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APRENDIZAGEM TANGENCIAL POR MEIO DA FICÇÃO CIENTÍFICA: UM DIÁLOGO ENTRE GÊNERO E CIÊNCIA

Larissa Ferreira De Almeida, Bruno Bezerra Da Silva, José Boniex Da Silva Santos, João Eduardo Ramos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## APRENDIZAGEM TANGENCIAL POR MEIO DA FICÇÃO CIENTÍFICA: UM DIÁLOGO ENTRE GÊNERO E CIÊNCIA

## Larissa Ferreira de Almeida , Bruno Bezerra da Silva , José Boniex da Silva 1 2 Santos 3 , João Eduardo Ramos 4

- 1 Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste/Núcleo de Formação Docente/Licenciando (a) em Física/e-mail: larissatj.almeida@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste/Núcleo de Formação Docente/Licenciando (a) em Física/e-mail: brunosilva\_verdao@hotmail.com
- 3 Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste/Núcleo de Formação Docente/Licenciando (a) em Física/e-mail: bonidellrey@gmail.com

## Resumo

O presente artigo tem como objetivo acrescentar um pensamento mais crítico e reflexivo para com os estudantes, com relação ao papel desenvolvido pela personagem feminina em diversos filmes e séries de ficção científica e de que forma isso representa o mundo real da ciência. A ficção científica, que, assim como Bráulio Tavares (2008) nos diz, é uma representação fictícia das possibilidades tecnológicas humanas, e assim como qualquer forma de expressão artística, ela também funciona como um espelho da sociedade atual. Logo, isso se reflete com relação ao gênero feminino na ciência, portanto, trazemos alguns preceitos que ainda persiste no ramo da ficção científica. Sendo assim, uma busca pela enunciação do papel da mulher na ciência é pauta necessária no ensino da física. Realizamos um breve debate e questionários em uma turma de cursinho pré-vestibular na cidade de Lajedo-PE, a fim de analisar e moldar a aprendizagem tangencial dos discentes em relação à maneira representativa da mulher em obras cinematográficas de ficção científica.

Palavras-chave : Ficção cientifica; Igualdade de Gênero, Aprendizagem tangencial.

## Introdução

Nos dias atuais o mundo da mídia está ganhando cada vez mais espaço na vida das pessoas dentre qualquer idade, mas, principalmente dos jovens, por meio de séries, filmes, desenhos animados, livros, contos e entre outros. Piassi (2007) propõe o uso da mídia de ficções cientificas no ensino de ciências, e de como a ciência pode se relacionar a contexto social, mostrando ser assim um importante recurso para o processo de ensino-aprendizagem diferente do tradicional dentro da sala de aula, visto que, pode despertar um maior interesse dos estudantes na disciplina. Na presente pesquisa temos como objetivo mostrar que é possível utilizar como ferramenta didática recursos audiovisuais, por meio de uma aprendizagem tangencial, com eficiência no contexto da educação para a inclusão e igualdade do gênero feminino como cientista, seja no ramo da física ou em quaisquer outros ramos da ciência, podendo até mesmo ser interdisciplinar, por meio de filmes e séries de ficção cientifica.

Não precisamos pesquisar muito para afirmar que muitas vezes quando aparecem personagens cientistas masculinos, o estereótipo criado pela mídia é

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determinado como um cara meio maluco, cabelos despenteados, barba para fazer, usando avental branco, tem um laboratório para serem realizados seus experimentos seja para o bem da humanidade ou para o mal. Na maioria das vezes, tendem a destacar a figura do cientista de gênero masculino, o qual pode ser citado: Victor Frankenstein, o cientista que criou um dos personagens mais famosos da ficção, que hoje é conhecido por Frankenstein. Há o doutor Brown, o cientista que inventou a máquina do tempo na saga do filme 'De volta para o futuro' . Outro também é o químico Walter White, personagem principal da série de TV americana 'Breaking Bad' e entre outros personagens que rapidamente nos vem à mente. Já a figura cientista do gênero feminino, ao tentarmos lembrar-se de exemplos no mundo da ficção, nos vem com talvez mais dificuldade a mente nome para citarmos, mas temos: A médica legista Dana Scully, que é uma das protagonistas da série 'Arquivo X' . A doutora astronômica Eleanor Ann Arroway do filme 'Contato' . Ao observar que temos mais dificuldades em conseguir lembrar-se de personagens cientistas femininas que sejam conhecidas, poderíamos nos perguntar: Seria isso uma representatividade da ficção cientifica que saia um pouco da fantasia e se assemelhe muito com o mundo real? Pois, ao citarmos grandes nomes que fizeram parte da história da ciência no mundo real, cientistas mulheres são lembradas como minoria. Porém, neste sentido afirma Jean-Pierre Esquenazi:

As séries televisivas, mais do que outros gêneros ficcionais, são levadas a apresentar os seus mundos ficcionais como paráfrases da realidade: dependentes do médium televisivo estão, com efeito, condenadas a mostrar uma sensibilidade aguda em relação à vida contemporânea (ESQUENAZI, 2011, p.161).

Por esse intermédio, podemos supor que obras televisivas como séries, por exemplo, servem como um espelho que reflete, muitas vezes, dilemas enfrentados por diversas pessoas. E nesse caso em específico, o dilema enfrentado pelas cientistas.

Segundo Vanderlan Bolzani (2017) no Brasil apesar dos pequenos avanços que as mulheres vêm conquistando nas universidades no ramo das ciências, quando se separa as áreas, é perceptível essa desigualdade. Por exemplo, em ciências agrícolas é composto por 74% de homens e 36% de mulheres; em ciências exatas e da terra, que inclui a física, química e matemática, a participação feminina é de 32% e nas engenharias, 39%. Portanto, podemos afirmar que a menor participação feminina se encontra na física, química e matemática. Ela mostra ainda dados em que a participação feminina é quase igual em comparação à participação masculina enquanto discente nessas áreas, porém, em posições de cargos das profissões permanecem como minoria.

Temos como objetivo mostrar que ainda se faz necessário questionar a desigualdade de gênero na ciência, e iremos propor uma possível forma de como o docente pode trabalhar com o ensino de ciências, particularmente na disciplina de física da educação básica, relacionando-o com um contexto social, que nesse caso será a inclusão e igualdade de gênero feminino. Será proposto que o docente possa ensinar esse problema social, por meio da aprendizagem tangencial com filmes e séries de ficção cientifica.

## A mulher na ciência

Agora, mais que fortemente, devido a todo o movimento feminista sobre o mundo, devido ao movimento pós-moderno, onde agora se faz necessário o

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chamado pelo 'novo', do diferente, fora do padrão. A Revolução Industrial foi marcada por ajudar a excluir as limitações das mulheres em terem o livre-arbítrio em escolherem sua carreira profissional. É claro que, aos poucos, observamos que as mulheres têm conseguido conquistar cada vez mais espaço na ciência, no mundo atual, mas como já vimos ainda não de uma forma totalmente igualitária. Vejamos o que afirma Evellin Fox Keller do por que realizar pesquisas sobre esse assunto ainda se faz necessário:

Como cientista, decidi estender os tipos de análises que as feministas empregavam nas humanidades e nas ciências sociais às ciências naturais. (...) minha meta não era tornar a ciência mais subjetiva ou mais 'feminina', mas ao contrário fazê-la mais verdadeiramente objetiva, e necessariamente 'independente do gênero'. Numa palavra, procurava uma ciência melhor. Uma ciência melhor, argumentava, seria inevitavelmente uma ciência mais abrangente, mais acessível às mulheres. (KELLER, 2016, p. 15-16)

A partir disso podemos concluir que criar metas na educação para se incentivar que uma mulher é capaz de seguir a área da ciência se faz necessária, contribuindo assim para o que Keller afirma sobre termos uma ciência ''independente do gênero'', ou seja, uma ciência melhor.

Em 'O feminismo mudou a ciência?', Schienbinger (2001) mostrou quais eram os impactos do gênero entre culturas determinadas com o passar das décadas, e observaram-se dois parâmetros: a científica e a feminilidade. Segundo ela, isso se deve ao contexto histórico, que teria levado a cultura científica a se desenvolver com base na convicção de que entre as diversas áreas da vida na formação humana, dois domínios deveriam ser distintos sendo esses o profissional e o privado. 'As instituições científicas - universidades, academias e indústrias foram estruturadas sobre a suposição de que os cientistas seriam homens com esposas em casa para cuidar deles e de suas famílias'. (SCHIEBINGER, 2001, p. 69.) Pode-se concluir que tinha a perspectiva de que no geral, por trás da carreira profissional de um homem cientista havia uma esposa, cuidando de seus filhos e afazeres pessoais em casa. E já uma mulher cientista nunca conseguiria separar esses dois aspectos da vida, pois ninguém estaria em casa resolvendo seus deveres domésticos e familiares por ela.

Acreditamos que é necessário que esse assunto seja abordado de início na educação básica e não se limitar apenas que as meninas tomem consciência disso, mas todos independentemente do gênero devem ser levados a refletir sobre a importância de que ainda precisa ser tomadas atitudes para que ocorra mais inclusão da igualdade de gênero feminino na ciência. E que todos podem contribuir de alguma forma para isso acontecer.

## A personagem feminina na mídia da ficção cientifica

A ficção cientifica retrata o ser humano através das suas múltiplas facetas, o poeta, escritor e compositor, Bráulio Tavares, apoia isso, em uma entrevista:

a FC é a única literatura que fala da totalidade da experiência humana. O romance de hoje em dia se divide em regionalismo rural e existencialismo urbano, vive fechado na repetição de temas de mais de cem anos atrás. E só. Quem, nos anos 1950, falava em clones, em ecologia, em computadores, em tsunamis? A ficção científica. São as únicas pessoas que sabem o que está acontecendo no mundo, neste instante (TAVARES, 2008).

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Assim, podemos afirmar que o mesmo vale para o papel da mulher na ciência como protagonista. Há muito tempo a mulher, basicamente, é tratada em segundo plano em diversas expressões artísticas, friso aqui a sétima arte em relação à produção de ficção científica . Acontece que, com a revolução tecnológica, 1 por volta dos anos 80 e até hoje, a mídia ganhou, e vem ganhando um poder estrondoso na sociedade, e a mulher, nessa mesma mídia, quase sempre teve uma figura frágil, ingênua, alguém que precisa ser salva. Por exemplo: no mundo dos games, nos jogos da franquia do Super Mario Bros., cujo objetivo era superar os obstáculos e os inimigos, a fim de salvar a bela princesa indefesa. Agora em filmes mais recentes, 2004, 'Homem-Aranha II' , a trama final do filme se baseia em: o grande vilão sequestra a linda Mary Jane, namorada do Homem-Aranha, e ele, com muito esforço, e luta consegue resgatá-la. 2005, 'King Kong' , nas cenas finais o gorila gigantesco praticamente entra em guerra contra o exército, pois pensava apenas em proteger a nobre donzela em perigo, a qual ele mesmo colocou, diga-se de passagem. Enfim muito raramente se via mulheres roubando a cena, sendo 'a Manda-Chuva', mas sim, sendo como a personagem frágil que precisa ser salva.

Mas esse cenário vem mudando aos poucos, vêm ganhando força, principalmente na área dos super-heróis. 2006, 'X-Men 3: O confronto final' , o filme basicamente conta a história da personagem Jean Grey, uma mutante formidável, com poderes incontroláveis e mais "fortes" que todos os outros. Mais recentemente, 2015, a Netflix adquiriu em sua grade de programação 'Supergirl' , seriado de TV, produzida pela Warner Bros. que, como o nome sugere, conta a história da prima do super-homem, que é tão forte, tão rápida, tão inteligente, quanto ele. Mais recentemente ainda, 2017, o universo da DC Comics, lançou o filme 'Mulher Maravilha' , emblemática, poderosa, personagem principal em um filme de guerras. Num futuro próximo, 2019, o universo da Marvel lançará o filme "Capitã Marvel" que conta a história da heroína mais poderosa entre todos. Ela além de carregar o nome da companhia, e ser a heroína mais poderosa, será a chave do desfecho da franquia de filmes "vingadores". Pois é, é perceptível que a mulher vem ganhando força nesse âmbito, mas ainda há muito que se melhorar nos filmes e séries de ficção científica exercendo papéis na ciência que aparecem com notoriedade, sendo o foco. Isso precisa mudar, é preciso haver um incentivo em qualquer plataforma possível, para que cada vez mais as mulheres reivindiquem seu lugar na ciência, e como a mídia atinge a maioria da população, seria interessante que fosse por ela que esse incentivo começasse.

Como Camila Prado Furuzawa (2014), mestra pelo programa de pósgraduação da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, fala, em seu artigo: 'A personagem feminina como protagonista nas Séries Policiais', conta-se nos dedos quais são as séries policiais onde a mulher tem um papel de peso. Também temos toda a repercussão que foi a série de TV americana, atualmente finalizada, 'House of Cards' , uma vez que a atriz (Robin Wright) que atuava como protagonista feminina da série, não recebia um vencimento igual ao de seu parceiro de trabalho, visto que, ambos tinham igual relevância no show. Em 'Aniquilação' , filme produzido pelo Netflix, temos uma cientista que é doutora, em busca de seu marido desaparecido. Tal qual foi citado anteriormente, temos agora uma boa inversão,

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diferentemente de o Mario salvar sua princesa, em 'Aniquilação' , a personagem feminina vai à busca de "salvar" o seu amado. Temos ainda uma forma muito paralisada de ver a mulher como personagem autônoma e forte, é impressionante em como muitas obras a mulher é vista ainda como indefesa e submissa. Furuzawa (2014) comenta como essa maneira de ver é refletida em diversos tipos de séries:

Segundo Esquenazi (2011), as séries participam de reflexão sobre os problemas femininos, expondo-os, retratando-os e possibilitando uma ascensão da mulher em ambientes antes predominantemente masculinos. Isto significa dizer que a quantidade de programas e a qualidade de trama são essenciais para estabelecer um paralelo entre o mundo ficcional e real. (FURUZAWA, 2014, página 4)

Quando se é citado personagem feminino, aqui tenho como personagem com características "frágeis, sutis e delicadas', tanto é que, na ficção, assim como na científica, o personagem principal é forte, robusto, inquieto e com um grande senso de justiça. O personagem engraçado é servido como bobalhão e o personagem delicado como indefeso ou mesmo que inútil. E então, tal como 'Matrix' , 'Interestelar' , ícones da ficção científica, ainda estão arraigados em paradigmas da coragem, da teimosia e do senso de justiça, todos ajustados ao gênero masculino. Por isso, por meio desse artigo, desejamos usar as poucas obras de ficção científica, onde temos mulheres cientistas como foco principal, a fim de divulgar em sala de aula e desenvolver um olhar um pouco mais crítico e aberto para a ciência.

## Aprendizagem tangencial por meio da mídia

O diálogo entre gênero e ciência pode se manifestar de diversas formas, e como vimos, a ficção cientifica é uma delas. Uma abordagem que queremos propor para o docente trabalhar esse tema na sala de aula seria por meio do debate utilizando-se da aprendizagem tangencial. O designer e teórico de jogos digitais James Portnow e Floyd (2008) desenvolveram a ideia da aprendizagem tangencial. Portnow (2008) fala sobre esse interesse e curiosidade em querer pesquisar algo para além de apenas jogar jogos digitais por mera diversão. Se encararmos os jogos com certos temas específicos que possa existir a possibilidade de se extrair algum conhecimento e que também possui utilidade para a diversão, logo, a aprendizagem tangencial ocorre.

No caso da mídia, quando assistimos séries e filmes temos como principal objetivo um momento de entretenimento. Mas, dependendo do conteúdo do que estamos vendo, podemos obter de fato, algum conhecimento. Como exemplo, podemos citar o filme, baseado num livro, 'Perdido em marte' (ano), que traz como personagem uma mulher sendo comandante da missão espacial, ou seja, uma mulher foi posta em uma carga de alta hierarquia entre os astronautas, e, além disso, são retratadas outras questões, o personagem principal Mark ter tido a atitude de usar a ciência para enfrentar as dificuldades, encontrar soluções e garantir sua sobrevivência, nos mostra assim que o conhecimento cientifico não é em vão. Portanto, quando um aluno estiver assistindo esse filme apenas como seu momento de lazer, dificilmente ele irá refletir sobre essas outras informações que o filme retrata do mundo real. É aí que o professor pode moldar para melhor essa aprendizagem tangencial que o aluno traz consigo, e no decorrer do artigo veremos uma proposta de que forma pode acontecer essa troca de ensino e aprendizagem. Como afirma Leite:

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A familiaridade dos estudantes com os filmes em seu contexto social pode ser um aliado no processo de aprendizagem do mesmo. Um aspecto positivo é que existem filmes tratando praticamente de tudo, o papel do professor, nesse sentido, seria o de selecionar os mais adequados (LEITE, 2016, p.9).

A partir disso analisamos que muitas vezes o conhecimento tangencial está mais presente em nossas vidas do que imaginamos, ou seja, aprendemos sem saber que estamos de fato aprendendo algo. Mas, para que isso tenha um resultado eficaz o docente em sala de aula pode direcionar essa aprendizagem tangencial a um conhecimento didático com relação a sua matéria e para com questões de reflexões sociais. Vale ressaltar que, se por acaso o docente especificar qual o material que seus alunos devem assistir, para que depois ocorra uma metodologia de ensino baseado na obra assistida, isso deixa de ser uma aprendizagem tangencial, portanto, é de suma importante que seja trabalhado filmes/séries que a maioria dos discentes já tenha assistido, ou questões que não precisam especificar apenas uma determinada obra a ser estudado. Ou seja, 'o aluno tem contato com o conhecimento sem perceber a intenção de ensiná-lo' (LEITE, 2015, p. 135).

## Metodologia

Foi realizada uma pesquisa de coleta de dados e um debate sobre a forma representativa do gênero feminino em diversas obras de ficção científica, em uma turma de cursinho pré-vestibular da cidade de Lajedo - PE, ao todo, 20 estudantes participaram da pesquisa, que era composta pela maior parte de adolescentes, onde no primeiro momento foi feito uma discussão com sobre o que era aprendizagem tangencial, sobre a importância da inclusão da igualdade do gênero feminino na ciência e de que forma isso poderia se dar por meio de séries e filmes de ficção cientifica. Depois foram aplicadas três perguntas para os discentes responderem:

-  Quais filmes/séries do gênero de ficção científica você assistiu recentemente?
-  Algum desses filmes/séries que foram citados trazia alguma mulher como personagem no ramo da ciência? E de que forma ela era representada?
-  Esses filmes te levam a ter alguma aprendizagem sobre o papel da inclusão e igualdade de gênero feminino na ciência? Justifique.

## Resultados

Depois de certo intervalo de tempo para que os estudantes pudessem responder as questões, fizemos uma análise das respostas. Cerca de 70% da turma havia assistido alguma vez uma ficção científica, destes 70%, cerca de 90% responderam que sim, em suas histórias de ficção científica, havia sim, uma mulher como personagem, contudo, eram representadas ou de maneira servil para o personagem principal, ou como um objeto de estudo A maioria dos filmes citados foram: Passageiros, Guerra nas Estrelas, Star Wars, Jogador nº 1, Planeta dos Macacos e Onde está Segunda? Cerca de quatro alunos responderam que havia, nos filmes que assistiram, personagens femininas retratadas como personagens ''frias e inteligentes''. Por fim, de fato, aprenderam que, devido à mulher estar representada como uma cientista, ou alguém muito inteligente, isso fortalece a ideia de igualdade de gênero, tornando a concepção artística cinematográfica mais

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representativa, houve até uma aluna que disse que assim observa-se que não se deve subestimar a capacidade da mulher no ramo científico.

Por outro lado, alguns dos alunos disseram não haver representação alguma nos filmes de ficção que haviam assistido, pelo contrário, que a mulher era utilizada como objeto de estudo, ou servia somente como alguém que deve ser salva. Isso, claramente, não é algo bom, o que precisamos é de representações mais próximas da verdade, aproximando a figura feminina de seu real sentido.

## Considerações finais

Podemos perceber que há um pequeno avanço no ramo cinematográfico da ficção científica para com o gênero feminino, contudo, ainda estamos longe de uma total representação. Com a singela pesquisa, e um pequeno debate, já pudemos abstrair um pensamento mais crítico com os alunos. A ideia da pesquisa é trazer um pouco mais desse pensamento crítico, e expandir mais a ideia de equidade.

Também abordamos que de fato, a mídia, mesmo sem a intenção de ensinar algo didático, pode prover uma aprendizagem tangencial para alguém, e a forma que o docente irá conduzir essa aprendizagem já existente no aluno, faz muita diferença. Propusemos uma abordagem de debate e coleta de dados apenas de séries e filmes, mas isso não descarta a possibilidade de que o efeito seja o mesmo para o gênero da ficção cientifica literário, e também seria bem interessante se, porventura, pudessem ser feitos oficinas, seminários onde os alunos pudessem retratar seu conhecimento a partir do que eles já viram sobre o gênero feminino em obras de ficção científica.

A arte expressa envolvida na ciência ainda está um pouco longe de ser totalmente igualitária, acreditamos que, por meio deste, possa haver um pouco mais de pensamento crítico e um conhecimento mais afundo sobre a real presença da mulher na ciência.

## Referências

BRAULIO, T. Entrevista. In: blog Agenda - Guia da Poesia. Disponível em: http://blogagenda.blogspot.com/2014/07/entrevista-braulio-tavares.html. Acesso em 18/07/2018.

ESQUENAZI, J. As séries televisivas . Lisboa: edições Texto & Grafia, 2011.

FURUZAWA, C. P. A personagem feminina como protagonista nas séries policiais. Mestre pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, 2014.

KELLER, E. F. Qual foi o impacto do feminismo na ciência? Cadernos Pagu. No. 27, jul-dez, pp.13-34, 2016.

LEITE. B. S. Aprendizagem tangencial no processo de ensino e aprendizagem de conceitos científicos: um estudo de caso. CINTED-UFRGS Novas Tecnologias na Educação V. 14 Nº 2, dez., 2016.

LEITE. B. S. Tecnologias no ensino de química : teoria de prática na formação docente. Curitiba: Appris, 2015.

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PIASSI, L. P. C. Contatos: A ficção cientifica no ensino de ciências em um contexto sociocultural . Tese (Doutorado). Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2007.

SCHIEBINGER, L. O feminismo mudou a ciência? Bauru-SP, EDUSC, 2001

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.