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A FÍSICA NA PERSPECTIVA INCLUSIVA

Jean Louis Landim Vilela, Matilde Rosalina De Paiva Dias

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A FÍSICA NA PERSPECTIVA INCLUSIVA

## Jean Louis Landim Vilela 1 , Matilde Rosalina de Paiva Dias 2

1 Centro Educacional Genny Gomes, vilelalandim@hotmail.com

2 Centro Educacional Genny Gomes, matildeds320@gmail.com

## Resumo

No ensino privado ouve-se e fala-se, cada vez mais, de inclusão. A partir de 2016, todas as instituições de ensino privadas tiveram que se adaptar a essa nova realidade. O Centro Educacional Genny Gomes, situado na Cidade de Caxambu - MG, já possuía vários alunos que apresentavam laudos médicos e que nem sempre podiam ser atendidos seguindo uma normativa, um modo e padrão norteado por uma lei. Nesse contexto, houve a necessidade de se criar o NEI - Núcleo de Educação Inclusiva, que visa o ensino-aprendizagem de pessoas com alguma necessidade especial. O grande desafio era incluir esses alunos nas aulas de Física no Ensino Médio, uma vez que existem imensas dificuldades, por parte dos alunos, em abstrair os conteúdos dessa disciplina. As diversas formas de envolvê-los, motivá-los, realizar a interação, o comprometimento, quebrar estigmas e elevar a autoestima desses alunos, foram os maiores desafios. As críticas e sugestões para mudanças nas práticas educativas, no ensino de Física, eram constantes e pautadas na oralidade do professor e na integração do conteúdo ministrado em sala. Deste modo, surgem neste espectro, quatro alunas do último ano do Ensino Médio e que estão inseridas no NEI devido aos laudos médicos apresentados e que obtiveram excelentes resultados nas atividades propostas pelo professor e orientador do presente projeto. Destacar-se neste artigo, os experimentos que envolveram conteúdos diversos da Física, tais como: Eletricidade, Pressão e Termologia. Na proposta orientada em sala, os experimentos foram realizados pelas alunas e reapresentados para alunos do Ensino Fundamental I de duas escolas Municipais de Caxambu-MG. A forma como os experimentos foram conduzidos promoveu uma interação global entre todos os envolvidos e contribuiu para uma aprendizagem efetiva dos conteúdos de Física. Muitas reflexões foram realizadas e foi nítida a mudança ocorrida na forma como todos os envolvidos passaram a valorizar a inclusão.

Palavras-chave : Física, adaptação, inclusão.

## INTRODUÇÃO

Diante do cenário atual e recente para o ensino privado, ouve-se cada vez mais falar sobre inclusão. Inclusão de deficientes, idosos, negros, índios, mulheres, crianças; enfim, das minorias que constituem uma nação. Inclusão social daqueles que, por algum aspecto da vida física ou social ou até mesmo intelectual, não se enquadram nos padrões traçados anteriormente pela indústria e pelo capitalismo.

Foi especificamente em 1990, que a inclusão ganhou força. Isto ocorreu a partir da convenção da ONU - Organização das Nações Unidas, realizada neste ano, estabelecendo que por volta de 2010 a sociedade já teria terminado o processo da construção de uma nova sociedade, uma sociedade inclusiva, "uma sociedade para

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todos". Este se tornou o paradigma da nova década, e através dele, questões como os padrões de normalidade passaram a ser questionados, estendendo esta visão aos diversos segmentos da sociedade e dando ênfase onde as diferenças e os padrões de normalidade são mais gritantes, entre os deficientes físicos e mentais (SASSAKI, 1997, p. 164).

A partir de Janeiro de 2016, todas as instituições de ensino privadas tiveram que se adaptar a essa nova realidade - à da inclusão. Conforme o Estatuto da pessoa com necessidades especiais que visa à interação comunicativa em órgãos e espaços públicos, repartições, gabinetes, ruas, avenidas, transportes coletivos, bem como a de estabelecimentos comerciais e de ensino público e privado, sem exceções e todos, tiveram que rever sua postura diante do diferente.

Nesse sentido, torna-se explícita, sob a ótica desse novo paradigma da inclusão, uma tomada de consciência de uma nova postura rumo às mudanças, tão necessárias nos vários sistemas da sociedade. E que esta responsabilidade não recaia apenas sob um segmento ou setor, como a educação, mas que seja do interesse comum a todos que a constituem.

Segundo STAINBACK e STAINBACK, 1990, "Inclusão é uma consciência de comunidade, uma aceitação das diferenças e uma corresponsabilização para obviar às necessidades dos outros.'

Em educação, conforme Mantoan 1998, falar em escolas inclusivas, significa ter conhecimento de que a meta primordial da inclusão é não deixar ninguém de fora do ensino regular, isto, desde o começo da vida escolar da criança. E para propor e justificar esta ideia, ela recorrerá à utilização de uma metáfora, sobre o verdadeiro significado da inclusão nas escolas, sendo este identificado pela autora, como a metáfora do caleidoscópio, que fundamenta-se o seguinte pensamento: "o caleidoscópio precisa de todos os pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenho se torna menos complexo, menos rico.' (FOREST et LUSTHAUS, 1987, p. 6).

Assim, o objetivo a ser alcançado, por exemplo, no campo educacional, é que seja concretizada esta metáfora do caleidoscópio que vem captar a heterogeneidade, o diverso, o diferente e onde o sistema escolar consiga se adequar às particularidades de todos os alunos. O que, segundo MANTOAN, 1998. p. 235,

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"Os critérios para se distinguir uma escola inclusiva estão todos baseados na compreensão da diversidade, que não tem limites, pois os seres humanos são singulares, diferentes e, portanto, sem condições de serem classificados".

O Centro Educacional Genny Gomes (CEGG), uma Associação Evangélica de Minas Gerais situada na Cidade de Caxambu, sul do estado, que adota o sistema apostilado Objetivo, já possuía vários alunos que apresentavam laudos médicos e que nem sempre podiam ser atendidos seguindo uma normativa, um modo e padrão norteado por uma lei.

Com seus 590 alunos, em todos os seus ciclos - Ensino Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, 40 desses alunos matriculados apresentam algum diagnóstico o que corresponde a quase 7% do total.

Passou-se a conviver com algumas deficiências dentre elas: física, motora, intelectual, bem como com transtornos neuropsíquicos. Situações como: Transtorno opositivo Desafiador (TOD), Síndrome do Espectro Autista, Dislexia, Discalculia, Depressão, Irlen, Ansiedade e Mielomeningocele foram surgindo no nosso cotidiano.

Por ser uma escola que se preocupa com a inclusão, houve a necessidade de se criar o NEI - Núcleo de Educação Inclusiva CEGG, com o apoio do corpo docente e administrativo da instituição. O NEI visa atender as necessidades dos pais, discentes e docentes para cumprir a legislação vigente.

Os alunos que fazem parte no NEI devem seguir alguns critérios e juntamente com os pais ou responsáveis, ter seu cadastro realizado, seguindo os seguintes passos: 1° cadastro; 2° autorização: realizada e assinada pelos pais; 3° encaminhamento: os alunos são encaminhados para acompanhamento, a outros especialistas para atendimento em outras áreas que a escola julgar necessário; 4° relatórios: ponte necessária para acompanhamento médico e de especialistas que fazem parte da equipe multidisciplinar que atende o aluno; 5° revalidação de laudo: feito anualmente para acompanhamento e verificação da continuidade do tratamento do aluno, realizado pelos médicos e especialistas.

Nesse processo inclusivo, cada disciplina busca adaptar-se ao sistema de avaliação e aos atendimentos das necessidades e particularidades de cada aluno com laudo médico. Esta avaliação, em fichas preenchidas pelo núcleo com a autorização, participação e envolvimento dos pais e dos profissionais que atendem esses alunos, fica disponível aos docentes para consulta.

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Descartar e abominar qualquer tipo de discriminação e preconceito étnico, sexual, social, religioso e intelectual, dentro da escola também são pontos fortes que passaram a ser reforçados no Regimento Escolar do CEGG.

Percebe-se que, hoje, o Centro Educacional Genny Gomes (CEGG) é uma escola para todos, rompendo com os limites e adequando-se ao novo conceito de Educação, reforçado pelo lema da instituição 'Educando para a Vida'. Dessa forma, faz a comunidade escolar integrar-se aos novos conceitos ligados à inclusão e a tudo que ela venha agregar na educação.

## A FÍSICA E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A preocupação com o ensino-aprendizagem de pessoas com deficiência requer muito estudo e o desenvolvimento de práticas pedagógicas específicas para atender as necessidades da educação inclusiva.

A física inserida nesta perspectiva também teve que ser adaptada para a apresentação de seus conteúdos, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Física, como indica Eder Pires de Camargo (2003):

Neste contexto, se por um lado as políticas de inclusão buscam viabilizar a efetiva presença de alunos com deficiências na rede regular de ensino, por outro, o atendimento das necessidades pedagógicas inerentes a esses alunos, passa sem dúvida, pela formação do professor que terá a responsabilidade de realizar a transposição didática entre o conteúdo ensinado e o aprendiz.

As críticas e sugestões para mudanças nas práticas educativas, no ensino de Física da Educação Básica são constantes e ainda há a predominância de um ensino pautado na oralidade do professor, sem conexão com a realidade dos alunos e cujo resultado da aprendizagem tem se configurado como a memorização, na maioria das vezes temporária, de um amontoado de fórmulas.

Ao contrário, se tal prática fosse reconfigurada, pautada na inclusão, com mudanças nas atividades educativas diárias, seria um caminho para a aprendizagem.

Diante disso, é importante ressaltar que o professor deve propor situações a todos os alunos, onde a explicitação de concepções espontâneas ou de senso comum fosse a partir de problematizações; a contextualização do conteúdo, reforçada; a construção do conhecimento fosse incentivado; o reconhecimento da aplicabilidade do conteúdo de Física em situações cotidianas seriam fatores

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decisivos para o processo ensino-aprendizagem. A interdisciplinaridade se faria presente no desenvolvimento dos conteúdos selecionados, pois sabe-se que, para o aluno, conceitos e informações só fazem sentido se conseguem explicar questões e resolver situações problemas ligadas ao seu cotidiano.

## METODOLOGIA UTILIZADA

O grande desafio do Centro Educacional Genny Gomes (CEGG) era incluir alunos do NEI nas aulas de Física Ensino Médio. Uma vez que existia imensas dificuldades, por parte dos alunos, em abstrair o conteúdo. Como envolvê-los e motivá-los, para assim aprenderem Física? Como realizar a interação, o envolvimento, o comprometimento, quebrar estigmas e elevar a autoestima destes alunos?

A maior dificuldade enfrentada pelo professor foi a de mostrar que as alunas teriam a possibilidade de aprender a colaborar, ter autonomia, governar a si próprias, ter livre expressão de ideias e ver o esforço pelo que conseguiam criar e serem recompensadas e reconhecidas. Isso tudo porque, na sua maioria, eram alunas que apresentavam um relacionamento diferente dos demais.

Outro fator que chamou atenção do professor foi a respeito das limitações que cada aluna apresentava e como conciliaria cada uma delas com os temas propostos. Problemas de relacionamento, dificuldades em oralidade, em resolver problemas simples, em efetuar cálculos matemáticos, foram alguns apresentados por elas.

Diante do exposto, percebe-se a iniciativa do professor regente da turma do 3º ano do Ensino Médio que leciona Física. Tal iniciativa vem ilustrar e exemplificar estas questões em um projeto realizado e orientado por ele próprio, ou seja, o autor deste artigo.

Algumas adaptações foram feitas para ajudar no desenvolvimento do trabalho, coisas simples como montagem de roteiros para os experimentos, trabalho colaborativo entre os colegas, apresentação de vídeos com experimentos de Física e divisão de tarefas em partes.

As alunas participaram da realização de experimentos de Física, utilizando materiais de baixo custo e de fácil acesso. Tais experimentos envolveram conteúdos diversos como: eletricidade, pressão e termologia.

Na proposta orientada, os experimentos foram realizados pelas alunas e apresentados para alunos do Ensino Fundamental I (4º e 5º anos) nas escolas da

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rede pública municipal de Caxambu-MG: Escola Municipal Chapeuzinho Vermelho e Escola Municipal Presidente John Kennedy. As alunas citadas não haviam tido nenhum contato com esses alunos até a data da apresentação do trabalho.

As apresentações aconteceram nos dias 09 e 10 de maio do corrente ano de 2018, no período da manhã e tarde, nas dependências de cada escola (no pátio e na quadra) e tiveram a duração de uma hora e meia em média.

Figura 1: alunas realizando os experimentos para as escolas municipais. Fonte: dos autores.

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## OS EXPERIMENTOS

O professor procurou utilizar diferentes assuntos, dentro da Física, para a realização de cada experimento proposto. A sala da 3° série do Ensino Médio foi dividida em grupos menores, foi proposta também, uma lista com vários experimentos de baixo custo e cada equipe escolheu oito delas, totalizando quarenta trabalhos.

As alunas do NEI ficaram em grupos diferentes e cada uma delas apresentou um trabalho à sua escolha. A aluna 'A' utilizou um circuito simples, com fio condutor, pilha, um suporte de madeira e pode dar a noção aos alunos do conceito corrente elétrica. A aluna 'B' utilizou uma vela, água, um prato, um vidro e demonstrou o conceito de pressão e falou sobre a pressão atmosférica. Em seguida, a Aluna 'G' reproduziu um experimento que causa um efeito bem interessante, denominado "o incrível saco furado que não vaza', onde demonstrou que o plástico é um tipo de polímero (longas cadeias da mesma molécula que se entrelaçam). Para

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finalizar, a aluna 'J' utilizou a termologia como tema chave da sua apresentação e com latinhas de refrigerante, lamparina, água, fósforo, introduziu o conceito de temperatura e calor para os alunos do 5° ano do Ensino Fundamental I.

Figura 2: alunas do NEI realizando os seus experimentos. Fonte: dos autores.

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## RESULTADOS

Os resultados superaram as expectativas. As alunas apresentaram as atividades muito bem. Apresentaram, também, domínio do conteúdo e mostraram-se comunicativas e motivadas com o trabalho. Vale a pena destacar o fator timidez e baixa-autoestima, fatores estes que as alunas, costumeiramente, apresentam em sala de aula e que foram superados, mediante as propostas do projeto em questão.

Sabe-se que as barreiras mais difíceis de perceber são erguidas por quem não as percebe. Mas, por sorte, elas são as mais fáceis de derrubar e as que trazem o maior impacto para a vida das pessoas. A Física, ao ser utilizada como fator de inclusão, pode ser a prova disso. E foi com união, interesse e disciplina, que percebeu-se uma desenvoltura e facilidade em apresentar os trabalhos, bem como de quebrar barreiras.

Muitos gestores de escolas municipais ainda não sabem como atender às demandas específicas e, apesar de acolher essas crianças e jovens, ainda têm dúvidas em relação à eficácia da inclusão, ao trabalho de convencimento dos pais e da equipe, à adaptação do espaço e dos materiais pedagógicos e aos procedimentos administrativos necessários.

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Viu-se que os alunos da rede pública do 4º e 5º anos do Fundamental I, por sua vez, apresentaram-se animados, participativos, interessados e reagiram além do esperado com as experiências realizadas, pedindo para que ocorressem mais vezes visitas das alunas em suas escolas.

Concluíram que a Ciência aprendida por eles, a Física proposta pelas alunas, é muito mais interessante quando se pode vivenciar e visualizar as situações descritas verbalmente em sala de aula pelos professores.

A forma como os experimentos foram realizados, promoveu uma interação global entre os alunos da sala e isto contribuiu para uma aprendizagem efetiva dos conteúdos de Física transmitidos para esta turma. Muitas reflexões foram realizadas e foi nítida a mudança ocorrida na forma de todos os envolvidos pensarem a inclusão

## REFERÊNCIAS

CAMARGO, E.P. ; SILVA, D. O ensino de Física, os alunos com deficiência visual e os parâmetros curriculares nacionais. In: SIMPÓSIO EM FILOSOFIA E CIÊNCIA, TRABALHO E CONHECIMENTO, 2003, Marília. Atas... Marília, 2003.

FORST, M. et LUSTHAUS, E. Le kaleidoscope: un défi au concept de la classification en cascade. In: FOREST, M. (Org.). Education - Intégrtion . Downsview, Ontário : L'Institut A. Roeher, 1987. vol. 2. p. 1-16

MANTOAN, Maria Tereza Égler. Compreendendo a deficiência mental: novos caminhos educacionais. São Paulo : Editora Scipione, 1988.

SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão, Construindo uma sociedade para todos . Rio de Janeiro : WVA, 1997.

STAINBACK e STAINBACK. 1990. Disponível em:

&lt;http://www.malhaatlantica.pt/ecae-cm/filosofia.htm&gt;. Acesso em: 19 mar. 2003.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.