sujeito mais competente não será, necessariamente, aquele com maior quantidade de saberes, pois a competência não trata da soma e empilhamento de conteúdos, mas aquele que melhor gerencia a articulação entre os recursos disponíveis. Entende-se que o conceito de competência apresentado pelo autor se relaciona diretamente com o demostrado na Base, sobretudo ao tratar a ideia de mobilizar, selecionar e coordenar ao longo de seu desenvolvimento, pois os discentes ao se depararem com contextos diversos apresentados ao longo de sua vida escolar precisam recorrer aos recursos que lhe estão disponíveis e fazer uso destes para encontrar uma solução socialmente eficaz.

Tendo em vista a adaptação à Base, o planejamento docente necessita adequar-se à nova organização de competências, utilizando, entretanto, livros didáticos aprovados pela última edição do Programa Nacional do Livro e Material Didático (PNLD 2018), desenvolvidos antes da aprovação da BNCC para o EM. Entre as possibilidades de articulação entre as áreas do conhecimento ratificadas pela BNCC, ganha evidência o uso de experimentação como método facilitador da aprendizagem e fortalecimento do protagonismo discente. Nessa perspectiva, a BNCC considera que os Laboratórios supõem atividades que envolvem observação,

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XX a XX de julho de 2021 - Online

experimentação e produção em uma área de estudo e/ou o desenvolvimento de práticas de um determinado campo (línguas, jornalismo, comunicação e mídia, humanidades, ciências da natureza, matemática etc.).

HIGA (2012) também defende a experimentação como um método de aprendizagem que trabalha a autonomia discente, através da interação com o meio. Para a autora, a experimentação, concebida como estratégia de descoberta, apoia-se no modelo de aprendizagem que toma o estudante como um indivíduo capaz de reconstruir o conhecimento científico de forma individual e autônoma, através da interação com o meio.' (p.3). Ainda Pereira (2017) considera a ideia de experimentação como necessária, tendo em vista o acesso discente limitado aos laboratórios, e quando existente pautado em processos 'pré-estabelecidos'. O atual contexto pandêmico disseminou o uso de laboratórios virtuais, buscando suprir a necessidade contingencial de experimentação, em particular no ensino de Física. Contudo, a defesa de laboratórios virtuais é anterior à proliferação da Covid-19 e se apresentava como uma alternativa para o suprimento de dificuldades e carências no uso de experimentação em escolas e universidades, conforme afirmam Cardoso & Takahashi (2011).

No contexto da BNCC e da Covid-19, optou-se por uma simulação remota, como complemento ao livro didático Válio et al. (2016), adotado em uma escola de Belo Horizonte, MG. Tal LD integra o PNLD 2018, anterior às exigências da BNCC. O roteiro, elaborado na perspectiva de Delizoicov e Angotti (1991), trata com simuladores ( Phet e Ophysics ) da quantidade de movimento e sua conservação, assunto tratado teórica e superficialmente pelo LD. A aplicação foi realizada para 26 alunos de 1º ano, em duas aulas remotas síncronas de 40 minutos pela plataforma de videoconferências Zoom, adotada pela instituição no contexto pandêmico.

Para a validação da proposta foram aplicados, seguindo preceitos de Vieira (2009), levantamentos antes (diagnóstico) e após as aulas (final), nos quais constam questões sobre os conceitos de quantidade de movimento, impulso e conservação do momento linear. Comparando os resultados obtidos, percebe-se a evolução nos conceitos trabalhados. Sobre o momento linear, em números redondos 21% dos respondentes no diagnóstico contra 47% no final classificaram a quantidade de movimento como uma grandeza física vetorial e 16% no diagnóstico contra 32% no final associaram a relação matemática do produto da massa pela velocidade, refletindo, portanto, significativa melhoria. A evolução foi ainda mais evidente, ao perguntarmos quais grandezas se conservam em uma colisão. Em números redondos 5% dos respondentes no diagnóstico contra 79% no final afirmaram que o momento linear se conserva em uma colisão. Também foi possível perceber certo avanço nas questões que tratam da relação entre impulso e quantidade de movimento. Em números redondos, no diagnóstico 89% apontaram existir relação entre impulso e momento linear e destes, 26% não conseguiram especificar essa relação. Por outro lado, no levantamento final, 95% indicaram a existência da relação entre a quantidade de movimento e o impulso e destes cerca de 48% dos respondentes associou o impulso à variação da quantidade de movimento.

Observa-se na aplicação da proposta uma evolução de conceitos relevantes de Física superficialmente tratados no LD, impossibilitando alcançar o desenvolvimento de competências da Base para o assunto em referência. Por fim, entende-se como relevante a produção de propostas complementares aos materiais

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didáticos distribuídos pelo PNLD, sobretudo enquanto perdurar a inexistência de textos escolares concebidos à luz da BNCC, como ainda é o caso do Ensino Médio.

## Referências

BRASIL. MEC. Base Nacional Comum Curricular : Educação é a Base. Brasília: MEC, 2018. Disponível em https://bit.ly/2Y1Jwfa

BRASIL. MEC. Guia de Implementação da BNCC . Brasília: MEC, 2020. Disponível em https://bit.ly/3a04ktb

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI. J. A. P. Os três momentos pedagógicos e o contexto de produção do livro 'Física'. Ciênc. Educ. , v.20, n.3, p.617-638, 2014.

HIGA, I.; OLIVEIRA, O. B. Atividades e experimentais em pesquisa no ensino de ciências: fundamentos epistemológicos e pedagógicos. Educ. rev. , Curitiba, n. 44, p. 75-92, 2012.

JONNAERT, P. Competências e sociocontrutivismo : um quadro teórico. Porto Alegre: Instituto Piaget, 2009.

PEREIRA, M. V.; MOREIRA, M. C. A. Atividades prático-experimentais no ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 34, n. 1, p. 265-277, 2017.

TAKAHASHI, E. K.; CARDOSO, D. C. Experimentação Remota em Atividades de Ensino Formal: um Estudo a Partir de Periódicos Qualis A. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 11, n. 3, p. 185-208, 2012.

VÁLIO, A. B. M.; FUKUI, A.; FERDINIAN, B.; OLIVEIRA, G. A.; MOLINA, M.; OLIVEIRA, V. S. Ser Protagonista . 3.ed. São Paulo: SM Editora, 2016.

VIEIRA, S. Como elaborar questionários . São Paulo: Atlas S. A., 2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.