''BASTIDORES" DO PIBID: SABERES IMPLICADOS NA FORMAÇÃO DOCENTE
Wagner Duarte José, Eloiza Alves De Oliveira, Rafael Moraes Libarino, Maria Raphaella Santos Azevedo, Rodrigo Ribeiro Cardoso, Carlos Henrique De Matos Pereira, Sandra Regina M. S. Neves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## 'BASTIDORES' DO PIBID: SABERES IMPLICADOS NA FORMAÇÃO DOCENTE
Wagner Duarte José 1 , Eloiza Alves de Oliveira 2 , Rafael Moraes Libarino 3 , Maria Raphaella Santos Azevedo 4 , Rodrigo Ribeiro Cardoso 5 , Carlos Henrique de Matos Pereira 6 , Sandra Regina M. S. Neves 7
- 1 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, wagnerjose@uesb.edu.br
- 2 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, eloizavc.aalves@gmail.com
- 3 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, rlibarino76@gmail.com
- 4 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, raphaella.12@outlook.com
- 5 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, rodrigo.cardoso@ifba.edu.br
- 6 Colégio Estadual do Campo de Educação Integral José Gonçalves, chenrique.uesb@gmail 7 Instituto de Educação Euclides Dantas, sandrareginasampaio@hotmail.com
Palavras-chave : PIBID, Ensino de Física, Formação Docente
## Resumo expandido
Instituído em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC) e implementado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) é desenvolvido em Instituições de Ensino Superior para que licenciandos se aproximem das escolas públicas desde os semestres iniciais do curso (CAPES, 2008).
- O presente trabalho apresenta os 'bastidores' do programa desenvolvido em três escolas estaduais e um instituto federal em Vitória da Conquista, no período 2018-2020. Trata-se de uma reflexão coletiva da experiência vivenciada na ótica de seus participantes (coordenador, supervisores e pibidianos), com o objetivo de revelar a constituição de saberes implicados na formação docente (SAVIANI, 1996), permeados de avanços, dificuldades e mudança concepções e influências na vida dos pibidianos, que estão sob orientação de um professor do curso de licenciatura coordenador do núcleo e de um professor supervisor da escola. Estes, além de orientá-los em eventuais obstáculos à participação nas escolas, acompanham o desempenho, oferecem o suporte necessário às práticas educativas e buscam extrair de cada pibidiano o melhor de sua experiência docente.
' Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender ' (FREIRE, 1996, p. 25). A aprendizagem não se dá apenas do professor para o estudante, é uma troca, enriquece a ação reflexão do licenciando que se vê coautor da socialização de conhecimentos. Essa é a visão que o pibidiano desenvolve em um programa que alarga o seu repertório de informações e saberes buscando responder aos problemas postos pela prática social mais ampla (SOUZA et al ., 2000).
A interação entre pibidiano e estudante da escola é positiva e proveitosa para ambos. Há um leque de escolas envolvidas, públicos e metodologias diferenciados,
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
oportunidades para o pibidiano lidar com uma diversidade de situações próprias da profissão. Essa vivência estimula a observação e a reflexão sobre a prática profissional in loco . O ponto alto são as impressões que os pibidianos atribuem ao reconhecimento prévio do ambiente escolar e a posteriori , à realidade docente.
Uma das tarefas cotidianas é registrar em 'diário de bordo' aspectos da dinâmica de sala, comportamento dos alunos, métodos de abordagem dos assuntos pelo professor, e suas percepções sobre a aprendizagem (CARVALHO, 2012). Esse diário possibilita ao coordenador acompanhar as atividades na escola, avaliar o progresso e os objetivos alcançados. Saberes atitudinais e saberes pedagógicos são postos em xeque nas reflexões e revelam a preocupação com o fazer pedagógico e a gestão da sala de aula (SAVIANI, 1996).
Por meio de ambientes virtuais de ensino aprendizagem ( moodle e Google Classroom ), pibidianos e coordenador interagem, através de interfaces como fórum, wiki e diário. Também são realizadas reuniões semanais onde pibidianos, coordenadores e supervisores interatuam abordando temáticas ligadas à Física e ao seu ensino, propiciando discussões e dinâmicas proveitosas. São nestes momentos de troca que outros três saberes vão sendo construídos: o saber específico , o didáticocurricular e o crítico-contextual (SAVIANI, 1996) - este último em menor grau pois os pibidianos estão na primeira metade do curso.
Atividades experimentais com material concreto e/ou virtuais são planejadas nas reuniões e implementadas pelos pibidianos em sala, orientados pelo professor supervisor. Para esses, funciona como um projeto piloto de sua futura inserção na educação, oportunidade em que se autoavaliam quanto ao progresso desde o início do programa. Em sala de aula, percebem-se ora estudantes ora, professores. No diálogo com os supervisores identificam falhas e refletem sobre como ser professor e o que podem mudar. Também, percebem-se referência de estudante universitário para quem almeja o ensino superior.
Neste exercício didático, saberes específicos (SAVIANI, 1996) apropriados pelos pibidianos na disciplina de referência na universidade são postos à prova, muitas vezes gerando tensões e insegurança quanto ao domínio do conhecimento científico. Por outro lado, a referência não é mais o conhecimento aprendido na universidade para ser aplicado na escola. Dessa forma, saberes pedagógicos e didáticos-curriculares , (SAVIANI, 1996), vão se constituindo na prática propriamente dita e na reflexão sobre a mesma.
Quando se ouve a palavra 'estágio' no início do curso, um misto de sensações envolve o momento, curiosidade, medo, ansiedade, dentre outras. Quando se pisa na sala de aula como aprendiz de professor, é como se entrasse em um mundo à parte. O pibidiano torna-se responsável pelo aprendizado dos estudantes, a forma como ele deverá abordar os temas influenciará diretamente na aprendizagem, e ele terá estudantes das mais diversas personalidades, humores e percepções. Não lecionará para um ou dois, mas para muitos, e terá de pensar no coletivo.
O PIBID tem possibilitado uma ampla visão do ensinar. Ser professor vai muito além de passar anos em uma universidade, concluir e conseguir um emprego. É necessário ter sensibilidade, ser observador e enxergar além do que os olhos podem ver, não somente para impedir cópias, mas para ver o humano por trás do aluno. Cada pessoa tem uma história, e a forma como cada um vivenciou suas experiências até então diz muito sobre seu modo de compreender as coisas mais simples do cotidiano, que dirá aprender, teorias, cálculos, regras.
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Pautados na categoria saber crítico contextual de Saviani (1996), ressaltamos que o professor tem a responsabilidade maior ainda, de fazer o estudante pensar. Pensar o mundo com toda a sua pressão e repressão, com seus recalques e com toda habilidade necessária para se sobressair no turbilhão que é viver. Esta formação muitas vezes escapa as reuniões e orientações na escola e na universidade, é mais fluída, um aprendizado que vai se constituindo na esfera da prática profissional cujos inquietudes mais profundas deverão acontecer na segunda metade do curso.
É nítido que o PIBID tem muito ainda a somar. Atualmente, é comum ouvir pessoas dizerem que não querem ver seus filhos como professores, esquecendo-se de que para ser qualquer coisa na vida, necessita-se de professores. Os pibidianos estão satisfeitos com o andamento do projeto, ressaltam as experiências vivenciadas, que desmitificam o 'bicho-papão' das suas primeiras impressões do graduando ante à estreia em sala de aula como estagiários a partir da segunda metade da graduação. O PIBID é uma oportunidade ímpar de tornar real muitos sonhos!
## Referências
CARVALHO, A. M. P. Os Estágios nos Cursos de Licenciatura . São Paulo: Cengage Learnin, 2012 (Coleção Ideias em Ação).
CAPES. Pibid - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, 2008. Disponível em: https://capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/pibid. Acessado em 24 de outubro de 2019.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia : Saberes necessários à prática educativa. 28a ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura).
SAVIANI, Demerval. Os saberes implicados na formação do educador . In: BICUDO, Maria Aparecida; SILVA JUNIOR, Celestino Alves (Orgs.). Formação do educador : dever do Estado, tarefa da Universidade. São Paulo: UNESP, 1996, p. 145-155.
SOUZA, C. A.; BASTOS, F. P.; ANGOTTI, J. A. P.; MION, R. A.; JOSÉ, W. D. Mudando o trabalho educativo de formar professores de física . Revista Perspectiva, v. 18, n. 33, p. 93-114, 2000.
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