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Avaliação da aprendizagem em feiras de Ciências; um relato de experiência na formação de professores

Ruan Marinho Cunha De Barros, David Do Nascimento Almeida, Tiago Da Silva, Stela Maria Cavalcanti Silva, Alberes Lopes De Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM FEIRA DE CIÊNCIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Ruan Marinho Cunha de Barros 1 , David do Nascimento Almeida 2 , Tiago da Silva 3 , Stela Maria Cavalcanti Silva 4 , Alberes Lopes de Lima 5

- 1 Universidade Federal de Pernambuco/Departamento de Física, ruan8marinho@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Pernambuco/Departamento de Física, david.nasc.almeida@gmail.com 3 Universidade Federal de Pernambuco/Departamento de Física, gagum.o.g@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Pernambuco/Departamento de Física, stelacavalcantis@gmail.com 5 Colégio Militar do Recife, prof.alberes@gmail.com

Palavras-chave : Pibid; Formação inicial; Feira de Ciências.

## Resumo expandido

O ensino de Ciências não deve mais limitar-se às maneiras tradicionais. Fazse necessário que sejam adotadas metodologias ativas, capazes de estimular entre os discentes o gosto pela Ciência, a experimentação científica e as interações sociais que norteiem uma formação cidadã. Nesse contexto, as Feiras de Ciências têm evoluído ao longo das últimas décadas, oferecendo oportunidades mais significativas de aprendizagem. Conforme Hartmann e Zimmermann (2009), nessas situações, os alunos tendem a desenvolver, além de atributos de natureza moral, também a capacidade de pesquisa e busca de informações para um projeto científico, o aumento da capacidade criativa dos estudantes, a partir de sua própria autonomia, a vontade de mudar algo dentro da sociedade e do progresso econômico, a responsabilidade de coleta e análise de dados científicos, a politização dos alunos graças à interdisciplinaridade e uma nova visão de mundo.

No presente relato de experiência, analisa-se a experiência de licenciandos no âmbito de atividades do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) de Física da UFPE na Feira de Ciências realizada numa escola pública de Recife, em 2019. Estes participaram de acompanhamento e avaliação de alguns projetos desenvolvidos por estudantes, com o objetivo de realizar uma avaliação inicialmente qualitativa. Essa prática foi útil para a evolução de aptidões dos licenciandos participantes do projeto, os quais desenvolveram capacidade de orientação e de avaliação. A importância do relato descrito é avaliar situações de aprendizagem ligadas a pesquisas temáticas relacionadas ao aprendizado de Física.

Durante os primeiros meses de 2019 houve discussões para esquematizar a organização da Feira de Ciências do colégio. Dessa organização, fez parte a supervisão escolar, as coordenações de ano e a coordenação de Ciência e Tecnologia da instituição. No âmbito desta última, houve a participação dos alunos do Pibid acima mencionados, que contribuíram para o engrandecimento do evento. A formulação de medidas para avaliar o desenvolvimento dos alunos antes e durante o evento foi feita com base em critérios que envolviam avaliação diagnóstica, somativa e formativa.

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XX a XX de julho de 2021 - Online

Convém destacar que a avaliação não ocorreu apenas numa data específica, mas ao longo de todo o semestre trabalhado. A análise realizada previa a adição de comentários e sugestões aos grupos de discentes examinados com o objetivo de corrigir eventuais equívocos e inspirar mudanças (se necessárias) em alguns pontos e a função de julgar se aquele projeto arquitetado pelo grupo teria relevância suficiente para ser apresentado em Feiras ou mostras externas ao colégio, como aquela promovida pelo Espaço Ciência, em nível estadual. De fato, os melhores trabalhos foram indicados para participar de mostras competitivas.

A feira de ciências, além de demover a situação passiva do corpo discente, estimula a criatividade e o melhor aproveitamento do ambiente físico escolar, além de fortalecer algumas peculiaridades fundamentais para a vida acadêmica do indivíduo. De acordo com Hartmann e Zimmermann (2009), algumas características essenciais para a realização da feira de ciências são o caráter investigatório, a criatividade, a precisão científica e a relevância. Segundo elas, o caráter investigatório estimula a criatividade do indivíduo através de observações experimentais e análises para chegar ao resultado final, já a precisão científica é responsável pelo interesse na coleta dados que darão uma conclusão à pesquisa dos estudantes, e a relevância está na capacidade de compreender a importância do trabalho feito para a sociedade num geral.

Considerando que os melhores trabalhos da Feira iriam representar o colégio em eventos semelhantes externos, percebeu-se o empenho dos estudantes em desenvolver projetos com temas relevantes, capazes de impressionar os avaliadores e com aplicabilidade em termos de interesse econômico e social. Além disso, houve grupos que estavam bastante preocupados também em criar uma nova alternativa para o próprio colégio. Nesses trabalhos, eles fizeram propostas para a escola investir, por exemplo, em geração de energia elétrica a partir da energia térmica captada por placas solares.

Cumpre destacar que o processo avaliativo não ocorreu apenas do dia da exposição. Ao longo do bimestre letivo, os discentes foram orientados pelos bolsistas do Pibid e reescreveram o texto base, sempre que necessário. Na apresentação, foram avaliados o desempenho dos alunos, a qualidade dos pôsteres e da estrutura auxiliar montada (experimentos, vídeos, maquetes, estruturas etc.). Também foram avaliados atributos da área afetiva, tais como dedicação, cooperação, organização, responsabilidade e persistência.

De acordo com a avaliação contínua desenvolvida, em especial no acompanhamento dos atributos da área afetiva, foi possível perceber que a participação no evento, desde sua elaboração até a apresentação, passando pela construção de conhecimento, contribuiu para a percepção de evolução de aspectos intangíveis na formação dos alunos, como, por exemplo, melhora na autoestima e crescimento na autonomia acadêmica. Além disso, notou-se também um crescente interesse dos discentes pela Ciência e pela pesquisa, o que se espera tenha contribuído para construção de autonomia, necessária para que os discentes se sintam estimulados a criar inovações reais em seu futuro. Afinal, conforme Dornfeld e Maltoni (2011, p. 43), 'mais do que promover a aprendizagem dos conteúdos o objetivo do ensino de ciências é possibilitar uma mudança de posição do aluno em

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relação ao conhecimento científico'. E, conforme foi possível verificar, a Feira de Ciências estimula nos discentes essa mudança.

Como resultado da experiência realizada, pode-se apontar que os integrantes do Pibid tiveram um substancial acréscimo em sua autonomia também, em relação à avaliação que fizeram da aprendizagem dos alunos que participaram da feira, expandindo sua qualificação para seu futuro como professores e ampliando seu conhecimento acerca de metodologias ativas. Além disso, tiveram a oportunidade de refletir sobre práticas avaliativas desvinculadas de modelos tradicionais, levando em conta aspectos tangíveis (avaliação ligada aos objetivos educacionais relacionados ao currículo, presentes na construção do texto, da apresentação e do desempenho individual e do grupo na apresentação dos trabalhos) e intangíveis (atributos da área afetiva) e natureza somativa e formativa. Isto proporcionou uma experiência enriquecedora principalmente quanto ao processo de avaliação de aprendizagem em aspectos não formais.

Fica registrado aqui o agradecimento à CAPES pelo fomento ao Pibid.

## Referências

DORNFELD, Carolina Buso; MALTONI, Kátia Luciene. A Feira de Ciências como auxílio para a formação inicial de professores de ciências e biologia. Revista Eletrônica de Educação , v. 5, n. 2, p. 42-58, 2011. Disponível em: www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/view/200. Acesso em 10 jan. 2021.

HARTMANN, Ângela Maria; ZIMMERMANN, Erika. Feira de ciências: a interdisciplinaridade e a contextualização em produções de estudantes de ensino médio. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências , VII, 2009, Florianópolis. Disponível em: www2.unifap.br/rsmatos/files/2013/10/178.pdf. Acesso em 11 jan. 2021.

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