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A COSMOLOGIA VOLTADA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA, CONTRIBUINDO PARA A POPULARIZAÇÃO DA ASTRONOMIA.

Brenda Pinheiro Carneiro, Milton Souza Ribeiro Miltão

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A COSMOLOGIA VOLTADA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA, CONTRIBUINDO PARA A POPULARIZAÇÃO DA ASTRONOMIA

Brenda Pinheiro Carneiro¹, Milton Souza Ribeiro Miltão 2

- 1 Universidade Estadual de Feira de Santana - DFÍS, brendapinheiroc@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Feira de Santana - DFÍS, miltaaao@gmail.com

## Resumo

Desde os primórdios da existência humana, nós, seres humanos tentamos responder algumas perguntas: 'de onde viemos?', 'houve um início de tudo?', 'como surgiu o Universo?', 'o Universo surgiu do nada, ou houve um criador?'. Na busca por explicações, o ser humano desenvolveu dezenas de teorias que vão das mais científicas à menos científicas. Ao observarmos ao longo da evolução, podemos perceber como nossa ideia de Universo e a forma como explicamos sua origem também evolui. O objetivo do trabalho é conseguir perceber as diferenças e semelhanças entre as cosmogonias de diferentes povos e introduzir o modelo científico de formação de Universo, dialogando com a comunidade para identificar sua cosmogonia e depois estudar as principais cosmogonias (chinesa, egípcia, grega, hebraica, indígena). Essa troca de conhecimentos, através do diálogo, possibilitará obter resultados que nos levam a acreditar que a comunidade esteja cada vez mais crítica e participativa na construção do conhecimento obtido, pois através da extensão esse conhecimento estará mais acessível.

Palavras-chave : Cosmogonias, Universo, Astronomia, Extensão

## Introdução

As primeiras concepções sobre a origem do Universo eram de natureza mística ou religiosa, e somente com os primeiros filósofos gregos, essa visão mística foi sendo substituída pela filosófica, e mais tarde pela científica. Esses mitos, chamados de cosmogonias, podem ser considerados a Física dos nossos antepassados. Todas as civilizações antigas tinham cosmogonias para tentar responder essas questões.

A origem do Universo ainda está cercada por polêmica e controvérsia e as principais cosmogonias de várias culturas do mundo apresentam versões que variam entre si, mas fundamentalmente descrevem o surgimento da Terra e do Universo como uma manifestação sobrenatural, sendo possível encontrar pontos em comum, buscando responder as principais perguntas feitas desde os primórdios.

Começaremos pela cosmogonia chinesa, depois pela egípcia, grega, indígena, hebraica até a cosmologia, buscando destacar as principais semelhanças e diferenças entre elas, e respondendo se a cosmogonia e a cosmologia têm algo em comum.

Esse trabalho consiste em ouvir a comunidade visitada sobre suas visões acerca dos conceitos da Física, então a discussão sobre a origem e expansão do Universo possibilitará inserir o modelo científico para origem do Universo, tendo

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como referenciais teóricos o conceito de extensão, o processo de ensino aprendizagem e o conceito de Cosmologia.

Desta forma, se constitui em um trabalho de extensão universitária onde buscaremos, através de uma pesquisa-ação (LAKATOS e MARCONI, 1991) ouvir a visão mágica das comunidades visitadas, para compreendermos suas visões acerca dos conceitos da Física, objetivando uma discussão sobre a origem e expansão do Universo, possibilitando inserir o modelo científico para origem do Universo. Essa troca de conhecimentos, através do diálogo, possibilitará obter resultados que nos levam a acreditar que a comunidade esteja cada vez mais crítica e participativa na construção do conhecimento obtido, pois através da extensão esse conhecimento estará mais acessível. Além do diálogo com a comunidade em questão, utilizaremos outras formas de atividades do tipo: experimentação, seminário, palestras, oficinas entre outros.

Como temos uma atividade de extensão, assumimos o conceito de extensão como ' uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica que encontrará, na sociedade, a oportunidade da elaboração da práxis de um Conhecimento acadêmico; no retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele Conhecimento ' (UNB, 1989).

Desta forma, o objetivo do trabalho será conseguir perceber as diferenças e semelhanças entre as cosmogonias de diferentes povos e introduzir o modelo científico de formação de Universo, e para tanto, buscaremos dialogar com a comunidade para identificar sua cosmogonia, bem como estudar as principais cosmogonias (chinesa, egípcia, grega, indígena, hebraica).

## Considerações teóricas

Neste trabalho estaremos nos inserindo no denominado Problema Cosmológico/Cosmogônico, um dos problemas filosóficos que se ocupa da constituição essencial das coisas materiais, de sua origem e de seu devir.

Em termos deste problema filosófico, assumimos que a ' origem do mundo exterior, isto é, constituição íntima da matéria e natureza da vida ' (CRUZ, 1940, p. 553), relativas ao caráter cosmológico do que se quer conhecer, e que ' foi um dos primeiros [problemas] que a mente humana se colocou ' (MONDIN, 1987, p. 46), se estabelece como segue: ' tenta-se resolver... não só as questões que dizem respeito à existência, origem, constituição interna e essência da matéria, como também as que se referem ao princípio da vida ' (CRUZ, 1940, p. 569).

Nesse sentido, tem-se:

- · o Mecanismo que ' é a doutrina que faz consistir a natureza íntima da matéria exclusivamente no movimento. [Sendo] a matéria [um] composto de átomos, os quais se caracterizam por serem imutáveis, indivisíveis e inextinguíveis [i.e.] a matéria é extensão ';
- · o Dinamismo que é a ' doutrina filosófica que admite como única realidade substancial a força, reduzindo assim a matéria a um centro inextenso de força '; e

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· o Hilemorfismo que é a doutrina ' que explica não a natureza da matéria, mas as suas propriedades essenciais pela extensão e pela força simultaneamente e indissoluvelmente ligadas.... [A matéria] é força e extensão simultânea e necessariamente unidas, com a diferença de que não traduzem a natureza da matéria, porém, as suas propriedades essenciais ' (CRUZ, 1940, p. 572-575). Observemos que

uma vez que essas propriedades apresentam caracteres opostos (força = unidade, atividade; extensão = pluralidade, passividade), é necessário buscar dois princípios constitutivos da matéria, distintos entre si, embora indissoluvelmente unidos na unidade da substancia.

São eles: a matéria prima , princípio da quantidade e de todas as outras propriedades geométricas dos corpos; e a forma substancial , princípio da qualidade e de todas as outras propriedades dinâmicas dos corpos. (CRUZ, 1940, p. 576).

No aspecto da abordagem de ensino-aprendizagem, para garantir um diálogo com as comunidades consideraremos que a Educação como um fenômeno social (PEREIRA e FORACCHI, 1987), não é para a sociedade senão o meio pelo qual ela prepara, no íntimo dos seres, as condições essenciais da própria existência, ou seja, ela cria no indivíduo um ser novo, um ser social. E este novo indivíduo - o transformado, reflexivo, critico, politizado e aculturado - é capaz de transformar a sociedade no qual está inserido socializando seus saberes adquiridos e fazendo a diferença na sociedade local. Assim sendo, o ato de educar pressupõe a interação, i.e., uma ação recíproca entre o educador e o educando. Para que essa interação ocorra deve existir, entre as partes, uma ligação, uma passagem, uma convivência, ou seja, deve existir uma comunicação entre o educador e o educando que é o que pretendemos examinar nessa seção.

Consequentemente, assumiremos, primeiro a natureza da atividade de extensão e sua intima relação com a atividade de ensino, consoante com a indissociabilidade com a pesquisa, e segundo (FREIRE, 2001; MIZUKAMI, 1986), as concepções pedagógicas relacional e de ação cultural da atividade de ensino, em harmonia com as teorias epistemológicas construtivista e dialógica, subjacentes ao processo de ensino-aprendizagem, para possibilitar o diálogo com as comunidades visitadas.

Desta forma, o diálogo com o público e o estudo bibliográfico serão os principais caminhos, onde iremos dialogar com o público, com o objetivo é conhecer a visão deles acerca de como o Universo surgiu e como ele evoluiu, e a partir disso desenvolver atividades de acordo com as necessidades percebidas durante essas conversas. Viagens de campo serão feitas para que esse diálogo com as comunidades aconteça, além da utilização de telescópico para observações do céu e exposição de alguns experimentos numa feira de ciências nas comunidades, onde alguns experimentos relacionados à Astrofísica serão inseridos e uma peça teatral que também contará com elementos de Astrofísica. Todas estas atividades já começaram a ser realizadas em algumas comunidades e já foi percebido que o interesse das pessoas é maior quando estas são apresentadas.

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## Considerações Finais

Neste trabalho objetivamos conseguir perceber as diferenças e semelhanças entre as cosmogonias de diferentes povos e introduzir o modelo científico de formação de Universo, através de diálogo com as comunidades visitadas para identificar suas possíveis cosmogonias, apresentando as principais cosmogonias existentes (chinesa, egípcia, grega, indígena, hebraica).

- O trabalho está no início e até o momento desenvolvemos estudos sobre as cosmogonias antigas e já participamos de duas viagens de campo em duas comunidades do estado da Bahia em Siribinha e Goiabeira. Em tais comunidades iniciamos o diálogo, cujos resultados estão sob análise, através de observações astronômicas e apresentação de peça teatral e feira de ciências (com apresentação de fenômenos físicos).

Nas observações astronômicas o telescópio foi montado para que a Lua fosse observado com o objetivo de atrair a comunidade e foi perceptível um interesse grande destes, além de possibilitar um aproximação e um diálogo com adultos e crianças.

Na feira de ciências apresentou-se vários experimentos (ótica, mecânica, eletromagnetismo) cujo objetivo foi atrair a comunidade, o que possibilitou uma proximidade maior com diálogo.

Na peça teatral apresentou-se uma peça cujo roteiro versava sobre física e sociedade, de forma lúdica, onde a linguagem se adequava, no mais possível com o dia-a-dia das comunidades.

Os próximos passos serão retornar a estas comunidades para apresentar nossas ponderações advindas de nossa atual análise, bem como, através de seminários e palestras, dialogarmos sobre a cosmologia.

## Referências

Área de Física da UEFS. Projeto do Departamento de Física da UEFS. PUBLIFIS Publicações da Área de Física, Feira de Santana - BA 1998.

ASSIS E PESSOA. "Experimento do Balde e Espaço Absoluto: O espaço e o tempo são absolutos ou relativos?". Filosofia da Física Clássica cap. IV. USP, 2006.

Landau, L. e Lifshitz, E. Teoria do Campo. Moscow: Mir, 1967.

CRUZ, Estevão. Compêndio de Filosofia. Porto Alegre: Edição da Livraria do Globo, 1940.

FREIRE, P. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

LAKATOS, E. M. e MARCONI, M. A. Método científico. São Paulo: Editora Atlas S.A. 1991.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as Abordagens do Processo. EPU, São Paulo - SP, 1986.

MONDIN, B. Introdução à Filosofia. São Paulo: Edições Paulinas, 1987.

NEWTON, I. 'Princípios Matemáticos da Filosofia Natural'. Coleção Os Pensadores, Editora Abril Cultural, 1983.

PEREIRA, L. e FORACCHI, M. M (Org.), Educação e Sociedade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1987.

Rocha, J. F. M. (2002) (org). Origens e evoluções das ideias da física. Salvador: EDUFBA.

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Pires, A. S. T. Evolução das ideias da Física, 2ª Ed. (Livraria da Física, São Paulo, 2008).

UNB. Extensão - a universidade construindo saber e cidadania. Documento final do I Encontro de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Brasileiras (1987) Brasília, 1989.

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