A DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA EM FÍSICA NO BRASIL: INTERIORIZAÇÃO E PRODUTIVIDADE NAS NOVAS IFES
Murilo Sodré Marques, Wanisson Silva Santana
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## A DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA EM FÍSICA NO BRASIL: INTERIORIZAÇÃO E PRODUTIVIDADE NAS NOVAS IFES
## Murilo Sodré Marques 1 e Wanisson Silva Santana 2
- 1 Universidade Federal do Oeste da Bahia / Centro das Ciências Exatas e das Tecnologias / murilo.sodre@ufob.edu.br
- 2 Universidade Federal do Oeste da Bahia / Centro das Ciências Exatas e das Tecnologias / wanisson.santana@ufob.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física. Produção Científica. Novas Universidades.
## Resumo expandido
Pensar a docência no ensino superior brasileiro nos remete ao debate em torno da condição do trabalho docente, sobretudo nas novas instituições que, por terem a inclusão social e a democratização do conhecimento como elementos centrais de suas propostas, tendem a implementar perspectivas mais diversas e inclusivas, conferindo um maior protagonismo às atividades de ensino e extensão. No que tange à docência universitária em Física, a grande heterogeneidade de tais condições merece destaque. Neste estudo, com o objetivo de avaliar as consequências da interiorização do ensino superior brasileiro sobre sobre a prática docente, o trabalho de professores universitários de Física de três instituições federais de ensino superior criadas a partir do programa REUNI e que possuem pelo menos um curso de graduação em Física foi analisado quantitativamente nos aspectos relacionados à carga horária didática, à quantidade de disciplinas distintas ministradas e à produção acadêmica (Figura 01).
Figura 01: (à esq.) número médio de artigos produzidos pelos docentes das três IFES analisadas, (ao centro) carga horária semanal média e (à direita) número médio de disciplinas nas três IFES analisadas.
<!-- image -->
A compilação de todos os dados relativos às publicações segue na Figura 02, onde o quantitativo de disciplinas ministradas por todos os docentes é exibido em ordem crescente, chegando aos extraordinárias 25 (vinte e cinco) disciplinas distintas em quatro anos, algo impensável para um docente de qualquer outra área do conhecimento, inimaginável inclusive para um docente da área de Física lotado em uma instituição já consolidada em grandes centros urbanos. É possível concluir também que a carga horária oscila em torno de 10 horas semanais, não sendo, portanto um fator que diferencie docentes entre instituições com realidades díspares. Em que pese a constatação acerca da grande variabilidade média de disciplinas ministradas por estes docentes em um período de cinco anos, principalmente
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
quando comparada à realidade de instituições consolidadas localizadas em grandes centros, não foi possível perceber uma correlação entre carga horária crescente e diminuição da produção acadêmica.
Figura 02: número de disciplinas ministradas e de artigos publicados por todos os docentes das IFES estudadas.
<!-- image -->
Em termos da produção mais qualificada (classificada no estrato superior do último qualis), a figura 03 nos mostra que cerca de metade dos professores não publicaram artigos em revista de maior impacto nos últimos quatro anos, mesmo aqueles que possuem carga horária semanal média abaixo da preconizada na LDB. Tal ocorrência tem como fator preponderante o fato de que boa parte destes docentes estão em vias de doutoramento. A figura 03 também corrobora a conclusão que a figura 02 já havia nos proporcionado - de que os professores com produção mais relevante não tem se furtado de cargas horárias altas e de assumir uma grande quantidade de disciplinas distintas, tanto na graduação quanto na pósgraduação.
Figura 02: gráfico em barras exibindo a carga horária semanal média, o número total de disciplinas ministradas e o número de artigos publicados por todos os docentes que compõem a nossa amostra.
<!-- image -->
Quando analisada a produção docente no período, percebeu-se a sua grande variabilidade, com razões que vão desde a capacidade heterogênea de produção de cada docente, aliado ao fato de haver um corpo docente em formação em nível de doutorado, ou até mesmo a uma estrutura administrativa que demanda jovens pesquisadores exercendo funções administrativas, em detrimento das
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
atividades de pesquisa e extensão. Seja na perspectiva da excelência da docência superior atrelada à pesquisa ou vinculada à uma pedagogia inclusiva, transversal e um tanto quanto subjetiva, a excessiva diversidade de componentes, bem como os altos encargos, impactam ambos os caminhos para a dita excelência e, evidentemente, pode acarretar impactos individuais.
Dada a complexidade inerente às variáveis que constituem os dados apresentados neste trabalho, tais resultados tendem a sinalizar para questões relevantes ao contexto de uma prática docente engajada por preceitos pedagógicos: a variabilidade das disciplinas alcança uma média de 6(seis) disciplinas distintas por ano ou 25(vinte e cinco) disciplinas distintas a cada 4(quatro) anos; tal quantitativo, embora permita uma maior integração com o todo da área, pressiona o docente no sentido de não haver tempo hábil de implementar aspectos transversais e subjetividades formativas inerentes aos propósitos das nossas instituições. Ainda assim, pode-se verificar que, no período analisado, houve uma manutenção da produtividade no âmbito da pesquisa, evidenciada pela média de quatro a cinco artigos com qualis A1, A2 e B1 publicados pelos docentes das três instituições. O que os nossos dados apontam é que, seja na perspectiva da excelência da docência superior atrelada à pesquisa ou vinculada à uma pedagogia inclusiva, transversal e um tanto quanto subjetiva, a excessiva diversidade de componentes, bem como a acentuada carga horária em sala de aula, uma vez que a carga horária semanal média oscila em torno de 10 horas e deve ser somada às atividades de gestão, extensão e orientação, por exemplo, impactam ambos os caminhos para a dita excelência e, evidentemente, pode acarretar impactos individuais.
No que tange à capacitação pedagógica, a diversidade de componentes ministradas cerceia a possibilidade de o ensino se manifestar, para o docente, como espaço de formação. Não há qualquer possibilidade de, dentro de uma variabilidade tão grande, o docente dedicar toda a atenção nos elementos cognitivos e socioculturais inerentes à perspectiva contemporânea do processo de ensino e aprendizagem. Este perfil de atividade docente elimina, de modo contumaz, a possibilidade de situar a prática docente no espaço-tempo necessários à transição de mero conhecimento transmitido à saberes constituídos. No ritmo em que se apresenta, a prática docente nas universidades federais interiorizadas, como ocorre, está longe de atingir um propósito que transcenda a transmissão de conhecimento técnico, feita por um especialista, e recaia na troca de saberes e vivências, englobando todos os aspectos socioculturais inerentes.
## Referências
BARBOSA, A. Salários Docentes, Financiamento e Qualidade da Educação no Brasil. Educação & Realidade , Porto Alegre, v. 39, n. 2, p. 511-532, abr./jun. 2014. Disponível em: http://www.ufrgs.br/edu\_realidade. Acesso em: 10 nov. 2020.
BELEI, R. A. et al. Profissionalização dos Professores universitários: raízes históricas, problemas atuais. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos , Brasília, v. 87, n. 217, p. 401- 410, set/dez 2006.
BORTOLANZA, J. Trajetória do ensino superior brasileiro - uma busca da origem até a atualidade. In: XVII Colóquio Internacional e Gestão Universitária, Mar del Plata,
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
2017. Disponível em https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/181204 . . Acesso em 30 nov. 2020.
PIETROCOLA, M. Reformulação Curricular dos Cursos de Física. Rev. Bras. Ensino Fís. , São Paulo , v. 24, n. 3, p. 259, Sep. 2002 . Disponível em http://dx.doi.org/10.1590/S1806-11172002000300001. Acesso em: 07 dez. 2020.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.