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IMPACTOS DA MIGRAÇÃO DAS AULAS PRESENCIAIS PARA AS REMOTAS NA PERCEPÇÃO DE PROFESSORES DA ÁREA DE CIÊNCIAS EXATAS DO RECIFE

Daniely Maria De Oliveira, Énery Gislayne De Souza Melo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## IMPACTOS DA MIGRAÇÃO DAS AULAS PRESENCIAIS PARA AS REMOTAS NA PERCEPÇÃO DE PROFESSORES DA ÁREA DE CIÊNCIAS EXATAS DO RECIFE

## Daniely Maria de Oliveira ¹, Énery Gislayne de Sousa Melo ²

- 1 Universidade Católica de Pernambuco/CCT, dm1078583@gmail.com
- 2 Universidade Católica de Pernambuco/CCT, enery.melo@unicap.br

Palavras-chave : Pandemia; Tecnologia digitais; Processo de Ensino.

## Resumo Expandido

A pandemia causada por uma doença chamada Covid-19 apresenta uma ameaça, podendo suceder infecções assintomáticas até quadros graves, que muitas vezes, decorrem em óbito. Segundo a Sanar (2021), após mais de um ano do primeiro caso no mundo, temos no Brasil cerca de 270 mil mortes causadas pela Covid-19 e mais de 11 milhões de casos. No Brasil, o primeiro caso confirmado foi em 26 de fevereiro de 2020. O avanço da doença levou o governo a decretar, em 17 de março de 2020, a suspensão do funcionamento de escolas, universidades e demais estabelecimentos de ensino das redes pública e privada. As aulas presenciais foram substituídas, em caráter excepcional, pelo ensino remoto (BRASIL, 2020).

Este trabalho apresenta resultados preliminares de um estudo mais amplo, que tem como objetivo analisar os impactos no ensino remoto das disciplinas das áreas de física e da matemática, percebidos por docentes da educação básica e superior, do município do Recife, em Pernambuco. Neste resumo, apresentamos resultados iniciais dessa investigação, cuja metodologia é do tipo qualitativa (LÜDKE; ANDRÉ, 1986) e consiste em duas etapas: a primeira, de caráter exploratório, visa catalogar os artigos publicados sobre o tema; a segunda consiste na aplicação de um questionário semiestruturado a professores das disciplinas de matemática e física da educação básica e de cursos de licenciatura em física e em matemática de universidades localizadas no Recife.

A pesquisa bibliográfica foi iniciada em fevereiro de 2021. Utilizamos a base de dados do Google Acadêmico como fonte de busca, adotando as palavras-chave: covid19, ambiente virtual, desafios pedagógicos, tecnologia digitais. Localizamos seis trabalhos, sendo três publicações referentes às repercussões da covid-19 no trabalho docente na educação básica e três no ensino superior. A maioria dos trabalhos tinha como objetivo analisar as dificuldades e mudanças da prática docente devido à migração do ensino presencial ao remoto. De modo geral, eles indicam um alto grau de estresse nos professores atribuído aos desafios de adaptar os planos de ensino ao meio virtual de ensino, sem haver uma preparação, do ponto de vista da formação específica, para atuar com as tecnologias (ARRUDA, 2020; CAULA, 2020; PEIXOTO et al., 2020; RONDINI et al., 2020; SILVA et al., 2020; XAVIER, 2020).

Em relação ao questionário, conseguimos coletar informações de apenas 21 docentes, sendo 5 da educação básica e 16 dos cursos da educação superior. O

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formulário apresenta sete questões, sendo três de múltipla escolha e quatro abertas, as quais questionam: 1) Sobre os desafios encontrados na educação durante a pandemia; 2) Se as aulas no modo remoto têm repercutido positivamente; 3) Qual o diferencial do modo remoto para o ensino presencial; 4) Se eles já possuíam conhecimentos de tecnologias digitais; 5) Se foi necessário um curso de aperfeiçoamento; 6) Em razão às circunstâncias em que vivemos, como poderíamos repensar a educação; 7) Quais aprendizados, em relação à educação, foram obtidos.

A partir das respostas apresentadas às questões 1 e 2 pudemos perceber que as aulas no modo remoto têm repercutido positivamente. Verificamos que 53% dos docentes estão satisfeitos com a repercução de suas aulas. Entre os motivos indicados destacamos, a maturidade apresentada pelos estudantes na compreensão da necessidade de migração para o ensino remoto, e a colaboração desenvolvida entre docentes e estudantes. O professor A1 afirmou 'as aulas repercutem positivamente considerando que o estudante tem maturidade para compreender que sempre haverá um diferença em relação a aula presencial'. Esse resultado parece indicar que o entendimento dos estudantes sobre as diferenças entre o funcionamento do ensino presencial e o remoto, bem como, o seu engajamento nas atividades são fatores decisivos para a promoção de um resultado positivo sobre a sua aprendizagem. Essa evidência também foi observada em algumas das pesquisas catalogadas, como por exemplo, em Silva et al. (2020).

Os resultados das questões 3 e 4 informam que 53 % dos docentes já sabia utilizar as ferramentas digitais, mas também, que cerca de 66 % carecia de um curso de aperfeiçoamento sobre tecnologias digitais. Percebemos que todos os professores sentem a necessidade de aperfeiçoamento para o uso das tecnologias no ensino, mesmo aqueles que já conhecem algumas ferramentas. Resultado apontado também na pesquisa de Xavier (2020), o que nos leva a supor que o processo de elaboração de aula, a partir dos recursos tecnológicos, tem se apresentado com um desafio, exigindo maior dedicação dos docentes na realização da transposição didática. Entendemos que essa questão precisa ser investigada mais de perto, ficando como sugestão para pesquisas futuras específicas.

As respostas dos docentes em relação às últimas questões reforçam a necessidade de estar em constante processo formativo, 'se atualizando em relação as tecnologias e objetos de aprendizagem' (Professor 2) e no 'uso dos ambientes virtuais de aprendizagem juntamente com as metodologias ativas' (Professor 3). Eles defendem a transformação inevitável do ensino, em que as metodologias de ensino e ferramentas tecnológicas estejam presentes com maior veemência, 'na sala de aula de um professor que quer fazer a diferença na transmissão do saber' (Professor 1).

Outro ponto relevante é a preocupação dos docentes com a relação interpessoal e comunicação com os estudantes. Um professor apontou para 'a importância de saber utilizar os recursos tecnológicos para que pudéssemos chegar o mais próximo dos alunos possível'. (Professor 5). Xavier (2020), em sua pesquisa, identificou a preocupação dos docentes com a falta de infraestrutura (computadores) e de acesso à internet de qualidade pelos estudantes. Relacionado a isso, também destacou como dificuldade do processo de ensino-aprendizagem é 'a falta de formação específica para mediação das aulas por meio virtual'. Esses são aspectos que ainda não identificamos na nossa investigação. Talvez, seja necessário propor novas questões ao questionário, tendo como foco as dificuldades de os estudantes acompanharem as aulas remotas.

Por fim, consideramos que estes resultados iniciais demonstram a importância

da investigação do tema, com a necessidade de realização de mais pesquisas. Pesquisas que apontem fatores distintos, possibilitando reflexões sobre o árduo momento que os professores estão enfrentando em suas práticas pedagógicias e sobre a educação do futuro.

## Referências

ARRUDA, E. P. Educação remota emergencial: elementos para políticas públicas na educação brasileira em tempos de Covid-19. Revista Educação a Distância , v.7, n.1, p.257-275, 2020. Disponível em: https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/621. Acesso em: 13 de fevereiro de 2021.

BRASIL. Minstério da Educação. Portaria n. 343, de 17 de março de 2020 . Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19. Brasília, DF, 2020.

CAULA, L. A. A. M.; ARRUDA, J. S.; SILVA, L. M. R. C. O Ensino Remoto e a Pandemia de Covid-19: prática docente na universidde e a sustentabilidade. In: ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE GESTÃO EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE, 22., 2020, online. Anais [...] São Paulo: FEA/USP, 2020. Disponível em: https://engemausp.submissao.com.br/22/arquivos/133.pdf. Acesso em: 13 de fevereiro de 2021.

LINHA DO TEMPO DO CORONAVÍRUS NO BRASIL. Sanar Saúde , 2021. Disponível em: https://www.sanarmed.com/linha-do-tempo-do-coronavirus-no-brasil. Acesso em: 14 de março de 2021.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em Educação : abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1996.

RONDINI, C. A; PEDRO, K. M.; DUARTE, C. S. Pandemia da Covid-19 e o Ensino Remoto Emergencial: mudanças na prática pedagógica. 2020. Interfaces Científicas - Educação , v.10, n.1, p. 41-57, 2020. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/educacao/article/view/9085. Acesso em: 15 de fevereiro de 2021.

SILVA, J. A. O.; RANGEL, D. A.; SOUZA, I. A. Docência Ensino Superior e Ensino Remoto: relatos de experiências numa instituição de ensino superior privada. Revista Docência no Ensino Superior , v.10, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/rdes/article/view/24717. Acesso em: 15 de fevereiro de 2021.

XAVIER, M. C. S. Ensino Remoto no Distanciamento Social: Percepções e Experiências Docentes no Período da Pandemia do Covid-19 . Monografia (Graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas) - Universidade Federal da Paraíba, Areia, p.71. 2020.

PEIXOTO, A. B.; TANNÚS, A. M.; LEMOS, A. D.; SOUZA, F. E.; SILVA, M. M.; NISHI, L.; VERAS, M. F. P. V.; POCIVI, V. C. B.; MARINS, W. F.; JÚNIOR, W. P. S. Migração para Aulas Remotas: experiências didáticas de disciplinas da matemática nos cursos de engenharia de computação/software. In: SEMINÁRIO DE PRÁTICAS

DOCENTES, 39., 2020, online. Anais [...], UniEvangélica, 2020, p. 295-298.

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