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NECESSIDADES FORMATIVAS ENUNCIADAS POR PROFESSORAS DE ANOS INICIAIS NO CONTEXTO DA BNCC: UM OLHAR NO CAMPO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA

Sônia Elisa Marchi Gonzatti, Gabriela Luisa Henz, Paula Vitória Pellenz, Márcia Jussara Hepp Rehfeldt, Marli Teresinha Quartieri, Ieda Maria Giongo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## NECESSIDADES FORMATIVAS ENUNCIADAS POR PROFESSORAS DE ANOS INICIAIS NO CONTEXTO DA BNCC: UM OLHAR NO CAMPO DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA

Sônia Elisa Marchi Gonzatti¹, Gabriela Luisa Henz², Paula Vitória Pellenz³, Márcia Jussara Hepp Rehfeldt 4 , Marli Teresinha Quartieri 5 , Ieda Maria Giongo 6

¹Universidade do Vale do Taquari/área de Ciências da Natureza e Engenharias, soniag@univates.br

²Universidade do Vale do Taquari/estudante de Psicologia/bolsista de iniciação científica, gabriela.henz@univates.br

³ Universidade do Vale do Taquari/estudante de Enfermagem/bolsista de iniciação científica,

paula.pellenz@univates.br

4 Universidade do Vale do Taquari/área de Ciências da Natureza e Engenharias, mrehfeld@univates.br

5 Universidade do Vale do Taquari/área de Ciências da Natureza e Engenharias, mtquartieri@univates.br

6 Universidade do Vale do Taquari/área de Ciências da Natureza e Engenharias, igiongo@univates.br

Palavras-chave : BNCC, Ciências da Natureza, Anos Iniciais.

## Resumo Expandido

Uma das preocupações da educação Brasileira é a elaboração de currículos para educação básica, cujos debates mais ou menos democráticos culminam na publicação de documentos oficiais, como a BNCC. Em relação à Base, vários estudos contribuem com problematizações importantes. O silenciamento de vozes e perspectivas teóricas do campo da pesquisa em educação em Ciências, a hegemonia de documentos legais como referenciais, os discursos e metas alinhados ao neoliberalismo econômico são alguns elementos identificados em estudos que analisam a BNCC (GONTIJO, 2015; MARSIGLIA et al., 2017; FLÔR; TRÓPIA, 2018). Também é passível de problematização algumas incoerências conceituais e metodológicas sobre o processo investigativo anunciado na BNCC, que prioriza conceitos e habilidades atinentes às práticas científicas em detrimento das epistêmicas, ou seja, daquelas 'que associam-se a aspectos metacognitivos da construção de entendimento e de ideias sobre fenômenos e situações em investigação' (SASSERON, 2018, p.1067). Franco e Munford (2018), por sua vez, apontam a centralidade em aspectos conceituais, um excessivo número de habilidades e a falta de orientações claras sobre a esperada articulação com outras áreas de conhecimento como pontos problemáticos.

Movimentos de tensão e debate parecem ser inerentes ao avanço de políticas curriculares que oscilam entre democratização, inclusão e normalização/controles. Assim, chega-se a uma base entre outras possíveis, a Base Nacional Comum Curricular (ou BNCC). Nos contextos escolares, a promulgação da Base (BRASIL, 2017), suscitou diferentes processos que devem levar à implementação das diretrizes do documento nas práticas. Assim, coloca-se como um questionamento profícuo de

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

pesquisa analisar as inovações, inquietações e necessidades formativas que emergem na/da prática docente.

Este trabalho é um recorte de estudo mais amplo, financiado pela FAPERGS, 'A formação continuada e o processo de reformulação curricular dos Planos de Estudos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: um olhar sobre Ciências da Natureza e Matemática'. O objetivo é apresentar resultados preliminares sobre percepções de professoras dos Anos Iniciais de três escolas, sobre inquietações, dúvidas conceituais e metodológicas, em relação aos objetos de conhecimento da área de Ciências da Natureza, no âmbito dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

A coleta de dados, foi realizada por meio de um questionário online, respondido por 16 professoras de 3 escolas de ensino fundamental, parceiras da pesquisa. Nas questões objetivas, os respondentes deveriam assinalar, por ordem de prioridade, os objetos de conhecimento em relação aos quais sentem mais necessidade de aprofundar discussões conceituais e metodológicas, atribuindo 1 para os conteúdos com menor necessidade até 5 para os de maior necessidade. Uma questão objetiva incluiu os objetos de conhecimento de Ciências da Natureza, e outra incluiu aqueles atinentes à área de Matemática. O questionário também incluiu questões descritivas, que abordaram inquietações emergentes a partir da implantação da BNCC e o ensino remoto em 2020, mas tais aspectos não são analisados neste trabalho.

O Gráfico 1 expressa o percentual de docentes que avaliaram como média, alta ou muito alta (3, 4, ou 5, respectivamente), sua necessidade formativa em relação aos objetos de conhecimento da área de Ciências da Natureza. Instrumentos ópticos (5ª ano) e observação do céu (3º ano) são os temas em que os docentes apontam maior necessidade de aprofundamento (87% e 81%, respectivamente). Em seguida, com 75% de avaliações com 3, 4, ou 5, aparecem Produção do Som, Uso do Solo e Ciclo Hidrológico (3º ano); Misturas (4º ano) e Propriedades Físicas dos Materiais e Rotação Terrestre (5º ano).

Gráfico 1 - Representação das dificuldades dos professores por ano e por objeto de conhecimentoFonte: dos autores (2021)

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De modo geral, os resultados podem ser interpretados como indicadores dos níveis de dificuldades teóricas e metodológicas em relação a esses objetos de conhecimento, já que é possível supor que a necessidade formativa enunciada está relacionada às preocupações e eventuais lacunas de formação inicial ou continuada (BRICCIA; CARVALHO, 2016; LANGHI; NARDI, 2009).

Temas ligados à Física e à Astronomia aparecem de maneira recorrente, o que pode ser associado à baixa presença dessas temáticas nos cursos de formação inicial de professores generalistas. No caso da Unidade temática Terra e Universo, alguns temas aludem a habilidades que exigem observação e experimentação, vivências que raramente o professor tem contato durante sua formação. Nessa direção, Leite; Hosoume (2007), assinalam a carência de conhecimentos básicos de Astronomia observacional nos processos formativos como um limitador para que os professores trabalhem esses temas com segurança.

Outro fator parece estar ligado à inserção de temas científicos nos Anos Iniciais que outrora eram abordados em estágios posteriores da escolarização infantil. É um entendimento unânime da pesquisa em Educação em Ciências a necessidade de a formação científica iniciar já na primeira infância (BRITO; FIREMAN, 2016; CHASSOT, 2003); no entanto, nota-se entre os professores, uma preocupação e autocrítica em relação à sua capacidade em trabalhar essas temáticas.

Outro ponto que merece atenção na análise das necessidades apontadas é a presença de temas que exigem algum nível de integração de conhecimentos entre diferentes ciências escolares ou que sugerem uma abrangência conceitual que ultrapassa o que está expresso textualmente, como Uso do Solo, ciclo hidrológico, misturas, observação do céu, entre outros. Parece-nos que esses objetos de conhecimento implicam em uma abordagem multidisciplinar com a qual os docentes nem sempre estão familiarizados.

Corroborando com Mariani; Sepel (2019), é preciso contar com os professores como parceiros no processo de implantação da Base. Diante do caráter inicial desse estudo, destaca-se a importância de continuar investigando as necessidades docentes e de proporcionar processos formativos sintonizados com suas inquietações. Na voz de uma professora entrevistada: 'a gente precisa ler muito pra entender o que é a BNCC então toda a ajuda que vem pra gente nesse sentido, é muito importante''E3-P16), tem-se uma síntese da importância de promover espaços de formação e discussão que impactem, de fato, na educação científica de professores e crianças.

## Agradecimentos

Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, FAPERGS, pelo financiamento desta pesquisa.

## Referências

BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular para a Educação Básica , 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em março/2020.

BRICCIA, Viviane; CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Competências e formação de docentes dos anos iniciais para a educação científica. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte) , v. 18, n. 1, p. 1-22, 2016. Disponível em:

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https://www.scielo.br/pdf/epec/v18n1/1983-2117-epec-2016180103.pdf. Acesso em 12/dez/2020.

BRITO, Liliane Oliveira de; FIREMAN, Elton Casado. Ensino de ciências por investigação: uma estratégia pedagógica para promoção da alfabetização científica nos primeiros anos do ensino fundamental. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (belo Horizonte) , v. 18, n. 1, p. 123-146, 2016.

CHASSOT, Attico. Alfabetização Científica: uma possibilidade para a inclusão social. Revista Brasileira de Educação. n. 22, p. 89-100, 2003.

FLÔR, Cristiane Carneiro Cunha; TRÓPIA, Guilherme. Um olhar para o discurso da Base Nacional Comum Curricular em funcionamento na área de ciências da natureza. Horizontes, v.36, n.1, p. 144-157, abr. 2018. Disponível em: https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/view/609. Acesso em dez/2019.

FRANCO, Luiz Gustavo; MUNFORD, Danusa. Reflexões sobre a Base Nacional Comum Curricular: um olhar sobre a área de Ciências da Natureza. Horizontes, v. 36, n.1, p.158-170, 2018. Disponível em:

https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/view/582. Acesso em dez/2019.

GONTIJO, Cláudia Maria Mendes. Base nacional Comum Curricular (BNCC): comentários críticos. Revista Brasileira de Alfabetização , n. 2, 2015.

LANGHI, Rodolfo; NARDI, Roberto. Educação em Astronomia: repensando a formação de professores. São Paulo: Escritoras editoras, 2012.

LEITE, Cristina; HOSOUME, Yassuko. Os professores de ciências e suas formas de pensar a astronomia. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia , n. 4, p. 47-68, 2007.https://www.relea.ufscar.br/index.php/relea/article/view/99, acesso em fev/2021.

MARIANI, Vanessa de Cassia Pistóia; SEPEL, Lenira Maria Nunes. Olhares docentes: caracterização do Ensino de Ciências em uma rede municipal de ensino perante a BNCC. Revista Brasileira de Ensino de Ciências e Matemática , v. 3, n. 1, 2020. Disponível em: http://seer.upf.br/index.php/rbecm/article/view/10022. Acesso em fev/2021.

MARSIGLIA, Ana Carolina Galvão et al. A Base Nacional Comum Curricular: um novo episódio de esvaziamento da escola no Brasil. Germinal: marxismo e educação em debate , v. 9, n. 1, p. 107-121, 2017. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/317553195\_A\_BASE\_NACIONAL\_COMU M\_CURRICULAR\_UM\_NOVO\_EPISODIO\_DE\_ESVAZIAMENTO\_DA\_ESCOLA\_N O\_BRASIL.

SASSERON, L.H. Ensino de Ciências por Investigação e o Desenvolvimento de Práticas: uma mirada para a Base Nacional Comum Curricular. RBPEC, 18(3), p. 1061-1085, dezembro, 2018. Disponível em:

https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/4833. Acesso em fev/2021.

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