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''ESTA ESTRATÉGIA É CRIATIVA": A DIMENSÃO DA CRIATIVIDADE NA PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA

Alexandre Rodrigues Barbosa, Hélio Da Silva Messeder Neto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## 'ESTA ESTRATÉGIA É CRIATIVA': A DIMENSÃO DA CRIATIVIDADE NA PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA

## Alexandre Rodrigues Barbosa 1 , Hélio Messeder Neto 2

1 PPGEFHC/UFBA, emaildoalee@gmail.com 2 Instituto de Química/UFBA, messeder3@gmail.com

Palavras-chave

: Criatividade, Ensino de Física, Estratégias de ensino.

## Resumo expandido

As pesquisas sobre criatividade, que tiveram gênese na Psicologia, de acordo com Jones (2017), possuem um grande problema que está relacionado à definição do conceito, uma vez que há diferentes correntes de teorias psicológicas, o que favorece o surgimento de múltiplas concepções acerca da criatividade. Isso demonstra que 'mesmo sendo uma capacidade tão valorizada e analisada, ainda não há consenso sobre a definição de criatividade' (JONES, 2017, p.8).

Este fenômeno, ao mesmo tempo em que preenche, esvazia o conceito, repercutindo nas pesquisas educacionais de modo que a criatividade seja encarada como atributo do ser, ou necessariamente uma qualidade. Isto é facilmente verificado em pesquisas que utilizam o termo 'criativo' para qualificar determinadas práticas de ensino, mas não se dedicam a explicar o que seria, de fato, este ensino criativo, como no trabalho de Oliveira e Gomes (2016), cujo título é 'Einstein e a Relatividade entram em cena: diálogos sobre o teatro na escola e um ensino de Física criativo', porém no decorrer do trabalho não há nenhuma discussão acerca do que seria este ensino de física criativo.

Importante ressaltar que este fenômeno não é um problema apenas das pesquisas educacionais; tudo isso acontece devido a um fenômeno maior que é o processo de esvaziamento do conceito de criatividade. Nisto tudo reside o fato de que 'criativo' ou 'criativa' são palavras comumente utilizadas na língua portuguesa como sinônimos de 'criador', 'inventivo', 'inovador' e 'original'. Mas será que criatividade é apenas isso?

Por esta razão, este trabalho se dedica a discutir alguns aspectos acerca deste objeto de estudo, de modo a compreender suas reais articulações com o ensino de física, para que - apoiados em teorias apropriadas - possamos trazer contribuições de suas relações com essa área de pesquisa; para isto, partiremos da análise de algumas produções já elaboradas acerca de criatividade e ensino de física, tomando por base a Psicologia Histórico-Cultural, uma vez que entendemos ser indispensável considerar a criatividade enquanto processo psíquico da consciência humana, cujo desenvolvimento se dá de maneira histórica e cultural; além disso, consideramos substancial a análise acerca da criatividade dentro de uma teoria pedagógica crítica, capaz de apontar problemas reais relacionados à criatividade no contexto escolar, por esta razão, traremos elementos, também, da Pedagogia Histórico-Crítica.

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Sendo assim, tomaremos por base os fundamentos da Psicologia HistóricoCultural, por compreender que 'para que possamos avançar no estudo das capacidades criativas humanas, é preciso o estudo da gênese humana propriamente dita, investigar a transformação do ser biológico em ser cultural' (JONES, p. 43, 2017), possibilidade que é encontrada nesta corrente teórico-metodológica fundada e liderada por L. S. Vigotski.

Atrelado a isso, fazemos a defesa por uma teoria pedagógica que supere a 'ideia de que a criação seja fruto de interações espontâneas com a cultura' (SACCOMANI, 2014, p. 136), uma vez que tais ideias acabam por fazer com que algumas perspectivas teóricas-metodológicas educacionais neguem o ato de ensinar (DUARTE,1998), o que acaba contraponto ensino e criatividade, gerando 'grandes entraves ao desenvolvimento da rica criação' (SACCOMANI, 2014, p. 136).

A investigação consistiu, inicialmente, em um levantamento na plataforma Google Acadêmico - cuja busca ocorreu a partir da combinação das palavras-chave: criatividade, ensino de física, criativo(a) e física - em que selecionamos trabalhos em que estes termos aparecem no título da pesquisa e, a partir da perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica, analisamo-los de modo a compreender a forma como aparecem nestas pesquisas. O quadro abaixo apresenta o título das pesquisas encontradas dentro deste recorte.

Quadro 01: Pesquisas sobre Criatividade e Ensino de Física

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Neste nosso levantamento, que se restringe apenas ao Ensino de Física e aos trabalhos encontrados por meio da busca na plataforma Google Acadêmico , também foi possível perceber o mesmo comportamento explicitado por Kind e Kind (2007). Dos oito trabalhos selecionados, pudemos perceber dois padrões. O primeiro padrão se refere àqueles trabalhos que não trazem fundamentação teórica acerca da criatividade, uma vez que os termos 'criativo/a' ou 'criatividade' aparecem de forma desconectada apenas para qualificar determinadas práticas pedagógicas e o segundo padrão se refere aos trabalhos que trazem fundamentação teórica acerca da criatividade - ainda que tais fundamentações não estejam alinhadas à perspectiva que defendemos.

O primeiro padrão de trabalhos diz respeito àqueles estudos que - apesar utilizarem a palavra 'criatividade' ou 'criativo(a)' em seus títulos - não objetivam discutir o conceito, apenas se valem da palavra. Como é o caso dos trabalhos de Oliveira et al (2019), de Oliveira e Gomes (2016) e de Silva e Begalli (2017). Todavia, ainda assim é possível extrair destes trabalhos concepções de educação que aparecem, tanto implicitamente quanto explicitamente, no texto as quais apontam para uma crítica esvaziada à educação tradicional, argumentando, inclusive, que a transmissão de conteúdo suprime a criatividade dos estudantes.

Quanto ao segundo padrão, os trabalhos analisados apresentaram concepções de criatividade que vão deste uma habilidade, que pode ser melhorada por meio de técnicas e procedimentos, até concepções de cunho histórico-cultural (BARBOSA; BATISTA, 2011), as quais concebem a criatividade não apenas como um processo de criação de algo novo, mas, sobretudo, de reprodução do que está posto, o que coaduna com o que Vigotski (2009) concebe como criatividade.

## Referências

BARBOSA, Roberto Gonçalves; BATISTA, I. L. A criatividade como uma referência para discutir as bases da ciência e do seu ensino . Atas do VIII ENPEC, Campinas, 2011.

BARBOSA, Roberto Gonçalves; BATISTA, Irinéa de Lourdes. Vygotsky: um Referencial para Analisar a Aprendizagem e a Criatividade no Ensino da Física. Revista Brasileira de pesquisa em Educação em Ciências, p. 49-67, 2018.

DA SILVA, Vinicius Carvalho; BEGALLI, Marcia. Possibilidades e alternativas para o Ensino de Física: pensando em uma educação crítica, criativa e não utilitarista . CIÊNCIA E SOCIEDADE, v. 5, n. 2, 2018.

DE OLIVEIRA, Margareth Santoro Baptista et al . Formação contextualizada e criativa de professores de matemática em uma atividade didática na disciplina de física i. International Journal Education And Teaching, v. 2, n. 1, p. 1-16, 2019.

DUARTE, N. Concepções afirmativas e negativas sobre o ato de ensinar. Cadernos CEDES, Campinas, v. 19, n. 44, p. 85-106, 1998.

FORTES, Danilo Ribeiro Sa. A criatividade na fala do professor de física . 2003.

JONES, Roberto Herbert. A criatividade sob a ótica da psicologia históricocultural: uma tentativa de superação de suas múltiplas concepções . Curitiba -

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PR. 106 f. [Dissertação (Mestrado em Psicologia)]. Universidade Federal do Paraná - UFPR. 2017.

LÓPEZ, J.; DE ALMEIDA, R. L.; ARAUJO-MOREIRA, F. M. TRIZ: Criatividade como uma ciência exata? . Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 27, n. 2, p. 205-209, 2005.

OLIVEIRA, Letícia Maria; GOMES, Maria Letícia. Einstein e a Relatividade entram em cena: diálogos sobre o teatro na escola e um ensino de Física criativo . Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 33, n. 3, p. 943-961, 2016.

SACCOMANI, Maria Cláudia da Silva. A criatividade na arte e na educação escolar: uma contribuição à pedagogia histórico-crítica à luz de Georg Lukács e Lev Vigotski . Araraquara - SP.186 f. [Dissertação (Mestrado em Educação Escolar). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Campus de Araraquara). 2014

VIGOTSKI, L. S. Imaginação e criação na infância - Tradução Zoia Prestes - São Paulo: Ática, 2009.

VINHA, Maria Lúcia; NUNES, Cesar; PIETROCOLLA, Maurício. Criatividade no processo de elaborar simulações virtuais de física . Universidade de São Paulo, 2016.

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