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AS PRÁTICAS AVALIATIVAS NO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UFG E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO FUTURO PROFESSOR DE FÍSICA

Fernando Marcos Da Silva, Wagner Wilson Furtado

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XII
Ano
2010
Data
27/10/2010
Linha de pesquisa
- Ensino / Aprentizagem / Avaliação Em Física; Formação E Prática Profissional Do Professor De Física E Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS PRÁTICAS AVALIATIVAS NO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UFG E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO FUTURO PROFESSOR DE FÍSICA

## ASSESSMENT PRACTICES IN DEGREE COURSE IN PHYSICS OF UFG AND THEIR CONTRIBUTIONS TO THE FORMATION OF THE FUTURE TEACHER OF PHYSICS

Fernando Marcos da Silva 1 , Wagner Wilson Furtado 2

1 Universidade Federal de Goiás/Mestrado em Educação em Ciências e Matemática, fmarcos.fisica@gmail.com

2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wagner@if.ufg.br

## Resumo

Buscou -se , nessa pesquisa , saber como se configuram os processos avaliativos de professores do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Goiás (UFG), suas principais inquietações e experiências sobre essas práticas e se isso contribui para a formação dos futuros professores de Física e, também, propor uma reflexão acerca das metodologias avaliativas desses docentes, enquanto processo de formação de professores, aprofundando a discussão a respeito de como efetivar a avaliação como função formativa. O aporte teórico teve contribuições de Luckesi, Hoffmann, Demo e Shön, dentre outros . A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro professores e quatro alunos de cada um desses professores. Optamos pela pesquisa qualitativa, que possibilita aproximar-se dos significados que as pessoas dão às questões focalizadas, levando em consideração a compreensão das inter-r-relações de suas ações em uma instância particular. As entrevistas serviram de aporte para definir as análises por meio das seguintes categorias: características da avaliação, metodologias avaliativas e a avaliação na formação do futuro professor. Tais categorias nos ajudaram a compreender como as práticas avaliativas eram desempenhadas por esses professores e como eram vistas pelos seus respectivos alunos, além de verificar como essas práticas contribuem para a formação do futuro professor de Física . Observamos que houve dificuldades entre os alunos para examinar criticamente as avaliações a que são submetidos e desconhecem outras formas e finalidades da avaliação que não seja classificar para promover. Quanto aos professores, verificamos que uns consideram suas práticas avaliativas adequadas e corriqueiras, não havendo o que mudar, não percebendo as contribuições que os processos avaliativos dão ao processo de formação do futuro professor, no sentido de sua futura prática em sala de aula .

Palavras -chave: Avaliação, Ensino de Física, Formação de professores

## Abstract

That work intended know how to configure the evaluation processes for teachers Degree in Physics of Universidade Federal de Goiás (UFG), their main concerns and experiences about these practices and if it contributes to the formation of future teachers Physics, and also propose a reflection about the evaluation methodologies of these teachers as a process of teacher training, deepening the discussion about how to enforce the assessment and formative role. The theoretical contributions had Luckesi Hoffman, Demo and Shön, among others. Data collection was conducted through structured interviews with four teachers and four students from each of these teachers. We chose qualitative research, enabling closer to the meanings that people give to the questions focused, taking into account the understanding of the interrelationships of its actions in a particular instance. The interviews were used to define the contribution of analysis by means of the following categories: features of the assessment, evaluation methodologies and evaluation in the training of future teachers. These categories helped us understand how the assessment practices were carried out by these teachers and how they were viewed by their students, and to identify how these practices contribute to the education of future teachers of physics. We observed difficulties among students to critically examine the evaluations that are submitted and ignore other forms and purposes of evaluation that is not classified further. As teachers, we found that some consider their assessment practices appropriate and commonplace, not having that change, not realizing the contributions of evaluation processes give the process of educating future teachers, to their future practice in the classroom.

Keywords: evaluation, physic's education, teacher training .

## Introdução

As discussões em torno da avaliação como função formativa, apesar dos avanços, ainda não encerrou com a polêmica de como avaliar. Segundo Luckesi , temos que "colocar a avaliação escolar a serviço de uma pedagogia que entenda e esteja preocupada com a educação como mecanismo de transformação social". . (Luckesi, 2006, p. 28)

A avaliação é substancialmente reflexão, capacidade única e exclusiva do ser humano, de pensar sobre seus atos, de analisá-los, julgá-los, interagindo com o mundo e com os outros seres, influindo e sofrendo influências pelo seu pensar e agir. A avaliação também é polêmica, por se tratar de um mecanismo formador que orienta e acompanha o processo educativo, tornando-se inevitável a reflexão sobre a ação que o professor deve ter frente à formação de seu aluno.

Acredita -se que a avaliação seja um conjunto de ações cujo principal objetivo é o ajuste e a orientação da intervenção do professor para com o aluno e o processo educativo, de forma que o aluno aprenda de maneira significativa e com vontade de superar dificuldades e de se desenvolver enquanto pessoa autônoma e crítica.

Segundo Abrantes , a avaliação da aprendizagem dos alunos é composta por várias etapas e envolve interpretação, reflexão, informação, exploração das ideias e

tomada de decisão sobre os processos de ensino e aprendizagem vivenciados por eles e sua principal função é ajudar a promover ou melhorar a formação dos alunos (Abrantes, 1995). No entanto , é preocupante que as dificuldades sentidas pelos professores nesta vertente do seu trabalho possam muitas vezes levá-los a aligeirar, evitar ou abolir determinadas estratégias de ensino e de avaliação que contemplem essas etapas não possibilitando assim uma avaliação adequada.

Buscou -se nesta pesquisa saber como se configura os processos avaliativos de professores do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Goiás (UFG), as principais inquietações e experiências sobre essas práticas, se isso contribui para a formação dos futuros professores de Física e, também, propor uma reflexão acerca das metodologias avaliativas, desses docentes, enquanto processo de formação de professores, aprofundando a discussão a respeito de como efetivar a avaliação como função formativa.

## A A avaliação da aprendizagem e a formação de professores

A avaliação da aprendizagem deve ser um processo contínuo e formativo . Além de auxiliar o professor em sua prática pedagógica , deve ser realizada de acordo com a concepção de aprendizagem que o professor tem ao avaliar o desempenho do aluno. O professor é quem decide sobre a avaliação e é preciso que ele faça constantemente questionamentos e reflexões sobre o que é avaliar , por que avaliar , a quem avaliar , o que deve ser avaliado e quando avaliar, para que esta avaliação possa contribuir de fato para a formação do futuro professor.

Segundo Luckesi (1995) , a prática da avaliação apresenta-se, muitas vezes, como um ato ameaçador, autoritário e seletivo, confirmando um processo de exclusão. O ato de avaliar não deve se resumir a aplicar instrumentos como provas, exames, que objetivam apenas verificar o nível do desempenho do aluno num determinado momento de certo conteúdo, classificando-o como aprovado ou reprovado. A finalidade da avaliação escolar deve ser a de proporcionar resultados para a reflexão da prática pedagógica dos professores.

Ao avaliar, o professor estará constatando as condições de aprendizagem dos alunos, para, a partir daí, prover meios que levem a sua recuperação, e não sua exclusão, se considerar a avaliação um processo e não um fim.

A avaliação gera reflexões sobre o que o aluno compreende e por que ele não compreende. Então, avaliação não é apenas uma verificação de respostas certas ou erradas, não é um fim, mas uma ação mediadora. É dinâmica quando parte da análise das respostas do aluno diante de situações desafiadoras, possibilitando ao professor o acompanhamento da realização das atividades (Hoffmann, 1993).

O professor proporciona ao aluno a construção de novos conhecimentos, podendo ele, o aluno, ser autônomo na sua aprendizagem. Não se trata apenas de transferência de informações, mas de uma interação para a construção de conhecimentos que são fundamentais na formação do futuro professor. Então, a avaliação também deve constituir-se parte desse processo de interação entre professores e alunos, por meio dos quais ambos aprendem sobre si mesmos. Ao avaliar, o professor faz uma reflexão sobre a realidade do aluno e a

forma como ele constrói seu conhecimento; ao ser avaliado, o aluno toma consciência de seu próprio processo de formação (aprendizagem).

É indispensável a participação da avaliação no levantamento das dificuldades específíficas dos alunos. Ela é a responsável pela sondagem do nível de aprendizagem dos alunos, diagnosticando suas dificuldades e eventuais pontos de atuação futura.

Nos moldes atuais , como estão configuradas a maioria das práticas avaliativas nas instituições formadoras , elas apresentam-se como meio de divisão entre aqueles que simplesmente são aprovados a cada ano e aqueles que são aprovados com uma bagagem cultural mais avançada e alcançam melhores resultados, com provável êxito profissional.

Ao se falar em avaliação como função formativa supõe uma ação do professor em direção ao desenvolvimento e crescimento do aluno. Diversos autores têm enfocado a avaliação formativa como possibilidade de melhoria do desempenho do aluno e da atuação do professor. O conceito de avaliação formativa se opõe à avaliação somativa, que visa apenas o emparelhamento de notas . Ela enfatiza a importância do processo e não do produto. O diálogo estabelecido entre professor e aluno favorece o desenvolvimento da cultura da avaliação formativa beneficiando o acompanhamento do avaliador sobre as dificuldades apresentadas pelo avaliado, contribuindo para o processo de reflexão.

Nessa perspectiva , a avaliação formativa assume função de regulação, integrando o propósito de formação individualizada, na tentativa de articular as características dos professores e alunos com as finalidades da instituição formadora. A avaliação formativa, como afirma Hadji (2001) , contribui para que o sujeito avaliado reflita sobre si a partir da compreensão sobre o próprio desempenho, possibilita o aperfeiçoamento de suas intenções/ações, o que certamente terá reflexos na melhoria da qualidade do ensino.

## Resultados e análises

A pesquisa foi desenvolvida no final do 2º semestre letivo do ano de 2008 com quatro (4) professores que lecionavam disciplinas em diversos períodos do curso de Licenciatura em Física da UFG e quatro (4) alunos de cada um desses professores, selecionados por sorteio, totalizando 20 entrevistados. Foram realizadas entrevistas individuais, semi-estruturadas , com os professores e alunos. Estas entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas em quadros temporais para análise. Para facilitar a análise dos discursos , elaborou -se um plano de tratamento dos dados com o desmembramento dos textos em categorias e reagrupamentos analógicos, conforme apresentado a seguir:

## Descrição das categorias

## Categoria A: Características da avaliação

Constituem dados para análise desta categoria , os relatos dos sujeitos que: caracterizam a avaliação, seus pressupostos e concepções de o porquê avaliar/ser avaliado. Para tal, foi perguntado:

- · Que tipos de avaliações você realiza ao longo de sua disciplina ministrada?
- · Por que você avalia assim?
- · Qual é a sua opinião a respeito dos exames?
- · Por que avaliar/ser avaliado?
- · Cite experiências em avaliação vividas , que lhe marcaram positiva ou negativamente.

Nas entrevistas foi possível identificar as concepções sobre avaliação presentes nas falas dos sujeitos da pesquisa. Designamos (P) como professor e (A) como aluno. O número que acompanha cada letra indica cada um dos sujeitos. Apresentamos, a seguir , algumas falas:

...a avaliação tem um propósito , um objetivo de checar se aqueles conteúdos foram repassados e estão bem organizados na cabeça dos estudantes . EnEntão, você vai adquirindo formação para que você possa evoluir ao longo do curso, finalizar o curso esse é o propósito da avaliação. (P1)

É prá demonstrar, demonstrar um crescimento prá mim, prá mim mesmo. Dentro do curso tem as formalidades dos cursos que precisam de uma avaliação, mas pra mim a avaliação serve pra conseguir atingir tal ponto, ou então cresce. Através das avaliações eu consigo ver que eu cresci ao longo do curso. (A1)

É uma questão cultural . Bem , se não for assim como é que a gente vai falar, provar que a gente sabe ou não? Assim , pelo menos um pouquinho. É claro que a avaliação num vai falar se você está apto ou não. Tem uma série de fatores, tetempo de estudo, o tempo pra pessoa aprender e tudo mais. Mais é um tipo de avaliação. O professor tem que ter uma base pra saber se você está apto a passar pro próximo semestre ou não. (A12)

Podemos observar a concepção tradicional de avaliação presente na fala do professor P1 e dos alunos A1 e A12. Essa avaliação assume caráter regulador, formalista, autoritário , que pretende apenas comprovar o nível em que o aluno se encontra em relação à aquisição de conteúdos, quanto conseguiu absorver por meio de verificações periódicas, provas ou testes, de cunho somativo e classificatório que se configura como controle do aluno por meio de seu esforço , para atingir os objetivos propostos pelo professor (Luckesi, 1995). Atribui-se , a esse processo avaliativo , cunho meramente instrumental , não contribuindo em nada para a formação do futuro professor.

Segundo Luckesi (1995) , na maioria dos professores é corrente a queixa de que "os alunos só se preocupam com as notas". ". Entretanto, muitos professores não se dão conta de que a avaliação que realizam é a causa dessa preocupação. As notas altas representam apenas a garantia da continuidade dos estudos no próximo período, mas, aprimorar-se é um direito legítimo de todo cidadão.

A avaliação com objetivos classificatórios é algo em permanente tensão já que a relação de poder entre quem avalia e quem é avaliado é estabelecida de forma unilateral, tendo como pressuposto alguém que ensina e detém o conhecimento, e o outro, aquele que está sendo ensinado e não possui o conhecimento. Então, a relação entre o conhecimento específico do conteúdo ensinado e um conhecimento fundamentado sobre avaliação é de fundamental importância para que se tenha na futura atuação dos recém professores uma avaliação mais justa.

Porém existem manifestações contidas nas falas dos entrevistados alguns pontos que diferem da concepção tradicional de avaliação:

avaliar tem vários propósitos . Eu acho que... a principal coisa é corrigir, corrigir os rumos mesmo, você ter noção do que tá acontecendo. A responsabilidade é do estudante, é em refletir sobre um certo assunto no momento em que ele está sendo avaliado. Pesa a favor de uma aprendizagem , então eu acho que a avaliação também é um processo de aprendizagem. (P4)

Pra, pra ver como assim tá o andamento do curso. Eu vejo assim que é, é feita a avaliação prá isso, pra vê como tá sendo seu desempenho, apesar de que a prova num vai dá esse. (A2)

Eu acho que é um, é um feedback, que o professor tem de alguma forma ter. r. Independente da forma que ele seja aplicado , eu acho que é um feedback, k, uma resposta, se é que isso tá sendo ensinado, repassado pra surgir um tema alguma coisa. (A14)

Nestas falas é possível notar um conceito mais em uso de avaliação. Luckesi (1995) argumenta que o educador que estiver preocupado em dar um novo rumo para sua prática avaliativa deverá estar preocupado em direcionar os rumos de sua ação pedagógica. Segundo esse autor , o elemento essencial para que se dê à avaliação educacional um caráter dialógico é o resgate da sua função diagnóstica. " Para não ser autoritária e conservadora, a avaliação terá de ser diagnóstica, ela deverá ser instrumento do avanço, terá que ser instrumento da identificação de novos rumos" (Luckesi, 1995, p.43). A avaliação com a função apenas de classificação não serve em nada para a formação do futuro professor.

## Categoria B: Metodologias avaliativas

Foram analisadas as metodologias avaliativas vivenciadas pelos entrevistados , que relataram como as realizam no cotidiano da sala de aula , demonstrando suas tendências. Procuramos identificar qual a metodologia de avaliação é mais freqüente entre os sujeitos da pesquisa e o seu julgamento dessa avaliação, para isso utilizamos das perguntas:

- · Que tipos de avaliações você realiza ao longo de sua disciplina ministrada?
- · Quantas avaliações em média são realizadas no decorrer dessa disciplina? Esse número é adequado?
- · Como você considera seu processo avaliativo?
- · A que se pode atribuir os resultados negativos nas avaliações ao longo de uma disciplina ministrada?

No decorrer das entrevistas, foi possível perceber que cada docente dispõe de autonomia para definir suas práticas avaliativas, conforme os discursos dos professores P2 , P1 e P3 e alunos A A10 , A A3 e A A7:

Bom , são dois tipos principais. A primeira são avaliações mensais sobre o conteúdo ministrado. São como prova com quatro a cinco questões... a outra é , a cada quinze dias , aplicar alguns testes. Eu acredito que, que consigo, é fazer com que o aluno estude mais freqüentemente. E dando a lista e obrigando a resolver um exercício da lista em sala de aula, isso faz com que ele estude previamente aquilo que vai ser dado na prova. (P2)

Eu acho interessante por causa que a lista num tem assim, te força a fazer a lista, porque muita gente não faz. Acho, acho esse método muito bom. Força você fazer a lista. E daí assim um preparatório prá prova que geralmente as provas é uma mudança dos testes. (A10)

Nos processos avaliativos praticados pelo professor P2 2 e seu aluno A10 0 é possível notar a predominância da metodologia tradicional, que é composta exclusivamente por provas e testes visando à medição, classificação ou mensuração da aprendizagem. Tanto o professor quanto o aluno consideram adequados as formas avaliativas ali empregadas. No entanto , é possível notar nesses relatos uma relação autoritária entre professor e aluno, a medida que um ensina, o outro apenas aprende.

Segundo Demo (2000) , é comum essa relação perpendicular na qual o professor repassa as fórmulas, as equações e a matéria, estando do outro lado um aluno dedicado a tomar nota, acompanhar a evolução do assunto, para depois, reproduzir na prova. Para esse aluno estudar significa, literalmente, memorizar, decorar. Nem sempre essa metodologia adotada pelo professor proporciona ao aluno uma aprendizagem significativa, que possa contribuir para sua formação.

Já nas falas dos participantes P1 , A3 , P3 3 e A7 7 pode-se observar uma metodologia diferenciada para avaliar , que se baseia no aprender fazendo, onde os alunos ministram aulas como forma de avaliação, não na perspectiva de um profissional prático, mas na perspectiva de formação de um profissional reflexivo em sua prática.

A avaliação adotada toma como base as aulas apresentadas pelos alunos... a participação dos alunos nas aulas... eu to gostando muito desse processo assim eu gosto de assistir as aulas é porque eu gosto mesmo. (P1)

Na disciplina dele , que é uma disciplina mais prática, não tem tanta avaliação é mais expositiva , por que é prática de ensino. Então você vai lá e vai dar sua aula , fazer, montar um experimento... Eu acho adequada. (A3)

É essa disciplina de prática de ensino os alunos ministram aulas... aí a avaliação é, ela é encima da apresentação, ou seja da aula apresentada no quadro negro e giz. Com esse sistema de prática de ensino a única maneira de você avaliar é solicitar que eles ministrem aulas. (P3)

Foram avaliações totalmente de caráter prático, e a gente, nos demos aulas na prática de ensino, cada um deu uma aula expositiva no quadro negro... foi interessante , mas meio confuso porque no começo a gente tinha uma, uma segurança depois o trem ficou mudando, assim ele ficou mudando assim de opinião. (A7)

Essa metodologia aplicada pelos professores P1 e P3 pressupõe o aprender fazendo , mediado por eles, que atuam como alguém mais experiente que é capaz de indicar caminhos, perceber erros e dar-lhes orientações para melhorar a prática dos alunos. Donald Schön (1992) propõe que essa formação pode proporcionar profissional reflexivo a partir das premissas, aprender-fazendo e tutoria em contraposição a formação pautada nos princípios da racionalidade técnica, concepção teórica que considera a aplicação do conhecimento privilegiado aos problemas instrumentais da prática. Esse autor considera que essa metodologia pode proporcionar a formação de um profissional reflexivo, fornecendo subsídios para que o docente possa administrar o desempenho do aluno e sua ação docente.

Zeichner (1993) chama a nossa atenção para relação dialógica que a atividade reflexiva exige e que é tratada, segundo ele, por Shön como um processo

solitário. Quando o professor mantém-se em comunicação com outros professores isso exige dele uma reflexão junto aos outros , podendo levá-lo ao desenvolvimento profissional.

No entanto , os professores e alunos dessa disciplina não vêem outras metodologias avaliativas que possam ser aplicadas neste contexto e a consideram adequadas para a disciplina ministrada.

## Categoria C: A avaliação na formação do futuro professor

Compõem os dados para análise dessa categoria os discursos que tentam buscar relações entre os processos avaliativos e a formação do futuro professor. Para investigar as relações entre avaliação e formação foram feitas as seguintes perguntas:

- · Qual a relação entre a avaliação e o processo de ensino aprendizagem?
- · É possível mudar as práticas de avaliativas em sala de aula?
- · Quais sentimentos se fazem presentes durante os processos avaliativos empregados em sua prática?
- · Em sua opinião o que representa obter notas altas?
- · Após uma avaliação, você percebe que a maioria dos alunos saiu mal, qual seria a sua postura diante desse problema?
- · Em sua opinião, como o aluno se sente frente ao processo de avaliação?
- · Como o processo avaliativo ao longo do curso pode contribuir para a formação do futuro professor de Física?

Nas falas do professor P3 e dos alunos A10 0 e A16 6 foi possível identificar que , para eles , a avaliação é a única forma de garantir uma boa formação dos alunos.

Pode contribuir muito, muito mesmo . É porque quanto mais os alunos estudarem aqui dentro da universidade, quanto mais eles aprenderem o conteúdodo, quanto mais o conhecimento adquirido , melhoreres professores serão. Porque aqui dentro da universidade o processo de avaliação é, ele requer que a pessoa estude o conteúdo às vezes uma vez, duas vezes, três vezes, e ai quanto mais ele tá estudando , mais ele vai aprender, r, mais vai assimilando. EnEntão se você não faz avaliação nenhuma eles freqüentam do inicio até o fim com o problema cultural que nós temos aqui hoje. É perigoso o cara terminar o curso de Física e você perguntar qual é as três leis de Newton e ele não sabe. (P3)

...vão medir meu conhecimento dependendo, dependendo da forma de avaliação elas vão medir meu conhecimento , ou seja , é um erro me jogar lá fora prá dar aula sem saber nada é... Porque se ele não fez , não cursou bem , se ele não sabe, se ele não sabe se é assim , como ele vai passar pros outros... Se for uma avaliação que realmente analisar os quietos, analisar os princípios... eu acho que eu vou sair daqui, eu posso, posso dizer que formei e que fiquei um bom. (A10)

Não , a avaliação ela é necessária sim. Porque você precisa ter uma certa bagagem prá se formar. r. EnEntão é de certo modo essa avaliação vem medir essa bagagem que você tem. Só que eu acho que mede de uma forma errada. (A16)

Apesar de todos os participantes da pesquisa relatarem, quando questionados, que nem sempre notas altas representam aprendizagem, segundo eles , existem vários fatores que influenciam na aprendizagem do aluno, desde o tempo de estudo até a forma com que o professor ministra as disciplinas. Então não se pode, sempre, atribuir à nota, em uma avaliação que tem a intenção apenas de classificar, mérito de uma aprendizagem.

Segundo Carvalho (2006) , o professor como formador deve considerar-se co-responsável pelos resultados que seus alunos obtiverem, não pode situar-se frente a eles, mas com eles, sua pergunta não pode ser quem merece uma valorização positiva e quem não, mas que ajuda precisa cada um para continuar avançando e alcançar os resultados desejados. Nesse contexto, as tradicionais provas não fazem sentido. Certamente, toda avaliação de aprendizagem requer a verificação de conhecimentos dos alunos. Entretanto, não deve parar por aí. É necessário proceder a análise das informações de modo a elaborar a crítica da aprendizagem e do ensino praticado, pois, se o ensino não assegura a aprendizagem, tem como função facilitá-la. Desse modo, a avaliação da aprendizagem dos alunos é, simultaneamente, avaliação do ensino do professor. Como resultado das avaliações tem-se a manutenção ou o redirecionamento do ensino, sempre no sentido de melhorar a aprendizagem dos alunos.

Os discursos do professor P4 e dos alunos A14 e A15 5 mostram a importância da presença de metodologias avaliativas diversificadas nos processos de formação , podendo, ou não, refletir nas futuras práticas de seus alunos.

É ai que tá . Nós, se a gente ficar aqui no curso de licenciatura principalmente, fazendo uma avaliação muito, digamos , assim , hibrida , muito sem nuances, sem opções , muito rígida, só prova, só prova, só resoluções de problemas , ele vai levar isso para o ensino médio , ele vai chegar e vai fazer também só prova , ele vai cobrar dos alunos dele , do jeito que foi cobrado aqui ... Então , acho que o processo de avaliação para o estudante de licenciatura , em particular, r, ele tem que abrir, abrir um leque de possibilidade para que ele depois consiga lidar com avaliação de uma forma diferente, na carreira dele, na atuação profissional dele. (P4)

A primeira coisa que vem a mente , assim , é que o que eu vejo aqui dentro muita coisa eu não vou aplicar no ensinino médio e acho que em nenhum lugar também que eu for... mesmo sendo modelo tradicional de quadro e giz e papel pra avaliação , prova acho que tem como melhorar de alguma forma sim. (A14)

Eu acho que na minha postura em sala de aula isso pode contribuir e pode também influenciar pelo lado negativo, porque a gente é muito cobrado nessa questão de ser mais dura à gente acaba ficando mais, menos humano, de certa forma a gente fica mais rígido. Quando os processos, quando a gente sofre os processos mais rígidos , eu acredito que a gente acaba saindo mais rígido , então acaba passando isso para aluno do ensino médio. (A15)

Donald Schön (1988) enfatiza a importância da reflexão na ação e da reflexão sobre a ação, como dois dos traços distintivos mais importantes dos profissionais competentes. A reflexão respeita, sobretudo, os processos e capacidades de pensamento do sujeito. Pode-se dizer que a atuação profissional do futuro professor inclui uma parte que intervém diretamente em sua prática que, na maioria das vezes, é um reflexo das metodologias de ensino vivenciadas por eles durante a sua formação.

Segundo Nóvoa (1997) , a formação deve ser concebida como um processo permanente integrada no dia-a-dia dos sujeitos, indicando que os professores têm de ser protagonistas ativos na concepção, realização e avaliação de sua formação.

No entanto, para ensinar, não basta saber pensar tudo isso, é preciso um vasto conjunto de saberes e competências, que se designam por conhecimento profissional. Shulman (1987) chama a atenção para a necessidade que o professor tem de conhecer bem os conteúdos que ensina. Para ele, o professor não tem de conhecer estes conteúdos do mesmo modo que o cientista, mas de um modo diferente. Muito em especial , tem de conhecer as boas maneiras de torná -los compreensíveis e relevantes para os alunos. Nesse sentido os processos de ensino dos formadores podem contribuir, de forma significativa para a sua futura atuação profissional de seus alunos, como um reflexo de sua prática.

## Considerações finais

A ausência de discussões acadêmicas a respeito dos processos avaliativos no curso de Licenciatura em Física da UFG leva a práticas e concepções não contundentes a respeito da avaliação, como vimos nos discursos dos alunos e professores.

Os alunos encontram dificuldades para examinar criticamente a situação em que se encontram, submetidos desde o ensino fundamental à inculca de imagem do professor como detentor do saber verdadeiro. Eles desconhecem outras formas e finalidades da avaliação, diferentes da classificação para a promoção, de modo que esta se torna natural também aos seus olhos. Porém, eles resistem ao poder docente, identificando meios para contornar o controle exercido pelo professor, aprendendo as normas dessas avaliações e antecipando ações punitivas. E o professor vê em sua prática uma maneira adequada e corriqueira de avaliar. Decorre daí a perda de todo o sentido de um processo de ensino e aprendizagem criativo, pois não há o que mudar. Nessa perspectiva, o conhecimento acadêmico se restringe a uma ciência dogmática necessária ao aprender a fazer, condição para que os cidadãos adaptados à ordem vigente possam ingressar no mercado.

No entanto essas concepções tradicionais de avaliação vêm sofrendo algumas mudanças ao longo dos tempos, como foram possíveis observar r nas últimas falas dos sujeitos da pesquisa na categoria A. Elas apontam para uma avaliação na visão formativa. Segundo Biggs (1998), uma avaliação se caracteriza como formativa se os alunos, por meio dela, se conscientizarem das possíveis diferenças entre o seu estado atual de conhecimento e o estado que se pretende alcançar com as aprendizagens proporcionadas em sua formação.

De qualquer modo, novas práticas avaliativas fazem-se necessárias, mesmo que sejam pequenas, paulatinas e que aconteçam, inicialmente, apenas no interior de uma sala de aula.

Mudar as concepções e as práticas avaliativas não é deixar de avaliar, nem afrouxar. Ao contrário, é ser mais exigente e avaliar muito mais. Além disso, não se pode mais avaliar apenas o aluno, pois todo o sistema faz parte do processo, inclusive o trabalho dos professores. Avaliar a aprendizagem dos alunos, por mais complexo que possa parecer, é possível e necessário. Não haverá transformação sem ações concretas, mesmo que pareçam pequenas.

## Refeferências

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