ENSINO DE ÓPTICA FÍSICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Natanael Inácio D. S. Neto, Paulo C. Da Silva Filho, Maria Da Glória F. N. Albino
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## ENSINO DE ÓPTICA FÍSICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
## Natanael Inácio D. S. Neto 1 , Paulo C. da Silva Filho 2 , Maria da Glória F. N. Albino 3
- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio grande do Norte/Diretoria Acadêmica de Ciências - DIAC/IFRN, natanael.inacio.nt@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte/ Diretoria Acadêmica de Ciências - DIAC /IFRN, paulo.cavalcante@ifrn.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física, Aparato experimental adaptado, Óptica Física.
## Resumo expandido
A experimentação, como estratégia educacional no ensino de Física, tem como um de seus objetivos tornar concreto os conceitos abordados em sala de aula. E para a efetivação desse objetivo é necessário que o processo seja planejado em uma perspectiva inclusiva, de forma a tornar possível para todos a compreensão dos fenômenos. Essa proposição tem se desvelado um fator fundamental no contexto da formação docente.
Teoricamente, segundo Camargo e Nardi (2007), o professor deveria estar preparado para planejar e conduzir atividades de ensino que atendam as especificidades de todos os alunos, com e sem deficiências. O que implica em dizer, segundo os autores, que sua prática deve adequar-se às múltiplas formas interativas possíveis de ocorrer.
De acordo com Camargo (2012, p. 15):
'. A busca por uma didática inclusiva não é simples, deve superar os modelos pedagógicos tradicionais enfatizando o impacto de variáveis específicas na implantação de uma educação para todos'.
A afirmação do autor explicita que a inclusão é fundamental para o desenvolvimento de alunos com Deficiência Visual (DV), mas vale destacar que a didática inclusiva auxilia o desenvolvimento de toda a turma. Por isso, é necessário que o docente adeque seu planejamento com base na nova realidade escolar.
Nesse sentido, no ensino de Óptica Física para alunos com DV é basilar que estes discentes possam, literalmente, tornar palpáveis os fenômenos que cercam esta área da Óptica que trata do comportamento da luz como onda.
A luz, e os fenômenos a ela relacionados, sempre gerou enorme curiosidade, o que fez com que o homem, ao longo da história, tenha buscado entender sua conduta. Nessa busca, a experimentação foi de extrema importância para a comprovação de inúmeros conceitos e teorias. O experimento de Young foi peça fundamental para a teoria ondulatória de Huygens. E isso torna sua concretude
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
fundamental para que os alunos possam compreender os conceitos a ele relacionado e valorar o impacto que contribuiu na época de sua comprovação.
Este trabalho foi desenvolvido com o propósito de relacionar teoria e prática no trabalho dos professores que ensinam aos alunos em geral, além dos discentes com DV o conteúdo de Óptica Física por meio de materiais experimentais adaptados.
A metodologia utilizada foi do tipo descritiva, no intuito de explicitar o caminho percorrido na produção de um aparato experimental e uma unidade didática para o ensino de Óptica Física para alunos com Deficiência Visual.
- A unidade didática conta com resumos conceituais de cada um dos experimentos adaptados e os respectivos conteúdos abordados na Óptica Física.
A proposição se baseia na possibilidade de acompanhamento de atividades a serem realizadas por todos os discentes (DV ou não) utilizando, de maneira sequencial os materiais experimentais que fazem parte do aparato.
As figuras 1, 2 e 3 representam os materiais adaptados. A Figura 1, apresenta o experimento utilizado para tornar tátil o fenômeno de interferência (experimento de Young adaptado). Na Figura 2, o fenômeno representado é o da difração (experiência de fenda única adaptado) e na Figura 3, é simulado o experimento referente ao fenômeno da polarização da luz (com a adaptação deste experimento).
Na figura 1, os barbantes brancos representam os raios de luz que são emitidos pela fonte luminosa que está representada pelo retângulo apenas com círculos amarelos. As franjas são distinguidas através dos círculos amarelos Máximos de interferência e barras vermelhas - Mínimos de interferência. Os círculos vermelhos representam a transcrição em braille do Experimento de Young (EY) e os quadrados pequenos em vermelho representam e distinguem as fendas única e dupla.
Figura 1: Interferência: experimento de Young.
<!-- image -->
Na figura 2, os barbantes brancos representam os raios de luz que foram emitidos pela fonte luminosa, esta se encontra especificada na região retangular à esquerda, que possui apenas círculos amarelos. O anteparo está localizado no lado direito do experimento em que estão especificados nos círculos amarelos - máximos e nos retângulos vermelhos - mínimos. Os círculos vermelhos transcrevem em braille o termo difração, representado pela letra D e os quadrados pequenos em vermelho tratam do detalhe para a fenda única.
<!-- image -->
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Figura 2: Difração: experimento de fenda única.
Na figura 3, os triângulos amarelos localizados na região retangular a esquerda representa a fonte de luz. As regiões com círculos amarelos especificam o filtro polarizador (FP) e os barbantes brancos representam a luz não polarizada - entre os triângulos e círculos amarelo. Já a luz polarizada está localizada na região após o filtro polarizador e os círculos vermelhos representam a transcrição do termo luz (L), que fica entre as placas e Luz Polarizada (LP) que fica após o FP.
Figura 3: Polarização: luz polarizada.
<!-- image -->
Partindo da proposição do trabalho de apresentar uma sugestão para o ensino de óptica física para alunos com DV, vale lembrar que este pode servir de modelo para o desenvolvimento de outros materiais. Isto porque, no contexto do ensino de Física para deficientes visuais, fica explícito, devido à natureza da disciplina, intrinsecamente experimental, que a utilização de materiais adaptados possibilita uma aprendizagem mais efetiva porque é realizada de forma mais igualitária, proporcionando a ampliação das habilidades funcionais dos alunos. Nesse sentido, a produção de materiais adaptados e a proposição de unidades didáticas para a objetivação de atividades experimentais podem ser considerados TAs (tecnologias assistidas), uma vez que são de importância fundamental para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem, pois podem facilitar e melhorar o trabalho docente e proporcionar autonomia para que o aluno sinta, experimente e compartilhe os conhecimentos construídos.
## Referências
CAMARGO, E. P.; NARDI, R. Planejamento de atividades de ensino de Física para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias. Vol. 6, Nº 2, 378-401, 2007. Disponível em: <
https://www.researchgate.net/profile/Roberto\_Nardi3/publication/28184321\_Planeja mento\_de\_atividades\_de\_ensino\_de\_Fisica\_para\_alunos\_com\_deficiencia\_visual\_di ficuldades\_e\_alternativas/links/544477510cf2a6a049ab0ea6.pdf > . Acesso em:06 nov 2020.
CAMARGO, Eder Pires de; Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física. São Paulo: Editora Unesp, 2012. ISBN 9788539303533. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/113714>.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.