PERCEPÇÕES DE DISCENTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM DE FÍSICA NO CONTEXTO DE AULAS REMOTAS
Danielle Do Rocio Laskowski, André Luis Do Amaral Junior, Diego Rhuan Spinardi Braznick, Rafael Neri Menezes, Guido Valmor Buss, Silmara Alessi Guebur Roehrig
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PERCEPÇÕES DE DISCENTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM DE FÍSICA NO CONTEXTO DE AULAS REMOTAS
Danielle do Rocio Laskowski , André Luis do Amaral Junior , Diego Rhuan 1 2 Spinardi Braznick , Rafael Neri Menezes , Guido Valmor Buss , Silmara Alessi 3 4 5 Guebur Roehrig 6
- 1 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - laskowski@alunos.utfpr.edu.br
- 2 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - andrejunior@alunos.utfpr.edu.br
- 3 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - braznick@alunos.utfpr.edu.br
- 4 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - rafa\_menezes\_08@hotmail.com
- 5 SEED/PR - Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco - guidovbuss@yahoo.com.br 6 UTFPR - Departamento Acadêmico de Física - roehrig@utfpr.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física; aprendizagem; ensino remoto.
## Resumo expandido
No início do ano de 2020, com a declaração da Organização Mundial da Saúde de que a propagação do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, atingiu o status de pandemia, o mundo todo entrou em estado de alerta. Quarentena e isolamento social se tornaram medidas impostas à toda a sociedade, como tentativa de conter o avanço da contaminação da população pelo vírus. As implicações no âmbito educacional foram enormes: de uma semana para outra, milhares de estudantes foram forçados a ficarem em suas casas. Professores e gestores das escolas tiveram que se adaptar e criar alternativas para atender seus estudantes. Como se trata de uma situação sem precedentes, levou meses para se elaborar um plano de ação para manter as atividades educacionais dos milhões de estudantes matriculados na educação básica no Brasil.
Com relação aos encaminhamentos para manter o ensino de forma remota, no contexto do Estado do Paraná, foi criado o programa Aula Paraná, cujo o objetivo era prover conteúdos escolares via TV aberta e Youtube, na forma de vídeo aulas previamente gravadas, lecionadas por docentes da rede, a pedido da Secretaria de Educação. Os estudantes eram orientados à assistir às aulas e interagir com os seus professores a partir da plataforma Google Sala de Aula, ou retirar material de estudo e atividades na escola, de forma impressa. A implementação desta ações foi conturbada e muitos problemas surgiram, sendo o maior deles relacionado ao acesso dos estudantes à computadores e à internet.
A inserção de recursos tecnológicos tem sido tema de diversos trabalhos e pesquisas nos últimos anos. Na escola privada, tal inserção se encontra bastante adiantada em relação à escola pública. O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos processos educacionais é considerada urgente, uma vez que estão presentes no ambiente social dos estudantes. A escola pública deveria introduzir tais tecnologias visando reduzir a desigualdade produzida pelo acesso desigual a essas tecnologias (BELLONI, 2002, p. 124).
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Em perspectiva de ensino híbrido, o modelo utilizado pela rede pública paranaense se assemelha ao que Bacich, et al. (apud SCHIEHL, et al., 2016) chamam de modo "à la carte", onde o ambiente físico é qualquer um que possua estrutura com acesso à internet, o professor trabalha de forma on-line e off-line e o estudante é responsável em organizar seus estudos, em conjunto com o professor, conforme objetivos definidos.
Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir algumas percepções de estudantes da rede pública paranaense acerca da sua aprendizagem na disciplina de física durante o desenvolvimento das atividades remotas no ano letivo de 2020. Um formulário eletrônico com dezenove perguntas, sendo oito delas discursivas e as demais de múltipla escola, foi elaborado pelos autores, questionando sobre percepções e dificuldades enfrentadas no contexto de ensino remoto, disponibilidade de recursos materiais, relacionamento com professores envolvidos, e por fim, sobre o desenvolvimento da disciplina de Física. O questionário foi enviado aos estudantes de duas escolas publicas da rede estadual, localizadas na região de Curitiba, após o encerramento do ano letivo, e foram obtidas respostas de um total de dezenove estudantes do ensino médio. Para a discussão dos resultados, abordaremos três aspectos que mais chamaram a atenção nas respostas, referentes às percepções sobre: 1) as aulas transmitidas Aula Paraná; 2) a comunicação com os professores; 3) a aprendizagem da Física.
Quanto às percepções sobre as aulas transmitidas, cerca de metade do respondentes classificou as vídeo aulas como rápidas ou com explicações vagas, o que acabou tornando muito difícil a assimilação do conhecimento abordado. Menos de um terço dos sujeitos classificou os docentes que ministraram as aulas como bastante capacitados. Um dos respondentes diz: "não senti uma real conexão entre eles e eu"; aparentemente, a falta de contato presencial afetou a motivação de parte dos estudantes. Outro aluno diz que "as vezes as aulas se tornavam cansativas", o que levou muitos estudantes a deixarem de assistir as aulas e estudarem por conta com outros materiais. Quase 90% dos estudantes declararam que raramente ou nunca se sentiram motivados a assistir as Aula Paraná.
Acerca da comunicação com os professores da escola, 58% dos alunos declararam que tiveram apoio de alguns professores, mas que outros não deram suporte algum. Um estudante declarou que "muitos professores não respondiam emails, mensagens no classroom e nem no chat do Google". Contudo, houve quem reconhecesse as dificuldades enfrentadas pelos docentes, como reflete este comentário: "Os professores deram o melhor de si, considerando as complicadas condições deste ano para dar o melhor apoio possível aos estudantes". Boa parte dos respondentes também apontou como problema a grande quantidade de atividades postadas na plataforma e a curta duração dos encontros com os professores pelo Google Meet.
Com relação à aprendizagem da Física, as principais dificuldades, apontadas por 47% dos respondentes, foram a falta da presença física dos professores e ausência de abordagens práticas. Segundo os estudantes, poucas foram às vezes em que atividades experimentais foram realizadas, e não houve uso de qualquer categoria de simuladores. As atividades mais frequentemente propostas, conforme apontado por 84% dos sujeitos, foram resolução de exercícios e questões de vestibular, bem como a análise de textos. Outra questão apontada indica que houve sobrecarga de trabalho para os alunos, devido à grande
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quantidade de vídeo aulas e formulários de atividades. As atividades foram desenvolvidas em duas frentes, a primeira a partir da Secretaria de Educação - Aula Paraná, e outra específica de cada escola com seus professores, o que trouxe uma quantidade imensa de atividades a serem realizadas, tornando o trabalho repetitivo e exaustivo.
Considerando a situação atual da pandemia em nosso país, as aulas presenciais dificilmente serão retomadas, logo é necessário melhorar e repensar alguns aspectos do ensino remoto. Para minimizar os impactos negativos, como os apontados pelos participantes da pesquisa, será necessário promover mudanças, desde a infraestrutura escolar até a formação continuada dos professores, para que se tenha condições de ofertar um ensino de qualidade à todos os estudantes da educação básica.
## Referências
BELLONI, Maria Luiza. Ensaio sobre a educação a distância no Brasil. Educação e Sociedade. Vol.23, n.78, 2002.
SCHIEHL, Pedro. E.; GASPARINI, Isabela. Contribuições do Google sala de aula para o Ensino Híbrido. Novas Tecnologias na Educação . Vol. 14, nº 2, dezembro, 2016.
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001
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