FORMAÇÃO DE ARGUMENTOS PELOS ALUNOS A PARTIR DE DADOS DE UMA ATIVIDADE EXPERIMENTAL: ANÁLISE POR MEIO DO PADRÃO DE TOULMIN
Alice Assis, Idmaura Calderaro Martins Galvão, Isabel Cristina De Castro Kondarzewski
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## FORMA,ÌO DE ARGUMENTOS PELOS ALUNOS A PARTIR DE DADOS DE UMA ATIVIDADE EXPERIMENTAL: ANçLISE POR MEIO DO PADRÌO DE TOULMIN
Alice Assis , Idmaura Calderaro Martins Galv‹o , Isabel Cristina de Castro Kondarzewski 1 2 ³
- 1 UNESP/Departamento de F'sica, alice.assis@unesp.br
- 2 UNESP/Faculdade de CiGLYPH<144>ncias, idmaura@gmail.com
Palavras-chave : Ensino de f'sica; ArgumentaGLYPH<141>‹o; Padr‹o de Toulmin
## Resumo expandido
Este trabalho Ž fruto de uma pesquisa de mestrado (GALVÌO, 2016) desenvolvida com alunos da terceira sŽrie do Ensino MŽdio de uma escola pœblica do Estado de S‹o Paulo, em aulas de F'sica, com o objetivo de analisar os argumentos orais dos estudantes a partir da utilizaGLYPH<141>‹o de dados obtidos em uma atividade experimental desenvolvida em sala de aula. O objetivo do presente trabalho Ž analisar se h‡ a formaGLYPH<141>‹o de argumentos v‡lidos pelos alunos acerca dos conceitos de F'sica, por meio do padr‹o de Toulmin (2006).
De acordo com Carvalho (2011), o uso de atividades experimentais contribui para o processo de ensino e de aprendizagem de conceitos cient'ficos numa perspectiva de enculturaGLYPH<141>‹o cient'fica, tendo diversas finalidades, como promover nos estudantes habilidades de argumentaGLYPH<141>‹o cient'fica. Nessa perspectiva, Ferraz e Sasseron (2017) discorrem que Òo desenvolvimento da argumentaGLYPH<141>‹o em sala de aula Ž uma estratŽgia que permite que os alunos participem ativamente e, ao mesmo tempo, os aproxima das pr‡ticas da cultura cient'ficaÓ.
Dessa forma, entendemos que as atividades experimentais corroboram para o envolvimento ativo do aluno, tanto no desenvolvimento da pr‡tica experimental quanto na formaGLYPH<141>‹o de argumentos. Nesse sentido, utilizamos assuntos que foram abordados com os estudantes durante uma atividade experimental sobre eletrost‡tica, a fim de engajar os alunos na formaGLYPH<141>‹o de argumentos sobre a tem‡tica.
Para Ferraz e Sasseron (2017), a argumentaGLYPH<141>‹o corresponde a
um ato discursivo plural que se caracteriza por ser um processo pelo qual um indiv'duo, ou grupo de pessoas, buscam tornar clara uma determinada situaGLYPH<141>‹o, fen™meno ou objeto, ˆ luz de uma alegaGLYPH<141>‹o proferida e suportada por justificativas e outros elementos que lhe conferem maior ou menor validade (FERRAZ E SASSERON, 2017, p.6)
Nesse sentido, a argumentaGLYPH<141>‹o pode ser compreendida como o processo em que h‡ a inserGLYPH<141>‹o de elementos como dados, justificativas, conclus›es e outros
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fatores que podem ser necess‡rios para dar validade ˆs justificativas e conclus›es formadas, tal como aponta Toulmin (2006).
- O padr‹o de argumento de Toulmin (2006) est‡ relacionado ˆ ideia de argumento na perspectiva de estruturaGLYPH<141>‹o de elementos e apresenta o padr‹o indicado na Figura 1:
Figura 01 : Elementos do argumento de Toulmin
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Fonte : Toulmin (2006, p.150)
A figura mostra os seis elementos da estrutura de Toulmin (2006): Dados (D), Garantia (W), Conclus‹o (C), apoio (B), qualificador (Q) e elemento de refutaGLYPH<141>‹o (R), sendo que a combinaGLYPH<141>‹o ÒDado-Garantia-Conclus‹oÓ Ž suficiente para validar um argumento.
Por meio desse referencial, analisaremos um trecho do discurso produzido entre a professora e os alunos sobre o experimento denominado ÒpGLYPH<144>ndulo eletrost‡ticoÓ, conforme a seguinte descriGLYPH<141>‹o:
- Professora: [...] VocGLYPH<144>s lembram o que fizeram com o pGLYPH<144>ndulo eletrost‡tico? O que aconteceu com o pGLYPH<144>ndulo?
Aluno 5: A gente eletrizava o canudo e aproximava do pGLYPH<144>ndulo. O que atraiu melhor [o canudo] era o da seta por conta da ponta [...] (D1)
- Aluno 3: As pontas, o que possivelmente (Q) fez com que a seta fosse atra'da (C1)
Aluno 4 : Depois, acontece que os elŽtrons passam [do canudo] para a seta (C2) , acontece a repuls‹o (D2)
Professora: [...] Ent‹o, aconteceram v‡rias etapas, a primeira etapa foi a eletrizaGLYPH<141>‹o, a segunda etapa vocGLYPH<144>s aproximaram o canudo do pGLYPH<144>ndulo e a' houve uma atraGLYPH<141>‹o e depois um contato. E nesse contanto, o que aconteceu depois que a setinha encostou no canudo?
Aluno 4: As cargas passaram [faz o gesto] (C2) Professora: Quais cargas que passaram? Aluno 4 : As negativas Professora : Isso, passaram para quem? Aluno 4 : Para a seta Professora: Isso para o pGLYPH<144>ndulo, e aconteceu o que no final que vocGLYPH<144>s falaram Aluno 4: ƒ, acontece a repuls‹o (D) Professora : Por quGLYPH<144>? Aluno 2: Por que os opostos se atraem e cargas de mesmo sinal se repelem [...] (W2) [...] por que a setinha se atrai melhor do que a bolinha?
Professora: [...]
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Aluno 1: H‡ maior concentraGLYPH<141>‹o das cargas positivas [nas pontas da seta] [...] (W1)
No Quadro 1, apresentamos as an‡lises dessas falas de acordo com o padr‹o de argumento de Toulmin (2006).
Quadro 01 : An‡lise das falas usando o padr‹o de Toulmin (2006)Fonte : Elaborado pelos autores
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Por meio do Quadro 1 vemos que os estudantes formaram dois argumentos v‡lidos, com os elementos b‡sicos ÒDado-Garantia-Conclus‹oÓ. O primeiro argumento contŽm tambŽm o qualificador modal, apresentado pelo advŽrbio ÒpossivelmenteÓ. Do ponto de vista do conhecimento de F'sica, podemos verificar que os discentes utilizaram os conceitos de concentraGLYPH<141>‹o de cargas na ponta da seta e a ideia de atraGLYPH<141>‹o de cargas com sinais opostos e repuls‹o de cargas com sinais iguais.
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Esses resultados mostraram que os dados provenientes de uma atividade experimental foram importantes para que os alunos pudessem formar argumentos consistentes, com o uso de garantias embasadas em conceitos de F'sica. Esse fato evidencia que Ž prof'cuo realizar a articulaGLYPH<141>‹o entre os dados experimentais com o processo de construGLYPH<141>‹o de argumentos, conforme aponta Carvalho (2011). Assim, esperamos contribuir para o debate acerca do uso de atividades experimentais e argumentaGLYPH<141>‹o no Ensino de F'sica.
## ReferGLYPH<144>ncias
CARVALHO, A. M. P. de. As pr‡ticas experimentais no ensino de F'sica. In: CARVALHO, A. M. P. de; RICARDO, El. C.; SASSERON, L. H.; ABIB, M. L. V. dos S.; PIETROCOLA, M. Ensino de F'sica . S‹o Paulo: Cengage, 2011.
FERRAZ, A. T.; SASSERON, L. H. EspaGLYPH<141>o interativo de argumentaGLYPH<141>‹o colaborativa: condiGLYPH<141>›es criadas pelo professor para promover argumentaGLYPH<141>‹o em aulas investigativas. Ensaio - Pesquisa em EducaGLYPH<141>‹o em CiGLYPH<144>ncias , Belo Horizonte, v.19, 2017.
GALVÌO, I. C. M. O pluralismo metodol-gico no ensino de f'sica e o aprimoramento da argumentaGLYPH<141>‹o cient'fica dos alunos . 2015. 191 f. DissertaGLYPH<141>‹o (Mestrado em CiGLYPH<144>ncias) Ð Escola de Engenharia, Universidade de S‹o Paulo, Lorena, 2016.
TOULMIN, S. E. Os usos do argumento . S‹o Paulo: Martins Fontes, 2006.
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