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ANÁLISE DE UMA ENTREVISTA COM O PROFESSOR SUPERVISOR DA ESCOLA BÁSICA EM PERÍODO DE ESTÁGIO REMOTO: IMPACTOS E DESAFIOS PROVENIENTES DA PANDEMIA

Ricardo Gonçalves Pellis, Bruna Karl Rodrigues Da Silva, Thamyris Cristine Guimarães Britto Siqueira, Ricardo Monteiro Da Silva, João Paulo Fernandes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DE UMA ENTREVISTA COM O PROFESSOR SUPERVISOR DA ESCOLA BÁSICA EM PERÍODO DE ESTÁGIO REMOTO: IMPACTOS E DESAFIOS PROVENIENTES DA PANDEMIA

Ricardo Gonçalves Pellis 1 , Bruna Karl Rodrigues da Silva 2 , Thamyris Cristine Guimarães Britto Siqueira 3 , Ricardo Monteiro da Silva 4 , João Paulo Fernandes 5

- 1 CEFET/RJ Campus Petrópolis/Estudante - Licenciatura em Física, ricardogpellis@gmail.com
- 2 CEFET/RJ Campus Petrópolis/Estudante - Licenciatura em Física, brunakarl@outlook.com
- 3
- CEFET/RJ Campus Petrópolis/Estudante - Licenciatura em Física, thamyc.britto@gmail.com
- 4 Colégio Estadual Mauá/Professor - Física, proricardofisica@gmail.com
- 5 CEFET/RJ Campus Petrópolis/Professor - Licenciatura em Física, joao.fernandes@cefet-rj.br

Palavras-chave : Entrevista; Estágio Supervisionado; Ensino Remoto Emergencial.

## Resumo expandido

O presente trabalho propõe a elaboração, desenvolvimento e análise de uma entrevista semiestruturada realizada com um professor de física de uma escola estadual do Rio de Janeiro, elaborada por três licenciandos em física e supervisionados pelo docente da universidade. Este modelo de estágio que estamos vivenciando representa uma situação atípica, em que atuamos nas aulas de física de maneira remota, devido à Pandemia do Covid-19.

Nesse sentido, a entrevista busca esclarecer, a partir do ponto de vista do professor da escola básica, o cenário que os licenciandos tinham para atuar, planejar e desenvolver atividades relacionadas ao ensino de física em uma escola pública e estadual de educação básica. Para isso, foram estruturados três blocos: (i) formação docente; (ii) dificuldades vivenciadas no período remoto; e (iii) principais perspectivas pós ensino remoto emergencial (ERE).

Devido ao grande volume de informações transcritas, optamos por narrar, de modo geral, a entrevista nos embasando na análise qualitativa das informações sob a ótica de Alves e Silva (1992) no que diz respeito à critérios de seleção de trechos relevantes para o desenvolvimento das discussões: ' 1. As questões advindas do problema de pesquisa; 2. As formulações da abordagem conceitual que adota; 3. A própria realidade sob estudo'.

Relacionado à formação docente e à utilização da plataforma utilizada pelas escolas estaduais do Rio de Janeiro, o professor destaca que na graduação, e nem mesmo no mestrado, obteve uma formação específica para atuar no ERE. Também salienta que ficou deslumbrado com a plataforma, e com os recursos que até então não eram conhecidos. Mas, a capacitação foi muito técnica e mecânica, voltada para o conhecimento dos recursos oferecidos, sem a possibilidade de reflexões sobre o que e como trabalhar nesta plataforma.

Nessa perspectiva, as falas do professor deixam muito claro que a formação fornecida aos docentes, de maneira geral, não conseguiu suprir as necessidades que

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XX a XX de julho de 2021 - Online

o ensino remoto demanda, tornando-o técnico, mecanizado e sem perspectivas de novas buscas por metodologias - sejam elas: ativas e/ou digitais - que sejam facilitadoras para a formação do aluno. Ou seja, não foi possível concretizar um processo de ensino-aprendizagem expressivo, não bancário (FREIRE, 1987).

Quando conversamos sobre as dificuldades vivenciadas no ERE, o acesso à internet foi o principal problema relatado, além dos obstáculos para comunicação de maneira online. Apesar de muitos alunos relatarem inicialmente que tinham acesso à internet, este era muito limitado, geralmente englobando apenas os pacotes de dados fornecidos pelas operadoras telefônicas. Com isso, é necessário ressaltar o fator de que a crise da Pandemia de Covid-19 se tornou uma janela de oportunidades para uso de tecnologias digitais na educação neste âmbito de parceria público-privada (FRANÇA FILHO; ANTUNES; COUTO, 2020).

No último bloco da entrevista, concernente às principais perspectivas pós ERE, o professor rapidamente aponta para a necessidade de se adaptar ao inesperado, destacando que a escola acompanha o desenvolvimento não só intelectual dos alunos, mas também o humano e afetivo, sendo palco de interações sociais formativas que estão muito além do quadro branco. Para ele, a escola - e consequentemente seus docentes - devem formar cidadãos aptos para o convívio em sociedade, e os conteúdos ensinados devem ser facilitadores dos processos que viabilizam isso. É possível perceber alguns ideais da teoria da aprendizagem de Vygotsky (1984), onde as relações sociais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo dos alunos. O indivíduo afeta o ambiente no qual está inserido, modificando-o e sendo modificado por ele, em um processo de construção continuada.

Com base na entrevista, podemos inferir que a implementação do ERE ocorreu de maneira repentina, sem planejamentos prévios e formação adequada aos professores, suscitando novos desafios não somente para a prática docente, como também para a escola como um todo, desde os alunos até a gestão escolar (PAES; FREITAS, 2020). Ademais, a inserção de tecnologias digitais no ensino não foi capaz de suprir toda a demanda escolar, ressaltando, e acentuando, as desigualdades sociais presentes no ambiente escolar.

Por fim, consideramos que a modalidade de estágio remoto nos ajuda a realizar o exercício de aprender a aprender, de estarmos dispostos aos novos desafios e possibilidades impostos na educação pela pandemia. E, além disso, o caráter extraordinário de uma pandemia, que atinge a educação de maneira global, reforça a necessidade de compreendermos a docência como um processo complexo que está fortemente atrelado aos fatores sociais, econômicos, afetivos e políticos.

## Referências

ALVES, Z. M. M. B.; SILVA, M. H. G. F. D. Análise qualitativa de dados de entrevista: uma proposta. Paideia , FFCLRP, USP - Rib. Preto, n. 2, p. 61-69, fev./jul. 1992.

FRANÇA FILHO, A. L.; ANTUNES, C. F.; COUTO, M. A. C. Alguns Apontamentos Para uma Crítica da Educação a Distância (EaD) na Educação Brasileira em Tempos de Pandemia. Rev. Tamoios , ano 16, n. 1, Especial Covid-19. p. 16-31, 2020.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido . São Paulo: Paz e Terra, 1987.

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PAES, F. C. O.; FREITAS, S. S. Trabalho docente em tempos de isolamento social: uma análise da percepção do uso das tecnologias digitais por professores da educação básica pública. Revista Linguagem em Foco , v. 12, n. 2, p. 129-149, 2020.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente . São Paulo: Martins Fontes, 1984.

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