CONSTRUÇÃO DE UMA ATIVIDADE COM ENFOQUE CTSA UTILIZANDO O GOOGLE FORMULÁRIOS
Frederico Da Silva Borges
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONSTRUÇÃO DE UMA ATIVIDADE COM ENFOQUE CTSA UTILIZANDO O GOOGLE FORMULÁRIOS
Frederico da Silva Borges 1
1 E.E.E.F.M. Job Pimentel
Palavras-chave :
TDIC; Google Formulários; CTSA.
## Resumo expandido
No documento referente aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) de Física cita-se a importância de ensinar para que o jovem seja capaz de lidar com questões reais que eles vivenciem ou que venham a vivenciar futuramente, sendo que essa orientação também é vista na BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
- O enfoque CTSA é hoje uma área presente em diversos cursos de capacitação de professores e em pesquisas sobre o ensino de ciências. O ensino CTSA tem como objetivo a formação de pessoas capazes de tomar decisões responsáveis através da alfabetização científica. Esse objetivo vai de encontro com o papel que o ensino de ciências da natureza e suas tecnologias devem fornecer segundo a BNCC.
Um dos aspectos para que uma atividade tenha enfoque CTSA, segundo Santos e Mortimer (2000) é apresentar a ciência como uma atividade humana e que está ligada a questões sociais e a tecnologia. Outro ponto que é inerente à perspectiva CTSA é a inclusão de investigações e tomada de decisões.
Além das dificuldades já existentes no ensino, as aulas remotas criaram novos desafios para a educação. Fazer com que os conteúdos das disciplinas escolares se tornem mais atrativos para os alunos é um deles. A impossibilidade da interação constante entre professores e alunos leva a questionamentos sobre o que e como ensinar. Nesse período de pandemia ocasionado pela COVID-19, grande parte dos professores tiveram de se reinventar para transformarem sua prática pedagógica. Ribeiro Júnior et al (2020, p. 111) cita em seu artigo que, principalmente na educação básica, 'a forma de ensinar mudou abrupta e drasticamente com a implantação do ensino remoto.'
Todos os integrantes da vida escolar foram impactados pelas adaptações abruptas devido a implementação das aulas não presenciais. Grande parte dos docentes tiveram que buscar capacitações. Essa busca ocorreu principalmente no uso de ferramentas tecnológicas para o ensino e em metodologias ativas de aprendizagem. Pois, como afirma Ribeiro Júnior et al (2020, p.112), o 'novo modelo de ensino até então não conhecido e nunca antes utilizado por docentes do ensino básico regular' teve que ser utilizado para tentar dar continuidade ao processo de ensino e aprendizagem.
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XX a XX de julho de 2021 - Online
- O Google Formulários foi usado para produzir essa atividade. Essa ferramenta está relacionada à coleta de informações, pesquisas e questionários, como informa o site do Google. Devido às facilidades na obtenção de análise das respostas, no ensino é comum o uso do Formulários em questionários. Heidemann, Oliveira e Veit (2010) citam em seu artigo que as 'avaliações de aprendizagem e levantamentos de opiniões podem ser facilmente implementadas no Formulários Google'.
- A capacidade do Formulários de criar seções que podem ser acessadas de acordo com algum critério preestabelecido possibilita a criação de vínculos semelhantes aos hiperlinks, o que propiciará também o ensino de forma não linear. A ideia de ler um material de forma não linear está relacionada aos hipertextos. Esses são um formato de texto eletrônico que de acordo com palavras-chaves dá acesso a diversos outros textos.
- O assunto utilizado na atividade foi o surgimento de um problema em propriedades rurais de uma cidade fictícia com características semelhantes ao local de pertencimento dos estudantes. Na atividade, o aluno deveria inicialmente acessar um Formulário Google. Para tentar criar um ambiente de engajamento e protagonismo, o aluno era informado que foi convidado para participar de um órgão de saúde do município da estória e que sua função era buscar alternativas, respostas e soluções pautadas na ciência para melhorias no município. Sendo assim, ele deveria tomar as decisões de acordo com seus conhecimentos científicos. A cada interação o aluno era levado a uma nova parte, que poderia variar para cada resposta dada, fazendo com que ele se tornasse co autor da estória envolvida na atividade.
A estória construída na atividade, mostrada na primeira seção, era que a cidade analisada tinha a agropecuária como base para produção de riquezas. Ela passou por uma expansão da agricultura e também aumento no uso de defensivos agrícolas. Tendo com base essas informações os alunos poderiam imaginar que esse local fictício tem diversas características da cidade em que ele vive e das cidades vizinhas.
Durante o percurso da atividade, existem respostas que levarão a um caminho em que não há mais alternativas a se propor. Então, surge para o aluno a opção de encerrar a atividade sem indicar uma possível solução ou refazer a atividade novamente. Quando o estudante chega numa possível solução ele é informado e surge uma mensagem solicitando a sua opinião sobre a atividade.
Ao total, foram quarenta sete seções criadas para a atividade. Ressaltamos que é muito improvável que o aluno percorra todas as seções. O tempo médio para a realização da atividade foi de vinte e cinco minutos. Se formos contar a leitura do texto de apoio e do vídeo, essa atividade demandou por volta de 50 minutos, o tempo médio de uma aula.
Nosso interesse é avaliar a recepção dos alunos referente a atividade e a forma com qual ela foi disponibilizada. Para isso utilizamos a opção de gerar uma planilha no formato Google. Analisamos individualmente cada resposta ao item 'O que você achou da atividade?' que era exibido antes do aluno terminar a tarefa. O feedback dos alunos em relação à atividade foi bastante positivo. Alguns deles consideraram a atividade como um jogo, argumentando que a dinâmica dela era cativante e bastante diferente das outras realizadas. Outros sugeriram que se elaborassem mais atividades com esse formato abordando outras áreas.
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Tivemos 76 interações com a atividade. Dentre esse número verificamos 5 opiniões negativas e 3 abstenções. Isso nos faz crer que esse tipo de abordagem pode ser útil em outros objetos de aprendizagem.
Foi possível notar que a utilização da atividade proposta por esse trabalho resultou na motivação de uma boa parte dos alunos para a aprendizagem do tema proposto.
Em suma, consideramos positiva a receptividade da atividade proposta. Acreditamos na potencialidade da ideia de se construir saberes com os conceitos de não-linearidade da aprendizagem.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base nacional comum curricular. Brasília, DF, 2016. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio. Acesso em: 12 dez. 2019.
BRASIL, Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+).Ciências da Natureza e Matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC, 2006.
FARIA, A. F.; VAZ, A. M. Tarefas para Aulas Invertidas: relato de experiência docente com deveres de casa on-line em curso de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 37, n. 2, p. 729-750, ago. 2020. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/2175-7941.2020v37n2p730. Acesso em: 18 set. 2020.
HEIDEMANN, L. A; OLIVEIRA, Â. M. M. Ferramentas on-line no ensino de ciências: uma proposta com o Google Docs. Revista Física na Escola, v. 111, n. 2, p. 30-33, 2010. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/116446. Acesso em: 22 ago. 2020.
RIBEIRO JÚNIOR, M. C. et al. Ensino remoto em tempos de covid-19: aplicações e dificuldades de acesso nos estados do Piauí e Maranhão. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 3, n. 9, 2020. p. 107-126. Disponível em: https://revista.ufrr.br/boca/article/view/RiberoJunior. Acesso em: 15 set. 2020.
SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência, Tecnologia e Sociedade) no contexto da educação brasileira. Ensaio. v. 2, n. 2, Dez, p. 1-23, 2000.
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