MATERIAIS DE BAIXO CUSTO E PRÁTICAS EXPERIMENTAIS NO ENSINO DE FÍSICA: UM OLHAR PARA DISSERTAÇÕES E TESES
André Bonfante Bório, Cassiane Beatrís Pasuck Benassi, Dulce Maria Strieder
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MATERIAIS DE BAIXO CUSTO E PRÁTICAS EXPERIMENTAIS NO ENSINO DE FÍSICA: UM OLHAR PARA DISSERTAÇÕES E TESES
## André Bonfante Bório¹, Cassiane Beatrís Pasuck Benassi², Dulce Maria Strieder³
¹Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Educação Matemática, andre24091996@gmail.com ²Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Educação Matemática, Bolsista CAPES, cassibp@hotmail.com ³Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação em
Ciências e Educação Matemática, dulce.strieder@unioeste.br
Palavras-chave: Ensino de Ciências, Experimentação, Materiais de baixo custo.
## Resumo expandido
O Ensino de Ciências ao redor do mundo teve grande expansão ao final da 2º Guerra Mundial e início da Guerra Fria, com um dos fatores sendo a corrida espacial. Dessa forma, materiais, projetos e instituições foram criadas favorecendo o ensino da ciência e da tecnologia. No contexto nacional não foi diferente, projetos internacionais tiveram grande repercussão em várias áreas nessa época e segundo Konder (1998), a área de Física dentre outras iniciativas, fora contemplada com o Physical Science Study Commitee (PSSC).
Atrelado ao Ensino de Física e aos projetos, estavam os kits experimentais, que eram incluídos nas aulas pelos professores, objetivando, segundo Moreira (2000), a renovação do ensino.
No ano de 1946 foi criado o Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC) onde foi ajuizado pelas negociações de kits experimentais que oportunizaram aos alunos segundo Fracalanza (2006) terem acesso às práticas experimentais fora do contexto escolar.
As práticas experimentais passaram a ter um grande prestígio, como recurso considerado viável e de suma importância no Ensino de Ciências, já que seu objetivo era, segundo Batista e Silva (2018), formar cientistas. Nas escolas brasileiras, entretanto, a aprendizagem via práticas experimentais foi pouco alcançada por inúmeros fatores, especialmente pelas dificuldades de sua realização. Posteriormente, os modelos de ensino defendidos foram sendo alterados, atingindo também a valorização e o perfil de desenvolvimento das práticas experimentais.
Após mais de meio século, no cenário escolar atual, as práticas experimentais pouco estão presentes, pois segundo Bergold e Ruiz (2005), o excessivo número de alunos, a falta de equipamentos e até mesmo do laboratório, a carente formação docente, a escassez de formação continuada que aborde as práticas experimentais, a falta de auxílio de um técnico ou monitor durante esta atividade comprometem sua elaboração, corroborando para que o Ensino de Ciências/Física continue estagnado, reduzindo a oportunidade aos
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alunos de desfrutar de debates, compartilhar ideias prévias e experiências próprias buscando aproximações à Ciência, e até mesmo afastando a criatividade e a aprendizagem.
Nesse contexto, nas últimas décadas o número de trabalhos que abordam a alternativa de materiais de baixo custo (MBC) e proporcionam as práticas experimentais no contexto das aulas de Ciências/Física vem crescendo. Wisniewski (1990) caracteriza esses MBC como barato, de fácil aquisição e simples. Dessa forma, o professor poderia desenvolver práticas experimentais sem que necessite de equipamentos especiais e de um laboratório, com um grupo maior de alunos na própria sala de aula.
De fato, é a partir dos MBC que grande parte das ainda insuficientes práticas experimentais estão ocorrendo nas aulas de Física da Educação Básica. Partindo deste panorama, foi realizada uma pesquisa de natureza qualitativa, de cunho bibliográfico (SEVERINO, 2007, p. 122), para investigar quais foram as pesquisas produzidas sobre os MBC no Ensino de Física. Para tal, foi realizada uma pesquisa online na Biblioteca Digital Brasileira de Dissertações e Teses (BDTD) da CAPES no período de 2000 a 2020 e que teve como descritor de assunto a 'Experimentação no Ensino de Física'.
- O objetivo da pesquisa foi analisar o que se tem produzido sobre a associação entre MBC e a experimentação, para a educação básica.
Foi possível encontrar, durante a coleta de dados, vinte e seis (26) dissertações e uma (1) tese publicadas entre 2007 e 2019. Estas produções foram codificadas na ordem que aparecem na plataforma, e após foram submetidas à leitura parcial para identificação do objetivo de investigação, o nível de ensino, e a associação e caracterização dos MBC. Quanto ao objetivo de investigação, obteve-se o quadro 1:
Quadro 1: Classificação das produçõesFonte: Autores (2021)
Diante dos dados, sete (7) produções mencionam a elaboração de um produto educacional, ou seja, caracterizam-se como um guia prático, ou um manual a ser testado e utilizado pelos docentes com assuntos peculiares nas aulas de Física, cinco (5) produções se referem a utilização da experimentação de maneira remota, online, com softwares que envolvem simulações virtuais,
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jogos, ou com experimentos em laboratório online e por fim, quinze (15) produções mencionam a instrumentação para o Ensino de Física, de tal modo que demonstram como é possível analisar, discutir e utilizar experimentos investigativos com diferentes abordagens metodológicas em sala de aula.
Do total das produções, vinte e duas (22) são voltadas para o Ensino Médio (D1, D2, D3, D4, D5, D6, D7, D9, D10, D11, D12, D13, D15, D16, D17, D19, D20, D21, D22, D23, D25, D26), três (3) para o Ensino Fundamental (D8, D18, D24), uma (1) para a Formação de Ensino Superior (T1) e uma (1) para jovens e adultos surdos no Ensino Médio (D14), direcionada para a educação inclusiva.
No que tange um olhar para as pesquisas que utilizam a experimentação com MBC, encontrou-se nove (9) produções (D1, D6, D7, D9, D12, D14, D19, D20 e D25) que mencionam a utilização de materiais de fácil manuseio, recicláveis, instrumentos do cotidiano do estudante, práticas que poderão ser executados em qualquer ambiente, sem a necessidade específica de um laboratório.
Contudo, é possível perceber que diante das diversas temáticas apresentadas, a maior preocupação das produções é mostrar que a experimentação possui um grande potencial de atratividade, visando sempre um considerável entendimento e participação dos estudantes, seja em sala de aula ou de forma remota. A experimentação quando subsidiada de MBC, é defendida como um catalisador ou um facilitador da aprendizagem na tentativa de potencializar o interesse pelo conhecimento científico, fazendo com que a falta de estrutura não seja um impedimento para a aprendizagem via práticas experimentais nas aulas de Física. Porém, é válido ressaltar que os MBC não são a salvação para o Ensino de Ciências/Física no país, pois sabe-se que algumas práticas devem possuir materiais mais sofisticados, assim entendemos também que não será suficiente somente a elaboração dessas práticas com os MBC para que nossa sociedade construa uma cultura científica sólida.
## Referências
BATISTA, R. F. M.; SILVA, C. C. A abordagem histórico-investigativa no ensino de Ciências. Estudos avançados , v. 94, n. 32, 2018.
BERGOLD, A. W. de B.; RUIZ, V. E. V. Anistia da Física experimental no ensino médio: iniciando um laboratório didático de Física. XVI - Simpósio Nacional de ensino de Física , jan. 2005.
FRACALANZA, H. O ensino de Ciências no Brasil. In: FRACALANZA, H.; MEGID NETO, J. (Org.). O livro didático de Ciências no Brasil . Campinas: Komedi, p. 125-152, 2006.
KONDER. O Ensino de Ciências no Brasil: um breve resgate histórico. PUCRio, Certificação Digital , nº 0310242/CA, 1998.
MOREIRA, M. A. Ensino de Física no Brasil: Retrospectiva e Perspectiva. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 22, n. 1, mar. 2000.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico . Cortez editora, 2007.
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WISNIEWSKI, G. Utilização de Materiais de Baixo Custo no Ensino de Química Conjugados aos Recursos Didáticos Locais Disponíveis . 1990. 209 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1990.
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