OS RECURSOS DIGITAIS PRESENTES NOS TRABALHOS SOBRE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL EM ASTRONOMIA PUBLICADOS NOS SIMPÓSIOS NACIONAIS DE ENSINO DE FÍSICA
Leandro Donizete Moraes, Ismar Frango Silveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OS RECURSOS DIGITAIS PRESENTES NOS TRABALHOS SOBRE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL EM ASTRONOMIA PUBLICADOS NOS SIMPÓSIOS NACIONAIS DE ENSINO DE FÍSICA
Leandro Donizete Moraes¹, Ismar Frango Silveira¹
1 UNICSUL/Universidade Cruzeiro do Sul, profleandromoraes@hotmail.com ¹UNICSUL/Universidade Cruzeiro do Sul, ismarfrango@gmail.com
## Resumo
A utilização de recursos didáticos para o ensino de Astronomia permite que os conceitos e fenômenos astronômicos sejam explicados de maneira diversificada, podendo contribuir para um ensino mais significativo. Com o avanço da tecnologia, os recursos digitais também ganharam espaço na educação. Neste trabalho é apresentada a análise de uma pesquisa nas atas do Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) sobre a utilização de recursos digitais na educação não formal em Astronomia. O objetivo desta pesquisa foi identificar quais são os principais recursos didáticos e digitais utilizados na educação não formal em Astronomia presentes nos trabalhos apresentados em painéis e comunicações orais do SNEF e as tendências do uso destes recursos durante a história deste simpósio. Sendo assim, foram analisadas as atas disponíveis do SNEF de 1970 até 2017, identificando 153 comunicações orais e 200 painéis sobre educação em Astronomia. Dos 353 trabalhos, 71 (20,1%) se referem à educação não formal em Astronomia. Como recursos didáticos utilizados na educação não formal em Astronomia, as observações astronômicas a olho nu estiveram presentes em 31 trabalhos (43,7%), o uso de questionários em 18 trabalhos (25,4%) (a mesma quantidade foi apresentada ao recurso debates) e a construção de instrumentos astronômicos em 16 trabalhos (22,5%). Os recursos digitais foram apresentados em menor escala, sendo que a utilização de softwares esteve presente em 8 trabalhos (11,3%) e o uso de sites em 1 trabalho (1,4%). Dentre as conclusões, a observação a olho nu foi o recurso didático mais utilizado, mostrando que a observação a olho nu ainda é um recurso bastante presente nos ambientes de educação não formal. Além disso, atividades práticas, como a construção de instrumentos astronômicos foram utilizadas com maior frequência. O mesmo não ocorreu com os recursos digitais, mostrando que houve pouca utilização dos potenciais da tecnologia nos trabalhos analisados.
Palavras-chave : Educação não formal, recursos digitais, ensino de Astronomia.
## Introdução
A incessante busca por respostas sobre os mistérios do Universo e de fenômenos que ocorrem nos céus impulsionam a criatividade e a curiosidade do homem. Os mitos sobre a ocorrência de fenômenos astronômicos conseguiram chamar a atenção de grande parte da humanidade. Porém, com o desenvolvimento da Ciência, a análise sistemática da natureza foi mudando a percepção do homem sobre o que ocorre ao seu redor. Nestas mudanças, a Astronomia ganhou espaço, tornando-se importante para a evolução humana, como em pesquisas científicas e o desenvolvimento tecnológico, por exemplo.
Embora a Astronomia apresente respostas a vários fenômenos, como a causa das estações do ano, fases da Lua e eclipses, muitas pessoas aprendem e/ou
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ensinam esta ciência de modo equivocado. Langhi (2011) apresenta um catálogo sobre as chamadas concepções alternativas que, segundo este autor, são ideias do senso comum. Ao analisar este catálogo, Langui conclui que é necessário um esforço nacional para a correta aprendizagem dos conceitos astronômicos.
Diante dos problemas da educação em Astronomia, várias pesquisas brasileiras analisam e buscam soluções para o ensino desta ciência. Dentre estas pesquisas, Bisch (1998) usou a expressão 'ensino livresco' para se referir ao modo como os professores ensinam Astronomia e Camino (1995) analisou as concepções alternativas de professores sobre a duração do dia e da noite.
Sobre os tipos de educação, Marandino (2004) reconhece que existe uma falta de consenso nas literaturas nacionais e internacionais a respeito das definições de educação formal, não formal e informal. Sobre a educação formal, Langhi e Nardi (2010) entendem que é o tipo de educação que ocorre em ambientes escolares com um conhecimento sistematizado, organizado e estruturado. Para Marques (2017) a educação não formal também é um tipo de educação sistemática e organizada, porém é mais flexível, quanto ao tempo necessário para a aprendizagem e aos locais onde pode ocorrer, como em museus, planetários, dentre outros. Sobre a educação informal, Van Noy et al (2016) também analisam a falta de consenso entre especialistas e explicam que a educação informal ocorre ao longo da vida, durante o trabalho ou em serviços voluntários, por exemplo.
Neste trabalho, será dado destaque à educação não formal em Astronomia, utilizando-se da definição dada, no parágrafo anterior, por Marques (2017), na qual este tipo de educação é realizado de forma flexível e em locais como, por exemplo, planetários, observatórios, feiras de ciências, museus, parques, dentre outros.
Para esta pesquisa foram analisadas as atas disponíveis dos Simpósios Nacionais de Ensino de Física (SNEF), selecionando os trabalhos apresentados em painéis e comunicações orais cujo tema foi educação não formal em Astronomia. Após a seleção destes trabalhos, foram analisados os recursos didáticos e os recursos digitais utilizados para a educação não formal em Astronomia, mostrando tendências sobre esta temática que serão abordadas nas próximas seções.
## A pesquisa
O Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) é um importante evento nacional que reúne vários pesquisadores, professores da educação básica e superior, alunos de graduação e pós-graduação e demais interessados para discutir temas referentes ao ensino de Física. Durante sua história, que foi iniciada em 1970, os estudos sobre a educação em Astronomia foram ganhando destaque, mostrando que esta área está evoluindo no país, como a presente pesquisa irá apresentar.
Algumas pesquisas analisaram os trabalhos sobre o ensino de Astronomia apresentados no Simpósio Nacional de Ensino de Física. Dentre elas, Castro (2009) fez um levantamento sobre os temas de estudo de Astronomia nos trabalhos apresentados no SNEF entre 1993 e 2007. Buscando contribuir para a área de ensino de Astronomia, fizemos uma pesquisa de estado da arte a respeito dos recursos digitais utilizados para a educação não formal em Astronomia presentes nos painéis e comunicações orais apresentados no SNEF de 1970 (I SNEF) até 2017 (XXII SNEF). Esta pesquisa foi feita através do estado da arte pois, segundo
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Ferreira (2002), apresenta uma pesquisa bibliográfica, que mapeia e analisa a produção acadêmica no campo de pesquisa de interesse.
## Desenvolvimento da pesquisa
No item 'Memória' 1 do site da Sociedade Brasileira de Física (SBF), são disponibilizadas quase todas as atas do SNEF, exceto as atas do IV e do VIII SNEF. Além disso, as atas do I SNEF e do II SNEF não apresentaram trabalhos em painéis e comunicações orais e as atas do XIV SNEF não apresentaram os resumos ou trabalhos completos. Sendo assim, nossa pesquisa foi feita com as dezessete atas restantes do SNEF, pois foram excluídas as atas do I, II, IV, VIII e XIV SNEF.
Nossa primeira análise foi feita nos resumos e trabalhos completos das comunicações orais e painéis apresentados nas atas analisadas do SNEF que se referiam à educação em Astronomia. Esta análise resultou em 153 comunicações orais e 200 painéis, resultando em 353 trabalhos sobre educação em Astronomia.
A segunda análise selecionou os trabalhos que se referiam à educação não formal em Astronomia. Esta análise resultou em 26 comunicações orais e 45 painéis, totalizando 71 trabalhos que tratavam de educação não formal em Astronomia.
Por fim, analisamos os recursos didáticos utilizados em cada um dos 71 trabalhos sobre educação não formal em Astronomia identificados na segunda análise. Além da análise dos resumos, também foi necessário analisar os trabalhos completos (quando disponíveis), pois muitos recursos não eram apresentados no resumo. Ao analisar os recursos didáticos, em geral, obtivemos também os dados referentes aos recursos digitais utilizados. A análise desta última etapa é explicitada nas próximas seções.
## Resultados e Discussões
## 1. Trabalhos apresentados no SNEF referentes à educação em Astronomia e à educação não formal em Astronomia
Foram identificados 200 painéis e 153 comunicações orais que abordaram a temática da educação em Astronomia nas atas do SNEF analisadas em nossa pesquisa. Deste total de 353 trabalhos, identificamos 45 painéis e 26 comunicações orais que tratam especificamente da educação não formal em Astronomia.
Ao analisar os trabalhos sobre educação em Astronomia, das 153 comunicações orais, apenas 26 (17%) se referem a pesquisas sobre educação não formal em Astronomia. Em relação aos painéis, dos 200 painéis sobre educação em Astronomia, apenas 45 (22,5%) se referem a pesquisas sobre educação não formal em Astronomia. No total, dos 353 trabalhos, os 71 trabalhos sobre educação não formal em Astronomia correspondem a 20,1% de todos os trabalhos analisados.
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No quadro 01 são apresentados os resultados da análise dos trabalhos sobre educação em Astronomia e a comparação com a quantidade de trabalhos sobre educação não formal em Astronomia:
Quadro 01: Comunicações orais e painéis sobre educação em Astronomia e educação não formal em Astronomia no SNEF
Observamos que a produção em educação em Astronomia cresceu, principalmente a partir do início do século XXI. Ao analisar a última coluna do quadro 1, observa-se que a produção em educação não formal em Astronomia não apresenta uma regularidade de crescimento e, mesmo o período entre o XV SNEF (2003) e o XXII SNEF (2017), ao qual houve um crescimento da produção em educação em Astronomia, o mesmo não ocorreu claramente para a educação não formal em Astronomia.
## 2. Recursos didáticos e recursos digitais presentes nos trabalhos sobre educação não formal em Astronomia no SNEF
Para analisar os recursos didáticos e recursos digitais utilizados nas comunicações orais e painéis que possuem como temática a educação não formal em Astronomia, foram analisados os resumos e os trabalhos completos (quando disponíveis) de todos os 71 trabalhos selecionados na segunda etapa.
No quadro 2 são apresentados, nas quatro primeiras colunas, os recursos didáticos e a quantidade de trabalhos que fazem referência a eles. Os recursos digitais são apresentados nas duas últimas colunas.
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Quadro 02: Os recursos didáticos e recursos digitais presentes nos trabalhos sobre educação não formal em Astronomia no SNEF.
- O recurso didático observações a olho nu foi relatado em 31 trabalhos, sendo o recurso mais utilizado nos trabalhos analisados.
- O recurso debates está associado a debates, propriamente ditos, e a discussões com os participantes de determinada sessão de planetário, observatório, dentre outros. Este recurso foi relatado em 18 trabalhos.
- O recurso questionários foi relatado em 18 trabalhos. Muitos destes trabalhos iniciaram suas atividades com a aplicação de um questionário para analisar os conhecimentos prévios dos participantes em relação à Astronomia.
- O recurso construções se refere à construção de instrumentos astronômicos pelos próprios participantes, modelos planetários, dentre outros. Este recurso foi apresentado em 16 trabalhos e o recurso palestras foi relatado em 14 trabalhos.
- O recurso experimentos se difere de construções por não exigir do participante a construção do experimento, pois estes já estavam prontos. Dentre os experimentos, estão medições de sombras e análise de eclipses com determinados aparelhos prontos, por exemplo. Este recurso foi apresentado em 11 trabalhos. O recurso visitas também foi relatado em 11 trabalhos.
Os demais recursos didáticos, que não utilizaram recursos digitais, foram relatados em menos trabalhos. Embora vivemos na era tecnológica, o uso de
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imagens, leituras, oficinas, utilização de instrumentos astronômicos, desenhos, escritas, painéis, cálculos, dentre outros, se mostra muito presente.
Sobre os recursos digitais utilizados, o uso de vídeos foi relatado em 10 trabalhos, softwares e slides em 8 e simulações em 7 trabalhos. O principal software utilizado foi o Stellarium , que, segundo Longhini e Menezes (2010), simula o que podemos ver no céu a olho nu ou com o uso de instrumentos astronômicos.
Os demais recursos digitais foram relatados em menos trabalhos. Os recursos tecnológicos disponíveis para os participantes da educação não formal em Astronomia ainda não são utilizados em grande parte dos trabalhos analisados, mesmo naqueles mais atuais. Embora o uso de simulações e de softwares, como o Stellarium , contribuem para este tipo de educação, a pouca quantidade de trabalhos que se utilizaram da criação de softwares, divulgações pela internet, uso de sites e blogs, dentre outros, mostra uma necessidade em aproveitar um pouco mais os benefícios da tecnologia para a educação não formal.
## Conclusão
Diante dos dados apresentados nesta pesquisa, observa-se que a educação não formal em Astronomia é feita utilizando vários recursos didáticos diferentes, mostrando que os divulgadores de ciência, monitores, professores e demais entusiastas são criativos e buscam diversos meios para que as pessoas possam conhecer um pouco mais da Astronomia.
Nesta pesquisa, tivemos a oportunidade de conhecer trabalhos esplêndidos de pessoas que lutam por uma educação de qualidade, mesmo possuindo poucos recursos. Não seria justo citar um ou outro trabalho, pois todos se mostraram importantes, beneficiando a literatura sobre educação em Astronomia.
É necessário observar a importância dos trabalhos manuais e recursos didáticos que não utilizam aparatos tecnológicos para a educação em Astronomia, pois o céu é o laboratório desta ciência e, muitas vezes, o uso errôneo da tecnologia impede que as pessoas observem os fenômenos astronômicos na prática.
Por outro lado, recursos digitais que facilitem a interação dos participantes, a motivação e a oportunidade de conhecerem os fenômenos do céu, mesmo morando longe de um observatório, por exemplo, se tornam importantes para uma educação não formal em Astronomia ao alcance de todos.
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## Referências
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LONGHINI, M.D.; MENEZES, L.D. Objeto virtual de aprendizagem no ensino de Astronomia: Algumas situações problemas propostas a partir do software Stellarium. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 27, n. 3, p. 433-448, 2010.
MARANDINO, M. et al. A educação não formal e a divulgação científica: o que pensa quem faz. Atas do IV Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências , 2004.
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