VISÃO DO DOCENTE EM RELAÇÃO AO ENSINO DE FÍSICA EM PERÍODO DE PANDEMIA EM TERESINA- PI
Lanna Isabely Morais Sinimbu, Micaías Andrade Rodrigues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## VISÃO DO DOCENTE EM RELAÇÃO AO ENSINO DE FÍSICA EM PERÍODO DE PANDEMIA EM TERESINA- PI
Lanna Isabely Morais Sinimbu 1 , Micaías Andrade Rodrigues 2
- 1 Universidade Federal do Piauí/Departamento de Física, lannasinimbu@ufpi.edu.br
- 2 Universidade Federal do Piauí/Departamento de Física, micaias@ufpi.edu.br
Palavras-chave : Ensino remoto. Ensino de Física. Pandemia
## Resumo expandido
Desde o início do ano de 2020, cerca de 48 milhões de estudantes brasileiros deixaram de frequentar as atividades presenciais nas mais de 180 mil escolas de ensino básico espalhadas pelo Brasil, como forma de prevenção a propagação do novo Coronavírus (COVID-19) (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020). Assim, os docentes tiveram que adaptar-se não somente a um novo estilo de vida frente às necessidades do isolamento social, mas também a ensinar e aprender dentro de um modelo adaptado a uma educação tecnológica.
Em primeiro momento, os professores (as) e alunos (as) tiveram que adotar o uso de plataformas digitais e das novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs), que apesar de não serem novidade, sempre houve dificuldades na implementação, devido a: falta de investimentos de apoio pedagógico aos professores e alunos; cursos superiores que não capacitam o profissional para trabalhar com essas tecnologias; além da própria resistência dos professores para trabalhar com essas tecnologias (SOARES LEITE; NASCIMENTO RIBEIRO, 2012).
Durante a adaptação professores precisaram ir além de uma sala de aula e participarem de comunidades virtuais, como por exemplo transformarem-se em youtubers gravando vídeos-aulas e aprendendo utilizar sistemas de vídeo conferência para se adaptar e elaborar novas metodologias, pensar em novas formas de avaliar, e principalmente, garantir a atenção dos alunos (MONTEIRO; MOREIRA; ALMEIDA, 2012).
Em virtude do exposto sobre o ensino na pandemia, o presente trabalho buscou observar e analisar as mudanças que o ensino remoto trouxe para o ensino de física na perspectiva do professor e levando-se em conta a formação continuada do mesmo. Sobre a formação do docente, tem-se o pressuposto de que a formação permanente do professor é condição de possibilidade de reconhecimento dos docentes nas diferentes instâncias do saber, uma vez que carrega um sentido pedagógico, prático e transformador (JUNGES; KEITZER; OLIVEIRA, 2018).
Nesta pesquisa foi realizada uma investigação com docentes de Física da rede pública e privada de Teresina, Piauí. A pesquisa se deu por meio de um questionário no formato do google forms. O questionário foi o instrumento de produção de dados pois, segundo Marconi e Lakatos (2007, p. 203 - 204):
- a) Atinge maior número de pessoas simultaneamente.
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- b) Abrange uma área geográfica mais ampla.
- c) Obtém respostas mais rápidas e mais precisas.
- d) Há maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato.
- e) Há mais segurança, pelo fato de as respostas não serem identificadas.
- f) Há menos riscos de distorção, pela não influência do pesquisador.
- g) Há mais tempo para responder e em hora mais favorável.
- h) Há mais uniformidade na avaliação, em virtude da natureza impessoal do instrumento.
O questionário foi repassado aos docentes via google forms por causa do isolamento social, que impedia a interação de forma física, ocorrendo, então, de forma virtual. O questionário se dividiu em três seções (etapas). A primeira etapa buscou construir o perfil dos entrevistados, com questões sobre idade, sexo, tempo de experiência, sobre a sua formação e sobre o local de trabalho (nome da escola, rede pública ou privada, quantos anos de magistério). Na segunda etapa da pesquisa as perguntas foram direcionadas para as metodologias de ensino e os recursos utilizados antes da pandemia. Na terceira etapa o questionário visou compreender como se deu a atuação do docente durante a pandemia e promover algumas reflexões sobre a mesma.
O espaço amostral da pesquisa contou com 20 profissionais, sendo 16 do sexo masculino e 4 do feminino. 18 docentes têm formação em licenciatura em física ou em Ciências com habilitação em Física e os outros 2 tem bacharelado em Física ou licenciatura em Matemática. A maior parte tem mais de 10 anos de docência (13) e pós-graduação concluída (9 especialistas e 6 mestres). 16 lecionam em escolas públicas e 8 em escolas privadas, sendo que 4 docentes atuam em ambas.
Ao analisar os dados obtidos pelo questionário, verificamos que o material utilizado pelos docentes durante as suas aulas foi pouco modificado durante a pandemia. Os 19 docentes que utilizavam o livro didático antes da pandemia continuaram a utilizá-lo durante a mesma. 11 docentes afirmaram usar recursos variados como datashow, vídeos (filmes e youtube), experimentos e simulações e este número subiu para 14, ampliando os recursos com a inserção de aplicativos como o Seilab, MAXIMA e Modellus, mas utilizando plataformas como o Google Classroom, Zoom, Meet e whatsapp para poderem ministrar as aulas e/ou repassar as atividades.
Também foi questionado 'O que torna mais difícil o ensino de física?', e as respostas mais citadas foram a ausência de base matemática do alunado e a exposição do conteúdo focando na linguagem matemática e não nos conceitos de Física, o que dificulta a contextualização. 'O uso excessivo da linguagem matemática ao invés da exploração do conteúdo de forma investigativa', conforme respondeu o professor D, são fatores que desmotivam o aluno e consequentemente o docente.
Esta dificuldade já era verificada em período anterior à pandemia e ficou mais explícito durante esta, pois foi notório o desinteresse e participação dos alunos nas atividades, quer fossem elas síncronas ou assíncronas. A inserção das NTIC pode facilitar no interesse dos alunos, mas, enquanto a Física se mostrar alheia à realidade dos mesmos, estas ferramentas não surtirão os efeitos esperados.
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É preciso modificar a ação docente do professor de Física na escola e, principalmente, repensar a formação dos futuros professores. Os diversos métodos e equipamentos que se encontram disponíveis para utilização em sala de aula não farão o efeito desejado se o professor não compreender como o aluno se sente em relação aos conteúdos trabalhados. O desenvolvimento da empatia (RODRIGUES, 2019) e a contextualização dos conteúdos (RICARDO, 2010) tende a facilitar este ensino. Logo, é preciso estar atento às tecnologias e modernidades que estão cada vez mais presentes na sala de aula, mas sem esquecer do aspecto humano e do fato que, para haver ensino e aprendizagem, o professor ensina e o aluno compreende o que fora exposto. Se isto não acontece, a escola perde a sua função.
## Referências
JUNGES, F. C.; KETZER, C.; OLIVEIRA, V. M . Formação continuada de professores: Saberes ressignificados e práticas docentes transformadas. Educação & Formação , v. 3, n. 3, p. 88-101, 3 set. 2018.
MONTEIRO, A.; MOREIRA, J. A; ALMEIDA, A. C. Educação online: pedagogia e aprendizagem em plataformas digitais. Santo Tirso - PT de facto Editores, 2012.
RICARDO, E. C. Problematização e contextualização no ensino de física. In: CARVALHO, A. M. P. (Org.). Ensino de Física . São Paulo: Cengage Learning, 2010, p. 29-51.
RODRIGUES , M. A. Estudo de aula em comunidades de prática para o ensino de física: um estudo de caso em Teresina - PI. 2019. 382 f. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós-graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 2019.
SOARES-LEITE, W. S.; NASCIMENTO-RIBEIRO, C. A. do. A inclusão das TICs na educação brasileira: problemas e desafios. Magis, Revista Internacional de Investigación en Educación , v.5, n.13, p. 173-187, 2012. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/2810/281024896010.pdf >. Acesso em: 28 fev. 2021.
TODOS PELA EDUCAÇÃO . O Retorno às aulas presenciais no contexto da pandemia da COVID-19 . Nota Técnica - Maio 2020. Disponível em: <https://www.todospelaeducacao.org.br/\_uploads/\_posts/433.pdf?1194110764>. Acesso em: 28 fev. 2021.
MARCONI, M.A.; LAKATOS, E.M. Fundamentos de Metodologia Científica . São Paulo: Atlas, 2007.
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