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O conto de Colin Bruce e o jogo Scotland Yard: Adaptações feitas para o ensino de física

Letícia Figueiredo Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O CONTO DE COLIN BRUCE E O JOGO SCOTLAND YARD: ADAPTAÇÕES FEITAS PARA O ENSINO DE FÍSICA

## Letícia Figueiredo Santos 1

1 Instituto Federal de São Paulo, Licenciatura em Física, leticia.fig.santos@gmail.com

Palavras-chave : Ferramentas metodológicas; Jogos educacionais; Termodinâmica

## Resumo expandido

Esse relato de experiência pretende mostrar uma das possíveis ferramentas metodológicas que se pode utilizar em sala de aula, com a intenção de se atingir um maior número de alunos no ensino de física, visto que o ensino tradicional de "giz e lousa" é insuficiente para uma real aprendizagem. Também não se afirma que o uso desta ferramenta seja suficiente, mas que a variação de metodologia, que inclui o uso de ferramentas metodológicas variadas, pode contribuir para o ensino de toda uma sala, pois os alunos são diferentes entre si e por esse motivo aprendem e se relacionam de uma maneira diferente com o conhecimento (LABURÚ ET AL, 2003).

A ferramenta utilizada foi o jogo adaptado para uma aula relacionada à energia, em especial a energia térmica. O jogo é o Scotland Yard, que originalmente não tem pretensões educacionais, mas foi adaptado para ter esse comportamento. O Scotland Yard é um jogo de tabuleiro publicado pela Grow, que desafia o raciocínio e a capacidade de dedução. Usou-se um jogo dedutivo porque a turma na qual foi feita a aula, se comportava de maneira competitiva. Quando se trata de atividades em grupo, de acordo com Laburú: "existem estudantes com personalidade competitiva que apreciam demonstrar sua capacidade intelectual" (op. Cit). O caso adaptado para o jogo foi um dos contos retirados do livro "As ave nturas científicas de Sherlock Holmes" escrito por Colin Bruce, de nome " O caso da energia desaparecida" , que envolve conceitos de termodinâmica, necessários à solução do mistério.

O Scotland Yard é um jogo de detetive, no qual os jogadores têm que coletar pistas ao longo das casas de um tabuleiro, que simula a cidade de Londres, para resolver um caso. Ele pode ser jogado por no máximo seis jogadores mas, como a sala de aula tem muitos alunos, cada pino no jogo representou uma dupla de jogadores. Assim, por tabuleiro jogaram dez alunos, representados por cinco pinos no jogo. Na aula, houve necessidade de dois tabuleiros para todos os vinte alunos jogarem. Cada tabuleiro foi fixado em uma mesa grande que comportou os dez jogadores/alunos, mais um orientador/estagiário, que auxiliou os alunos com a jogabilidade e regras do jogo. Outra adaptação feita foi a forma de coletar pistas, ao invés das pistas estarem escritas em um livro de casos, fez-se pastas com envelopes de carta, nos quais haviam tiras de papel com as respectivas pistas de cada local do tabuleiro. Cada pasta era composta por cinco pistas idênticas do local.

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XX a XX de julho de 2021 - Online

Figura 01: Exemplo de uma pasta com sua respectiva pista.

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Além disso, algumas pistas envolveram tarefas extras que os alunos tinham que fazer para entender melhor o caso do conto. Duas tarefas extras foram feitas: uma das pistas levou os alunos a interagirem com uma bomba de ar e a outra pista os levou a assistirem um vídeo sobre o experimento de Joule. Essas duas tarefas eram essenciais para ganhar o jogo, pois através delas e de conhecimentos trabalhados em aulas anteriores, se poderia responder as perguntas do caso que foram: a) Qual foi a arma do crime? b) Como os mergulhadores morreram? c) De onde veio o calor que matou os mergulhadores?. A terceira pergunta era a única que necessitava de conhecimentos de termodinâmica para responder, as outras puderam ser respondidas por dedução. No dia da atividade, as regras do jogo foram explicadas de forma geral para todos os alunos, contou-se um resumo do conto com os principais acontecimentos e o jogo deu início.

O jogo levou cerca de duas aulas para acabar, os alunos pareceram interessados e comprometidos ao longo da atividade. Vários alunos que interagiram com a bomba de ar, revelaram que estavam começando a compreender o caso e isso os motivava, porém junto a isso existiam os conhecimentos prévios de física que de fato eles possuíam, o que os auxiliou grandemente. Quando achavam que tinham solucionado o mistério, vinham até o orientador/estagiário da mesa de jogo, e longe dos outros jogadores respondiam as perguntas. Como a última pergunta era a mais complicada, para ajudá-los, os orientadores pegavam os próprios argumentos dos alunos para lembrá-los do conceito de trabalho, sem no entanto citá-lo. Ao acertar as respostas, como a dupla tinha falado só para o orientador, o restante dos jogadores puderam continuar jogando.

Esse fato dos alunos levantarem e virem até o orientador/estagiário, foi enriquecedor tanto para os estagiários quanto para os alunos e até mesmo para o ritmo do jogo em si. Ao final do jogo, os alunos que tinham perdido exigiram uma explicação do caso, nestas horas foi como ensinar física por dupla com eles

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construindo as respostas junto com os estagiários. Ao final da aula, alguns alunos comentaram que acharam o mistério difícil de ser solucionado: " muito complexo resolver esse caso, imagino como é para os detetives de verdade" disse uma aluna. Porém entende-se pela frase dessa aluna, que o espírito de ter entrado na simulação do jogo existiu, ou seja, foi uma atividade lúdica para a turma. Percebeu-se também que outros alunos tinham mais facilidade com o raciocínio exigido pelo jogo, e depois de verem a pista relacionada ao experimento de Joule, conseguiram resolver o mistério sem muita dificuldade.

Observar a personalidade de cada aluno, o caminho que cada um fez para alcançar a resposta, além dos diferentes conceitos prévios que tinham, como o efeito Joule, as relações de pressão e temperatura; ou ainda a relação do atrito da borracha com as paredes do tubo da bomba de ar, para explicar o aumento da temperatura, foi algo encantador. Os estagiários tiveram que lidar com cada conhecimento a fim de direcioná-los a resposta esperada. Conclui-se a partir da boa dinâmica da atividade, que este jogo alcançou seu propósito de ser uma maneira divertida de aplicar os conhecimentos de física.

## Referências

LABURÚ, E. C.; ARRUDA, M. S.; NARDI, R. Pluralismo metodológico no ensino de ciências. Ciência e educação , Bauru, v.9, n.2, p. 247-260, 2003. Disponível em: &lt;https://www.scielo.br/pdf/ciedu/v9n2/07.pdf&gt; Acesso: 08 Fevereiro de 2021.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.