DIFICULDADES DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS DE FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NO ENSINO REMOTO
Maria Lara Simões Lozovoi, Beatriz Corrêa Cortela
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## DIFICULDADES DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS DE FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NO ENSINO REMOTO
Maria Lara Simões Lozovoi¹ e Beatriz Salemme Corrêa Cortela²
- ¹ Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'/ Faculdade de Ciências (FC)/ Licencianda em Física; lara.lozovoi@unesp.br
- ² Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'/Departamento de Educação Faculdade de Ciências (FC); beatriz.cortela@unesp.br
Palavras-chave : Docentes universitários; Ensino remoto; Qualidade de vida; Formação de Professores
## Resumo expandido
- O presente trabalho decorre do projeto de Iniciação Científica da 1ª autora, em andamento, aprovado com bolsa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e pelo Comitê de Ética sob o número CAAE 39217620.6.0000.5398, intitulado Repercussões do isolamento social e das atividades laborais remotas na qualidade de vida de docentes universitários.
Há praticamente um ano, desde o início de 2020, pessoas sofreram mudanças drásticas nas atividades cotidianas em decorrência da necessidade do distanciamento social, assim como nas atividades laborais, incorporando o home office (ARAUJO FILHO; MARANHÃO, 2020). Desde então, muitas universidades públicas adotaram modelos de aulas virtuais, previstos para até 2021, culminando em alterações relativas aos processos de ensino e aprendizagem.
- O objetivo da pesquisa é levantar como a qualidade de vida (QV) dos professores universitários tem sido afetada em decorrência do distanciamento social (ou ausência dele) e das atividades laborais remotas, tendo como participantes docentes atuantes dos departamentos de Física, Matemática, Biologia, Educação e Química numa universidade pública. Visa também levantar as dificuldades dos docentes ao ministrarem aulas virtuais. Entre dezembro (2020) e janeiro (2021) foi aplicado um questionário contendo as perguntas do WHOQOL-Bref (FLECK, 2000), avaliando a qualidade de vida, juntamente com outras abertas, voltadas para as atividades laborais e sociodemográficas, além do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, utilizando a plataforma Google Forms .
Serão apresentados aqui resultados obtidos no departamento de Física, composto por 26 docentes. Cinco responderam, estabelecendo uma taxa de 19,23%. A literatura aponta que cerca de 8,2% (HIPÓLITO et al., 1996, apud VASCONCELLOS; GUEDES, 2007) respondem a questionários dessa natureza. Em relação aos participantes, todos são homens, quatro são casados ou têm união estável, e um é separado/divorciado; todos têm filhos. Suas idades variam entre 42 a 62 anos, ou seja, pertencentes às gerações Baby Boomers e X 1 . Um tem formação inicial em licenciatura, os demais são bacharéis e todos pesquisam na área de Física de Materiais. Ingressaram na universidade entre 1988 a 2000. Em 2020, todos ministraram, na graduação, aulas teóricas e dois deles, aulas laboratoriais; na pós-graduação, apenas um não ministrou. Sobre o Índice de Massa Corpórea (IMC),
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
os cálculos apontam que um deles estava com peso normal, dois com sobrepeso e dois obesos, grau II.
Os dados sistematizados por meio do WHOQOL-Bref (FLECK, 2000; LOUZADA, SILVA, 2005), na autoavaliação, apontam para uma boa qualidade de vida (75 pontos de 100), dentro dos critérios adotados. No entanto, um dos participantes (25% da amostra) se sentia, à época, ansioso, cansado, sobrecarregado e desanimado.
Foi feita a análise das respostas obtidas em uma das questões, na qual assinalava-se uma ou mais alternativas respondendo sobre as principais dificuldades encontradas nas aulas remotas. Havia oito opções para a seleção de quantas achassem pertinentes, além de uma aberta (outras), para complementação. Os resultados estão apresentados no quadro abaixo:
Quadro 01 : Resultados obtidos em porcentagem
Os dados analisados corroboram a QV ter sido considerada boa, ponderando que todos têm, em casa, ambiente de trabalho adequado, e somente 20% deles entende ter menos tempo para atividades acadêmicas ou mesmo percebeu um aumento da carga horária de trabalho. No entanto, isso também pode indicar que os docentes universitários têm uma carga horária intensa mesmo durante os momentos em casa e podem não ter detectado o aumento de sua dedicação ao trabalho remoto. Considerando que seus filhos também estão em atividades educacionais remotas, infere-se que estes podem não morar na mesma casa, bem como ter espaços próprios que não prejudicam o andamento do trabalho dos pais.
A plataforma adotada pela maioria dos professores ( google meet ), é de fácil utilização, não exigindo maiores adaptações na rotina. Todavia, 60% deles apontou ter dificuldade com a utilização de ferramentas virtuais, de modo a poder deduzir que estejam se referindo ao uso de softwares, aplicativos, entre outros. Ou mesmo que se reportam às diferentes metodologias que podem ser adotadas, superando a abordagem tradicional.
No entanto, existe a preocupação de 80% dos respondentes em manter a atenção dos alunos durante as atividades. Isso é relacionado não só com as motivações dos alunos, mas também com as metodologias utilizadas nestes ambientes, que necessitam ser diferenciadas das adotadas em ambientes
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
presenciais, por vezes tradicionais e com foco no professor, atendendo à diversidade nas formas de aprendizagem, numa perspectiva ativa.
- É notório que 60% dos participantes têm dificuldades em estabelecer instrumentos e critérios de avaliação adequados e usar ferramentas virtuais, replanejando a disciplina. Infere-se que 40% ministraram as disciplinas como se fossem presenciais, mantendo a mesma forma de abordagem. Acredita-se que isso decorra do confronto com uma nova dinâmica de trabalho, sem uma preparação pedagógica antecipada ou mesmo a disposição em modificar suas práticas (motivação intrínseca). Nesse sentido, podem não ter considerado a necessidade de repensar as abordagens mais adequadas a este novo ambiente, dosar a quantidade e o tipo de tarefas a serem executadas, uma vez que muitos dos graduandos não têm equipamentos, ambientes adequados e/ou mesmo sinal de internet permitindo acesso às aulas.
- O ensino virtual trouxe dificuldades na utilização das instrumentais pedagógicas, tais como o uso de metodologias para estes ambientes, manter a atenção dos graduandos durante as aulas, propiciar atividades que possam atender às novas demandas, entre outras. E, no que diz respeito aos professores, estes fatores podem ser equacionados/sanados, a partir de dinâmicas de orientação por pares, dentro do próprio departamento, por exemplo. No entanto, o ensino remoto trouxe benefícios no que diz respeito a propiciar o modo assíncrono, possibilitando acesso às aulas gravadas em horários diferenciados, tendo em vista que muitos dos alunos passaram a trabalhar durante a pandemia; o uso de outros recursos didáticos, como softwares, simuladores e vídeos, lives com especialistas, seminários com docentes de outras universidades e cursos, entre outras.
No que diz respeito à qualidade de vida dos docentes universitários do departamento de Física da universidade estudada, resultados obtidos a partir do questionário WHOQOL-Bref e questões do tipo Likert, que visaram detectar o estado emocional no momento da constituição dos dados, apontam para valores que a classifica como boa. Infere-se que as atividades laborais remotas não influenciaram diretamente na QV dos entrevistados.
## Referências.
ANDRÉ, M. Desafios da pós-graduação e da pesquisa sobre formação de professores. Educação & Linguagem , v.10, n.15, p. 43-59, 2007.
ARAUJO FILHO, A. C. A.; MARANHÃO, T. A. COVID-19 no contexto global e saúde. Revista Enfermagem Atual in derme . Edição Especial COVID10, 2020, Editorial.
FLECK, M. P. A., et al. O instrumento de avaliação de qualidade de vida abreviada da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-breve): aplicação da versão em português. Revista de Saúde Pública, v. 22, n. 2, 2000.
LOUZADA, R. C. R.; SILVA FILHO, J. F. S. Formação do pesquisador e sofrimento mental: Um estudo de caso. Psicologia em Estudo , v. 10, n. 3, p. 451-461, 2005.
VASCONCELLOS, L.; GUEDES, L. F. A. E-Surveys: Vantagens e Limitações dos Questionários Eletrônicos via Internet no Contexto da Pesquisa Científica. X SemeAd - Seminários em Administração FEA/USP , São Paulo, 2007.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.