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EXPERIENCIANDO O CONTEXTO DA PRÁTICA DE VOO LIVRE COMO LABORATÓRIO DIDÁTICO DE FÍSICA

Bruno Nascimento Silva, Lucia Da Cruz De Almeida Uff - Rj- Brasil

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EXPERIENCIANDO O CONTEXTO DA PRÁTICA DE VOO LIVRE COMO LABORATÓRIO DIDÁTICO DE FÍSICA

## Bruno Nascimento Silva 1 , Lucia da Cruz de Almeida 2

1 UFF/PPECN, brunons\_20@yhaoo.com.br 2 UFF/Departamento de Física/PPECN, luciacruzalmeida@id.uff.br

Palavras-chave

: Física; Célestin Freinet; Laboratório didático

## Resumo expandido

Não é novidade a existência de recomendações para que a escola promova práticas educativas voltadas para a formação de indivíduos críticos e estimulados à busca por respostas a diversos questionamentos e situações relativas, não somente ao âmbito da Ciência, mas em todas as áreas de sua vida. Sobre essas recomendações no ensino de Física na Educação Básica, Rosa e Rosa (2005), evidenciam a necessidade de união de esforços para a promoção de práticas educativas que privilegiem a capacidade do pensamento, da ação e criação do educando, de acordo com as suas necessidades. Todavia, um direcionamento do olhar para o contexto escolar sinaliza um cenário oposto, no qual a Física é ministrada, geralmente, como uma Ciência aplicada à Matemática, reduzindo fenômenos a cálculos que por muitas vezes são idealizados e que no final não correspondem a uma realidade palpável aos estudantes. Sobre essa questão, Borges (2002) alerta que

Sem dúvida que as teorias físicas são construções teóricas e expressas em forma matemática; mas o conhecimento que elas carregam só faz sentido se nos permite compreender como o mundo funciona e porquê as coisas são como são e não de outra forma (p. 298).

Sendo assim, a Ciência deve fazer sentido na vida do aluno e para que isso ocorra, uma possibilidade que se coloca é a sua inserção na realidade daquele que está sendo educado. Em outras palavras, tal como Halmenschlager e Delizoicov (2017), defendemos a exploração in locus da realidade (situações do contexto sociocultural dos estudantes) como laboratório didático, no sentido de utilizá-la como um espaço de aprendizado, no qual o aluno consiga perceber e interpretar, através de um olhar crítico-científico, as diferentes situações e ou questões do meio onde está inserido.

A exploração in locus da realidade como estratégia educacional não se configura como algo novo. Esta afirmação é confirmada por Araújo e Praxedes (2013), por meio do resgate do pensamento do educador francês Célestin Freinet (1896 1966) que já no início do século XX sentia um desassossego ao confrontar a escola tradicional com o interesse dos alunos. De acordo com esses autores, a escola na visão de Freinet se apresentava como

- [...] promotora de uma conduta egocêntrica, distante do cotidiano, com horários e conteúdos a serem cumpridos, instruída por um livro didático limitado, de carteiras enfileiradas, alunos copiadores e sujeitos às ordens do professor [enquanto que] o interesse dos alunos estava fora da sala de aula e não dentro dela (ARAÚJO; PRAXEDES, 2013, p. 247).

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Freinet (1975) fazia uma dura crítica à pedagogia tradicional, que, a seu ver, mantinha o aluno em uma postura passiva, como um simples receptor de conteúdos transmitidos pelo professor, classificando-a como inimiga nº 1 de revivificação da escola. Em seu pensamento é perceptível a defesa de uma prática educativa alicerçada em situações reais, presentes no dia a dia do aluno, se contrapondo à busca por problematizações ideais, perfeitas, que não saem do controle do professor, e para as quais as respostas já estão predefinidas, esperando somente que o aluno 'descubra' o caminho do acerto. Ainda sobre a visão de Freinet, Elias (2017) esclarece que colocá-las em ação na escola contemporânea significa reconhecer que

[...] cabe ao professor fornecer condições de trabalho e ação, aproximar o educando da realidade para que este possa desvendá-la e criticá-la, para poder reconstruí-la e reinventá-la, transformando, assim, a simples esfera da apreensão' (ELIAS, 2017, p. 618).

Uma das formas de aproximar o aluno de sua realidade é levando-o para fora das paredes da sala de aula, possibilitando a motivação e o interesse pelo mundo que o cerca, afastando-se das metodologias tradicionais de ensino. Na pedagogia de Freinet, tal prática é denominada de aula-passeio ou aula das descobertas que tem, dentre seus objetivos, o estreitamento de relação entre docente e discente, um momento de troca de experiências.

Em nossa investigação procuramos construir respostas para a seguinte questão: Qual a contribuição da exploração da realidade como laboratório didático no ensino de Física? Para tanto, com fundamentação teórica nas teorias e práticas de Freinet (1969; 1975; 1985), propusemos e aplicamos uma sequência didática que adotou um parque voltado para a prática de voo livre como Laboratório Didático, para 25 jovens, entre 16 e 19 anos, do 3° ano do Ensino Médio de uma escola da rede particular do município de Niterói - RJ, com o intuito de minimizar a dicotomia existente entre teoria e prática. Para tanto, recorremos ao trabalho de campo para desvendar o contexto da prática do voo livre, associando-o a conhecimentos básicos de referencial, velocidade relativa, dinâmica de fluidos e transmissão de calor.

A metodologia de pesquisa utilizada foi a qualitativa, mais especificamente, um estudo de caso, no qual foram adotadas diferentes formas de registro dos dados (observação, fotos e gravações de imagens e áudios).

Em contraposição ao ensino da Física como uma Ciência aplicada à Matemática, a adoção de contexto fora da escola, como Laboratório Didático integrado a atividades didáticas em sala de aula, se mostrou promissora para a interação entre os estudantes, bem como com os demais sujeitos envolvidos no trabalho de campo, favorecendo aos educandos a oportunidade de desvendar e criticar a realidade, para reconstruí-la com um novo olhar.

A aula de campo trouxe aos discentes uma forma de olhar para a Física diferente daquela tida como convencional, ou seja, a participação do aluno nos processos de ensino e de aprendizagem restrita à aceitação e à reprodução da fala do professor. A interação com a realidade como objeto de estudo e com o instrutor de voo livre, alguém de fora do ambiente escolar, levou-os ao reconhecimento do conhecimento científico para além da obrigação de aprender por aprender. Além disso, estimulou a curiosidade e os diálogos entre os alunos e alunas, abrindo espaço para a reflexão, seguida de questionamentos e de construção de suas próprias respostas acerca dos eventos observados.

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## Referências

ARAÚJO, Magnólia Fernandes Florêncio de; PRAXEDES, Gutemberg de Castro. A aula passeio da pedagogia de Célestin Freinet como possibilidade de espaço não formal de educação. Ensino Em Re-Vista , v. 20, n.1, p. 243-250, 2013.

BORGES, Antonio Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 19, n. 3, p. 291-313, dez. 2002.

ELIAS, Marisa Del Cioppo. A atualidade da proposta pedagógica de Célestin Freinet. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação , v. 12, n. especial 1, p. 612-619, 2017.

FREINET, Célestin. O método natural . SOUSA, Franco de; BALTÉ, Teresa (Trads.). Lisboa: Estampa, v. 2, 1969.

\_\_\_\_\_\_. As técnicas Freinet da escola moderna . LETRA, Silva (Trad.). 4 ed. Lisboa: Estampa, 1975.

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Pedagogia do bom senso . São Paulo: Martins Fontes, 1985.

HALMENSCHLAGER, Karine Raquiel; DELIZOICOV, Demétrio. Abordagem temática no ensino de ciências: caracterização de propostas destinadas ao ensino médio. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia , v. 10, n. 2, p. 305-330, nov. 2017.

ROSA, Cleci Werner da; ROSA, Álvaro Becker da. Ensino de Física: objetivos e imposições no ensino médio. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias , v. 4, n. 1, 2005.

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