SALA DE AULA INVERTIDA NO ENSINO DE FÍSICA PARA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Thais Teixeira Da Costa Portes Brusdzenski, Profa. Dra. Valéria Nunes Belmonte, Prof. Dr. Bernardo Mattos Tavares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SALA DE AULA INVERTIDA NO ENSINO DE FÍSICA PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
## Thais Teixeira da Costa Portes Brusdzenski 1 , Profª Drª Valéria Nunes Belmonte 2 , Prof. Dr. Bernardo Mattos Tavares 3
1 UFRJ - Macaé/MNPEF, thaistcportes@gmail.com
2 UFRJ - Macaé/MNPEF, vnbelmonte@macae.ufrj.br
3 UFRJ - Macaé/MNPEF, bernardotavares@macae.ufrj.br
Palavras-chave : Ensino de Física, Sala de Aula Invertida, Anos Iniciais.
## Resumo expandido
Sabemos hoje que cada indivíduo é único e, numa sala de aula diversa, os alunos aprenderão de formas diferentes e em ritmo diferente. Neste universo, também são identificadas inúmeras Necessidades Educacionais Especiais (NEE). Transtornos, síndromes e dificuldades de aprendizagem permeiam o ambiente escolar e o torna cada vez mais desafiador. Para alunos tão diferentes é interessante uma proposta de ensino que seja personalizada para cada aluno. Mas como fazer isso se muitas vezes o professor leciona em mais de uma escola e tem no mínimo 70 alunos diferentes? Como garantir que cada aluno aprenda todos os conteúdos propostos no programa curricular se o tempo é curto?
Neste trabalho, abordamos algumas ideias sobre Sala de Aula Invertida (SAI) e sua aplicação no ensino de Física para anos iniciais, baseada na teoria do desenvolvimento de Jean Piaget. Essa metodologia se mostra como uma alternativa eficaz na personalização do ensino, pois é facilmente ajustável às idiossincrasias de cada região, de cada sala de aula e de cada professor (BERGMANN e SAMS, 2012), além de proporcionar interação com a tecnologia e entre os próprios alunos. Afirmamos aqui, que a utilização da SAI, além de tornar o aluno mais participativo, transforma o papel do professor, tornando-o um orientador, facilitador da interação entre sujeito e objeto de estudo.
Nosso trabalho desenvolveu-se no Colégio Municipal Renato Martins, em Macaé - RJ, nos meses de novembro e dezembro de 2019. Escolhemos duas turmas do 4º ano de escolaridade (idade entre 9 e 11 anos), com aproximadamente 30 alunos cada. Para a aplicação das aulas de acordo com a metodologia SAI, escolhemos três conteúdos presentes na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e no COC (Caderno de Orientações Curriculares do município de Macaé). Os conteúdos escolhidos pertencem a área de Física para anos iniciais, foram eles: Atmosfera; Orientação durante o dia e Relógio de Sol; Orientação durante a noite e uso da bússola.
Cada conteúdo seguiu um roteiro de aulas pré-estabelecido: no primeiro encontro, aplicamos o questionário prévio sobre o conteúdo a ser trabalhado, com a finalidade de verificar os conhecimentos prévios dos alunos; após, disponibilizamos o
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
link da videoaula em caráter não listado no Canal Pra Reforçar (link de acesso ao canal: https://www.youtube.com/channel/UCXeUwo-biBSkTgAghH1NzBw), no Youtube, para ser assistido em casa. Os vídeos trouxeram o conteúdo teórico e foram gravados especificamente para aplicação desta metodologia. Também traziam uma proposta de atividade para que os alunos realizassem em casa e levassem suas dúvidas para a sala de aula.
No segundo encontro realizamos as atividades em grupos: (1) Debate sobre o conteúdo dos vídeos e levantamento das dúvidas; (2) Experimento ou atividade prática; (3) Sistematização do conteúdo e atividades escritas. Esta etapa ocorreu de forma simultânea - cada grupo recebeu uma das atividades citadas para desenvolver e, ao final de 20 minutos, ocorreu o rodízio das atividades entre os grupos. No terceiro encontro, aplicamos o questionário final para avaliação do conteúdo trabalhado.
A implementação da SAI demonstrou ser uma proposta inovadora no ensino de Física nos anos iniciais do ensino fundamental, visto que conseguimos aproveitar melhor o tempo das aulas, já que este era excessivamente voltado para a teoria, e investi-lo nos processos de construção do conhecimento, pelo aluno. Realizar experimentos simples, de baixo custo e relacionar os conceitos físicos estudados ao dia a dia foram essenciais para a sistematização dos conceitos. Verificamos assim, um aumento médio de 30% a 45% entre os acertos dos questionários prévios e finais, conforme nos mostram os Gráficos 1 e 2:
Gráfico 1: Resultados dos Questionários Prévios (QP) e Finais (QF) da turma F4 101 em índice de acertos.
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Gráfico 2: Resultados dos Questionários Prévios (QP) e Finais (QF) da turma F4 203 em índice de acertos.
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Algumas dificuldades foram relatadas pelos alunos para visualizarem os vídeos. Dentre as principais, estava a falta de internet em casa, relatada por 11% dos estudantes (6 estudantes). Os alunos que apresentaram esta dificuldade, levaram os DVDs que gravamos com as aulas para assistir em casa e metade deles (3 alunos) ainda assim não conseguiram assistir aos vídeos e estes levaram o roteiro do vídeo para realizar a leitura em casa.
Foi observado um aumento da audiência das videoaulas. Observando o Gráfico 3, podemos perceber que enquanto na Aula 1, dos 46 alunos presentes, 31 alunos haviam assistido aos vídeos, ou seja, 67% de audiência nas videoaulas, nas aulas 2 e 3, o índice de audiência ficou em torno dos 75%, o que aponta um aumento de 8% em relação a audiência na primeira aula. Esses dados foram baseados no relato dos próprios alunos ao serem perguntados se haviam assistido aos vídeos e comparados com o número de visualizações marcado em cada videoaula disponível no canal.
Gráfico 3: Audiência dos vídeos
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A participação da família foi muito importante no processo. Alcançamos 93% dos responsáveis com a lista de transmissão até o final da pesquisa, e estes fizeram o possível para ajudar seus filhos a assistirem aos vídeos de alguma forma (alguns pais levaram seus filhos para o trabalho para conseguir assistir ao vídeo). A proposta de utilização de vídeos aproximou os alunos dos conteúdos de Física e do uso das tecnologias de forma consciente e útil, numa linguagem simples que instigou ainda mais a curiosidade e alcançou o interesse cada vez maior das crianças (e até mesmo dos seus pais). Esperamos contribuir para a melhoria do ensino de Física também através das videoaulas, que poderão ser utilizadas por todos que desejarem.
Como perspectiva futura deste trabalho, será realizada uma análise de conteúdo qualitativa sobre as respostas dos alunos nas pequenas produções textuais realizadas pelas turmas participantes ao final da pesquisa. Os relatos dos alunos demonstraram ser uma fonte de dados relevantes sobre a aplicação desta metodologia nas aulas, o que merece um estudo mais aprofundado para comprovar, mais uma vez, a eficácia da aplicação da SAI no ensino de Física nos anos iniciais. Os resultados da análise destes resultados serão publicados em breve.
Agradecemos a CAPES o apoio financeiro que manteve esta pesquisa.
## Referências
ABREU, L. C. A. et al . A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo . Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rbcdh/v20n2/18.pdf Acesso em: fevereiro/ 2021.
BACICH, Lilian; MORAN, José (orgs.). Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora. Penso Editora, Porto Alegre, 2018.
BERGMANN, Jonathan; SAMS, Aaron. Sala de Aula Invertida: Uma Metodologia Ativa de Aprendizagem. Editora LTC, Rio de Janeiro, 2018.
CARVALHO, Anna Maria Pessoa de (et. al.). Ensino de Ciências por investigação - Condições para implantação em sala de aula . Editora CENSAGE, 2017.
KRASILCHIK, Myriam; MARANDINO, Martha. Ensino de ciências e cidadania. Editora Moderna, São Paulo, 2007.
MACHADO, Diogo Vaz. Como produzir suas próprias videoaulas: um manual para auxiliar o professor . Produto de Dissertação de Mestrado (MNPEF). UFRJ, 2017
NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Práticas Pedagógicas e Uso da Tecnologia na Escola. Editora Saraiva, São Paulo, 2014.
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