O ENSINO DE FÍSICA NO CONTEXTO DOS PROJETOS INTEGRADORES DA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA NO PNLD
Kremmellin Barbosa Dos Santos, Maria Cristina Do Amaral Moreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA NO CONTEXTO DOS PROJETOS INTEGRADORES DA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA NO PNLD
Kremmellin Barbosa dos Santos¹, Maria Cristina do Amaral Moreira².
¹Instituto Federal do Rio de Janeiro, kremmellin@outlook.com
²Instituto Federal do Rio de Janeiro, maria.amaral@ifrj.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física, Interdisciplinaridade, Projetos Integradores.
## Resumo expandido
Em nosso cotidiano, frequentemente nos deparamos com notícias na mídia sobre questões socioambientais, como desmatamento e mudanças climáticas. O Ensino Médio é uma etapa da formação escolar em que os estudantes podem avaliar, de forma responsável, problemas desse tipo, buscando formas de solucioná-los. Isso é fundamental para entender o mundo que vivemos e descobrir desafios que podem surgir, o que evidencia a necessidade da presença destas discussões na formação escolar (MARTÍNEZ-PÉREZ et al, 2011).
Com a Lei 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 , o Ensino de Física passou a compor o itinerário integrado da área de Ciências da Natureza, de forma articulada com a Química e a Biologia. Além disso, ficou definida uma nova organização curricular, que contempla a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e itinerários formativos, que supõem 'o aprofundamento em uma ou mais áreas curriculares, e também, a itinerários da formação técnica profissional' (BRASIL, 2018, p.468). Este modelo, organizado por áreas do conhecimento, estimula novos formatos de ensino e a interdisciplinaridade.
Como a proposta da BNCC passou a ser integrar os conhecimentos, isso acarretou em mudanças no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Os livros avaliados pelo programa, que eram organizados por componente curricular, passam a integrar os conhecimentos das áreas em livros únicos. Essas obras apresentam diferentes propostas, que trabalham diversas competências da BNCC, com práticas que buscam contextualizar o ensino e atribuir maior significado ao aprendizado em sala de aula. É composto por 4 livros, um para cada área do conhecimento, e cada livro contará com 6 projetos integradores diferentes.
Considerando-se que para inovar o currículo e a prática pedagógica do Ensino de Ciências numa perspectiva crítica, deve-se ter em conta as dimensões sociais, econômicas e políticas do contexto, de forma a constituir um ensino numa perspectiva crítica, ou seja, aquele que se empenha em entender 'relações entre diferentes saberes no currículo: conhecimento acadêmico e científico, historicamente sistematizado, versus saberes populares e saberes experienciados pelos alunos em sua vida cotidiana' (LOPES; MACEDO, 2011, p. 71). Sendo assim, torna-se necessária a utilização da interdisciplinaridade, impulsionada pela necessidade de interligar saberes e cooperação técnico-científica. Para Piaget (1972) a
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interdisciplinaridade compreende o intercâmbio mútuo entre várias disciplinas, tendo como resultado um enriquecimento recíproco.
Essa perspectiva contribui para uma educação problematizadora, que tira o aluno da imobilidade por meio da emersão de sua consciência, levando-o a atitude da criação, da reflexão sobre problemas desafiadores, e da ação por meio de engajamento, ou seja, configurando a educação como prática da liberdade (FREIRE, 2001). Por meio dos projetos integradores, que são capazes de nortear o estudo, a reflexão e a investigação dos conhecimentos em sua totalidade, o conhecimento passa a ser construído a partir da junção entre a experiência do aluno e os conhecimentos acumulados ao longo de suas vidas. Para Pavão e Freitas (2008, p. 104), "essa integração dá-se pela via da vivência e da experiência: processos metodológicos de ação no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem".
Este trabalho teve por finalidade discutir a presença do Ensino de Física na BNCC, especialmente no contexto dos itinerários integrados do novo Ensino Médio. Pretendemos discutir a interdisciplinaridade envolvida entre as disciplinas da área das Ciências da Natureza, ou seja, por meio dela, buscaremos entender as diferentes competências específicas, descritas na BNCC, a serem trabalhadas, tanto na sala de aula como fora dela, no contexto dos projetos integradores, que buscam fazer com que a aprendizagem dos alunos seja dotada de significado, estabelecendo ligações entre os componentes curriculares e áreas do conhecimento, apresentando como os conteúdos são aplicáveis ao dia a dia (VENDRUSCOLO, 2008).
A metodologia utilizada nesta pesquisa tem caráter qualitativo (GODOY, 1995) e será desenvolvida por meio da análise de 3 dos livros didáticos aprovados pelo PNLD para a componente curricular de Ciências da Natureza e suas tecnologias. Nosso principal objetivo é reconhecer, na nova organização curricular do Ensino Médio, como conceitos de física serão abordados no contexto das Ciências da Natureza. Dentre as motivações para esta investigação, destacamos: como os conceitos de física serão contemplados nos projetos integradores? Quais as possibilidades de articulação entre o Ensino de Física e o Ensino de Ciências?
Os dados coletados consistem na identificação de conceitos físicos presentes nos Temas Integradores (TI), que estão presentes nas 3 obras analisadas, e são: TI-1) STEAM (uma sigla, que significa, em português: Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática); TI-2) protagonismo juvenil; TI-3) mídia e educação e; TI-4) mediação de conflitos. Além disso, buscamos classificar a presença da interdisciplinaridade entre Biologia, Química e Física em cada obra. Os livros didáticos analisados foram nomeados como LD1, LD2 e LD3. O Quadro 01 mostra os resultados encontrados nesta pesquisa.
Quadro 01: Presença de conceitos físicos e de interdisciplinaridade nas obras aprovadas pelo PNLD.
Analisando os dados, constatamos que, apesar de os livros estarem separados por área do conhecimento, ainda é preciso aprimorá-los no que diz respeito à interdisciplinaridade. Os conceitos de física estavam presentes em todos os livros no TI-1, enquanto que, nos outros TI, sua presença foi identificada
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separadamente. Os dados revelam que a presença de discussões envolvendo a física é possível em todos os temas, o que revela a possibilidade de sua implementação em todas as obras.
Com isso, tendo em vista as mudanças recentes ocasionadas pela Lei 13.415, os livros didáticos ainda precisam ser aprimorados para que eles possam suprir as demandas do novo Ensino Médio. A organização da BNCC acarreta na necessidade de olhar para o ensino de uma maneira menos fragmentada, contribuindo para a integração curricular de todas as disciplinas.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Comum Nacional Curricular . Brasília, MEC Brasil, 2018.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17a edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra , 2001.
GODOY, A. S. A pesquisa qualitativa e sua utilização em administração de empresas. Revista de administração de empresas , v. 35, n. 4, p. 65-71, 1995.
LOPES, A. C., MACEDO, E. Teorias de currículo. SÃO PAULO: CORTEZ , 2011.
MARTÍNEZ-PÉREZ, L. F. et al. Abordagem de questões sociocientíficas no Ensino de Ciências: contribuições à pesquisa da área. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS , v. 8, 2011.
PAVÃO, A. C.; FREITAS, D. (Ed.). Quanta ciência há no ensino de ciências . SciELO-EdUFSCar, 2008.
PIAGET, J. Psychology and Epistemology: towards the theory of knowledge. Harmondsworth: Penguin, 1972.
VENDRUSCOLO, A. E. P. A experimentação numa perspectiva de projetos integradores. Quanta ciência há no ensino de ciências , p. 101, 2008.
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