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INTEGRANDO A FORMAÇÃO INICIAL E A CONTINUADA DE PROFESSORES DE FÍSICA ATRAVÉS DO LESSON STUDY

Micaías Andrade Rodrigues, Agnaldo Arroio

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INTEGRANDO A FORMAÇÃO INICIAL E A CONTINUADA DE PROFESSORES DE FÍSICA ATRAVÉS DO LESSON STUDY

## Micaías Andrade Rodrigues 1 , Agnaldo Arroio 2

1 Universidade Federal do Piauí/Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino, micaias@ufpi.edu.br

2 Universidade de São Paulo/Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada, agnaldoarroio@usp.br

Palavras-chave : Ensino de Física. Formação de professores. Lesson Study.

## Resumo expandido

Há muitos anos a formação de professores vem sendo objeto de pesquisas. Uma das preocupações é fazer com que os licenciandos saiam da Academia mais aptos para exercerem a docência. Visando isto, existem atividades acadêmicas como o estágio supervisionado, que tem a função de inseri-los em atividades que articulam teoria e prática em situações reais na escola (PIMENTA; LIMA, 2015; RODRIGUES, 2013; RODRIGUES; ARROIO, 2018) e programas como Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (Pibid) e Residência Pedagógica, criados para inserir estes futuros professores na escola e melhorar a formação dos mesmos.

A escola, também, está em constante evolução. Mudanças têm ocorrido com muita frequência, tais como a homologação da Base Nacional Comum Curricular BNCC (BRASIL, 2018) e o novo Ensino Médio (BRASIL, 2017). A pandemia devido ao COVID-19 também gerou a necessidade de mudanças na escola, principalmente com a inserção do ensino remoto ou híbrido onde só havia ensino presencial, evidenciando a necessidade de os professores em exercício estarem em constante formação. Uma das formas disto ocorrer é através das formações continuadas.

Diante deste contexto surgiu o seguinte problema: como auxiliar o professor de Física em serviço na educação básica diante das novas demandas da escola e, simultaneamente, preparar os licenciandos para a atuação futura em sala de aula? Este resumo apresenta uma experiência formativa que ocorreu em dois grupos diferentes (G1 e G2) que mesclavam professores de física da educação básica e licenciandos em Física da UFPI. Ocorreram três ciclos de Lesson Study (LS) numa perspectiva de Comunidade de Prática (CP) em cada grupo.

Desta forma, ao serem realizadas atividades de LS em CP com grupos que uniam professores em serviço e futuros professores era esperado que os docentes da educação básica refletissem acerca da sua própria atuação e pensassem em aulas mais próximas da realidade dos seus alunos e que os licenciandos pudessem compreender melhor a dinâmica da escola e a atuação dos seus professores. Os

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professores compartilhariam experiências e conhecimentos práticos e os licenciandos levariam atualizações de conhecimento produzido na Universidade para a sala de aula. A seguir será abordado mais acerca da pesquisa sobre a experiência formativa na inserção de LS em CP.

- O Lesson Study (LS) ou Estudo de Aula consiste no estudo ou pesquisa da prática de ensino (FERNANDEZ; YOSHIDA, 2004). É uma modalidade de formação de professores centrada na própria prática profissional destes e concretizada através de dinâmicas colaborativas e reflexivas (BAPTISTA et al. , 2014). O LS teve origem em cursos de formação de professores no Japão, sendo, depois, aplicado também para os professores em exercício (MAKINAE, 2010).

Nesta pesquisa, o LS foi baseado em Rodrigues e Arroio (2020) e teve três etapas: a) Primeira etapa - escolha dos objetivos para a aprendizagem e desenvolvimento do estudante; definição da temática e do professor que ministrará a 'aula de investigação'; estudo e planejamento da mesma; b) Segunda etapa observar a aula de investigação e coletar dados acerca da aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes; e c) terceira etapa - discussão após a aula. Os participantes do LS comentam sobre a aula de investigação e sobre a aprendizagem dos estudantes, subsidiados pelos diferentes dados que coletaram durante a observação. Se necessário, uma nova aula de investigação seria planejada e lecionada por outro docente.

Na perspectiva da Comunidade de Prática (CP) seria um núcleo onde as interações entre os sujeitos produziriam conhecimentos e gerariam o desenvolvimento sócio-cognitivo (LAVE; WENGER, 1991). Em uma CP os participantes estão organizados da seguinte forma: a) central - ocupa o posto de líder da comunidade, com o papel de conduzir os projetos, propor novos temas e desafios; b) ativo - neste nível estão os participantes que se encontram regularmente e participam de forma efetiva nas discussões; e c) periférico - nível composto pelos elementos novos na comunidade, os quais vão observando e posteriormente podem se tornar ativos.

Lave e Wenger (1991) comentam que, ao ingressar em uma CP, o participante novato torna-se um aprendiz periférico e, em um movimento denominado de participação periférica legitimada, este aprendiz torna-se mais competente e passa a se deslocar para o centro da comunidade. Quando um participante novo se identifica com a CP, porém ainda com os conhecimentos básicos sobre o tema estudado na comunidade, ele estará nas margens da mesma, na região mais externa.

- O Grupo 1 (G1) contava com o Pesquisador, dois professores e três licenciandos e o Grupo 2 (G2), com o Pesquisador, cinco professores e cinco licenciandos. Os encontros formativos foram gravados em áudio e vídeo, posteriormente transcritos e analisados através da análise de Conteúdo (BARDIN, 2016). Com base nas transcrições é que foram realizados os apontamentos aqui descritos.

Ocorreram sete encontros no G1 e nove no G2. No início, mesmo sem intencionalidade, o Pesquisador, que era professor de ensino superior, estava no nível central; os professores, no ativo; e os licenciandos, no periférico. No início das atividades existia certa formalidade, a qual foi sendo substituída, com o passar dos encontros, por uma informalidade. Os professores passaram a abordar mais diretamente a sua própria ação docente e as discussões para planejamento coletivo

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das aulas de investigação puderam confrontar diferentes perspectivas de atuação e promoveram a reflexão acerca da própria ação.

As aulas de investigação, que foram planejadas coletivamente nos encontros formativos, não foram muito diferentes das quais os docentes estavam acostumados a trabalhar. Porém, todas estas foram preparadas voltadas para a aprendizagem do aluno, não apenas para cumprir o conteúdo programado. Foi perceptível o desenvolvimento da empatia dos docentes em relação aos seus estudantes.

Os licenciandos puderam vivenciar um contato mais próximo com os docentes em exercício e perceberam muitas dificuldades e possibilidades existentes na sala de aula. Com isto puderam refletir acerca da sua futura ação como docente na escola, antecipando situações e visando sempre a aprendizagem dos alunos.

Tanto os docentes quanto os licenciandos esboçaram um movimento em direção ao nível central da CP e demonstraram ao longo dos encontros que se desenvolveram profissionalmente. Desta forma, a integração entre formação inicial e continuada por meio do LS mostrou-se bastante viável e promissora.

## Referências

BAPTISTA, M.; PONTE, J. P.; VELEZ, I.; COSTA, E. Aprendizagens profissionais de professores dos primeiros anos participantes num estudo de aula. Educação em Revista , v. 30, n. 04, p. 61-79, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/edur/v30n4/04.pdf>. Acesso em: 03 Mar. 2021.

BARDIN, L. Análise de conteúdo . Edição revista e ampliada. São Paulo: Edições 70, 2016.

BONOTTO, D. L; GIOVELI, I; SCHELLER, M. Lesson study e formação de professores: um olhar para as produções acadêmicas na forma de dissertações e teses. Rev. Educere et educare , v. 14, n. 32, p. XX. Disponível em: <erevista.unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/view/22528>. Acesso em: 03 Mar. 2021.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em:

<http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC\_EI\_EF\_110518\_versaofinal\_ site.pdf >. Acesso em: 05 mar. 2021.

BRASIL. Lei Nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Brasília: Presidência da República, 2017. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm>.

Acesso em: 05 Mar. 2021.

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FERNANDEZ, C.; YOSHIDA, M. Lesson study: a Japanese approach to improving mathematics teaching and learning. Mahwan (New Jersey): Lawrence Publishers; London: Erlbaum Associates, 2004.

LAVE, J.; WENGER, E. Situated learning: legitimate peripheral participation. New York: Cambridge University Press, 1991.

MAKINAE, N. The origin of lesson study in Japan. In: SHIMIZU, Y.; SEKIGUCHI, Y.; HINO, K. (Eds.). Proceedings of the Fifth East Asia regional conference on mathematics education: In search of excellence in mathematics education (EARCOME5). Tokyo: Japan Society of Mathematical Education, 2010, pp. 140 - 147. Disponível em:

<http://www.lessonstudygroup.net/lg/readings/TheOriginofLessonStudyinJapanMaki naeN/TheOriginofLessonStudyinJapanMakinaeN.pdf>. Acesso em: 26 Jan. 2021.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M.S.L. Estágio e docência . 7ª Ed. São Paulo: Cortez, 2015.

RODRIGUES, M. A. Quatro diferentes visões sobre o estágio supervisionado. Revista Brasileira de Educação , v. 18, n. 55, p. 1009- 1034, 2013.

RODRIGUES, M. A.; ARROIO, A. Lesson Study in pre-service physics teachers' education: a case in Brazil. Gamtamokslinis Ugdymas / Natural Science Education , v. 17, n. 2, p. 139-152. Disponível em: <http://oaji.net/articles/2020/5141608097776.pdf>. Acesso em: 05 Mar. 2020.

RODRIGUES, M. A.; ARROIO, A. Pesquisa no estágio supervisionado: alguns resultados e muitas possibilidades. Alexandria , v. 11, n.1, p. 31 - 49, maio 2018. Disponível em:

<https://periodicos.ufsc.br/index.php/alexandria/article/view/19825153.2018v11n1p31>. Acesso em: 04 Mar. 2021.

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