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ATIVIDADES LÚDICAS NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE HISTÓRICO-CRÍTICA DE UMA EXPERIÊNCIA NA EJA

Alexandre Rodrigues Barbosa, Hélio Da Silva Messeder Neto, Eduardo Luiz Dias Cavalcanti

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ATIVIDADES LÚDICAS NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE HISTÓRICO-CRÍTICA DE UMA EXPERIÊNCIA NA EJA

## Alexandre Rodrigues Barbosa 1 , Hélio Messeder Neto 2 , Eduardo Luiz Dias Cavalcanti 3

1 PPGEFHC/UFBA, emaildoalee@gmail.com 2 Instituto de Química/UFBA, messeder3@gmail.com

3 Instituto de Química/UnB, eldcquimica@yahoo.com.br

Palavras-chave

: Ludicidade, EJA, Ensino de Física.

## Resumo expandido

Atualmente, diversos pesquisadores da área educacional propõem e avaliam metodologias de ensino que pretendem facilitar o processo de ensino e aprendizagem de diferentes disciplinas. Quanto à disciplina de Física, é possível encontrar centenas de proposições de ensino, isto é, metodologias ou técnicas para melhorar a relação de ensino e aprendizagem, como o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) (CENTENARO, 2014), de revistas e textos de divulgação científica (BARBOSA, 2018), de experimentação (PENA, 2009), de uma abordagem histórica e filosófica dos conceitos da Ciência (MARTINS, 2007) e que articulem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) (STRIEDER, 2008). Outra via que pode ser utilizada para abordagem dos conceitos científicos, e que possibilita, sobretudo, incorporar todos estes outros elementos, é a ludicidade, ou seja, o uso de jogos e atividades lúdicas no ensino. Todavia, este uso deve ser feito com cuidado, pois a função lúdica não pode sobressair a função educativa, fazendo com que o ensino fique preso no show, no espetáculo (MESSEDER NETO, 2015).

Atividades lúdicas são elaboradas para que os objetivos de ensino e aprendizagem possam ser alcançados. Todavia é importante salientar que nenhuma forma (ou metodologia de ensino) deve estar desvinculada do conteúdo e do destinatário a quem se dedica. Por esta razão, ao pensar qualquer metodologia de ensino, em especial as lúdicas, não podemos cair em um fetichismo das formas, acreditando que a ludicidade por si só será capaz de salvar o ensino. Estas formas de ensinar devem estar imbrincadas ao conteúdo e ao destinatário; uma vez que forma, conteúdo e destinatário são elementos essenciais da práxis pedagógica. (MARTIS; MARSIGLIA, 2015).

Na Educação de Jovens e Adultos, é importante que o uso de atividades lúdicas não caia em uma infantilização do adulto (REUS, 2013), com uso de jogos destinados à criança; é preciso criar situações de ensino que sejam planejadas para o destinatário real e concreto, que, neste caso, são pessoas com mais de dezoito anos, pertencente à classe trabalhadora; homens e mulheres, que por motivos diversos, tiveram a sua trajetória escolar interrompida, ou sequer iniciada anteriormente, e que, de volta, ou chegando, à escola, possuem o direito de ter acesso

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

ao que foi produzido pela humanidade, ou seja, conhecimento científico. Por esta razão, é preciso que a atividade proposta não deixe de ensinar conteúdos de física, pois estes são de suma importância.

Por assim dizer, neste trabalho - tomando como base a defesa dos conteúdos escolares e da apreensão de uma visão de mundo materialista, histórica e dialética, cuja dimensão teórica é mais bem encontrada na Pedagogia Histórico-Crítica (PCH) - analisamos uma experiência com júri-simulado em uma aula de física em uma escola pública do Distrito Federal. O nosso objetivo é identificar possíveis contribuições da atividade no cumprimento de sua função educativa e lúdica EJA.

- O júri-simulado é uma atividade lúdica que permite aos estudantes argumentarem, expondo os seus conhecimentos acerca do tema proposto. Na atividade eles são estimulados a defenderem suas opiniões, a refutarem as opiniões contrárias ou, mesmo, a entrarem em consensos. É uma atividade que permite ao professor ouvir os seus estudantes, e mediar o debate de maneira horizontal, superando por incorporação os conhecimentos espontâneos ao mesmo tempo em que se aproxima do conhecimento da realidade por meio do ensino dos conceitos científicos (VIGOTSKI, 2008).

A ideia principal do júri-simulado é colocar dois conceitos em posições antagônicas entre si, como em um júri real em que há pessoas ligadas à defesa e à acusação. Seguindo a mesma ideia de um julgamento, a atividade deve permitir aos estudantes defenderem seu grupo e acusarem o grupo oposto, que também terão chances de defesa. Nessa dinâmica de acusar e defender, os grupos trabalharão a argumentação e, por consequência, utilizarão a linguagem científica para construírem seus argumentos

Assim, a atividade júri-simulado (forma) foi pensada para que o assunto condutividade elétrica e térmica dos materiais (conteúdo) fosse introduzido em uma turma do 2º e 3° ano do 3º seguimento da EJA de uma escola pública rural do Distrito Federal (destinatário). Para isto, dividimos a turma em dois grandes grupos por meio de um sorteio - o grupo dos materiais isolantes e o grupo dos materiais condutores - cada grupo teria que, em um processo mediado pelo professor, defender seu tipo de material, apresentar cinco objetos que pertencem a sua categoria, apresentar motivos que justifiquem o uso do seu tipo de material, apresentar contrapontos ao grupo responsável pelo outro tipo de material e apresentar consensos sobre os dois tipos de materiais. Para realizar a análise de dados, ouvimos as gravações de áudio e as transcrevemos para que pudéssemos analisar as falas de maneira mais detalhada possível.

Os resultados reforçam a importância do uso deste tipo de atividade na EJA, uma vez ela tem o potencial de trazer a dimensão do conteúdo de maneira a não se perder na dimensão lúdica da atividade. Assim, os estudantes conseguiram citar diferenças entre a natureza física e química dos dois tipos de materiais, trazendo exemplos de materiais isolantes e condutores que são comumente encontrados no cotidiano. Além disso, os estudantes dos 3° ano da EJA apresentaram a noção de eletricidade como um processo dinâmico, portanto, para eles, a eletricidade está intimamente ligada à existência de corrente elétrica. Enquanto os estudantes do 2° EJA, demonstraram compreender que condução térmica tem relação com a ligação química entre as partículas do material; assim em ambas as turmas, os estudantes conseguiram identificar que a unidade de estudo central da atividade era a condução de eletricidade e condução de calor .

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A dimensão lúdica da atividade pôde ser verificada pelo tom de voz dos estudantes durante a atividade, momento em que estavam estimulados a falar e a expor seus conhecimentos. Concepções alternativas eram questionadas e geravam grandes debates, de forma que cada estudantes se via como fiéis advogados da categoria. Várias vezes eles se exaltavam, de maneira sadia e coerente, tentando apresentar seus argumentos, em outros teciam piadas e brincadeiras para descontrair. Tudo isso sem se afastarem da dimensão do conteúdo, sem deixar com que a função lúdica sobressaísse a educativa.

## Referências

BARBOSA, Alexandre Rodrigues . A opinião de estudantes da EJA quanto ao uso de texto de divulgação científica nas aulas de Física . Tecné, Episteme y Didaxis: TED, 2018.

CENTENARO, Francis Jessé et al. A utilização das tic no ensino de física: uma experiência no sistema prisional em Santa Maria/RS . UFSM, 2014.

MARTINS, André Ferrer Pinto. História e Filosofia da Ciência no ensino: Há muitas pedras nesse caminho . Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 24, n. 1, p. 112-131, 2007.

MARTINS, Lígia Márcia; MARSIGLIA, Ana Carolina Galvão. Contribuições para a sistematização da prática pedagógica na educação infantil . Cadernos de Formação RBCE, v. 6, n. 1, 2015.

MESSEDER NETO, Hélio da Silva; MORADILLO, E. F. Construindo Asas mais fortes para o voo de Ícaro: elementos da psicologia histórico-cultural para pensar a Experimentação no Ensino de Química . ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, v. 10, 2015.

PENA, Fábio Luís Alves; RIBEIRO FILHO, Aurino . Obstáculos para o uso da experimentação no ensino de Física: um estudo a partir de relatos de experiências pedagógicas brasileiras publicados em periódicos nacionais da área (1971-2006) . Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 9, n. 1, 2009.

RÉUS, Márjori Béz . 'Caprichem nas folhinhas': a infantilização das práticas pedagógicas e a docência da EJA . 2013.

STRIEDER, Roseline; KAWAMURA, Maria Regina. Abordagem CTS no contexto escolar: reflexões a partir de uma intervenção . XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, v. 11, 2008.

VYGOTSKY, Lev Semenovich et al. Pensamento e linguagem . São Paulo: Martins Fontes, 2008.

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