UMA FERRAMENTA PARA ANALISAR A ARGUMENTAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO DE FÍSICA
Idmaura Calderaro Martins Galvão, Isabel Cristina De Castro Kondarzewski
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA FERRAMENTA PARA ANALISAR A ARGUMENTAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO DE FÍSICA
## Idmaura Calderaro Martins Galvão 1 , Isabel Cristina de Castro Kondarzewski 2
1 UNESP/Faculdade de Ciências, idmaura@gmail.com 2 UNESP/Departamento de Física/ isabel.castro@unesp.br
Palavras-chave : Ensino de Física; Argumentação; Linhas de raciocínio.
## Resumo expandido
Apresentamos uma proposta de ferramenta para analisar os argumentos produzidos por alunos, com o objetivo de investigar como a argumentação pode contribuir para o Ensino de Física. O trabalho mais aprofundado deste tema foi apresentado em Galvão (2020). Os conceitos teóricos que fundamentam nosso estudo estão embasados no padrão de argumento de Toulmin (2006) e Martins e Justi (2017), com ênfase nos elementos constituintes de um argumento e ao raciocínio argumentativo dos estudantes, respectivamente.
- O padrão de Toulmin (2006) apresenta os elementos de um argumento, constituído pela estrutura básica 'Dado (D) - Garantia (W) - Conclusão (C)', os quais podem estar acompanhados pelos elementos de apoio (B), que oferece a fundamentação para a garantia, o elemento qualificador (Q), que fortalece a passagem dos dados para a conclusão e o elemento de refutação, que traz condições de exceção para a conclusão.
Com relação ao raciocínio argumentativo, Martins e Justi (2017) apresentam uma estrutura em que existem Linhas de Raciocínio (LR) que conduzem a uma teoria. Por exemplo, uma Linha de Raciocínio forma-se a partir de uma evidência retirada de algum texto, contendo duas justificativas, sendo uma delas elaborada pelo estudante. Em uma outra possibilidade, a evidência e a justificativa podem ser elaboradas pelo aluno, ao passo que em uma terceira ocasião, pode haver apenas uma evidência retirada de um texto.
Com base nesses referenciais, criamos uma ferramenta denominada Linha de Raciocínio Argumentativo (LRA) que propicia analisar os seguintes fatores: contexto em que os argumentos são construídos; estruturação do argumento por meio dos elementos básicos do padrão de Toulmin, isto é: Dado (D), Garantia (W), Apoio (B), Conclusão (C), Qualificador (Q) e Refutação (R); a forma com que algum conceito de Física está relacionado com os elementos do argumento; o grau de força das Linhas de Raciocínio; e os níveis das Linhas de Raciocínio, de acordo com a presença dos elementos da estrutura do argumento.
A LRA pode ser construída de forma individual ou por um grupo de estudantes e é classificada desde o nível 0 até o nível 11, de acordo com a presença dos elementos que constituem o padrão de argumento de Toulmin (2006), com a
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XX a XX de julho de 2021 - Online
fundamentação ou não em algum conceito de Física. Nos casos em que há fundamentação em algum aspecto relacionado à Física, consideramos a LRA de grau forte. Em outros casos, em que o argumento não apresente de forma explícita essa articulação com os conhecimentos de Física, mas contemple pelo menos os elementos básicos do padrão de Toulmin 'D-W-C', a LRA é classificada com o nível médio. E, nas condições em que não há nem essa estruturação, a LRA é classificada com o grau fraco. No Quadro 1 apresentamos as classificações possíveis para as Linhas de Raciocínio Argumentativo.
Quadro 01: Linhas de Raciocínio Argumentativo de graus forte, médio e fraco, com os respectivos níveis.
Esse quadro mostra as possibilidades de LRA que podem ser firmadas pelo estudante ou grupo de alunos. Para exemplificar a aplicação dessa ferramenta, apresentamos um trecho de discurso produzido entre professora e alunos do segundo ano do Ensino Médio, em uma escola pública do interior de São Paulo, durante a
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execução de uma atividade experimental de demonstração intitulada 'máquina de Heron', acerca do tema 'Máquina Térmica':
P: Surgiu uma ideia interessante, vamos pensar. Ele falou do ar frio. Ao redor da lâmpada o ar é frio. Bem, e o calor tem uma definição?
A1 e A8: Energia térmica (D)
P: É uma energia que está parada?
A10: As moléculas estão agitadas lá dentro da lâmpada (B)
P: As moléculas agitadas estão relacionadas com a temperatura
A8: O vapor está num lugar fechado ( D) , ele se expande (W) e [assim] faz com que a lâmpada gire (C)
P: A expansão ocasiona o quê?
A8: Vai ocasionar o movimento da lâmpada (C)
Nesse trecho, os estudantes 1, 8 e 10 conseguiram expressar um argumento válido, com dados (D), garantia (W), apoio (B) e conclusão (C), fundamentado em um conceito de Física, isto é, os alunos utilizam conceitos de temperatura e expansão das moléculas do vapor, embasados no conceito de agitação das moléculas do vapor de água, para explicar o movimento da lâmpada. Por isso, classificamos a LRA com o grau forte e nível 9, conforme está explicitado no Quadro 1.
Assim, temos evidências de que essa ferramenta (LRA) propiciou avaliar o argumento dos estudantes, considerando a interação entre os estudantes e o contexto em que eles produziram os elementos do argumento, bem como favoreceu analisar se há ou não o uso de conceitos de Física para fundamentar as alegações que foram formadas. Dessa maneira, essa estrutura de análise pode ser indicada para aprimorar o Ensino de Física, pois há a articulação entre argumentação e conhecimento científico. Além disso, essa ferramenta pode ser utilizada em outra área de conhecimento, como a Química e a Biologia.
## Referências
GALVÃO, I. C. M. Interação discursiva e argumentação dos alunos no ensino de física . 221 f. 2020. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência-Área de concentração: Ensino de Ciências) - Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2020.
MARTINS, M; JUSTI, R. Uma nova metodologia para analisar raciocínios argumentativos. Ciência & Educação , Bauru, v. 23, n. 1, p. 7-27, 2017.
TOULMIN, S. E. Os usos do argumento . São Paulo: Martins Fontes, 2006.
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