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As especialidades escoteiras e o ensino de Física: uma proposta de análise

Mariana De Marchi; André Machado Rodrigues

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Divulgação Científica, Educação Não Formal E Informal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS ESPECIALIDADES ESCOTEIRAS E O ENSINO DE FÍSICA: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE

## Mariana De Marchi 1 , André Machado Rodrigues 2

- 1 Aluna de Mestrado no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo - mariana.marchi.oliveira@usp.br
- 2 Professor Doutor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo - andremr@if.usp.br

## Resumo

Considerando-se que o movimento escoteiro configura-se como um dos maiores movimentos de educação não-formal da atualidade, percebe-se a clara necessidade de que suas diversas facetas sejam estudadas com maior cuidado e profundidade. Nesse sentido, este trabalho propõe-se a analisar as chamadas especialidades escoteiras, distintivos temáticos relacionados a diversas áreas do conhecimento. Em particular, serão utilizadas para análise aquelas que se aproximam dos saberes da Física. Para que seja feita a análise, serão propostos cinco parâmetros, baseados nas discussões feita por Gohn (2006), Camillo & Mattos (2014) e Marandino, Silveira, et al. (2003). O objetivo da proposição destes parâmetros é desenvolver uma ferramenta metodológica que possibilite a análise de diversos fatores e elementos que compõem as práticas educativas. Ao aplicá-los às especialidades escoteiras, foi possível entender como alguns saberes relacionados à Física são trabalhados no âmbito da educação escoteira, o que promove um entendimento mais claro de como a educação científica ocorre dentro deste movimento educativo.

Palavras-chave : educação escoteira; ensino de Física; educação não formal

## O movimento escoteiro - Uma breve introdução

O surgimento do movimento escoteiro data do ano de 1907, tendo ocorrido na Inglaterra, pelas mãos de Robert Stephenson Smith Baden-Powell, renomado militar da época. Atualmente, configura-se como um dos mais importantes movimentos de jovens do mundo, contando com mais de 40 milhões de participantes em 169 países (WORLD ORGANIZATION OF THE SCOUT MOVEMENT, 2018). As ideias de Baden-Powell chegaram ao Brasil em 1910, pelas mãos de oficiais da marinha que haviam trabalhado na Europa. Hoje, a União dos Escoteiros do Brasil (UEB) conta com mais de 100 mil associados, divididos em 23 estados (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2018).

Para a estruturação deste trabalho, admitem-se como principais atributos da educação não-formal: a desvinculação do sistema escolar oficial e a construção de um projeto educativo autoral por parte de cada instituição. Por apresentar essas duas características, o movimento escoteiro é considerado neste estudo como uma iniciativa da educação não formal. É importante destacar que, embora estes atributos apareçam de maneira recorrente na literatura, inúmeras definições distintas podem ser encontradas a respeito dessa temática e, portanto, as definições de educação formal, não formal e informal não são um consenso entre os pesquisadores.

Considerando as características particulares de cada faixa etária, os jovens do movimento escoteiro são divididos em quatro ramos, cada um com uma ênfase educativa distinta, conforme a tabela 1:

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Tabela 1. Ramos do movimento escoteiro

O programa educativo proposto tem como base uma série de competências que se espera que o jovem desenvolva ao longo de sua passagem por determinado ramo. Compreende-se, dentro do movimento escoteiro, que as competências são compostas por três elementos: conhecimento, habilidade e ação. Portanto, além dos saberes, é também considerada a capacidade do jovem de utilizar o que sabe nas situações com as quais se depara. Tais competências são organizadas em seis áreas de desenvolvimento: físico, afetivo, de caráter, espiritual, intelectual e social.

Além do desenvolvimento das competências, os jovens dos ramos Lobinho, Escoteiro e Sênior são convidados a conquistar as chamadas 'especialidades', distintivos temáticos associados a diversas áreas do conhecimento. Para cada uma delas, é proposta uma série de itens e tarefas que devem ser cumpridas para que o jovem conquiste o distintivo.

- O presente trabalho pretende analisar as especialidades escoteiras relacionadas à Física, a partir da proposição de cinco parâmetros de análise, como mostrado a seguir.

## A utilização de cinco parâmetros - Uma proposta de análise das especialidades escoteiras

Como apontado por diversos pesquisadores, a educação não formal constitui-se como um espaço de diversidades, cujas iniciativas podem tomar as mais diversas formas indo desde museus de artes a cursos de idiomas (MARANDINO, SILVEIRA, et al. , 2003) (JACOBUCCI, 2008). Nesse cenário diverso, percebe-se a necessidade de uma ferramenta de análise que permita o estudo estruturado dessas iniciativas, possibilitando uma maior compreensão a respeito de suas práticas. Como dito anteriormente, este trabalho se propõe a compreender melhor como ocorre a educação científica dentro do movimento escoteiro, olhando de modo particular para questões relacionadas ao ensino de Física. Não se pretende, no entanto, esgotar as discussões a respeito do tema, mas sim lançar sobre a temática um novo olhar, aprofundando as questões estudadas em trabalhos anteriores (DE-MARCHI e RODRIGUES, 2017). Entende-se, portanto, que a divisão da análise nos cinco parâmetros expostos na sequência permita a organização dos estudos de maneira

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mais objetiva e orientada, evitando que facetas importantes possam ser negligenciadas. Os parâmetros descritos foram propostos com base nas discussões apresentadas por Gohn (2006), Camillo & Mattos (2014) e Marandino, Silveira, et al. (2003):

## Parâmetro 1 - Quem é e como atua o educador

Para alcançar um entendimento mais aprofundado de determinada prática educativa, é preciso entender quem são as pessoas responsáveis por organizar e estruturar as atividades, qual é sua formação, faixa etária, funções, relação com os demais indivíduos, etc.

Dentro do movimento escoteiro, os educadores são chamados de escotistas. Em seus regulamentos, o termo é definido como:

- 'I - Escotistas e dirigentes são as denominações adotadas pela UEB para identificar os adultos que atuam, respectivamente, em contato direto com as crianças, adolescentes e jovens e aqueles que atuam na administração da organização em seus distintos níveis.
- II - Todos os escotistas e dirigentes devem ser pessoas idôneas com mais de 18 anos de idade, que voluntariamente se disponham a servir à comunidade, por acreditarem no Escotismo como instrumento de educação, sem visar qualquer forma de vantagens diretas, indiretas ou mesmo de recompensa pecuniária' (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2013, p.18)

Percebe-se portanto que, diferentemente do que ocorre na educação formal, o corpo de educadores é composto por voluntários com mais de 18 anos, que possuem determinadas condições legais exigidas para sua filiação ao movimento. A crença na educação escoteira é colocada como questão central na decisão por sua filiação, questão que aponta possíveis motivações para o exercício da função. É importante observar ainda que estes adultos têm formações acadêmicas diversas e, portanto, muitos deles não são profissionais da área da educação. Para que todos possam desenvolver as atividades de maneira adequada, a União dos Escoteiros do Brasil (UEB) possui Diretrizes Nacionais de Gestão de Adultos, das quais fazem parte o sistema de formação de adultos. Tal sistema de formação é composto por uma série de cursos e atividades distribuídos em três níveis, cujo principal objetivo é auxiliar o adulto a alcançar as competências necessárias para desenvolver de modo adequado suas funções como educador dentro da instituição (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2014). Dentro do sistema de formação, são trabalhados conteúdos relacionados ao desenvolvimento dos jovens, aos processos educativos, à organização de atividades e à estrutura da instituição e seu papel social enquanto parte do terceiro setor.

De modo geral, a postura esperada destes educadores, no exercício de todas as suas funções como tal, pode ser entendida a partir do excerto a seguir:

'A postura educacional do adulto inclui uma atitude coerente, valorizando os jovens e confiando no seu potencial de assumirem gradativamente o próprio desenvolvimento. O escotista comprometido com a transformação da sociedade valoriza a cooperação em detrimento da competição, se despe dos preconceitos de toda ordem e cultiva o reconhecimento do outro e o respeito à diversidade. (...) No Escotismo não há espaço para a grosseria, o desrespeito ou para o ambiente ameaçador. Entretanto, as atividades devem desenvolver-se em ambiente organizado e seguro, cabendo ao escotista zelar pela boa-ordem sem que, para tanto, empregue postura de militarização que é de todo inadequada ao processo educacional que se desenvolve no Escotismo' (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2015)

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Percebe-se assim que, no âmbito da educação escoteira, espera-se que os educadores mantenham um ambiente colaborativo, dedicando-se a desenvolver e propor atividades que valorizem a colaboração e o potencial de cada jovem. Nesse sentido, espera-se que atitudes repreensivas rudes ou grosseiras sejam evitadas, e que a organização e segurança das atividades se mantenha a partir da utilização de ferramentas e estratégias pautadas no diálogo. Embora não tenham sido encontradas nos manuais consultados orientações específicas para os processos relacionados às especialidades, entende-se que essas orientações gerais devem ser utilizadas para nortear a postura dos escotistas em todos os processos educativos.

## Parâmetro 2 - Onde ocorre a prática educativa

Compreender a relação entre os indivíduos e os espaços utilizados também é importante para que se compreenda melhor o processo educativo. A educação formal, por exemplo, ocorre em grande parte dentro das salas de aula escolares, enquanto a não formal pode ocorrer em museus, escolas de cursos livres, parques ecológicos, etc. Considerando essa diversidade, conclui-se que as relações e interações estabelecidas com esses espaços também se manifestam de muitas maneiras diferentes.

Dadas as diversas possibilidades de atividades que podem ser desenvolvidas dentro do movimento escoteiro, os espaços utilizados também podem variar bastante. Na tabela 2, apresentam-se alguns exemplos de atividades de especialidades em que são sugeridas visitas a locais que podem auxiliar os jovens a terem contato com novos saberes:

Tabela 2. Exemplos de atividades de especialidades relacionadas à Física

Ao visitar um geoparque ou estação meteorológica para conquistar o distintivo de determinada especialidade, o indivíduo tem a oportunidade de ampliar seus conhecimentos a respeito de uma temática de seu interesse, já que a conquista de especialidades é livre e facultativa. Ele pode interagir de maneira diferente com o espaço e com o conteúdo, livre das demandas curriculares e organizacionais que permeiam, por exemplo, o cotidiano escolar. Pode conhecer o espaço de acordo com suas necessidades, ao contrário do que ocorre em saídas pedagógicas escolares, que geralmente possuem um roteiro pronto, previamente acordado entre a instituição e o professor.

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## Parâmetro 3 - Quais são as metodologias envolvidas nos processos educativos

Nas iniciativas da educação formal, as metodologias utilizadas já apresentam grande diversidade, indo desde aquelas consideradas tradicionais até as que se associam à educação democrática (BIESTA, 2017). O mesmo ocorre com a educação não formal, em que as metodologias podem variar desde a simples observação de obras de arte em museus, até a realização de estudos de campo em um parque ecológico. Assim, compreender as metodologias utilizadas mostra-se importante para a caracterização de determinado processo educativo, colaborando para o entendimento das relações que os indivíduos estabelecem com o saber.

Desde sua criação, o movimento escoteiro tem como principal metodologia o chamado 'método escoteiro', elementos norteadores de todas as atividades propostas e desenvolvidas no âmbito da educação escoteira:

- 'a) Aceitação da Promessa e da Lei Escoteira - todos os membros assumem, voluntariamente, um compromisso de vivência da Promessa e da Lei Escoteira.
- b) Aprender fazendo - educando pela ação, o Escotismo valoriza: o aprendizado pela prática; o desenvolvimento da autonomia, baseado na autoconfiança e iniciativa; os hábitos de observação, indução e dedução.
- c) Vida em equipe - denominada nas Tropas de 'Sistema de Patrulhas', incluindo: a descoberta e a aceitação progressiva de responsabilidade; a disciplina assumida voluntariamente; a capacidade tanto para cooperar como para liderar.
- d) Atividades progressivas, atraentes e variadas compreendendo: jogos; habilidades e técnicas úteis, estimuladas por um sistema de distintivos; vida ao ar livre e em contato com a natureza; interação com a comunidade; mística e ambiente fraterno.
- e) Desenvolvimento pessoal com orientação individual, considerando: a realidade e o ponto de vista de cada criança, adolescente ou jovem; a confiança nas potencialidades dos educandos; o exemplo pessoal do adulto; seções com número limitado de jovens e faixa etária própria.' (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2013)

Pode-se perceber portanto que, para qualquer que seja a atividade desenvolvida, a adesão aos valores escoteiros, a aprendizagem ativa, o convívio em grupos e a orientação individual devem ser elementos presentes. Em particular, no que diz respeito às especialidades, existem alguns outros elementos envolvidos. Para cada um dos distintivos disponíveis, são sugeridas diversas atividades, compondo o chamado 'Guia de especialidades', publicação revisada continuamente pela UEB e que possui todo seu conteúdo também disponível online . Nesse sentido, diferem-se de outras atividades pois as propostas não são trazidas diretamente pelo educador ou pelo jovem, mas sim por uma equipe nacional de voluntários responsável por desenvolver esse processo.

Em um estudo anterior, ainda sob avaliação para publicação, a autora deste trabalho se propôs a associar as atividades propostas em 36 especialidades, diretamente associadas às ciências, aos indicadores de alfabetização científica propostos por Sasseron e Carvalho (2008), a fim de entender se as propostas de atividades contidas nas especialidades possuem elementos que podem auxiliar o jovem no desenvolvimento das habilidades associadas à alfabetização científica. Os resultados encontram-se ilustrados na figura 1:

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Figura 1. Distribuição das atividades das especialidades escoteiras entre os indicadores de alfabetização científica

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A partir dos resultados observados, foi possível perceber que a maior concentração de contagens se encontra nos indicadores 'seriação de dados', 'organização de dados' e 'classificação de dados'. Percebe-se, portanto, que as atividades propostas têm potencial para ajudar os jovens a desenvolverem habilidades relacionadas à aquisição e organização dos dados, não prosseguindo para o desenvolvimento de habilidades científicas mais complexas como o levantamento de hipóteses e previsão. De modo geral, os escoteiros são convidados a procurar informações relacionadas a determinado campo do conhecimento, classificando-as e organizando-as para que sejam apresentadas de alguma forma.

Assim, entende-se que a metodologia atualmente utilizada nas especialidades relacionadas às ciências pode não ser a mais adequada para o desenvolvimento de habilidades relacionadas às habilidades mais complexas da alfabetização científica.

## Parâmetro 4 - A que fim se destinam as iniciativas educativas

No âmbito da educação formal, as finalidades estão bem definidas dentro do texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (SENADO FEDERAL, 2017). Já na educação não formal, os objetivos variam de acordo com a proposta de cada instituição, o que gera um cenário de muitas possibilidades. Assim, compreender as finalidades a que se destinam as mobilizações auxilia a compreensão de determinado processo educativo de maneira mais aprofundada.

De modo geral, os objetivos educativos do movimento escoteiro são definidos em seu propósito:

'O propósito do Movimento Escoteiro é contribuir para que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento, especialmente do caráter, ajudando-os a realizar suas plenas potencialidades físicas, intelectuais, sociais, afetivas e espirituais, como cidadãos responsáveis, participantes e úteis em suas comunidades, conforme definido pelo seu Projeto Educativo.' (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2013).

Em relação às especialidades, sua proposição almeja auxiliar os jovens no desenvolvimento de habilidades e conhecimentos úteis, incentivando-os a utilizar

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esses saberes em seu dia-a-dia (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2015). Podem ainda ser utilizadas como ferramenta para que o indivíduo desenvolva suas habilidades de organização e planejamento, utilizando a conquista de especialidades como uma das metas a serem alcançadas em sua vida escoteira. Além disso, espera-se que possam auxiliar o jovem em seu processo de identificação com uma carreira ou ofício, de acordo com seus gostos e aptidões pessoais (UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL, 2015).

## Parâmetro 5 - Qual é o currículo utilizado

Dentro da educação formal, documentos como a Base Nacional Comum Curricular (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2017) definem parâmetros ao redor dos quais deve se estruturar o currículo de cada escola. Na educação não formal, regulamentações como essa não existem e, dadas as inúmeras possibilidades de suas práticas, o currículo da educação não formal apresenta uma grande diversidade de formatos e conteúdos. Assim, o estudo do currículo praticado em determinada iniciativa educativa oferece a possibilidade de que esta seja compreendida de maneira mais completa, possibilitando ainda a comparação com os conteúdos trabalhados em outras iniciativas.

Como explicitado anteriormente, o movimento escoteiro não determina objetivos específicos em relação ao ensino de ciências, o que resulta na ausência de um currículo específico desenvolvido para esta temática.

No entanto, embora não exista um currículo escoteiro de física, existem especialidades que tratam de temáticas muito próximas daquelas discutidas em sala de aula. De modo particular, estudos anteriores (DE-MARCHI e RODRIGUES, 2017) apontam que as especialidades escoteiras podem conter atividades que se associam às habilidades descritas na matriz do ENEM. No trabalho citado, foram analisadas as especialidades mais próximas dos saberes da Física, a saber: astronáutica, astronomia, ciências da Terra, eletrônica, energia, engenharia, geologia, GPS, meteorologia e robótica. Além disso, foram consideradas as competências de número 5 (habilidades 17 e 19) e de número 6 (habilidades 20 a 23) da área de ciências da natureza e suas tecnologias, também relacionadas diretamente a saberes da Física. Após a análise, foram encontradas ao todo 102 correspondências. Ou seja, em 102 dos itens analisados, foram encontradas semelhanças entre a atividade proposta pela especialidade e alguma das duas habilidades em estudo no trabalho. Percebe-se, portanto, que embora o movimento escoteiro não tenha estabelecido para si um currículo de Física, suas práticas educativas podem dialogar de maneira consistente com aquelas desenvolvidas no âmbito da educação formal.

## Conclusões

A partir das observações levantadas neste trabalho, foi possível perceber que a proposição de cinco parâmetros de análise permitiu um estudo estruturado, claro e abrangente dos processos educativos relacionados às especialidades escoteiras. Com isso, foi possível entender de maneira mais clara como atuam os escotistas, como os diversos espaços são utilizados nas atividades desenvolvidas, quais as metodologias utilizadas, quais os objetivos almejados com a proposta das especialidades e qual é o currículo trabalhado nessas atividades.

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## Referências

BIESTA, G. Para além da aprendizagem - Educação democrática para um futuro humano . [S.l.]: Autêntica, 2017.

DE-MARCHI, M.; RODRIGUES, A. M. ESPECIALIDADES ESCOTEIRAS E ENSINO DE FÍSICA: ALTERNATIVAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PARA O ENEM. XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física. São Carlos - SP: Sociedade Brasileira de Física. 2017.

JACOBUCCI, D. F. C. CONTRIBUIÇÕES DOS ESPAÇOS NÃO-FORMAIS DE EDUCAÇÃO PARA A FORMAÇÃO DA CULTURA CIENTÍFICA. EM EXTENSÃO , Uberlândia, v. 7, p. 55 - 66, 2008.

MARANDINO, M. et al. A educação não-formal e a divulgação científica: o que pensa quem faz? IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Bauru: ABRAPEC. 2003.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional Comum Curricular . [S.l.]: [s.n.], 2017.

SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. D. ALMEJANDO A ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA NO ENSINO FUNDAMENTAL: A PROPOSIÇÃO E A PROCURA DE INDICADORES DO PROCESSO. Investigações em Ensino de Ciências , v. 13, p. 333 - 352, 2008.

SENADO FEDERAL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Brasília: [s.n.], 2017.

UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL. Princípios, Organização e Regras . Curitiba: [s.n.], 2013.

UNIAO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL. Diretrizes nacionais de gestão de adultos . Curitiba: [s.n.], 2014.

UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL. Escotistas em Ação! - Ramo Escoteiro . 2ª. ed. Curitiba: [s.n.], 2015.

UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL. Escotistas em ação! - Ramo Sênior . 2ª. ed. Curitiba: União dos Escoteiros do Brasil, 2015.

UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO BRASIL. Escoteiros do Brasil. Escoteiros do Brasil , 2018. Disponivel em: &lt;https://www.escoteiros.org.br/escoteiros-dobrasil/&gt;. Acesso em: 26 junho 2018.

WORLD ORGANIZATION OF THE SCOUT MOVEMENT. National Scout Organizations. Scouts , 2018. Disponivel em: &lt;https://www.scout.org/worldwide&gt;. Acesso em: 26 junho 2018.

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