ASTRONOMIA INDÍGENA: COMO POVOS ORIGINÁRIOS DO BRASIL OBSERVAVAM O CÉU
Vinícius Vieira Marsalia, Lavínia Boldrini Dos Santos, Paula Guimarães De Oliveira, Wanessa Santos Santana
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ASTRONOMIA INDÍGENA: COMO POVOS ORIGINÁRIOS DO BRASIL OBSERVAVAM O CÉU
## Vinícius Vieira Marsalia 1 , Lavínia Boldrini dos Santos 2 , Paula Guimarães de Oliveira' 3 , Wanessa Santos Santana 4
- 1 EEEFM Armando Barbosa Quitiba /SEDU/ viniciusvieira2@hotmail.com
- 2 EEEFM Armando Barbosa Quitiba /SEDU/ laviniabds155@gmail.com
- 3 EEEFM Armando Barbosa Quitiba / SEDU/ paula.goliveira@educador.edu.es.gov.br
- 4 Universidade Federal do Espirito Santo /MNPEF/wanessasantana@gmail.com
Palavras-chave : Astronomia indígena, Representatividade, Constelações indígenas
## Resumo expandido
Em 2020, foi apresentado na III Mostra de Astronomia do Espírito Santo o trabalho intitulado: "Astronomia Guarani". O evento visa reunir trabalhos de natureza científica tendo como tema a Astronomia, Astrofísica, Astronáutica e Cosmologia, assim como disciplinas correlatas. O trabalho foi apresentado a partir da perspectiva dos povos originários do Brasil e do Espírito Santo, tendo como base o olhar do povo Guarani para interpretar constelações, passagem do tempo através de relógio solar, estações do ano e fenômenos das marés.
Salientamos a importância de destacar a contribuição dos povos originários do Brasil na construção do conhecimento cientifico por uma questão de representatividade. É de extrema importância revelar a ciência produzida por nossos ancestrais e suas respectivas contribuições com avanços científicos em diversas áreas, especialmente na astronomia. Assim sendo, destacamos a importância de levar esse conhecimento para eventos estaduais e nacionais. Com base nisso, disponibilizamos esse resumo com base nos trabalhos de Germano Bruno Afonso.
Desde os primórdios dos seres humanos sobre a superfície do planeta Terra, a observação do céu é uma prática de diversas culturas distintas, inclusive a dos indígenas brasileiros. O objetivo deste trabalho é divulgar a perspectiva astronômica, construída a partir dos povos indígenas originários do Brasil, valorizando a diversidade presente a partir do olhar desses sujeitos.
Os indígenas por suas observações percebiam que havia variações no clima, na fauna, na flora e que essas eram influenciadas por fenômenos celestes tais como o dia-noite, as fases da Lua e as estações do ano.
Diante disso, iniciaram registros de fenômenos astronômicos, principalmente observando movimentos aparentes do Sol, as fases da Lua e suas constelações, para auxiliar em sua sobrevivência.
Pela observação do céu, os nativos observavam as constelações e a partir daí, tornou-se possível definir ciclos anuais. De acordo com os mais velhos, a terra nada mais é do que um reflexo do céu e que eles fazem parte da natureza. (AFONSO, 2013)
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Os indígenas da família tupi-guarani, usavam quatro constelações para definir as estações do ano e a aparição dessas consolidam flutuações sazonais pelas quais define a Primavera 'Constelação da Anta' (Fig.: 1), o Verão 'Constelação do Homem Velho' (Fig.: 2), o Outono 'Constelação do Cervo' (Fig.: 3) e o Inverno 'Constelação da Ema' (Fig.: 4).
Figura 1: Constelação dá Anta do Norte. Brasileiras.Fonte: AFONSO, 2013
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Figura 2: Constelação do Homem Velho.Fonte: AFONSO, 2013
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Figura 3: Constelação do Cervo.Fonte: AFONSO, 2013
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Figura 4: Constelação da EmaFonte: AFONSO, 2013
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Para medir o dia, os indígenas utilizavam recursos tecnológicos semelhantes ao relógio solar, 'Gnômom' (Kuaray Ra'anga, em guarani e Cuaracy Raangaba, em tupi antigo). O Gnômon é um dos objetos mais simples e antigos conhecidos da astronomia, que consiste de uma haste cravada verticalmente no solo, da qual se observa a sombra projetada pelo Sol sobre um terreno horizontal. (AFONSO, 2009).
No período Colonial do Brasil, o missionário francês Claude d'Abbeville em uma de suas expedições passou quatro meses entre os tupinambás do Maranhão, da família tupi-guarani, e em seu livro 'Histoire de la mission de pères capucins en l'Isle de Maragnan et terres circonvoisines', publicado em Paris em 1614, uma das maiores fontes da etnografia dos indígenas, contava que os indígenas por suas observações atribuíam as fases da lua nova e a lua cheia o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias. (AFONSO, 2009)
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Em 1632, Galileu publicou em seu livro 'Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo: ptolomaico e copernicano' que afirmava que a principal causa do fenômeno das marés eram os dois movimentos circulares do planeta (rotação e translação). Já Newton, depois de anos da publicação do livro de Galileu, demonstrou que a principal causa das marés era a influência gravitacional do sol e principalmente da lua, e os indígenas já tinham esse conhecimento por séculos. (AFONSO, 2009).
De acordo com as informações citadas, é notório que os indígenas brasileiros, possuíam como parte de seus meios de sobrevivência, conhecimentos a frente de seu tempo, e por séculos, estiveram à frente da ciência, e este conhecimento possibilitou a eles um melhor entendimento da vida ao seu redor. E então visando a importância dos saberes que esse povo adquiriu ao longo do tempo, e a importância de serem compartilhados, este trabalho foi constituído, com o intuito de reverter os processos de exclusão dos saberes desses povos.
## Referências
AFONSO, Germano Bruno. Astronomia indígena . Reunião anual da SBPC, v. 61, p. 1-5, 2009.
AFONSO, Germano Bruno. As constelações indígenas brasileiras . Telescópios na Escola, Rio de Janeiro, p. 1-11, 2013.
Afonso, G. B. O CÉU DOS ÍNDIOS DO BRASIL Germano Bruno Afonso (Musa-UNINTER) Disponível em: < http://www.sbpcnet.org.br/livro/66ra/PDFs/arq\_1506\_1176.pdf > Acesso em
11/03/2021.
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