A RADIAÇÃO DO CORPO NEGRO EM UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA POTENCIALMENTE SISTÊMICA COM O USO DA ARTE NARRATIVA
José De Sousa Leite, Jeânderson De Melo Dantas, Franciane Silva De Azevedo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A RADIAÇÃO DO CORPO NEGRO EM UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA POTENCIALMENTE SISTÊMICA COM O USO DA ARTE NARRATIVA
## José de Sousa Leite 1 , Jeânderson de Melo Dantas 2 , Franciane Silva de Azevedo 3
1 EEEM Dr. Romildo Veloso e Silva/ Professor/ jlleite15@gmail.com
2 Unifesspa/IGE/jeanderson@unifesspa.edu.br
3 Unifesspa/IGE/franciane@unifesspa.edu.br
Palavras-chave : Arte narrativa; Pensamento complexo; Radiação do corpo negro.
## Resumo expandido
Tendo em vista o desinteresse dos alunos no ensino de física, a busca dos professores por estratégias e ferramentas facilitadoras de aprendizagens que possam criar ambientes contagiantes. Dessa forma, com o enfoque em apresentar uma inovação ou um novo engajamento para os estudantes nas aulas de física, inserimos nesse trabalho a temática radiação do corpo negro na Educação Básica através da metodologia contação de história. Com isso, foi criada uma história intitulada "O mundo mágico de Physis com Lorde Kelvin e as duas nuvenzinhas" e elaborada uma sequência didática com abordagem da teoria do pensamento complexo de Edgar Morin [1]. Desse modo, a presente prática de ensino foi aplicada aos estudantes do terceiro ano do ensino médio da escola pública da rede estadual do município de Ourilândia do Norte-Pará.
É importante ressaltar que são numerosos os trabalhos que abordam e corroboram com a ideia do uso da contação de história [2-8], explorando os aspectos e os desdobramentos educacionais nos espaços escolares, especialmente seu uso na Educação Infantil. Contar histórias torna a aprendizagem prazerosa, acessível e efetiva, sem contar que todo ser humano tem uma história linda para contar, encantar e ensinar. A imersão dos estudantes no mundo das palavras, sons e imagens da arte narrativa, ativa a imaginação, auxilia na ampliação do vocabulário, desperta a curiosidade, carrega o ambiente de influências e estímulos, e desenvolvem competências cognitivas, afetivas e psicomotoras [9-11].
Os procedimentos para aplicar esse produto educacional foi dividido em quatro etapas, com a aplicação de três questionários. Na primeira etapa, aplicamos
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o primeiro questionário para identificar os conhecimentos prévios dos discentes sobre a temática abordada. Na segunda etapa foi realizada uma conversa com os alunos para conhecer a opinião deles sobre as aulas de física, e na sequência, foi feita a leitura da história de forma compartilhada e dirigida pelo docente, além disso, foi realizada uma miniaula dialogada. Na terceira etapa, foram feitas as apresentações divididas em grupos: um momento de consolidação, socialização, dúvidas e produção científica. Na quarta etapa foram aplicados os questionários 2 e 3.
A realização da pesquisa e aplicação do produto sofreram muitos impactos por causa da pandemia do Covid-19. Foram apenas vinte alunos, divididos em duas turmas com dez (manhã e tarde). Com efeito, todos os cuidados foram tomados, conforme pedidos da escola e das autoridades (municipais, estaduais e federais) competentes.
## Analisando os resultados obtidos:
Questionário 1: as perguntas tiveram o objetivo de identificar os conhecimentos prévios dos alunos com relação ao assunto relacionado a radiação do corpo negro. Fizemos perguntas que envolviam o conhecimento histórico, como o questionamento de quais nuvens eram aquelas proferidas no ano de 1900 por Lorde Kelvin, onde tivemos 100% dos discentes respondendo 'nunca ouvi falar sobre isso'. Perguntas sobre propagação de calor, processos de troca de calor no vácuo, conceito de corpo negro, entre outros questionamentos, onde as respostas obtidas, tiveram, em sua maioria, resultados ruins. Por isso, foi necessário realizar a miniaula dialogada sobre a 'Radiação do Corpo Negro', com o objetivo de melhorar os conhecimentos prévios dos estudantes, necessários para o melhor compreensão da história "O mundo mágico de Physis com Lorde Kelvin e as duas nuvenzinhas".
No questionário 2: foram respondidas treze questões, os discentes foram provocados a construírem conhecimentos sobre as cores da radiação, o modelo hipotético de corpo negro e sua definição, as leis relacionadas a equipartição da energia e os conceitos de radiação e catástrofe do ultravioleta. Depois de analisadas as respostas, foi observado que a porcentagem de acertos foi muito boa, com questões acima de 90%, bem diferente do que aconteceu no primeiro questionário.
Questionário 3: aplicamos sete questões, a primeira delas tinha o objetivo de saber se os alunos consideraram o questionário 1 determinante para chamar a atenção deles para o tema trabalhado, e obtivemos um número expressivo, 78,9% acredita que sim. Na questão 2, tivemos que 52,6% consideraram excelente e 42,1% sinalizaram como bom o momento da miniaula dialogada. Já na terceira, quando questionados se a leitura, a encenação e a socialização da história tornavam as aulas de física mais produtivas, obtivemos 84,2% concordando plenamente. Já na quarta questão, observou-se que 68,4% concordam totalmente e 26,3% concordam parcialmente sobre a importância das ilustrações no processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, compreende-se que a contação de história, com uso de desenhos e figuras despertam a curiosidade nos discentes e cria 'sede' pelo o saber. Com a pergunta 5 tivemos um equilíbrio nas respostas sobre os momentos mais interessantes da aplicação da história, tendo que 36,8% escolheram a leitura; 36,8% optaram pela preparação e encenação; e por fim, 31,6% ficaram com a opção que envolve a elaboração de ilustrações e
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apresentação. Na questão 6, 85% dos estudantes responderam que gostariam que outros assuntos de física fossem abordados com a utilização da contação de histórias. Os outros 15% disseram que concordam parcialmente. Por fim, a sétima questão, os alunos deixaram seus comentários, avaliações e autoavaliações sobre a história contada e a sequência didática. Os comentários reforçam que a contação de história foi significativa.
Com os resultados apresentados, podemos concluir que a proposta de ensino, utilizando a metodologia contação de história teve um impacto positivo nos estudantes, tanto no rendimento acadêmico, como observado pelos resultados do questionário 2, tanto pela aceitação da proposta e da história "O mundo mágico de Physis com Lorde Kelvin e as duas nuvenzinhas", como apresentado nas respostas obtidas no questionário 3.
## Referências
- 1 - Morin, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo . Porto Alegre: Editora Sulina, 2015.
- 2 - GURGEL, Ivã e WATANABE, Graciella. A elaboração de narrativas em aulas de físicas: a aprendizagem em ciências como manifestação cultural. -1ª Edição. São Paulo, SP: Editora Livraria da Física, 2017
- 3 - COELHO, Betty. Contar histórias uma arte sem idade. 10ª Edição. São Paulo - SP: Editora ática, 2001.
- 4 - DOHME, Vania. Atividades Lúdicas na Educação: o caminho de tijolos amarelos do aprendizado. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
- 5 - MELLON, Nancy. A arte de contar histórias. Rio de Janeiro, RJ: Rocco, 2006.
- 6 - DINIZ, Júlio. Muitas vozes, muitas histórias. In: PRIETO, Benita. (Org.). Contadores de Histórias: um exercício para muitas vozes. Rio de Janeiro: s. ed., 2011, p. 44-46.
- 7- ZANETIC, João. FÍSICA E CULTURA. Revista Ciência e Cultura/ vol. 57 nº 3 - São Paulo: Jul/Set, 2005.
- 8 - EGAN, Kieran. O uso da narrativa como técnica de ensino. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994.
- 9 - Oliveira, N.; Zanetic, J. Física e narrativa. In: Anais do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física, SBF, Jaboticatubas, 2004, p. 1-12. Disponível em: Trabalhos em congressos - Núcleo de Pesquisas em Inovações Curriculares (usp.br) Acesso: 12 de dezembro 2020.
- 10 - BERNARDES, Claudine; GAMA, Flávia. Contos que curam. - São Paulo, SP: Literare Books International, 2019.
- 11 - MORIN, Edgar. A escola mata a curiosidade. Revista Nova Escola. Edição 168, outubro, 2006. Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/formacao/escola-mata-curiosidade425244.shtml; Acesso em: 02 ago. 2015.
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