UMA PROPOSTA DE ENSINO SOBRE ASTRONOMIA PARA ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES
Kaleb Ribeiro Alho, Aloma Gusmão Freitas, Legila Torres Albuquerque, Aloma Gusmão Freitas, Legila Torres Albuquerque
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA PROPOSTA DE ENSINO SOBRE ASTRONOMIA PARA ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES
Kaleb Ribeiro Alho 1 , Aloma Gusmão Freitas 2 , Legila Torres Albuquerque³
- 1 Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)/Instituto de Física e Química (IFQ), kalebafisica@unifei.edu.br.com
- 2 Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)/Instituto de Física e Química (IFQ), alomagusmao@hotmail.com
- 3 Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)/Instituto de Recursos Naturais (IRN), legilatorress@gmail.com
Palavras-chave : Altas Habilidades; Ensino de Astronomia; Sequência Didática.
## Resumo expandido
Alto grau de curiosidade, boa memória, atenção concentrada, persistência, autonomia, interesse por áreas e tópicos diversos, facilidade de aprendizagem e criatividade são algumas das características marcantes em crianças com Altas Habilidades ou Superdotação (CUPERTINO, 2008). Segundo a resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009 que dispõe sobre as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, no artigo 4º, inciso III, define-se que:
Alunos com altas habilidades/superdotação: aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade (BRASIL, 2009) .
No Brasil, alunos com esses potenciais ainda vivem no anonimato e chegam a fase adulta sem saber de seus direitos e de suas potencialidades.
Diferentemente da maioria dos países do mundo, a superdotação no Brasil é predominantemente ignorada, quando se trata da prática educacional [...]. Como nos casos das deficiências, a superdotação deve ser avaliada, oferecendo-se ao indivíduo condições educacionais adequadas ao seu potencial (CUPERTINO, 2008, p.10)
Por conta desse cenário, surgem propostas de ensino que visam articular métodos, conteúdos e atividades a fim de promover um processo de ensinoaprendizagem significativo e estimulante tanto para o professor quanto para o aluno. Um tema que vem crescendo aos olhares de pesquisadores e professores é o uso de conteúdos de Astronomia como ferramenta para combater a falta de interesse dos alunos e também como possibilidade de promover uma aprendizagem interdisciplinar tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.
Através da inclusão da Astronomia nas séries iniciais do ensino Fundamental, o aluno poderá: construir uma base teórica, um conhecimento prévio, sobre os temas abordados por esta disciplina, viajar pelo Universo e conhecer o planeta em que vive. Desta forma, o aluno terá informações para as outras séries escolares e aprenderá a relacionar seu cotidiano com o contexto estudado. (SANTOS; PEREIRA, 2011, p. 2)
Este trabalho foi desenvolvido por meio do projeto práticas inclusivas junto a
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uma criança de cinco anos 1 de idade identificada com Altas Habilidades/Superdotação atendida pelo Núcleo de Estudos em Formação Docente, Tecnologias e Inclusão (NEFIT) da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI.
Diante do objetivo da pesquisa e das finalidades do NEFIT, foi desenvolvida uma Sequência Didática (SD) baseada em atividades estruturadas que visavam contemplar os interesses do aluno sobre assuntos relacionados a Astronomia. Segundo Santos e Pereira (2011), as sequências didáticas são um conjunto de atividades ligadas entre si, planejadas para ensinar um conteúdo etapa por etapa.
A SD proposta privilegiou a participação do aluno dando espaço para ele expor seus conhecimentos e ideias, promovendo dessa forma um processo interativo de aprendizagem sem desconsiderar sua criatividade e imaginação. Os encontros entre aluno e monitores ocorreram uma vez por semana entre os meses de abril e junho de 2019. Como instrumento de avaliação da aprendizagem do aluno optamos pela aplicação de um questionário com dez questões incluindo perguntas abertas e fechadas (Figura 05). A aplicação e correção das respostas foi feita por meio da plataforma digital socrative 2 .
A aprendizagem do aluno foi analisada por meio da teoria psicoeducativa de Ausubel, a qual pode ser resumida com a seguinte ideia: Se tivesse que reduzir toda ' a psicologia educacional a um só princípio, diria o seguinte: o fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Averigue isso e ensine-o de acordo (AUSUBEL, 1978). '
A sequência didática proposta foi dividida em três atividades. Em cada uma delas foram elaborados experimentos com enfoque em conceitos de Astronomia feitos para serem utilizados simultaneamente com a apresentação de vídeos e imagens disponíveis gratuitamente na internet. O quadro 01 apresenta as atividades elaboradas.
Quadro 01 : Atividades elaboradas
A atividade 1 foi subdividida em duas atividades práticas: (i) construção de um modelo planetário e (ii) um jogo computacional. A elaboração do jogo foi pensada a partir do interesse particular do aluno em tecnologia e jogos virtuais (Figura 02). O jogo foi desenvolvido buscando estabelecer uma relação visual entre as características físicas e de posição de cada planeta e suas luas, dessa forma o aluno se divertia usando suas habilidades e ao mesmo tempo aprendia a ordem de cada astro.
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Figura 02: (a) Contrução de um modelo de planetário; (b) Jogo produzido pelo departamento de tecnologia do NEFIT. Fonte: Autores.
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Na atividade 2, o aluno utilizou figuras dos discos dos planetas em escalas reduzidas de diâmetro, em seguida, com ajuda das escalas e de papel construí um modelo do sistema solar.
Figura 03: (a) Disco dos planetas em escala reduzida. Fonte: http://www.oba.org.br/site/ ; (b) Representação dos raios dos planetas em escala reduzida. Fonte: Autores. (c) Aluno construindo o modelo proposto. Fonte: Autores.
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Na atividade 3, elaboramos um jogo de cartas que teve como objetivo facilitar a aprendizagem do aluno quanto as características dos planetas. O jogo é composto de 16 cartas, 8 delas apresentam o nome e a imagem ilustrativa de cada planeta e as demais trazem informações específicas dos mesmos incluindo a composição química existente em suas atmosferas e superfícies (Figura 04). Nessa atividade adotávamos a função de mediadores e o aluno tinha total liberdade para fazer as relações que acreditava serem corretas.
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Figura 04: Jogo de cartas: Características dos planetas. O objetivo do jogo é relacionar as cartas dos planetas com suas respectivas cartas informativas. Fonte: Autores.
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No término das atividades, aplicamos o questionário avaliativo. A Figura 05 mostra o resultado do questionário aplicado. Ao lado esquerdo de cada questão o símbolo verde mostra as questões que o aluno acertou. A oitava questão com a simbologia Ø indica a questão aberta onde o aluno respondeu de maneira correta a quantidade e os nomes das luas do planeta Marte.
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Figura 05: Resultado do questionário aplicado ao aluno. Fonte: Autores .
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O aluno obteve 100% de acerto, o que indiretamente indica que o mesmo foi capaz de estabelecer relações de maneira não arbitrária e não literal os novos conhecimentos demonstrando que ocorreu uma aprendizagem significativa.
As atividades desenvolvidas a partir do uso da Sequência Didática como recurso metodológico se mostraram eficazes na aquisição de novos conceitos de Astronomia por parte do aluno com Altas Habilidades. Acreditamos que atividades como essa possam ser um meio alternativo para que escolas, instituições e núcleos de ensino incluam crianças com Altas Habilidades ou Superdotação no contexto escolar atual. É importante que essas atividades sejam avaliadas de maneira constante, tendo em vista que crianças com essas características necessitam de oportunidades que condizem com o nível de suas habilidades e interesses. Além disso, cabe destacar que as possibilidades desta proposta vão além ações apresentadas no texto.
## Referências
Ausubel, D. P., Novak, J. D., Hanesian, H. Educational Psychology: A Cognitive View. ed. 2. Nova York: Holt, Rinehart and Winston, 1978.
Brasil. Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade na Educação Especial. 2009. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004\_09.pdf>. Acesso em 01 jun. 2020.
Cupertino, C. M. B. Um Olhar para as Altas Habilidades: Construindo Caminhos. Secretaria da Educação, CENP/CAPE. São Paulo: FDE, 2008.
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Santos, J. H. M., Pereira, F. N. V. Proposta de Sequência Didática para o Ensino de Astronomia no Fundamental: Conhecendo a Lua. Atas do VIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Campinas -SP. 2011, p. 1-9. Disponível em: <http://abrapecnet.org.br/atas\_enpec/viiienpec/resumos/R1197-1.pdf>. Acesso em: 15 de jun. 2020.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.