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USO DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA UM ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Cristiane Borges Galvão, Paloma Alinne Alves Rodrigues Ruas

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão, Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## USO DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA UM ALUNO COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

## Cristiane Borges Galvão 1 , Paloma Alinne Alves Rodrigues Ruas 2

1 Universidade Federal de Itajubá/Instituto de Física e Química/ e-mail: cristianeborgesgalvaocbg@gmail.com

2 Universidade Federal de Itajubá/Instituto de Física e Química/ e-mail: palomaraap@unifei.edu.br

## Resumo

O trabalho apresentado tem por objetivo apresentar as atividades desenvolvidas sobre o conteúdo de Ciências para um aluno que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para essa ação foi elaborada uma sequência didática que tinha como conteúdo o movimento do sistema Sol- Terra- Lua, sendo eles, translação, rotação e os planetas do sistema solar. Além disso, durante a implementação da sequência foi possível trabalhar a coordenação motora fina do aluno e o conceito de cores, já que essas eram duas dificuldades pertinentes do aluno. Como resultado, verificou- se que as atividades trabalhadas auxiliaram o aluno a construir novo saberes e contribuíram para conquistar o primeiro lugar da Competição de Astronomia da instituição de ensino regular em que estuda. Destaca-se, ainda, que, a competição abordava os temas trabalhados na sequência didática desenvolvida durante os encontros pedagógicos.

Palavras-chave : Inclusão, Autismo, Ensino, Física.

## Introdução

A inclusão educacional em instituições de ensino regulares ainda é uma área que requer mais atenção. Por isso, é preciso potencializar o processo de investigação e reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem que contribuem para a realização da inclusão.

Sabe-se que a inclusão escolar é um direito de todos e que também proporciona um ambiente de pluralidade tanto para os alunos público alvo da educação inclusiva quanto para os alunos que não possuem deficiência, como relatado por Mantoan, (2015). Ao ver que a inclusão proporciona um ambiente de diversidade e interação social para todos os estudantes matriculados na instituição, pois permite ao aluno desenvolverse e construir conhecimento.

No Brasil, tem-se inúmeras medidas políticas elaboradas com a finalidade de efetivar a inclusão, como podemos citar a Lei de Diretrizes e Bases da educação (LDB), elaborada em 1996. Posteriormente tem-se em 1999 a Lei de número 7.853/89, sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa portadora de Deficiência, que tornou a partir da data de sua expedição obrigatória a matrícula de alunos com deficiência em todas as instituições de ensino regulares.

Já no ano de 2001, no contexto internacional, temos a Declaração Internacional de Montreal, e o decreto 3.956/2001 que tinha como

objetivo promulgar a Convenção Internacional da Guatemala com a finalidade de extinguir toda qualquer tipo de discriminação às pessoas que possuem deficiência. No Brasil o Plano Nacional de Educação que visava a construção de uma escola inclusiva.

Em 2004 a Lei 10.845 que tem como principal objetivo garantir o acesso ao atendimento especializado. Em 2005 tem-se o decreto 5.626/2005 que regulamenta a lei número 10.436, de 24 de abril de 2002. Nessa sequência , já em 2007 foi lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Em 2011 temos o decreto 7612/2011 que tinha como finalidade instituir o Plano Nacional dos Direitos da pessoa com deficiência e em 2015.

No Brasil, teve-se ainda a Lei Nº 13.146, de 6 de junho de 2015, chamada Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência representa o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Então, tem-se que é necessário desenvolver e implementar novas práticas pedagógicas diferenciadas que possam trabalhar as potencialidades dos alunos público alvo da educação inclusiva, com o intuito de facilitar e efetivar a inclusão educacional.

Diante disso, considera-se que um dos métodos de ensino que podem abordar as potencialidades dos alunos de maneira acessível para o educador são as Sequências Didáticas. As Sequências Didáticas são os planos de aula que podem ser classificados como pequenos cursos planejados para abordar os conteúdos curriculares (MATOS,1971). Essa estratégia é interessante, pois permite ao professor abordar de maneira diferenciada os conteúdos e com isso trabalhar suas potencialidades.

Para que as Sequências Didáticas sejam utilizadas de modo efetivo, autores como Zabala (1998) salientam que as Sequências Didáticas devem conter um planejamento de aulas programadas e estruturadas. Isso possibilitará que elas sejam implementadas na ordem em que o planejamento foi organizado e devem conter também métodos de avaliação de aprendizagem dos alunos.

Ao estudarmos as dificuldades de alunos público alvo da educação inclusiva que possuem Transtorno do Espectro Autista, percebe-se que devese elaborar Sequências Didáticas de maneira lúdica, pois os alunos que possuem TEA tem grande dificuldades para imaginar coisas que não são palpáveis.

Dessa forma para que o aluno possa entender de maneira positiva o assunto a ser trabalhado, as atividades devem ser lúdicas, com experimentos por exemplo, onde o aluno poderá ver e sentir o fenômeno físico acontecer. Principalmente quando nos referimos ao ensino de ciências, que muitas vezes é ensinado de forma tradicional, somente com teoria e aplicação de fórmulas matemáticas.

- O TEA refere-se a condições que em grande maioria interferem em habilidades como a interação social e pode também ter comportamentos repetitivos, dificuldade ou ausência da fala e da comunicação verbal, podendo ser classificado em diversos espectros que referem-se às variações de graus dentro do TEA (SCHWARTZMAN, 2011).

Tais características do TEA favorecem o isolamento do aluno dentro da sala de aula e em seu convívio social visto que muitas vezes o indivíduo possui dificuldades de interagir com outras pessoas e dificuldades de adaptação a novas rotinas e atividades inesperadas.

Dessa forma, ao pensarmos na inclusão de alunos que possuem TEA tem-se que, tais alunos precisam de uma atividade programada, personalizada, e que tenha como finalidade trabalhar suas potencialidades, para que dessa forma obtenha-se um desenvolvimento mais acessível, tanto para o aluno, como para o docente.

A partir de então, fez-se um estudo sobre os resultados obtidos na aplicação de uma Sequência Didática que foi elaborada para um aluno com Transtorno do Espectro Autista, que ocorreu em aulas exclusivas, realizadas com o intuito de obter desenvolvimento das potencialidades do aluno com práticas pedagógicas diferenciadas.

Posteriormente, com a utilização da Sequência Didática elaborada para o aluno que possui TEA, que foi desenvolvida com o intuito de transmitir conhecimento sobre os astros solares, sendo eles o Sol, a Terra e a Lua, e após, fez-se também o estudo dos outros planetas do sistema solar e de seus movimentos (rotação e translação). E então analisou-se a relevância de práticas pedagógicas que visam trabalhar as dificuldades e potencialidades dos alunos diante da inclusão escolar.

Esse estudo faz-se importante, pois essa pesquisa visa incentivar e apoiar práticas pedagógicas inclusivas e diferenciadas que possuem como objetivo tornar efetivo o ensino em instituições de ensino regulares. Para que dessa forma, o aluno público alvo da educação inclusiva, tenha uma ensino positivo. E também possa-se promover discussões e debates acadêmicos acerca da preparação de futuros professores.

## Metodologia

Ao desenvolver essa pesquisa, notou-se que trata-se de um estudo de caso com caráter qualitativo. O estudo de caso é um método escolhido para compreender acontecimentos contemporâneos, em que não é possível alterar comportamentos relevantes para a pesquisa, analisando as situações em seu contexto real (YIN,2001).

- A investigação possui caráter qualitativo, pois com menciona Ludke, et.al., (1986) ela propicia um contato direto do pesquisador com o ambiente a ser pesquisado, sendo um trabalho desenvolvido em campo, que preocupa-se com a qualidade e entendimento dos fatos acontecidos durante o estudo.

As atividades dessa pesquisa foram realizadas na sede do Núcleo de Estudos em Formação docente, Tecnologias e Inclusão - NEFTI, que funciona dentro da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI. Esse grupo tem como finalidade desenvolver práticas e tecnologias voltadas para a inclusão, em especial, no contexto das ciências. Uma das ações do NEFTI é o projeto Práticas Inclusivas no Ensino de Ciências, que atende alunos público alvo da educação inclusiva matriculados na rede ensino regular.

Dentro do projeto Práticas Inclusivas no ensino de ciências os licenciandos dos cursos Química, Física, Matemática e Ciências Biológicas, participaram ativamente do projeto atuando com 3 alunos público alvo da educação inclusiva.

No projeto Práticas Inclusivas no Ensino de Ciências cada licenciando elaborava e implementava as Sequências Didáticas personalizadas para cada um dos alunos.

Nesse processo, tinha-se o intuito de trabalhar as potencialidades individuais desses estudantes com deficiência. Para o aluno, sujeito desta pesquisa, foi elaborada a Sequência Didática 'Caça Tesouro Planetário' que tinha como objetivo potencializar os conhecimentos sobre o movimento do sistema SolTerra - Lua, sobre o conceito de cores dos elementos Sol, Terra e Lua e estimular coordenação motora fina.

A Sequência Didática foi elaborada e implementada com um aluno que possuía TEA do 4º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública regular de ensino. Para tanto, em um diálogo inicial com o sujeito observou-se que o aluno tinha interesse pela área tecnológica e por tudo que era relacionado com o Pikachu, sendo este um dos personagens do desenho Pokémon. O aluno era sociável, mas possuía rejeição a qualquer solicitação relacionada ao verbo querer, pois para o aluno essa palavra não existe em seu vocabulário, então mesmo não correspondia a nenhuma solicitação que envolvia o verbo 'querer', o aluno também possuía grande rejeição ao toque e, além disso, demonstrava uma pequena defasagem em relação às cores e à coordenação motora fina.

## Desenvolvimento

A primeira atividade da Sequência Didática tinha como objetivo principal potencializar os conhecimentos sobre o movimento do sistema SolTerra- Lua (rotação e translação), sobre as cores, coordenação motora fina e, a partir disso, ensinar porque acontece o dia e a noite.

O recurso utilizado durante essa atividade foi o vídeo da personagem Kika, 'De onde vem o dia e a noite?' Após essa ação, foi realizada a pintura da Imagem 1 que demonstrava os movimentos de rotação e translação. Em seguida, utilizando bolas de isopor, mostrou-se ao aluno o movimento do sistema de rotação e translação com as bolas de isopor que foram pintadas por ele.

Imagem 1: Imagem da página onde encontra-se disponível o vídeo utilizado durante a atividade. Link para acesso: ttps://www.youtube.com/watch?v=Nux\_3PVdo9U

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Além disso, para estimular o interesse do aluno pelo assunto realizouse perguntas como: Você sabe por que temos o dia e noite? Como acontece o movimento da terra em torno do sol? Você sabe como a Lua se move ao redor da terra? Se juntarmos o Sol, a Terra e a Lua, como será o movimento exercido por eles?

Como resultado da primeira atividade observou-se que o desenvolvimento de recursos lúdicos para o aluno público alvo da educação inclusiva que possui Transtorno do Espectro Autista, contribuiu para enriquecimento do conteúdo transmitido, tornando-o interessante e palpável, assim como relata Silva (2009). Pode-se ver pelas Imagem 2 abaixo, que a atividade foi desenvolvida com muita atenção e interesse.

Imagem 2: Aluno realizando a atividade durante o atendimento pedagógico.

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Durante o desenvolvimento da atividade pode-se perceber também que a todo o momento o aluno estava atento aos conceitos ensinados, uma vez que proferiu diversas perguntas com o intuito de aprofundar ainda mais os conhecimentos que estavam sendo trabalhados.

A segunda atividade desenvolvida durante a Sequência Didática teve como objetivo aprimorar o conhecimento sobre os planetas; as cores de cada um dos planetas e também observar se o aluno fazia distinção entre os conceitos de grande e pequeno. Como conteúdo físico teve-se o estudo sobre os planetas e como recurso para ser trabalhado o assunto, utilizou-se uma música e que descrevia cada um dos planetas do sistema solar e suas características principais.

Imagem 3: Imagem da página onde encontra-se disponível a música utilizada durante a atividade. Link para acesso: https://www.youtube.com/watch?v=PDlXpup3ncU

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Como motivação para realização dessa atividade iniciou-se os trabalhos com o aluno a partir do conteúdo estudado na aula anterior, e a partir de então questionou-se o aluno sobre a existência de outros planetas e de suas características. Para isso será fez-se os seguintes questionamentos: Você se recorda sobre o assunto que estudamos na aula anterior? Quais momentos da aula anterior você mais gostou? Você sabe que existem outros planetas além da terra? Quais são os outros planetas?

A partir da segunda atividade pedagógica observou-se que aluno ficou atento a todas as palavras mencionadas na música, e após ouvir a música conversamos sobre as características que foram mencionadas e o aluno acertou cerca de noventa por cento dos questionamentos realizados sobre as caraterísticas dos planetas que foram descritas na canção.

A terceira atividade desenvolvida teve como intuito avaliar o que havia sido ensinado anteriormente e também trabalhar a solidariedade durante jogos, visto que o aluno possui grandes dificuldades de comportamento durante atividades competitivas em que ele não é o vencedor, e também trabalhar a coordenação motora fina e relembrar as cores. Sendo possível verificar também se o conhecimento apresentado nos encontros anteriores havia sido significativo.

Nessa atividade, foi elaborado um jogo de cartas sobre os planetas, relacionando-o com o jogo Pokémon visto que o aluno possuía proximidade com o personagem Pikachu. Neste jogo as cartas comparavam as características dos Pokémon com as dos planetas e a partir do Pokémon encontrado nas cartas o aluno recordava sobre qual planeta estávamos nos referindo.

Uma das informações utilizadas foi a cor do Pokémon, que se correspondia com a mesma cor do planeta correspondente e sua ordem de tamanho. Como resultado dessa atividade, teve-se que a partir da utilização da Sequência Didática o aluno relembrou por que temos o dia e a noite em nosso planeta, o conceito de rotação e translação e as características dos planetas.

## Considerações finais

A partir da Sequência Didática elaborada especificamente para esse aluno, abordando suas potencialidades para trabalhar conteúdos de ciências, percebeuse que essa estratégia didática tem muito a contribuir para inclusão educacional de alunos público alvo da educação especial. Ao longo da implementação da atividade, notou-se também que um dos itens mais importantes é preocupar-se com as potencialidades para que elas sejam trabalhadas durante os encontros.

Percebeu-se também que o aluno conseguiu compreender os conceitos trabalhados que o estimulou a participar de uma competição do município onde estuda, uma vez que foi trabalhado os temas como rotação, translação, e os planetas.

A partir dessa competição, que abordou os mesmos temas trabalhados na Sequência Didática o aluno recebeu uma medalha de honra ao mérito da Prefeitura Municipal de Itajubá-MG por ganhar o primeiro lugar na competição.

Esse resultado mostrou a importância da elaboração de Sequências Didáticas para alunos com TEA, e como a elaboração de metodologias pedagógicas diferenciadas podem despertar o interesse do aluno pelo conteúdo potencializando a aprendizagem.

## Referências

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli EDA. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 1986.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: o que é? por quê? como fazer?. Summus Editorial, 2015.

MATOS, L. A. D. Sumário de Didática Geral. 10. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora, 1971.

SCHWARTZMAN, J. S. Neurobiologia dos transtornos do espectro do autismo. In: SCHWARTZMAN, J. S.; ARAÚJO, C. A. (Org.). Transtornos do espectro do autismo (São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2011. v. 6, p.65-111.

SILVA FIAES, Carla; DIAS BICHARA, Ilka. Brincadeiras de faz-de-conta em crianças autistas: limites e possibilidades numa perspectiva evolucionista. Estudos de psicologia, v. 14, n. 3, 2009.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2.ed. Porto Alegre, Bookman, 2001. 205p.

ZABALA, A. Prática Educativa: como ensinar. Porto Alegre: ARTMED, 1998.

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