ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA
Cristiane Borges Galvão, Denise Pereira De Alcantara Ferraz
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA
## Cristiane Borges Galvão 1 , Denise Pereira de Alcantara Ferraz 2
1 Universidade Federal de Itajubá-MG/Instituto de Física e Química/ cristianeborgesgalvaocbg@gmail.com
2 Universidade Federal de Itajubá-MG/Instituto de Física e Química/ deniseferraz741@gmail.com
## Resumo
Nesse trabalho, realizou-se uma análise da trajetória histórica e legislativa da inclusão e posteriormente, fez-se uma análise bibliográfica de estudo da arte nas pesquisas já apresentadas no SNEF a partir do ano de 1970 ao ano de 2017 que relacionavam-se diretamente com a inclusão, para isso foram analisadas todas as atas de reuniões e anais obtidos a partir do site da Sociedade Brasileira de Física. Após a separação dos dados obtidos, selecionou-se as pesquisas em categorias de análise, para que dessa forma fosse possível a realização de uma análise mais profunda, para isso, leu-se todos os resumos dos trabalhos encontrados. Com isso obteve-se que primeira área com maior número de pesquisas já realizadas são os trabalhos no âmbito da Deficiência Visual, a segunda maior área em números de pesquisas foi os trabalhos no âmbito da Deficiência auditiva ou surdez, a terceira área com maior número de pesquisas encontradas foi a Inclusão na Educação e as duas áreas com menor número de trabalhos encontrados foram Formação de professores e Transtorno do Espectro Autista.
## Palavras-chave : Inclusão, Ensino, SNEF, Ciências.
## Introdução
A inclusão é, hoje, objeto de vários estudos, e conquistou um amplo espaço de discussão, entretanto, ainda é motivo de preocupação nas escolas, que muitas vezes não se percebem preparadas para receber os alunos que possuem necessidades educativas especiais - que neste estudo se entende como público alvo da educação especial (PAEE) - e iniciam a preparação à medida em que tais estudantes dirigem-se para a escola regular, como é descrito por Leonardo, Bray e Rossato (2009).
Ao analisar esse cenário, vemos que a inclusão é importante não apenas para os alunos com deficiência, que não devem se privar do convívio com alunos do ensino regular, mas é igualmente importante para os demais, pois desenvolve um ambiente de respeito, solidariedade e igualdade (MANTOAN, 2015).
A inclusão de pessoas com deficiência tem sido proposta em diversos países, e, também no Brasil. Em sua maioria, a educação destes alunos ocorria em escolas voltadas para a educação especial. No Brasil, já existem leis que garantem a inclusão e matrícula compulsória em escolas regulares.
Uma das ações mais importantes para a idealização da inclusão foi a Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e qualidade, que aconteceu em junho de 1994, e se destacou por elaborar a Declaração de Salamanca (BRASIL, 1994). A Declaração de Salamanca proclama que toda criança possui direito fundamental à educação, que cada uma possui características únicas, que os alunos com deficiência devem ter acesso à escola
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regular e, que, as escolas regulares devem ter orientação inclusiva e combater qualquer tipo de atitude discriminatória (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994).
No Brasil, existe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que definiu os princípios da educação, A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 que garante novos direitos , para as pessoas com deficiência . A LBI criou também o auxílio-inclusão, para pessoas com deficiência moderada ou grave, para que estas entrem no mercado de trabalho e sejam vinculadas ao Regime Geral de Previdência Social (BRASIL, 2015).
Algumas outras medidas e leis brasileiras que podem ser citadas são: a Lei de n. 7.853/89 que determina a matrícula compulsória de alunos com deficiência em cursos regulares; a Declaração Internacional de Montreal, que observou e reconheceu que ainda são necessárias novas medidas para o desenvolvimento de novas políticas inclusivas; temos também o decreto 3.956/2001 que coloca em prática a Convenção Internacional da Guatemala, visando extinguir a discriminação às pessoas com deficiência; o Plano Nacional de Educação, destacando-se que seria um grande avanço a construção de escolas inclusivas; a Lei 10.436/2002, onde se reconheceu a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como língua oficial do país.
Ainda no contexto da inclusão brasileira, temos a portaria MEC 2.678/2002 que aprovou a produção e a difusão do Sistema de Braile. Em 2004, tivemos a Lei 10.845 que tem como objetivo garantir o atendimento especializado aos alunos com deficiência. O decreto 5.626/2005, que teve como objetivo regulamentar a lei número 10.436, de 24 de abril de 2002, definindo a formação de docentes para Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino médio e no ensino superior.
Em 2007, tivemos o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que tem como objetivo a formação de professores para a educação especial e a criação de Salas de Recursos Multifuncionais (SEM), além do Decreto 7612/2011 que estabeleceu o Plano Nacional dos Direitos da pessoa com deficiência - Plano Viver sem Limite, juntamente com o decreto de 186/2009 prevendo que os equipamentos públicos sejam acessíveis a todas as pessoas.
Ao observar que o Brasil já possui várias leis que garantem a inclusão, observa-se que existe um impasse quando os alunos ingressam no ensino regular e precisam ser incluídos de forma efetiva. Sobre isso, Eder et.al . (2007) evidenciaram, ao analisar a inclusão no ensino de física, que a maior dificuldade dos professores é relacionar o conhecimento e a transmissão dos fenômenos físicos de forma efetiva sem causar ruptura com a pedagogia tradicional. Uma das alternativas encontradas para solucionar essa dificuldade foi a utilização de atividades participativas, com diálogos e atividades lúdicas, criando então uma interlocução positiva entre o docente e o discente.
Com o objetivo de analisar e categorizar os estudos já publicados no âmbito do ensino de física na perspectiva inclusiva, realizou-se uma análise em dos trabalhos já apresentados no Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), que se tornou referência por ser o maior evento de ensino de física em âmbito nacional.
O SNEF é um evento organizado pela Sociedade Brasileira de Física, que já teve sua XXII edição realizada em janeiro do ano de 2017, na cidade de São Carlos, SP, no instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Como se sabe, a história da inclusão iniciou-se a partir do século XVI, sendo estudada por médicos e pedagogos, que acreditaram nos indivíduos que anteriormente eram considerados como ineducáveis, e desde então muitos estudos vêm sendo realizados acerca do tema, que a princípio eram focados apenas no meio pedagógico (MENDES, 2006).
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Apesar de a inclusão ser estudada a um tempo consideravelmente amplo, os estudos atuais detectam que os profissionais da educação ainda apresentam dificuldades consideráveis para transformar a prática da inclusão em um ensino efetivo. Essas dificuldades podem ser vistas desde a falta de preparo dos profissionais, até a falta de material didático apropriado, demonstrando que a escola se adapta à medida que tais alunos são matriculados (SILVEIRA et al, 2006).
## Metodologia:
Tendo como finalidade compreender os estudos no âmbito da inclusão relacionados ao ensino de física, quais são as maiores dificuldades para tornar a inclusão efetiva, e entender quais são as deficiências mais pesquisadas, optou-se pela realização de uma pesquisa bibliográfica para catalogar os trabalhos encontrados nos anais no SNEF. Esta pesquisa visa facilitar o acesso a esses trabalhos e favorecer profissionais da área interessados pelo tema
Como percurso metodológico, a pesquisa parte de uma abordagem qualitativa, pois a coleta dos dados se dá predominantemente de forma descritiva, não analisando somente números. Procura-se, dessa maneira, o maior número de elementos para serem esclarecidos, preocupando-se com o processo de estudo e atentando-se ao maior número de evidências para compreender os resultados obtidos (LÜDKE et.al , 1986).
Baseado em Miguel (2007), esse estudo possui um tratamento bibliográfico, de estado da arte, que consiste em englobar um conjunto de fontes que aborda determinado assunto, sendo exploratória, e muitas vezes considerada também uma bibliografia.
O estado da arte é entendido como a organização e a catalogação de dados obtidos com a busca bibliográfica, a partir da leitura dos resumos de trabalhos, pesquisas, teses, artigos, publicações em revistas e outros, a fim de facilitar o acesso aos estudos já feitos, e aumentar ainda mais o conhecimento de profissionais da área (FERREIRA, 2002).
O estudo realizado a partir dos anais do SNEF, locus da busca bibliográfica a partir de todos os anais do evento já realizados, que teve sua primeira edição em 1970, em São Paulo - SP, buscou identificar, catalogar e analisar os trabalhos apresentados na área de inclusão educacional no ensino de física.
O estudo realizado a partir dos anais do SNEF, onde todos os trabalhos encontram-se completos, em arquivos scaneados desde sua primeira edição, onde continham também as atas de reunião, e os cadernos de resumos em suas primeiras edições, após cerca de dez edições já se era possível analisar os trabalhos completos, que continham cerca de 12 páginas cada um, sendo que esses já encontravam-se em forma de arquivo digital, no modelo PDF, locus da busca bibliográfica a partir de todos os anais do evento já realizados, que teve sua primeira edição em 1970, em São Paulo - SP, buscou identificar, catalogar e analisar os trabalhos apresentados na área de inclusão educacional no ensino de física.
Para esse estudo, foram coletadas informações em todos os anais do evento, desde o ano de 1970, até o ano de 2017, pois foi possível ter acesso a todos os anais de forma virtual, uma vez que os trabalhos se encontram digitalizados.
Para a identificação dos artigos, a busca foi feita utilizando palavras chaves como 'Inclusão', 'Educação', 'Escola', 'Inclusão no Ensino de ciências', 'Público alvo da educação inclusiva' para posteriormente serem identificados e se tornarem objeto de pesquisa.
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Para realização dessa análise, fez-se a leitura de todos os resumos dos artigos selecionados a partir das palavras chaves, buscando identificar o perfil das pesquisas realizadas, como por exemplo, aquelas que retratam dificuldades, avanços, práticas inovadoras, tipos de deficiências pesquisadas, entre outras.
A pesquisa desenvolveu-se seguindo três etapas. A primeira etapa consistiu em encontrar todos os trabalhos já apresentados e selecionar as publicações da área da inclusão em todas as edições do SNEF, que acontece a cada dois anos. Na segunda etapa, fez-se a leitura dos resumos dos trabalhos selecionados e a realização de uma subdivisão dos trabalhos a partir de seus temas, e, na, terceira etapa, fez-se a análise dos resultados obtidos.
Para a análise dos materiais obtidos, os dados foram organizados em categorias de análise. As categorias de análise são grandes títulos, os quais englobam um número significativo de temas, e a partir de sua importância e proximidade com o assunto abordado, agregam grandes significados que atendam aos objetivos do estudo (CAMPOS, 2004).
Ao realizar essa pesquisa, espera-se que a partir da catalogação dos estudos realizados na área de inclusão, os profissionais da área do ensino de física tenham acesso facilitado aos trabalhos já apresentados que versam sobre a inclusão, buscando oportunizar novos estudos a partir dos conhecimentos já existentes.
A partir de então, após a apresentação dos dados será elaborada a discussão final dessa pesquisa, que teve como objetivo, encontrar e catalogar os trabalhos já apresentados no SNEF que possuem como tema principal a Inclusão educacional, observando-se também quais são as áreas que necessitam de mais estudos.
## Análise dos dados
Inicialmente, fez-se uma análise dos dados obtidos a partir da seleção dos trabalhos apresentados no SNEF na área inclusiva, com a finalidade de facilitar o acesso às pesquisas já realizadas para os profissionais e pesquisadores da educação. Para tanto, os resultados obtidos foram separados em categorias de análise. Após a separação dos dados, selecionou-se as categorias mais significativas para a pesquisa, sendo elas as categorias que obtinham no mínimo 3 trabalhos já apresentadas em todas as edições do SNEF ou possuem trabalhos apresentados na última edição do Simpósio, que aconteceu em 2017.
Dessa forma, apresenta-se a seguir cada uma das categorias de análise, apontando os dados considerados relevantes para a pesquisa e tecendo as considerações pertinentes a esses.
## Deficiência Visual
Aqui, toma-se a Deficiência Visual (DV) como primeira categoria de análise, e busca-se verificar os trabalhos apresentados no SNEF entre 1999 e 2017 que se enquadram dentro deste tópico. Nota-se que a deficiência visual vem sendo abrangida desde o início das edições do SNEF, sendo uma área consolidada, e com número significativo de pesquisas, contendo 46 trabalhos já apresentados no SNEF.
Da análise do contexto histórico das pesquisas sobre deficiência visual, verifica-se que o número de alunos matriculados em escolas públicas com DV tem aumentado a cada ano. Como é descrito por Camargo et al (2008), mesmo com o apoio legislativo ainda temos uma sociedade excludente, onde em grande parte os
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alunos não são incluídos no ensino e na sociedade, sendo frequentemente falado em trabalhos a necessidade de formação específica para que professores adquiram práticas inclusivas no cotidiano escolar.
Para o estudo da educação inclusiva para alunos com DV, Camargo et al (2008), citam que a inclusão desses alunos deve nortear-se a partir de três políticas fundamentais, quais sejam: a presença do estudante com deficiência visual; a adequação da instituição; e o fornecimento de condições para que esse aluno se desenvolva pedagogicamente, resultando em uma relação direta entre a instituição e aluno com deficiência visual, que pode ser notada a partir da participação efetiva do aluno nas atividades escolares. Para compreender melhor as pesquisas já realizadas sobre a Deficiência Visual, fez-se um estudo dos trabalhos já apresentados.
A partir de então, observa-se que a deficiência visual tem sido tema de pesquisas frequentes e que o número de trabalhos apresentados aumentou significativamente a cada ano. A primeira apresentação que se enquadra na temática foi realizada no ano de 1999, na segunda edição do SNEF.
## Deficiência Auditiva ou Surdez
Os trabalhos apresentados no SNEF na área de Deficiência Auditiva (D.A.) ou de Surdez, entre os anos de 1999 e 2017, compõem a segunda categoria de análise aqui estudada, com 18 trabalhos já apresentados. Esse tema vem sendo abrangida a partir da Edição de 2005 do Simpósio, contando, então, com mais de uma década de pesquisas.
Dessa forma, verificando o histórico da educação inclusiva para alunos com Deficiência Auditiva e Surdez, nota-se a partir das pesquisas apresentadas que, mesmo tendo respaldo político, ela torna-se um pouco conflituosa, pois, para que o aluno surdo seja incluído dentro da sala de aula, não basta apenas sua presença, e sim que seu ensino se desenvolva a partir da comunicação entre todos os alunos da sala de aula e com o professor. Sendo essencial que o aluno curse um ensino em que o conteúdo também seja ministrado em sua língua, compartilhando também sua língua de domínio com os professores e os outros alunos da sala de aula (LACERDA, 2006).
Lacerda (2006) ressalta ainda que não basta proporcionar apenas atividades para os alunos ouvintes, e sim pensar em atividades inclusivas, que sejam acessíveis tanto para os alunos com deficiência auditiva ou surdez, como para os alunos ouvintes, acolhendo todas as diferenças presentes na sala de aula e na instituição.
## Formação de Professores para o Ensino Inclusivo
Ao selecionarmos a Formação de Professores para o Ensino Inclusivo como terceira categoria de análise, no que diz respeito aos trabalhos apresentados entre os anos de 1999 a 2017, então, tem-se que o tópico da Formação de Professores para o Ensino Inclusivo vem sendo pouco abrangido nas edições do SNEF, com apenas 1 trabalho apresentado no ano de 2017, sendo uma área que necessita de mais pesquisas para a busca da consolidação do ensino inclusivo na rede regular de ensino.
Mesmo havendo respaldo político para garantir a formação de professores para o ensino inclusivo, sua implementação enfrentou diversas barreiras, as quais dificultavam sua aplicação na rede de ensino regular. Silveira et al (2006), mencionam que em grande parte das escolas não há material didático apropriado
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para os alunos que possuem deficiência, gerando uma barreira ainda maior para que o educador possa se assegurar que o conteúdo lecionado será aplicado de forma efetiva ao seu aluno.
No entanto, de acordo com o que é descrito por Bueno (1999), para que aconteça o ensino inclusivo, é importante que existam no mínimo duas variáveis para a formação de professores, que seriam: a formação de professores licenciados, que tenham ao menos a noção básica sobre o ensino inclusivo; e professores licenciados especializados para o ensino de alunos com necessidades educacionais especializadas. Infelizmente, no entanto, não é isso o que se encontra ao buscarmos por professores especializados e pesquisas recentes sobre o assunto tratado.
## Inclusão na Educação
Ao selecionar como quarta categoria de análise como sendo os trabalhos apresentados no SNEF na área Inclusão na Educação entre os anos de 1999 a 2017, com 5 trabalhos já apresentados, e que a discussão acerca do tema vem sendo realizada a partir do ano de 2013 nas edições do SNEF, foi recentemente pesquisada no ano de 2017 e que vem sendo tratada com mais frequência a cada edição do SNEF.
Ao analisarmos o cenário brasileiro, estima-se que existam aproximadamente seis milhões de pessoas público alvo da educação inclusiva, e aproximadamente 500 mil alunos com necessidades educacionais especializadas. Constata-se então, a partir dos dados, que grande parte das pessoas que possuem deficiência não estão matriculadas na rede básica de ensino (BRASIL, 2003).
Ao analisarmos a realidade da educação especial no Brasil, identifica-se que a falta dos alunos que não estão matriculados na rede básica de ensino não é o maior dos problemas, pois, os poucos alunos que estão sendo atendidos, em grande parte não possuem um atendimento adequado, seja pela falta de profissionais preparados ou até mesmo pela falta de recursos oferecidos.
Para suprir essa demanda, a Constituição Federal de 1988 (Brasil, 1988) e as Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei n. 9.394/96 (Brasil, 1996) garantem que a educação é um direito de todos e que as matrículas desses alunos devem ser realizadas preferencialmente em instituições de ensino regulares com o fornecimento de atendimento educacional especializado.
Observa-se que as falhas mais frequentes para se realizar a inclusão na educação tem sido a tentativa de padronização do ensino inclusivo, desenvolvendo um padrão que caiba a todos os alunos público alvo da educação inclusiva, considerando que todos os alunos que possuem deficiência apresentam a mesma necessidade educacional (FULLER E CLARCK, 1994).
## Transtorno do Espectro Autista
Ao identificar como quinta categoria de análise os trabalhos apresentados no SNEF com o tema Transtorno do Espectro Autista entre os anos de 1999 a 2017, então a discussão acerca do tema vem sendo realizada a partir do ano de 2017, e possui apenas um trabalho apresentado no SNEF.
Desse modo, ao buscarmos as pesquisas já realizadas sobre alunos com transtorno do Espectro Autista sabe-se que como menciona Vygotsky (2007), a interação social é um processo de suma importância para o desenvolvimento dos comportamentos verbais, gestuais e sociais, e, para que esse desenvolvimento aconteça, é de suma importância o fornecimento de um ambiente de interação social, e também que o aluno receba o diagnóstico precocemente, para que assim
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possa receber intervenções apropriadas e personalizadas para o seu desenvolvimento.
Considerando, então, que alunos que possuem TEA contam com uma interação social comprometida, é necessário que se faça a junção de métodos de ensino pedagógico e de métodos psicológicos, trabalhados de forma integrada, para que dessa forma, se possa alcançar um ensino inclusivo e efetivo para o aluno. Para que esse método de pedagógico integrado seja alcançado, é necessário que se desenvolvam pesquisas com a finalidade de suprir as demandas para se realizar a inclusão de tais alunos.
## Considerações Finais:
A partir dos dados obtidos durante a realização dessa pesquisa, observa-se que seu resultado foi positivo, tendo em vista que o objetivo da pesquisa foi catalogar os trabalhos já apresentados em todas as edições do SNEF durante os anos de 1997 a 2017. Observa-se também que o número de trabalhos apresentados durante as edições do SNEF teve um crescimento satisfatório a partir do ano de 2005, pois, anteriormente, o número de trabalhos apresentados se mantinha estável.
A partir dos trabalhos apresentados no SNEF divididos por categorias, analisa-se que os trabalhos relacionados a área inclusiva passaram a ser apresentados a partir do ano de 1994, e ao analisarmos o histórico da inclusão, partir disso observa-se que a data do primeiro trabalho apresentado relaciona-se diretamente a fato da Declaração de Salamanca ser elaborada no ano de 1994, sendo o momento em que a inclusão passa a ter respaldo legal.
Com base no trabalho realizado, percebe-se ainda que o tema mais abrangido desde o início das edições do SNEF é a Deficiência Visual, que teve trabalhos publicados desde as primeiras edições. Observou-se ainda, a partir da pesquisa, que o segundo tema mais tratado nas edições do SNEF foram trabalhos que abordavam a deficiência a Deficiência Auditiva ou Surdez concomitantemente, tendo sua primeira apresentação no ano de 2005 com dois trabalhos apresentados.
Nota-se, ainda, que o terceiro tema mais abrangido na área de inclusão educacional no Ensino de Física é o da Inclusão na Educação, que teve sua primeira pesquisa apresentada no ano de 2013. Essa modalidade de pesquisa teve um crescimento singelo, mostrando que ainda é um tema recente, que deve ser mais considerado em novas pesquisas.
Por fim, observa-se que as duas últimas áreas com a menor quantidade de pesquisas apresentadas são as de Formação de Professores para o Ensino Inclusivo e TEA. Mostrando que todas essas áreas são carentes de pesquisas e devem ser mais abordadas em pesquisas futuras.
Mais 80% dos trabalhos já apresentados no SNEF na área inclusiva são trabalhos que relatam experiencias e métodos pedágios relacionados a inclusão, e que em grande parte tiveram resultados satisfatórios em suas aplicações em instituições de ensino regulares.
Vê-se que, mesmo com as inúmeras leis referentes a inclusão que se tem no Brasil, o assunto ainda é pouco discutido dentro das universidades brasileiras, mesmo tendo ganhado força nos últimos anos e expandido significativamente os números de pesquisas, ainda é escasso o número de trabalhos apresentados que abordam o tema, mostrando que o tema ainda deve ser mais abordado nas pesquisas futura.
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Sabe-se ainda que em cada uma de suas edições o SNEF conta com no mínimo 500 trabalhos apresentados, deixando ainda mais em evidencia a carência de estudos na área inclusiva, que se totalizou em 74 trabalhos já apresentados em todas as edições. Mas ao evidenciar a importância da efetivação da inclusão em todos os níveis de ensino sabe-se que a próxima edição do SNEF tem como tema o Ensino de Física no século XXI: caminhos para uma educação inclusiva, onde pela primeira vez no SNEF, a inclusão será a principal proposta para novas discussões .
Conclui-se, também, que como o SNEF é o maior e mais antigo evento de Ensino de Física em âmbito nacional, pode se considerar o resultado obtido a partir dessa pesquisa como sendo um resultado que demonstra as pesquisas que vêm sendo realizadas nas universidades públicas e particulares do Brasil, relativas ao ensino de ciências na perspectiva inclusiva ainda carecem de maior estímulo, busca de compreensão de práticas e novos estudos.
## Referências
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BRASIL. Congresso Nacional. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União n. 248, de 23/12/96 - Seção I, p. 27833. Brasília, 1996.
BUENO, J. G. Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional e a formação de professores ou especialistas. Revista Brasileira de Educação Especial, vol. 3. N.5, 7-25, 1999.
CAMARGO, E. P. C. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de óptica. Revista brasileira de Ensino de Física, 2008.
CAMPOS, C. J. G. et al. Método de análise de conteúdo: ferramenta para a análise de dados qualitativos no campo da saúde. Revista brasileira de enfermagem, 2004.
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GLAT, R. D. L. N. et al. Políticas educacionais e a formação de professores para a educação inclusiva no Brasil. Comunicações, v. 10, n. 1, p. 134-142, 2003.
LACERDA, C. B. F. A inclusão escolar de alunos surdos: o que dizem alunos, professores e intérpretes sobre esta experiência. Cad. Cedes, Campinas, v.26, n.69, p.163-184, 2006.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli EDA. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 1986.Baseado em Miguel (2007),
SILVEIRA, Flávia Furtado; NEVES, M. M. B. J. Inclusão escolar de crianças com deficiência múltipla: concepções de pais e professores. Psicologia: teoria e pesquisa, v. 22, n. 1, p. 79-88, 2006.
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