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A PLATAFORMA ARDUINO E O LABORATÓRIO DE ENSINO DE FÍSICA INCLUSIVO: UMA INOVAÇÃO DIDÁTICA

Débora De Oliveira Souza, João Paulo Fernandes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PLATAFORMA ARDUINO E O LABORATÓRIO DE ENSINO DE FÍSICA INCLUSIVO: UMA INOVAÇÃO DIDÁTICA

Débora de Oliveira Souza 1 , João Paulo Fernandes 2

1 Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, deborasouz@ufrj.br 2 CEFET/RJ Campus Petrópolis, jpaulof2001@yahoo.com.br

Palavras-chave

: Inclusão; Ensino de Física; Arduino.

## Resumo expandido

O presente trabalho propõe uma atividade com a Plataforma Arduino que pode contribuir significativamente para a redução das dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos com deficiência visual inseridos em turmas regulares. Muitos desses alunos não conseguem apreender as habilidades necessárias em aulas expositivas, compostas por fórmulas, falas e gestos, escrita em lousa e listas de exercícios. Assim, para buscar garantir o aprendizado de todos os alunos, faz-se necessário desenvolver uma prática de ensino que reflita coletivamente sobre a proposta pedagógica das escolas, o planejamento das atividades educativas, as estratégias e recursos de ensino-aprendizagem e de avaliação. Segundo Costa e Barros, em trabalho apresentado no XII Congresso Nacional de Educação:

No país, especialmente na escola pública, o ensino de ciências físicas e naturais ainda é fortemente influenciado pela ausência do laboratório de ciências, pela formação docente descontextualizada, pela indisponibilidade de recursos tecnológicos e pela desvalorização da carreira docente. (COSTA E BARROS, 2015, p. 10981)

A evolução tecnológica tende a caminhar na direção de tornar a vida cada vez mais fácil. Assim, fazemos uso constante de ferramentas que favorecem e simplificam as atividades do cotidiano, ou seja, instrumentos facilitadores que desempenham funções pretendidas. Desse modo, o objetivo deste trabalho é desenvolver atividades de baixo custo, utilizando uma Tecnologia Assistiva, a fim de avaliar sua contribuição no aprendizado de alunos com e sem deficiência visual. Além disso, tornar o laboratório da escola um local utilizado por professores e alunos garantindo uma interação teoria-prática. Segundo Bersch (2008), o termo Tecnologia Assistiva é utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços, que proporcionam habilidades funcionais para as pessoas com deficiência, promovendo vida independente e inclusiva. Na intenção de viabilizar ferramentas de ensino aos docentes de forma a contribuir para o ensino-aprendizagem de uma turma inclusiva, Camargo (2012) discute várias formas de saberes que podem auxiliar nas relações docente/discente e discente/discente. Dentre elas, considerando a atividade e o material desenvolvido neste trabalho, destaco a seguinte afirmação:

As atividades devem ser organizadas prioritariamente em razão de contextos comunicacionais que favoreçam a interatividade entre seus participantes. (CAMARGO, 2012, p. 263)

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Diante das dificuldades observadas no quadro da inclusão escolar e na tentativa de desmistificar o Ensino de Física, uma linguagem mais simples e interativa se faz necessária. Assim, a investigação consiste em responder à seguinte interrogação: considerando a utilização da Plataforma Arduino como uma inovação didática, como o laboratório pode proporcionar um Ensino de Física Inclusivo? Para responder a esta pergunta foi importante realizar uma reflexão após o desenvolvimento da atividade, questionários e entrevistas com alunos, licenciandos e professores que participaram conjuntamente do planejamento e desenvolvimento da atividade em sala de aula. A análise de conteúdo proposta por Bardin (2011) nos auxiliou a organizar e analisar os dados obtidos. A atividade proposta foi desenvolvida no Colégio Estadual Dom Pedro II (CENIP), localizado em Petrópolis/RJ, em duas turmas de segundo ano do Ensino Médio Vocacional Profissionalizante em Produção de Áudio e Vídeo. Participaram da pesquisa 8 alunos do CENIP (dentre eles, uma aluna com baixa visão), dois professores de Física da rede Estadual do Rio de Janeiro, dois licenciandos do curso de Licenciatura em Física do CEFET/RJ campus Petrópolis, um aluno cego do Colégio Pedro II/RJ campus São Cristóvão III e uma ex-aluna, com deficiência visual, do Colégio ICJ de Petrópolis/RJ. Nessa atividade buscou-se abordar o conteúdo de Física estudado (propagação de calor) por meio do protótipo intitulado Projeto Dos: Áudio Temperatura. Construído pela autora deste trabalho, o protótipo compreende o uso de 2 sensores à prova d'água DS18B20 para medir a temperatura, informando através do amplificador de som, a leitura em áudio por meio das gravações previamente salvas no cartão de memória, contando ainda, com um display OLED para a leitura visual. Para que haja a diminuição do problema do ensino-aprendizagem neste contexto, é recomendado que o docente desenvolva um planejamento que inclua atividades diversificadas coletivas e individuais, com dedicação e competência, devido às especificidades e à complexidade de diferentes fenômenos. O Arduino associado às atividades experimentais indicou que as novas tecnologias vêm viabilizando um trabalho que promove a inclusão de pessoas com deficiência. Docentes e licenciandos em Física afirmaram, em entrevista, que a utilização do Arduino em sala pode motivar os alunos, estes por sua vez, afirmaram que as aulas mais dinâmicas apresentam, de forma interativa, clareza sobre os conteúdos abordados. Após a realização desta atividade foi possível perceber que o Arduino, sendo uma ferramenta tecnológica atual e com inúmeras possibilidades de aplicação, nos apresentou resultados significativos quanto ao desenvolvimento da atividade no contexto escolar. Os fatores que levaram à tal inferência foram associados a: possibilidade de acoplar mais de um sensor no mesmo protótipo; possibilidade de ouvir (caixa de som ou fone de ouvido) e ler ( display digital) os resultados simultaneamente; autonomia às pessoas com deficiência visual; declarações dos alunos sobre o quanto as aulas de laboratório auxiliam no aprendizado e como ficam felizes e satisfeitos por poderem executar os experimentos e extrair suas próprias conclusões. Trabalhos que envolvem áudio e legendas em Braille possibilitam a inclusão de alunos com deficiência visual. Quando neste se é inserido um aparato visual, como um display, o processo de acessibilidade é ampliado, tornando possível a inserção do aluno com deficiência auditiva. Ao adotar medidas inclusivas, o professor não só inclui o aluno com deficiência nas suas aulas, mas também possibilita seu aprendizado pleno, considerando suas limitações. Este projeto foi composto pela ideia, construção, aplicação e feedback de alunos, licenciandos e professores de Física da Educação Básica com o olhar sobre características múltiplas e desafiadoras imersas na sociedade em que vivemos.

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## Referências

ARDUINO. Arduino. Página inicial. Disponível em: <https://www.arduino.cc/>. Acesso em: 5 mar. 2021.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: 70, 2011.

BERSCH, R. Introdução à Tecnologia Assistiva. CEDI · Centro Especializado em Desenvolvimento Infantil. Porto Alegre, 2008.

CAMARGO, EP. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física. São Paulo: Editora UNESP, 2012. 274 p. ISBN 978-85-3930-353-3. Disponível em:

<https://static.scielo.org/scielobooks/zq8t6/pdf/camargo-9788539303533.pdf>. Acesso em: 29 fev. 2021.

COSTA, L. G. e BARROS, M. A. O ensino da física no brasil: problemas e desafios. In: EDUCERE - XII Congresso Nacional de Educação, PUCPR, 2015, Paraná-PR. Anais... , 2015. p. 10980-10989. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/21042\_8347.pdf>. Acesso em: 29 fev. 2021.

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