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A Visão Consensual como Instrumento de Apresentação da Natureza da Ciência

Rodolfo Moreno Guidil Roda, Roberto De Andrade Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A VISÃO CONSENSUAL COMO INSTRUMENTO DE APRESENTAÇÃO DA NATUREZA DA CIÊNCIA

Rodolfo Moreno Guidil Roda 1 , Roberto de Andrade Martins 2

- 1 Universidade Federal de São Paulo - Campus Diadema, rodolfo.guidil@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de São Paulo - Campus Diadema, roberto.andrade.martins@gmail.com

Palavras-chave : Natureza da Ciência; História da Ciência; Ensino de Física

## Resumo expandido

A compreensão dos professores e alunos a respeito da natureza da ciência se apresenta como uma questão recorrente no ensino de física e ciências (Lederman, 1992; Matthews, 2012). Há um amplo número de trabalhos que objetivam de fornecer estratégias que favoreçam o desenvolvimento concepções consideradas adequadas a respeito do conhecimento sobre ciências. Esta preocupação advém de uma longa tradição de autores que defendem que a inserção da natureza da ciência no ensino contribui para a alfabetização científica do indivíduo, assim como contribui para a formação do cidadão. Segundo Acevedo-Diaz et al. (2017), seja esse conhecimento a respeito das ciências adequado ou não, é nele em que as pessoas se baseiam para tomar suas decisões frente a ciência e a tecnologia.

Assim como abundam trabalhos a respeito das concepções dos alunos e professores, abundam também formas de se compreender a natureza do conhecimento científico. Dentre essas concepções podemos destacar a chamada visão consensual, defendida por autores como Norman Lederman, William McComas e Daniel Gil-Pérez, em especial por sua ampla utilização no ensino. De forma simplificada, a visão consensual busca dar destaque a pontos em que se pode encontrar bastante concordância referente a natureza do conhecimento científico. Estes pontos são frequentemente apresentados no formato de listas, interpretados de forma essencialista e, nos últimos anos, tem sido alvo de diversas críticas. Todavia, como apontam Forato, Bagdonas e Testoni (2017), mesmo nas alternativas apresentadas pelos críticos da visão consensual, encontramos ainda uma lacuna entre a literatura e a sala de aula.

Nossa proposta visa mudar a perspectiva com a qual se encara a visão consensual. Acreditamos que reside nessa concepção um potencial de introduzir discussões a respeito da natureza da ciência, seja para professores ou alunos, permitindo que estes desenvolvam visões melhor informadas e que possam futuramente se aprofundar no assunto. Para que estas questões referentes à natureza da ciência sejam trazidas de uma maneira mais orgânica e contextualizada, recorremos a História, Filosofia e Sociologia da Ciência, que, segundo Acevedo-Diaz et al. (2017), tem sido utilizadas para promover aprendizado em e sobre as ciências. Segundo Forato, Bagdonas e Testoni (2017)

Considerando a historiografia da ciência uma atividade dinâmica, contextualizada e datada, que fundamenta distintas interpretações,

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entendemos que cada narrativa histórica pode mostrar diferentes aspectos da natureza da ciência em um mesmo recorte histórico. (p. 3512)

É importante também ressaltar que, apesar do potencial de discussão de diferentes aspectos da natureza da ciência em um mesmo recorte, não podemos forçar a inserção de aspectos que não aparecem no mesmo, ou seja, é necessário saber interpretar quais destes estão presentes no episódio escolhido. Como exemplo, selecionamos o episódio da maçã de newton, anedota que é comumente contada nas aulas de física de maneira totalmente alheia ao rigor histórico. Uma descrição adequada do episódio pode ser encontrada em Martins (2006). Abaixo se encontra um quadro que confeccionamos com o objetivo de guiar futuras intervenções de professores que buscam fomentar tais visões adequadas com base na lista presente em Gil-Pérez et al (2001). As colunas do quadro representam os aspectos da natureza da ciência cabíveis ao episódio histórico e os pontos da narrativa que propiciam a discussão.

Quadro 01: Aspectos da Natureza da Ciência Presentes no Episódio da Maçã de Newton

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Praga) na construção da narrativa da história da maçã.

Os pontos da narrativa histórica foram selecionados de acordo com a possibilidade de discussão dos aspectos, entretanto, reforçamos que relação entre a Natureza da Ciência e a História da Ciência no ensino possui uma longa tradição de atores com diversas visões a respeito de como deve ser a inserção dessas áreas na sala de aula. É possível que outras visões da Natureza da Ciência permitam que outras discussões possam ser suscitadas. Por fim não defendemos está concepção de ciência como única e definitiva e sim seu potencial de uso como ferramenta que permita o início das discussões a respeito de ciências, abrindo caminho para que ambos professores e alunos desenvolvam visões melhor informadas.

## Referências

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