DESENVOLVIMENTO DE UMA FERRAMENTA WEB PARA O ENSINO DE HIDROSTÁTICA
Frederico Da Silva Borges
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## DESENVOLVIMENTO DE UMA FERRAMENTA WEB PARA O ENSINO DE HIDROSTÁTICA
## Frederico da Silva Borges
EEEFM Job Pimentel, fredsilvavaborges@gmail.com
Palavras-chave
: TDIC; Hipertexto; Hidrostática.
## Resumo expandido
Na atividade descrita neste trabalho, trataremos do ensino de hidrostática através do uso do computador. Nessa área da Física iremos nos ater ao desenvolvimento do conceito de densidade de um corpo e sua densidade relativa em relação a água. Nos atemos a essa área da física devido a essa parte ser quase sempre abandonada ou é tratada de maneira superficial nas escolas. Nos livros didáticos do PLND 2018 o tema encontra-se nos últimos capítulos de 7 dos 12 livros autorizados, sendo que alguns não possuem, na descrição disponível no site de escolha dos livros, a menção específica ao assunto.
No processo de ensino e aprendizagem, as perguntas têm um papel importante e devem ser feitas para que o aluno possa, por meio delas e de suas respostas, construir seu conhecimento. Usaremos o conceito de pergunta definido no trabalho de Machado e Sasseron (2011) de que ela é 'um instrumento dialógico de estímulo à cadeia enunciativa. Sendo assim usado com propósito didático dentro da estória da sala de aula para traçar e acompanhar a construção de um significado'. A pergunta tem um papel crucial no estímulo ao pensamento crítico e na validação, ou não, de ideias que os alunos formulam sobre determinado assunto.
Uma ferramenta importante para a construção desse produto foi o conceito de hipertexto. Nele é possível que o leitor percorra o texto de uma maneira mais independente, decidindo quais passos trilhar em sua leitura. O uso do hipertexto para a escrita traz novas possibilidades de leituras de um mesmo assunto. Fachinetto (2005) levanta a hipótese de que o 'hipertexto favorece a leitura em função de sua característica não-linear e não-hierarquizada, que entra em ressonância com o sistema cognitivo humano.' O leitor se torna co autor daquilo que lê, pois o sentido de um texto está também na sua estrutura. No hipertexto, o usuário tem muito mais liberdade de definir seu itinerário, podendo escolher quais caminhos seguir. Isso, segundo Marcuschi (1999, p.1), possibilita 'múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência nem topicidade definida, mas liga textos não necessariamente correlacionados.'
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
XX a XX de julho de 2021 - Online
O produto foi aplicado para 65 alunos dos turnos matutino e noturno de uma escola pública no interior do estado de Minas Gerais, como parte das atividades regulares dos alunos. Os alunos pertenciam ao ensino médio regular, sendo uma turma de primeiro ano matutino, uma turma de segunda ano matutino e uma turma de segundo ano noturno. Não houve uma explicação a respeito do produto por parte do professor. Os alunos foram informados que deveriam acessar o site pelo endereço eletrônico fornecido pelo professor e realizar o que era proposto.
Devido ao laboratório de informática da escola não possuir computadores suficientes para que todos os estudantes pudessem realizar as atividades individualmente, alguns deles realizaram as atividades em duplas. O tempo para a realização das propostas solicitadas no produto variou bastante. Alguns alunos terminaram em poucos minutos, devido a responderem que é a densidade a característica responsável pela flutuabilidade do corpo é a densidade. Outros demoraram o dobro do tempo ou um pouco mais do que aqueles que terminaram primeiro.
Figura 6 Alunos utilizando o produto.
<!-- image -->
Na primeira página com conteúdo para interagir o aluno foi questionado se um objeto afunda ou flutua. Nos interessa saber do aluno se o objeto afunda ou não. E nesse caso seria afundar até atingir o fundo do recipiente. Ao responder à pergunta, clicando em uma das alternativas, o usuário é levado a outra página semelhante que pergunta se o objeto da imagem afunda ou flutua. Nessa parte, independente da resposta dada pelo usuário, ele será levado para a mesma página.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Figura 1 - Primeiro questionamento.
<!-- image -->
Depois de algumas páginas com esse tipo de interação, o usuário é levado a uma página onde a interatividade começa a aumentar. Nesse ambiente ele será questionado sobre qual característica é determinante para afirmar se um objeto afunda ou não. Nessa parte do produto a resposta já não é uma opção a se clicar, alterando o padrão de hipertexto. Na página existe um espaço em branco, de um formulário, que o aluno deve preencher com sua opinião sobre qual característica influi na flutuabilidade do objeto. Como não é possível predizer todas as respostas, elencamos as mais prováveis.
Para alguns tipos de resposta dada pelo estudante, haverá um caminho diferente de se chegar ao conceito. O aluno pode ser levado para diversas páginas que ajudarão a corroborar ou refutar as ideias que ele possui até o momento. As interações que o usuário faz com o produto são escolher entre alternativas que o levará por caminhos até a construção final do conceito de densidade.
Devido aos poucos dados, não houve uma análise estatística das respostas dos estudantes para afirmarmos sobre a aquisição de conceitos abordados na atividade. Ao invés disso, no fim da atividade solicitamos aos estudantes que opinassem sobre o que acharam dela. A partir dos arquivos gerados pelos alunos, fizemos um apanhado das respostas. A grande maioria dos estudantes achou a atividade positiva, houve um estudante que considerou a atividade ideal para etapas anteriores da educação.
Não observamos problemas na realização da atividade. Os alunos só foram auxiliados quanto ao uso do computador, já que muitos não têm contato com essa ferramenta.
Em relação ao produto como ferramenta educacional, concluímos que ele atende de maneira satisfatória aos seus objetivos. Ele proporciona uma nova maneira dos estudantes interagirem com o assunto e permite que eles possam construir de forma mais dinâmica o conhecimento.
Por fim, consideramos que os resultados desse trabalho foram positivos. Criamos uma ferramenta que tenta alterar o papel do aluno no processo de ensino-aprendizagem, deixando de ser apenas um ouvinte passivo para fazer escolhas, dentro de um determinado cenário, e a partir delas chegar a um conceito
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
científico. E que pode ser realizada em outros locais além da sala de aula, saindo assim do cotidiano e da repetição de ambientes como geralmente ocorre na escola cujos resultados se mostraram muito satisfatórios.
## Referências
FACHINETTO, E. A. O Hipertexto e as Práticas de Leitura. Disponível em http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&ved=0CDY QFjAD&url=http%3A%2F%2Fwww.letramagna.com%2Feliane\_arbusti\_fachinetto.pdf &ei=foFvVNzADMKlgwT7ooLYBw&usg=AFQjCNFxDuA8vJe-XwD-0QHZMce2jNI5B Q Acesso em: 12 set 2017.
MACHADO, V. F.; SASSERON, L. H. As perguntas em aulas investigativas de Ciências: a construção teórica de categorias. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. Vol. 12, n. 2, p. 29-44, 2012. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4229/2794 Acesso em: 14 jun. 2018.
MARCUSCHI, L. A. Linearização, cognição e referência: o desafio do hipertexto. Línguas e Instrumentos Linguísticos, Campinas, v. 3, p. 21-46, 1999.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.