MAPAS CONCEITUAIS COM ERROS COMO FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA
Paula Magda Da Silva Roma
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## MAPAS CONCEITUAIS COM ERROS COMO FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA
## Paula Magda da Silva Roma 1
1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - IFSULDEMINAS /Campus Avançado de Três Corações, paula.roma@ifsuldeminas. edu.br
Palavras-chave : Mapas conceituais; avaliação; ensino de Física.
## Resumo expandido
Mapas Conceituais (MCs) são organizadores gráficos que auxiliam na organização e representação do conhecimento, tendo como fundamentação teórica a teoria da Aprendizagem Significativa, proposta por David Ausubel (2000). Foram apresentados na década de 70 por Novak e colaboradores, e tinham como objetivo, inicialmente, o de representar a compressão conceitual de crianças sobre conteúdos em ciências (NOVAK; CAÑAS, 2010).
De acordo com a Teoria da Aprendizagem Significativa (AUSUBEL, 2000), a aprendizagem significativa caracteriza-se pela interação entre conhecimentos prévios, denominados de subsunçores, e novos conhecimentos de forma não-arbitrária (nãoaleatória) e não-literal (com significado) à estrutura cognitiva do aluno. Durante este processo de interação, os novos conhecimentos, ao serem ancorados aos conhecimentos prévios, adquirem significado para o aprendiz. Além disso, neste processo dinâmico, os conhecimentos prévios também são ampliados, produzindo novos significados ou maior estabilidade cognitiva (MOREIRA,2012).
Por exemplo, o aluno que já conhece a Lei de conservação de energia aplicada à energia mecânica, ao resolver problemas com transformações de energia cinética e energia potencial apenas colabora para a fixação do conhecimento prévio. Em contrapartida, ao ser-lhe apresentado o conceito de Conservação de Energia, considerando-se os conceitos térmicos, estudado na Termodinâmica, o aprendiz dará significado a este novo conceito à medida que acessa o subsunçor Conservação de Energia. Só que agora, este conceito prévio ficará mais amplo, pois o aluno irá relacionar o princípio de Conservação de Energia não somente à àrea da mecânica, mas, também, à Termodinâmica. Desse modo, à medida que o subsunçor vai ficando mais estável e diferenciado favorece também à aprendizagem de outros conhecimentos, por exemplo, outras leis gerais de conservação, como a da quantidade de movimento e a do momento angular (MOREIRA,2012).
Com relação à sua construção, os MCs possuem como elementos os conceitos e termos de ligação. A unidade composta por esses elementos denominase de proposição, que tem como estrutura CONCEITO INICIAL →TERMO DE LIGAÇÃO → CONCEITO FINAL. A ligação entre os elementos é feita por linhas. Os conceitos, geralmente, aparecem dentro de figuras geométricas (círculos, quadrados, elipses), enquanto que os termos de ligação surgem sobre essas linhas, especificando o relacionamento entre os conceitos (NOVAK; CAÑAS, 2010). Um exemplo de mapa conceitual é apresentado na Figura 1.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Os mapas podem ser usados em diferentes contextos com diferentes objetivos. Dentro do contexto educacional, seu uso tem sido empregado, por exemplo, para organização do conhecimento e estudo, revisão, avaliação da aprendizagem e colaboração (CORREIA et. al. , 2016). Como instrumento de avaliação da aprendizagem, o mapa pode ser utilizado tanto para a visualização da organização conceitual que o estudante atribui a um determinado conhecimento (MOREIRA, 2016), como também na avaliação do entendimento conceitual do aluno, por meio da localização de erros conceituais na construção de mapas elaborados pelo professor (NASCIMENTO; SOARES; CORREIA, 2020).
Nesse sentido, o presente trabalho apresenta uma aplicação do uso dos Mapas Conceituais com Erro (MCE) como ferramenta de acompanhamento de aprendizagem dos alunos nos conceitos de Física. Neste tipo de abordagem, a construção dos mapas é realizada pelo professor e, ao aluno, caberá identificar os erros conceituais no mapa. Segundo Silva, Fonseca e Correia (2020), o mapa, ao ser construído pelo professor, gera uma menor sobrecarga cognitiva nos alunos, permitindo que eles dediquem seus recursos cognitivos apenas ao tema estudado. Complementarmente, Nascimento, Soares e Correia (2020), apontam que o mapa com erros permite analisar a capacidade dos alunos em localizar relações conceituais inapropriadas fornecendo ao professor, de forma rápida e precisa, uma avaliação das respostas do aluno.
Figura 1 : Exemplo de MCE sobre o conteúdo de Ondas Sonoras.
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Fonte: Autora.
Na Figura 1, apresenta-se a construção de um mapa conceitual com erro sobre o Ondas sonoras. As marcações em verde representam os erros conceituais que precisam ser encontrados pelos alunos. Em alguns conceitos foram inseridas imagens, vídeos, para facilitar a compreensão e para produzir memórias mais robustas dos conceitos estudados (SILVA, FONSECA E CORREIA, 2020).
Os procedimentos metodológicos deste trabalho envolvem três partes: Primeira parte - (i) a seleção de uma temática a ser avaliada pelo professor, (ii) a
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construção do mapa pelo professor, (iii) a escolha estratégica dos conceitos e/ou termos de modo a incentivar a leitura integral do mapa, (iv) construção do mapa com erros. Na segunda parte, (i) será explicado aos alunos o princípio dos mapas conceituais e, na sequência, (ii) os alunos recebem o mapa e lhes são solicitados que indiquem o número das proposições incorretas e insiram seus comentários sobre os erros. Na terceira parte, será realizada a tabulação e a análise da quantidade de erros e acertos para cada proposição, a fim de identificar quais tópicos foram mais fáceis e mais difíceis para os alunos. Após essas três partes, será possível retornar a discussão dos tópicos em que os alunos tiveram maiores dificuldades, seja para toda turma ou de forma personalizada, o que pode contar com ajuda de outros recursos instrucionais, visando obter maior aproveitamento de aprendizagem dos alunos.
A estratégia proposta por de ser implementada tanto no ensino presencial, quanto a distância e remoto. Para as atividades mediadas pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), recomenda-se a construção dos MCs através do sistema online cmapcloud (https://cmapcloud.ihmc.us). A vantagem em utilizar esta tecnologia são várias: fácil utilização, não necessita de licença e nem de instalação no computador e possibilita a colaboração entre professor/aluno e aluno/aluno.
Este trabalho está em fase de implementação, estando prevista para ocorrer durante o ano letivo de 2021. A partir da estratégia apresentada, espera-se proporcionar ao professor uma ferramenta que o auxilie no processo de avaliação da aprendizagem dos seus alunos, de forma rápida, prática e que pode ser implementada nos diferentes níveis e modalidades do ensino.
## Referências
AUSUBEL, D.P. Aquisição e retenção de conhecimentos : uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2000, 219p.
CORREIA, P. R. M.; SILVA, A. C.; ROMANO JR., J. G. Mapas conceituais como ferramenta de avaliação na sala de aula. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 32, n. 4, p.4402-1 - 4402-8, 2010.
CORREIA, P.; AGUIAR, J., VIANA, A.; CABRAL, G. Por que vale a pena usar mapas conceituais no ensino superior? Revista de Graduação USP , v. 1, n. 1, p. 41-51, 2016.
SILVA, K.S,; FONSECA, L.S.; CORREIA, P.R.M. Abordagem neurocognitiva de processos atencionais envolvidos na aprendizagem mediada por mapas conceituais. R. bras. Ens. Ci. Tecnol. , Ponta Grossa, v. 13, n. 2, p. 247-268, mai./ago. 2020.
MOREIRA, M. A. O que é afinal Aprendizagem significativa? Revista Qurriculum , v. 1, n. 25, 29-56, 2012.
MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. Subsídios Didáticos para o Professor Pesquisador em Ensino de Ciências , 2016.
NASCIMENTO, T.S.; SOARES, M.; CORREIA, P.R.M. O uso de mapas conceituais com erros como ferramenta de avaliação no ensino de ciências. Caminhos da Educação Matemática em Revista/Online , v.10, n.1, 2020.
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NOVAK, J. D.; CAÑAS, A. J. A teoria subjacente aos mapas conceituais e como elaborá-los e usá-los. Práxis Educativa , v. 5, n. 1, p. 9-29, 201.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.