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A Feira de ciências como aliada ao processo de ensino-aprendizagem: formação da imagem e problemas de visão

Carolina Dos Santos Apoliano, Rosana Bulos Santiago

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A Feira de ciências como aliada ao processo de ensinoaprendizagem: formação da imagem e problemas de visão

Autora: Carolina dos Santos Apoliano - UNIRIO Orientadora: Rosana Bulos Santiago - UERJ

Palavras chaves: ensino por investigação; Tabela de Snellen; visão humana

O presente trabalho apresenta uma sequência didática para o ensino da Óptica Geométrica aplicado a formação de imagens no olho humano e seus defeitos de visão. Foi aplicada aos alunos do segundo ano do ensino médio de uma escola privada da capital do Rio de Janeiro. O objetivo do trabalho foi preparar estes alunos com os conteúdos científicos necessários para atuarem numa atividade interdisciplinar afim de rastrearem a acuidade visual dos visitantes e participantes da Feira de Ciências da escola.

A escolha deste projeto justifica-se por entender que os conteúdos trabalhados na escola devem ser contextualizados na vida cotidiana do estudante, ter cunho interdisciplinar, promover motivação e ter sentido útil para o estudo do mesmo. Ademais, vale ressaltar que os conteúdos didáticos físicos e biológicos instrui e alerta o indivíduo a ficar atento a sua saúde ocular ao longo da vida.

Para trabalhar o ensino-aprendizagem foram adotados os referencias teóricos da teoria de interação social de Vygotsky (1988) e o Ensino por Investigação (EI). Vygotsky entende que o aprendizado ocorre por meio da interação com o outro, e no caso do aprendizado formal, com o professor, com os colegas de sala e com os materiais didáticos. A metodologia de EI (CARVALHO, 2013) é uma abordagem didática de que maneira pode-se trabalhar em sala de aula. O EI estimula o questionamento, a observação, o levantamento de hipóteses, o planejamento, e por fim, as explicações surgem com bases nas evidências encontradas ao longo do processo investigativo.

A sequência didática contou com a apresentação de alguns experimentos feitos com materiais de baixo custo (algumas deles com aquisição de dados); contextualização do tema e abordagens através da utilização de materiais

audiovisuais (exposição de imagens e filmes); confecção de protótipo do olho humano feito pelos estudantes; análise de receitas oftalmológicas, aprendizagem e utilização da tabela Snellen; participação dos alunos Feira de Ciências promovendo o rastreamento da acuidade visual; além de breve introdução sobre a escrita em Braille.

O rastreamento da acuidade visual foi feito por meio da Tabela de Snellen ou teste de Snellen. Esse teste é um método universal, que possui um modelo disponibilizado pelo SUS que pode ser consultado através dos Cadernos temáticos do PSE - Saúde Ocular de 2016, disponibilizado pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2016). Normalmente, esta tabela é utilizada por agentes da saúde em comunidades carentes e em alguns colégios da rede pública de ensino, com o objetivo de fazer uma análise inicial a fim de identificar aqueles que necessitam de um exame de vista com o oftalmologista. A Tabela de Snellen tem fácil entendimento para quem a manipula, e atende aos diferenciados tipos de público: crianças e adultos alfabetizados ou não, pois possui vários modelos, com letras, números ou desenhos de diferentes tamanhos. Apresenta uma escala de valores ao lado de cada linha para aferir o nível de dificuldade visual do investigado.

A Feira de Ciências é um evento que reúne a sociedade do entorno da escola para uma mostra de determinados saberes científicos de diversas disciplinas proporcionando ao público acompanhar o desenvolvimento científico e aprendizagem dos alunos. Fernandes (FUNACEB, 2006) explica que as feiras de ciências são conhecidas como uma atividade pedagógica e cultural com elevado potencial motivador de ensino-aprendizagem no ambiente escolar. Tanto para alunos e professores, quanto para a comunidade em geral, as feiras vêm constituindo uma oportunidade de aprendizagem e de entendimento sobre as etapas de construção do conhecimento científico.

Inicialmente, foi aplicado um questionário para que fossem avaliadas as concepções prévias dos alunos sobre o conteúdo curricular a ser trabalhado. Os experimentos com baixo custo foram realizados no laboratório, seguindo a metodologia de EI: a formação de múltiplas imagens nos espelhos planos, periscópio,

Os 14 estudantes tiveram protagonismo em muitos momentos: sugeriram a montagem de um livro sobre a formação da imagem no olho humano e defeitos

de visão para que ficasse exposto ao público durante o evento; planejaram e executaram a arrumação dos ambientes para atender o público dividindo tarefas e funções. Durante o evento, um grupo fez o teste de Snellen, outro grupo apresentou o conteúdo físico da formação de imagem auxiliado por cartazes e pelo protótipo do olho humano, enquanto os outros colegas davam logístico aos frequentadores do evento.

Foram atendidas 152 pessoas pelos estudantes deste projeto. O teste de Snelen foi aplicado a 75 pessoas, identificando alguns com problemas de visão. Além disso, este momento propiciou que os discentes alertassem os pais das crianças pequenas da necessidade de fazer exame oftalmológico para uma boa aprendizagem.

A análise de aprendizagem está sendo feitas a partir das respostas dos questionários dos experimentos iniciais, redações finais dos alunos protagonistas desta atividade, do material e cartazes apresentados na feira e dos saberes expostos em suas falas durante o evento.

A participação dos estudantes na Feira de Ciências na investigação da acuidade visual através da aplicação da metodologia da Tabela de Snellen permitiu motivação adicional aos estudantes no que se refere a aquisição de conhecimento da temática sobre Óptica Geométrica. Para além do aprendizado dos conteúdos específicos da disciplina de Física percebeu-se que esta atividade contribuiu para que o aluno despertasse o interesse em ser mais ativo dentro de sua comunidade e realidade (OAIGEN et al., 2013) adquirindo confiança e criativa frente à resolução de problemas.

## Referências

- · BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica-SEB. Projeto Fenaceb - Feira Nacional De Ciências Da Educação Básica, Brasília, 2006.
- · BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos temáticos do PSE - Saúde Ocular. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica - Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 28 p.: il.
- · BORGES, R. O..A FÍSICA DO OLHO HUMANO,UMA ABORDAGEM DOS TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS COM USO DE RECURSOS SENSITIVOS.Ciência em Foco. 2017.
- · CARVALHO, ANA MARIA PESSOA DE, (org.); Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula; Dados internacionais de Catálogo de Publicação (CIP) - Câmara Brasileira do livro - SP - CENGAGE Learning, 2013.
- · OAIGEN, E. R.; BERNARD, T.; SOUZA, C. A. Avaliação do evento feiras de ciências: aspectos científicos, educacionais, socioculturais e ambientais. Revista Destaques Acadêmicos, Edição especial, 2013.
- · VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 2 ed. Brasileira. São Paulo: Martins Fontes, 1988. 168p.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.