INCLUSÃO NA APRENDIZAGEM DE FÍSICA UTILIZANDO TECNOLOGIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE DILATAÇÃO TÉRMICA
Elexlhane Guimaraes Damasceno De Siqueira, Frederico Trindade Teófilo, Queila Da Silva Ferreira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INCLUSÃO NA APRENDIZAGEM DE FÍSICA UTILIZANDO TECNOLOGIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIAS SOBRE DILATAÇÃO TÉRMICA
## Elexlhane Guimaraes Damasceno de Siqueira 1 , Frederico Trindade Teófilo², Queila da Silva Ferreira 3
- 1 Mestranda do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física/ Departamento de Física de JiParaná/ Universidade Federal de Rondônia - UNIR, e-mail: elexguimaraes@gmail.com
- 2 Mestrando do Mestrado Profissional em Ensino de Física/ Departamento de Física de Ji-Paraná/ Universidade Federal de Rondônia - UNIR, e-mail: fredteofilo@yahoo.com.br
- 3 Professora Dra. do Departamento de Física de Jí-Paraná/Universidade Federal de Rondônia/ email:queila.ferreira@unir.br
## Resumo
A aprendizagem de ciências e a inclusão são um dos temas que precisa mobilizar professores, orientadores, supervisores e pais de alunos inseridos em diversas escolas brasileiras e de contextos distintos, sendo que são vários fatores que acarretam a defasagem na aprendizagem dos estudantes. Ao verificar as prováveis motivações para se aprender física e, no intuito de apontar algumas soluções para melhorias desta formação de conhecimento, faz-se necessário utilizarmos de estratégias que despertem a curiosidade e o desejo de compreender o mundo. Nessa vertente podemos recorrer a teoria de aprendizagem de Jerome Bruner, que propõe o currículo em espiral, visando revisitar os conceitos e valorizar o processo da descoberta dirigida, detalhes que aplicados ao ensino de física promoverá melhorias. Propomos neste trabalho, o uso de experimentação e aplicação prática do conteúdo, aliada à utilização de tecnologias. Considerando que essa busca pela compreensão pode ser feita de maneira diversificada que proporcione inclusão no ensino, tratamos a aprendizagem sobre dilatação térmica, onde os discentes, divididos em equipes de até quatro integrantes providenciaram a construção de vídeos, com até quatro minutos de duração, de experimentos práticos com materiais de baixo custo, com títulos diversificados, demonstrando a teoria e a comprovação da dilatação térmica na prática; posteriormente ocorre à socialização dos trabalhos a outros grupos, uma vez que os títulos devem ser diferentes e que devam conter a linguagem de sinais, proporcionando aos surdos a aprendizagem destes conceitos. A atividade sendo feita no âmbito familiar, proporciona que estes questionem, por exemplo, se realmente, ao aquecer uma tampa de latão, isto facilitaria a abertura desta que estava tampando um pote de vidro, resultando numa aprendizagem compartilhada. O objetivo deste artigo é relatar que, ao final da atividade pôde-se verificar que aliar a atividade prática aos conceitos de física tornou estes mais compreensíveis e que a utilização das mídias para socialização instigou a aprendizagem, além de promover a inclusão ao se utilizar LIBRAS.
Palavras-chave : Inclusão. Tecnologias. Experimentação. Ensino. Física. Dilatação Térmica.
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## Introdução
- O aprendizado em Ciências da Natureza é um tema que precisa ser debatido pelos envolvidos no processo educacional de diversas escolas brasileiras inseridas em contextos distintos.
Muitos atribuem a culpa pela não aprendizagem desta ao desinteresse do aluno, outros acabam por atribuir a responsabilidade aos professores e a estrutura do ambiente escolar. Entendemos que estas posições devem ser revistas, uma vez que há um conjunto de fatores que contribuem para desencadeamento da não aprendizagem. Coll et al (2004, p.133) aponta que há quatro condições que conduzem a não aprendizagem: 'a incompreensão da tarefa, a falta de interesse, a falta de autonomia e o sentimento de incompetência'.
Para fomentar essa aprendizagem é necessário recorremos a meios que a tornem prazerosa, como por exemplo a utilização de tecnologias, tais que os discentes já utilizam em seu cotidiano.
Pretto (2005, p. 127) defende que:
'Observar o comportamento dos jovens em idade escolar, já criados numa convivência íntima com os videogames, televisões e computadores, pode ser significativo para entender, por um lado, algumas das razões do fracasso da escola atual e, por outro, alguns elementos para uma possível superação desse fracasso.'
Se de maneira geral a educação já tem muitos percalços, quanto mais terá a educação inclusiva, entre estas se dá a necessidade da utilização da língua brasileira de sinais, a qual pode ser inserida em um vídeo, que posteriormente será levado a sala de aula.
Em uma perspectiva de inclusão, Moreno (2009) ao mencionar Kunc (1992) salienta que a educação inclusiva é um princípio essencial e deve ser valorizada sob o aspecto da diversidade e humanidade. A partir do momento que a inclusão é adotada por uma comunidade, as crianças nela inseridas não têm distinção.
Nesse sentido o papel da escola inclusiva não é o de apenas inserir o aluno com necessidades especiais dentro do ensino regular, é preciso que haja a valorização dessas diversidades bem como um atendimento adequado, permitindo a esse aluno o acesso às informações necessárias para o seu desenvolvimento cognitivo.
Bruner argumenta que a aprendizagem é progressiva, devendo os conceitos serem revisitados, segue a ideia de currículo em espiral, propõe a descoberta dirigida e enfatiza que os roteiros de experimentação não devem ser fechados e nem completamente abertos.
- O currículo em espiral, conforme Coelho e Borges (2006, p.2) é exemplificado '[...]quando os estudantes fazem um 'passeio' por todos os conteúdos com diferentes níveis de complexidade em cada série', ou seja o aprendiz trabalha sobre o mesmo assunto mais de uma vez, sempre modificando o tipo de revisão periódica, apresentando revisitas a conceitos e atividades já lecionados apresentando o conteúdo de maneira que aumente sempre o grau de profundidade, para Bruner (2006, p. 80) 'Um currículo, em resumo, tem que conter muitos caminhos que levam ao mesmo objetivo geral'. Utilizar mídias eletrônicas para construção de vídeos produzidos no seio familiar, contendo experimentações com
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materiais de baixo custo, pode instigar a aprendizagem, e revisitar teoria exposta em sala de aula, e anexando-se a estes a língua brasileira de sinais para posterior compartilhamento, permitindo dessa forma, a inclusão. Pereira (2008) declara que ao se utilizar vídeos didáticos específicos de determinado conteúdo, pode-se alcançar uma aprendizagem eficiente, pois otimiza tempo e espaço.
Este trabalho discrimina um relato de experiências sobre dilatação térmica. De acordo com o descrito por Guimarães (2013; p. 22) 'A dilatação térmica estuda as variações no comprimento de uma barra, na área de uma placa, no volume de um líquido, ou em outra grandeza qualquer provocada por variações de temperatura'. O autor ainda cita aplicações no cotidiano ao explicar que essa é a causa das folgas nas calçadas, nas construções, nos trilhos de uma ferrovia, enfatizando também o uso de materiais de coeficientes de dilatação diferentes na construção de contatos elétricos automáticos como o que se observa nas lâminas bimetálicas, e a utilização de matérias com o mesmo coeficiente de dilatação em estruturas sujeitas a muitas variações térmicas, como o amálgama, material que era usado nas obturações dentárias.
Materiais alternativos, os conhecidos materiais de baixo custo, são boas opções para trabalhar ciências nas escolas. Para Gonçalves e Marques (2006, p. 229) 'Uma finalidade que apareceu para os experimentos com materiais alternativos, para além da superação das dificuldades materiais, foi a possibilidade deles se aproximarem do cotidiano dos alunos'.
A experimentação é uma atividade imprescindível no ramo da Física. Alberto Gaspar cita que :
A atividade de demonstração experimental em sala de aula, particularmente quando relacionada a conteúdos de Física, apesar de fundamentar-se em conceitos científicos, formais e abstratos, tem por singularidade própria a ênfase no elemento real, no que é diretamente observável e, sobretudo, na possibilidade simular no micro-cosmo formal da sala de aula a realidade informal vivida pela criança no seu mundo exterior. (GASPAR, 2016, p.232)
Este trabalho relata experiências que os alunos realizaram em casa, gravando vídeos das experiências. Dessa forma os alunos promoveram um meio de divulgação dos experimentos.
## Objetivos
- Possibilitar aos discentes a compreensão sobre conteúdos de física utilizando tecnologias, considerando ser isto uma das prováveis soluções para melhoria das aulas de Ciências da Natureza.
- Propor estratégias de ensino que tenham como recursos didáticos, tecnologias para o ensino de Ciências e da Física.
- Aliar o gosto dos alunos pelas tecnologias à ciência, buscando dessa forma, alternativas para melhor compreensão do assunto estudado em aula.
- Mostrar a importância em se utilizar roteiros didáticos para experiências, utilizando-se de materiais de baixo custo e com
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instrumentos tecnológicos que possam atender aos inclusos, visando conquistar uma aprendizagem mais abrangente.
- Produzir reflexões nos alunos sobre a importância e aplicabilidade da física, ao protagonizarem os vídeos contendo experimentos de Física.
## Metodologia
Foram ministradas aulas de Física aos alunos do segundo ano do Ensino Médio numa Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Rondônia no município de Rolim de Moura. Nesta foram trabalhadas com os alunos explicações sobre dilatação térmica, conteúdo requisitado pelo currículo vigente, após foi solicitado que os mesmos produzissem vídeos demonstrando esta explicação na prática, associando ao cotidiano e utilizando algumas tecnologias para reprodução destes.
No total de dez encontros de uma hora/aula na disciplina de Física os alunos tiveram explicações sobre dilatação térmica, conteúdo contemplado pelo currículo vigente, com aula expositiva e realização de cálculos sobre dilatação e contração linear, superficial e volumétrica.
Num momento seguinte acessaram a internet para visualizar maiores explicações e demonstrações do assunto estudado, no intuito de fomentar o conhecimento sobre o conteúdo requisitado.
Os discentes foram divididos em equipes de até quatro integrantes para construção de vídeos de experimentos práticos, com materiais de baixo custo com os seguintes títulos: a dilatação da moeda de um real, dilatação na lata de conserva, parafuso aquecido, esfera aquecida, cadeado, moeda no isopor, vidro pirex e vidro comum, enchendo balões e barra bimetálica.
Após o sorteio do título eles produziram um vídeo, como atividade extraclasse, contendo título do experimento, nome dos alunos, explicação teórica, cálculos e experimentação prática, esses dados poderiam ser falados ou digitalizados, deveria ter duração de até quatro minutos.
A construção desses vídeos se deu na casa dos discentes, com, na maioria das vezes, intervenção familiar, onde realizaram a experiência utilizando algo que pudesse aquecer o material utilizado provocando a dilatação, anexando ao vídeo a teoria que justifica o experimento e explica o resultado alcançado, adicionando a estes a linguagem de sinais para promoção da inclusão. Coll et al (2004 p.185) aponta que o ambiente familiar exerce um papel importante para o desenvolvimento do aluno surdo: a comunicação. Dessa forma, atividades de extensão (da escola para casa) surtem muito efeito para esses alunos.
Posteriormente os vídeos foram compartilhados e apresentados na sala de aula. Por serem atividades com diferentes temas, a socialização dos trabalhos a outros grupos fez-se necessária e interessante, pois observaram a aplicação da teoria sobre dilatação em diversos âmbitos.
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## Resultados obtidos
Mediante o uso de vídeos, os alunos declararam ter entendido melhor os fenômenos envolvidos. Afirmaram ainda que, ao se utilizar meios tecnológicos para demonstração de conteúdos sobre dilatação térmica ou mesmo outros possíveis conteúdos, a aprendizagem sobre o assunto é mais eficiente.
Cabe mencionar a qui o que diz Bizzo (2001; p.25) 'O conhecimento científico busca afirmações generalizáveis, que possam ser aplicadas a diferentes situações' assim a aplicação desta metodologia promoveu aplicações práticas como baseadas no livro supracitado e em outras aplicações cotidianas. Além de comprovarem a teoria, difundida pelo livro didático, os alunos indagaram sobre acontecimentos cotidianos que podem ser explicados com conceitos físicos, através da utilização do experimento com material de baixo custo.
Foi possível observar que, os alunos envolvidos que filmaram a realização destas experimentações, demonstraram que é possível interpretar a aprendizagem de ciência como uma maneira de compreender fatos que ocorrem na sociedade, no que tange ao conteúdo citado.
Vale enfatizar que um dos pais que observou a atividade realizada extraclasse, citou que não imaginava que se ocorria daquela maneira em que foi demonstrada na experimentação, além de ser notado no desenvolvimento da atividade o emprego de nomes e fórmulas científicas, e também a utilização de tecnologias de maneira que proporcionou o aprendizado.
A utilização da tecnologia permitiu o acesso dos docentes na construção dos vídeos, intervindo com correções necessárias antes de ser socializado.
Quanto aos alunos inclusos, estes manifestaram uma melhor compreensão dos conteúdos, além de se sentirem de fato incluídos na aprendizagem.
## Considerações finais
Foi possível constatar que, utilizar vídeos caseiros de experimentos de Física, pode contribuir significativamente na aprendizagem das ciências, pois os alunos realizam as experiências várias vezes, até chegar a um 'produto de qualidade', que possa ser gravado. O conteúdo aplicado ao cotidiano leva os alunos a observarem a utilidade dos conceitos das ciências, e a utilização de tecnologias é parte do cotidiano destes, podendo ser utilizados esses meios para fins educativos.
Os alunos envolvidos em todo o processo da experiência apresentaram maior receptividade ao conteúdo de dilatação térmica e demonstraram compreender os conceitos básicos do conteúdo.
Quanto à atuação dos professores no que tange à utilização de recursos no ensino e aprendizagem, esta pode ser aprimorada buscando-se recursos, métodos, roteiros de atividades, a fim de viabilizar o ensino, resultando numa sociedade com boa formação.
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A utilização desse tipo de vídeo é abrangente a outras disciplinas promovendo a inclusão ao utilizarem a linguagem brasileira de sinais e a inserção familiar, quando promovem por exemplo gravações de experiências familiares correlacionadas ao assunto abordado em sala de aula.
## Referências
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