Práticas Inovadoras e Estrutura Social da sala de aula: um estudo de caso com uma professora de Física
Aline Ribeiro Sabino, Maurício Pietrocola
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PRÁTICAS INOVADORAS E ESTRUTURA SOCIAL DA SALA DE AULA: UM ESTUDO DE CASO COM UMA PROFESSORA DE FÍSICA
## Aline Ribeiro Sabino 1 , Maurício Pietrocola 2
- 1 Universidade de São Paulo / Faculdade de Educação, aline.sabino@usp.br
- 2 Universidade de São Paulo / Faculdade de Educação, mpietro@usp.br
Palavras-chave : Recursos de Ensino, Estruturas Sociais, Professor Inovador
## Resumo expandido
Para lidar com novos cenários de ensino, o professor de Física precisa de oportunidades para se engajar em práticas inovadoras desde sua formação inicial. Por prática inovadora entendemos propostas aplicadas pelo professor que utilizam novas estratégias de ensino, para promover o engajamento do aluno. No entanto, pode ser um desafio incorporá-las, pois à medida que os professores se tornam mais experientes, eles se envolvem cada vez mais em tarefas rotineiras, que não exigem reflexão nem inovação. Apesar disso, alguns professores mais inovadores estão cientes de suas próprias ações e podem estar mais dispostos a correr riscos (PIETROCOLA, 2018). Como a inovação promove novos padrões de interação em sala de aula, pode ser revelador estudar in loco o aspecto inovador do ensino como processo de (micro) transformação cultural. Desde 1970, sociólogos, antropólogos e historiadores têm se voltado para a compreensão dos aspectos que determinam o funcionamento, a reprodução e a transformação da sociedade (SEWELL Jr., 2005). Para Sewell Jr. (2005), existe uma estrutura subjacente aos agrupamentos humanos, o que contribui para a reprodução das práticas sociais. Ao mesmo tempo, os indivíduos, por meio de sua agência, têm a capacidade de transformar essas estruturas. O uso da pesquisa orientada a eventos sociais de Sewell Jr. para pequenos conjuntos sociais, como sala de aula de ciências, é baseado no trabalho de Tobin e Ritchie (2012), no qual distúrbios proeminentes no equilíbrio social da sala de aula são defendidos como indicadores de eventos de micro transformações culturais. Este trabalho almeja identificar diferentes tipos de eventos em uma sala de aula de Física a fim de elaborar o perfil didático de uma professora experiente, explorando seus aspectos reprodutivos e transformadores em relação ao conjunto micro cultural de uma aula. Para isso, nós acompanhamos as aulas de uma professora experiente de Física no Ensino Médio entre abril e novembro de 2018, em uma escola pública de São Paulo. Através das gravações das aulas, de entrevistas narrativas com a diretora, o coordenador pedagógico e a professora, e à luz de Sewell (2005) e de Giddens (1984), deseja-se compreender quais características da professora tornaram a sua prática mais próxima da inovação, quais mecanismos adaptaram a estrutura docente em novos contextos e quais esquemas e recursos favoreceram a inovação. A metodologia adotada é a Fenomenologia Hermenêutica, um tipo de pesquisa reflexiva que assume não ser possível separar os dados da interpretação do pesquisador. A análise foi baseada na Investigação Orientada por Evento (TOBIN; RITCHIE, 2012), onde a pesquisadora entra em contato com as informações livremente e o fenômeno se torna saliente por algum motivo. Encontramos 22 eventos distribuídos em: 13
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XX a XX de julho de 2021 - Online
Eventos de Intervenção, onde a professora tenta manter a disciplina e obtém o silêncio dos alunos; 4 Eventos Burocráticos, onde a docente controla a disciplina e a atenção dos alunos, que respondem às tarefas sem motivações genuínas; e 5 Eventos de Engajamento, onde a professora mantém a disciplina e a atenção dos alunos, que participam verdadeiramente das atividades. Diante disso, estudamos os Eventos de Engajamento, pois representam momentos nos quais a docente foi capaz de levar o foco dos alunos para o Ensino de Física. Os resultados mostram que o perfil didático da professora contém uma variedade de esquemas e recursos que utiliza para estruturar o conjunto social da sala de aula. Ela administra a sala de aula com maestria -esquema (SEWELL Jr., 2005). Utiliza linguagens verbais e não verbais para conseguir o silêncio da aula e dar início à atividade - recurso. Destaca-se seu esforço para aproximar a Ciência da vida dos alunos - o que interpretamos como mais um esquema. Inclui fenômenos do cotidiano e atividades práticas para diminuir a passividade nas aulas - recurso. Ela mostra confiança em seu conhecimento. No sentido de Sewell Jr., isso é uma espécie de empoderamento permitido por recursos, que por sua vez, amplifica o repertório de ação do professor, seus esquemas. É notável o uso de tópicos extras, como o estudo de Bose Einstein, como fator de manutenção e transformação da estrutura micro cultural da sala de aula. Aparentemente consciente da importância de novos recursos, destaca-se sua busca pelo conhecimento. Como ela realmente se preocupa com a aprendizagem dos alunos, toma as práticas inovadoras como meios para atingir seus objetivos de ensino. Isso mostra uma sintonia fina que leva em conta a estrutura social da sala de aula e os esquemas e recursos da professora. Logo, ela implementa práticas inovadoras quando quer promover mudanças na estrutura da sala de aula.
## Referências
Alvesson, M., & Sköldberg, K. (2000). Reflexive methodology: new vistas for qualitative research. London: Sage.
Giddens, A. (1979). Central problems in social theory: Action, structure, and contradiction in social analysis. Berkeley: University of California Press.
Pietrocola, M. (2018). Professional Duties and Challenges of novice teachers - level of consciousness in facing the pedagogical risk. 13 Questions - reframing education's conversation: science.
Sewell Jr., & William H. (2005). Logics of history: social theory and social transformation. Chicago: The University of Chicago Press.
Tobin, K., & Ritchie, S. (2012). M. Multi-Method, Multi-Theoretical, MultiLevel Research in the Learning Sciences. The Asia-Pacific Education Researcher, n. 21, v. 1, p. 117-129.
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