MANUAL DO PROFESSOR NO LIVRO DIDÁTICO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DAS ORIENTAÇÕES DOS MANUAIS DO PNLD 2018
Alisson Antonio Martins, Gyovanne Zanetti Matuchaki
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MANUAL DO PROFESSOR NO LIVRO DIDÁTICO DE FÍSICA: UMA ANÁLISE DAS ORIENTAÇÕES DOS MANUAIS DO PNLD 2018
## Alisson Antonio Martins¹ Gyovanne Zanetti Matuchaki² *
1 UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF; UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br 2 UTFPR/DAFIS/GEPEF, matuchaki@alunos.utfpr.edu.br
Palavras-chave : Livros didáticos de Física, Manual do Professor, Ensino de Física.
## Resumo expandido
As primeiras políticas públicas relativas aos livros didáticos são de 1930, porém, as seções sobre orientações didático-pedagógicas, destinadas aos docentes, foram incorporadas, apenas, a partir dos anos 1960. Nesta década, estes livros se tornaram o produto mais vendido no mercado editorial, surgindo, então, uma preocupação do Estado e das editoras em relação à harmonia entre estas publicações e os programas curriculares.
Em um primeiro momento, os materiais destinados aos professores apresentavam as respostas e as resoluções dos exercícios presentes no livro do aluno e, em alguma medida, planejamentos de aulas em auxílio aos docentes (FONSECA, 1994). Mais recentemente, em função do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), estes manuais apresentam discussões sobre as concepções teóricometodológicas que guiam a produção didática, estando direcionadas à atuação e à formação profissional, articulando estratégias, propostas e indicações sobre práticas de ensino, além de contribuir para a formação continuada do professor.
O PNLD avalia e disponibiliza obras didáticas, pedagógicas e literárias a todas as esferas da educação de forma regular, sistêmica e gratuita. Estas atribuições são reguladas por editais públicos, aos quais autores e editoras procuram adequar suas obras que poderão ser selecionadas pelos professores da Educação Básica.
Em contrapartida, é necessário compreender que os livros didáticos se constituem enquanto elementos da cultura escolar (FORQUIN, 1993) e, no contexto da educação escolar, cumprem determinadas funções (CHOPPIN, 2004) (Quadro 01).
Quadro 01: Funções do livro didático
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Fonte: Autoria própria (2021).
Deste modo, concordando com Garcia (2009), faz-se necessário compreender como os manuais destinados aos professores se apresentam nas coleções selecionadas no PNLD como meio para se compreender como os professores se apropriam dos conteúdos e métodos presentes nos livros que utilizam.
Neste sentido, são apresentados os resultados de uma investigação em desenvolvimento, cujo objetivo foi analisar as características do Manual do Professor das coleções didáticas de Física do PNLD.
Para esta análise, realizou-se uma pesquisa documental, adotando-se procedimentos da análise de conteúdo (BARDIN, 2011). O corpus da análise foi constituído pelos manuais presentes em nove das doze coleções didáticas de Física selecionadas no PNLD 2018 (Quadro 02).
Quadro 02: Coleções didáticas analisadas
Fonte: Autoria própria (2021).
Como resultados, os manuais apresentam um roteiro próprio, com estruturas distintas, trazendo conceitos que o(s) autor(es) acredita(am) serem convenientes. Da mesma forma, destaca-se que o(s) autor(es) levantam críticas, apontam suas convicções a respeito dos processos de ensino e de aprendizagem, colocam suas considerações perante o cenário educacional brasileiro e expressam suas opiniões relacionadas à escola, ao professor e ao aluno.
Percebeu-se a presença de estruturas distintas tanto relacionadas à redação e edição, quanto ao tipo de abordagem dos conteúdos. Os autores discorrem sobre suas compreensões acerca dos procedimentos didático-pedagógicas, refletindo, também, sobre o cenário escolar e educacional brasileiro. Uma característica que se destaca dentre os manuais são as articulações e variações discursivas, onde o(s) autor(es) aborda(m) alguns temas numa espécie de conversa com o professor, destacando-se que, em muitas vezes, os autores se colocam como colegas de trabalho.
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A interação e o tratamento com o interlocutor propõem aproximar o professor ao conteúdo, enquanto um meio de reflexão, provocando o professor, a partir da sua prática, fomentando novas interpretações sobre o processo de ensino-aprendizagem.
São apresentadas explanações sobre os boxes, oferecendo-se ferramentas e sugestões como forma de complementação do estudo. Os autores ponderam e caracterizam estes boxes, discutem sua disposição e de que modo se articulam com os conteúdos.
Com base em Choppin (2004), percebeu-se que, em potencial, em todas as obras, a função instrumental se destaca, seguida pela função documental, função referencial, e, por fim, com menos notoriedade, a função ideológica e cultural.
Sobre a avaliação, os manuais analisados apresentam uma visão contrária aos métodos avaliativos exclusivamente somativos que, tradicionalmente, prezam pela memorização de conceitos e reprodução de cálculos. As formas de avaliação vão além da simples validação de aprendizado, tornando-se uma ferramenta que auxilia o professor no manejo das aulas e no processo da aprendizagem e construção do conhecimento pelo aluno.
Destaca-se uma proximidade de entendimento entre os autores relacionado a determinados conceitos, tais como: contextualização, interdisciplinaridade, experimentação, atividades coletivas, saídas de campo, produções autorais dos alunos (textos, vídeos, seminários, etc.), rodas de debates, processo avaliativo contínuo e diversificado e autoavaliação. Da mesma forma, são sugeridos projetos alternativos aplicáveis em sala e subsídios para a formação continuada do professor.
Em linhas gerais, o alinhamento entre as formas de expressão e de organização das orientações didático-pedagógicas é indiciário da influência das diretrizes estabelecidas no Edital do PNLD sobre a produção destas orientações. Em continuidade, estes indícios precisam ser explorados, em outros estudos, de modo a identificar de que modo estas orientações didático-pedagógicas se expressam no contexto da sala de aula.
## Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo . Edições 70. Lisboa. Portugal, 2011.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 . Brasília, MEC, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/l9394.htm, Acesso em: 04/09/2020.
CHOPPIN, A. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e Pesquisa , v. 30, n. 3, p. 549-566, 2004.
FNDE. Edital de convocação 04/2015 -CGPLI . Edital de convocação para o processo de inscrição e avaliação de obras didáticas para o programa nacional do livro didático PNLD 2018. Brasília, FNDE: 2015.
FONSECA, S. G. Caminhos da história ensinada . 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 1994.
FORQUIN, J. C. Escola e cultura : as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Artes Médicas, 1993.
GARCIA, T.M.F.B. Relações de professores e alunos com os livros didáticos de Física. Anais do XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física , Vitória, SBF: 2009.
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