HISTÓRIA DA CIÊNCIA X PSEUDO-HISTÓRIA: DISCURSO DOS PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA
Gabriela Selingardi, Marcos Cesar Danhoni Neves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## HISTÓRIA DA CIÊNCIA X PSEUDO-HISTÓRIA: DISCURSO DOS PROFESSORES NO ENSINO DE FÍSICA
Gabriela Selingardi¹, Marcos Cesar Danhoni Neves 2
- 1 Universidade Estadual de Londrina - UEL, gabiselingardi@hotmail.com
- 2
- Universidade Estadual de Maringá - UEM, macedane@yahoo.com.br
Palavras-chave : História da Ciência; Ensino de Física; Fenomenologia.
## Resumo expandido
O processo de construção histórica da ciência converge com o processo de construção do conhecimento dos alunos (processo de aprendizagem). Observar, hipotetizar, colocar teorias ou percepções à prova sob certas circunstâncias, errar ou acertar e generalizar são comuns a ambos os processos. Entretanto, observa-se pouca ou nenhuma referência ao emprego da História da Ciência no Ensino Médio. A inserção da História da Ciência é uma das ferramentas que os professores podem utilizar para tornar o ensino de Física mais humano, fazendo, assim, mais sentido ao aprendizado dos alunos e, mostrando, de fato, como se constrói um conceito. Acrescenta-se, ainda, que a História da Ciência contribui para o ensino, visto que, segundo Matthews (1995, p. 172),
- [...] (1) motiva e atrai os alunos; (2) humaniza a matéria; (3) promove uma compreensão melhor dos conceitos científicos por traçar seu desenvolvimento e aperfeiçoamento; (4) há um valor intrínseco em se compreender certos episódios fundamentais na história da ciência - a Revolução Científica, o darwinismo, etc.; (5) demonstra que a ciência é mutável e instável e que, por isso, o pensamento científico atual está sujeito a transformações que (6) se opõem a ideologia cientificista; e, finalmente (7) a história permite uma compreensão mais profícua do método cientifico e apresenta os padrões de mudança na metodologia vigente.
Para Neves (2002), a História da Ciência pode ser utilizada como ferramenta em sala de aula, pois contribui para que o estudante perceba o processo de produção do conhecimento científico como uma atividade humana historicamente situada. Entretanto, os professores precisam tomar alguns cuidados, pois muitos deles acabam por abordar uma pseudo-história, ou seja, uma História da Ciência distorcida e empobrecida.
De acordo com Allchin (2004, p. 186), a pseudo-história ocorre quando são abordadas '[...] ideias falsas sobre o processo histórico da ciência e a natureza do conhecimento científico, mesmo quando baseados em fatos reconhecidos'. Sobre a pseudo-história, Forato (2013, p. 1317) comenta que se trata de '[...] relatos romantizados, personagens perfeitos, descobertas monumentais e individuais, insight tipo eureka, senso do inevitável, trajetória óbvia'. Portanto, o professor precisa ter conhecimento do que representam essas pseudo-histórias para não abordarem em suas aulas.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Tendo em vista a problemática da utilização da História da Ciência no Ensino Médio o presente trabalho discuti a seguinte questão: Como os professores do Ensino Médio abordam a História da Ciência no Ensino de Física? Diante dessa questão, o objetivo deste trabalho constitui em analisar como os professores do Ensino Médio abordam ou não a História da Ciência e enfatizar a importância da História da Ciência no ensino de Física. Para isso foram entrevistados, professores de Física, das escolas da Rede Pública de Ensino do município de Mirandópolis/SP.
- A proposta metodológica deste trabalho está baseada em uma abordagem fenomenológica, sendo ela de natureza qualitativa, buscando, assim, o significado que cada sujeito atribui para as coisas, por meio de sua consciência, constituindo-se, esse, o objeto de compreensão da fenomenologia. Segundo Neves (1991, p. 30): '[...] Só pode haver fenômeno enquanto houver sujeito no qual esse fenômeno se situa. Essa relação entre o fenômeno e o ser experienciador desvela uma consciência intencional'.
- O instrumento para a constituição de dados foi por meio de entrevistas gravadas e, em seguida, transcritas. De acordo com a fenomenologia, a entrevista consistiu em uma pergunta norteadora: ' O que é pra você o uso da História da Ciência no ensino de Física?', não havendo interferências do pesquisador durante o discurso do entrevistado. O pesquisador só realizou interrupções quando percebeu que o entrevistado estava desviando do assunto abordado.
A análise destes dados, foi fundamentada na fenomenologia de acordo com Bicudo (2000) e Martins (1989). Após transcrever as entrevistas e reler várias vezes os discursos dos professores com um olhar atento pela interrogação, foram destacadas as Unidades de Significados, lembrando que a '[...] pesquisa qualitativa fenomenológica, é sempre orientada pela interrogação, a qual indica, conforme a compreensão do pesquisador, as Unidades de Significados [...]' (BICUDO, 2000, p. 81). De acordo dom Neves (1991), é importante ressaltar que cada Unidade de Significados destacada será diferente para cada pesquisador, não podendo, assim, fugir do encontro intersubjetivo.
- A partir das Unidades de Significados, foi realizada uma análise de cada unidade de significado e por fim uma compreensão ideográfica do sujeito.Em seguida, foi construída a compreensão nomotética do conjunto dos sujeitos, constituindo-se, essa, a etapa final do processo fenomenológico (NEVES, 1991). É importante destacar que essa compreensão nomotética é realizada em duas etapas, sendo que, o primeiro é reunir as Unidades de Significados em categorias, lembrando que, as categorias emergiram a partir dos discursos dos professores, e em seguida realizar a compreensão eidética de cada categoria encontrada e a segunda etapa foi realizar uma compreensão nomotética geral dos discursos dos sujeitos.
- O presente artigo mostra que os professores possuem lacunas em sua formação inicial, dificuldades em abordarem a História da Ciência; apontando-o assim para a necessidade de um curso de formação continuada para estes professores.
Por meio das análises dos sujeitos envolvidos na pesquisa, foi possível perceber que somente um sujeito aborda a História da Ciência em suas aulas. O restante dos sujeitos apenas comenta sobre a vida do cientista e contam uma pequena história, isso mostra as pseudo-história presente nas salas de aulas. Desta forma, vêse um ensino desconexo, descontextualizado e linear, tornando assim as aulas cada vez menos atrativas.
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## Referências
ALLCHIN, Douglas. Pseudohistory and pseudoscience. Science & Education . v. 13, p. 179-195, 2004.
BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. Fenomenologia: confrontos e avanços. São Paulo: Cortez, 2000.
FORATO, Thaís Cyrino de Mello. Preparação dos professores para problematização da pseudo-história em materiais didáticos. IX Congresso internacional sobre Investigación em didáctica de las ciências, Girona, p. 9-12, set. 2013.
MARTINS, Joel; BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. A Pesquisa Qualitativa em Psicologia: Fundamentos e Recursos Básicos. São Paulo: Morais, 1989.
MATTHEWS, Michel R. História, Filosofia e Ensino de Ciências: A tendência atual de reaproximação. Caderno Catarinense de Ensino de Física , v.12, n.3: p. 164-214, dez. 1995.
NEVES, Marcos Cesar Danhoni. Uma perspectiva fenomenológica para o professor em sua expressão do: 'O que é isto, a Ciência' . Tese (doutorado em Educação). Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas, 1991.
NEVES, Marcos Cesar Danhoni. Lições da Escuridão . Campinas: Mercado de Letras, 2002.
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