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ÍNDICE DE EVASÃO DO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FÍSICA DA UNIR CAMPUS JI-PARANÁ

Pamella Nathielli Almeida De Oliveira, Vanessa Delfino Kegler

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Na Educação Superior
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ÍNDICE DE EVASÃO DO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM FÍSICA DA UNIR CAMPUS JI-PARANÁ

## Pamella Nathielli Almeida de Oliveira 1 , Vanessa Delfino Kegler 2

1 Universidade Federal de Rondônia/DEFIJI, pamellanathielle@gmail.com

- 2 Universidade Federal de Rondônia/DEFIJI, vanessa.kegler@unir.br

## Resumo

A evasão no ensino superior é um problema complexo, ao qual atinge tanto instituições públicas quanto instituições particulares, resultando em perda de recursos que foram investidos neste ramo. Desta maneira, o abandono escolar nos cursos de graduação tem se tornando um grande desafio para Instituições de Ensino Superior, tornando este estudo cada vez mais manifesto. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo estudar o índice de evasão superior no curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Rondônia Campus Ji-Paraná. Para tal, foram coletadas informações no banco de dados da Secretaria Acadêmica (SERCA) do campus e também da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do campus UNIR de Porto Velho relativos ao período de 2007 a 2017. Os resultados da primeira metodologia utilizada mostram que neste período o índice de evasão por turma foi maior no ano de 2010 e o menor índice foi no ano de 2013, ficando a evasão média em 59.02%. Da segunda metodologia, ao qual se refere ao índice de evasão por ano, o maior índice foi no ano de 2011 e o menor índice foi ano de 2017 com 5.14%. Apesar de ter diminuído, nota-se que o referido curso possui altos índices de evasão tanto anual quanto por turma.

Palavras-chave : Ensino Superior. Evasão. Abandono escolar.

## Introdução

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a qualificação profissional se torna uma exigência natural. O resultado, é de que todos os anos milhares de jovens buscam ingressar em diversos cursos superiores do país. De acordo com o INEP (2016) no período de 2006 a 2016 houve um substancial aumento no número de matrículas, sendo que no último ano (2016) registrou-se 1.990.078 matrículas nas instituições públicas e 6.058.623 em instituições da rede privada. O que evidencia uma grande busca aos cursos de graduação no decorrer dos anos.

Mas apesar do número de buscas ter aumentado e o governo ter tomado medidas para facilitar a oportunidade de jovens e adultos de todas as classes ingressarem na universidade (como a criação do Sistema de Seleção Unificada, SISU, O Programa Universidade para Todos, PROUNI e O Fundo de Financiamento Estudantil, Fies), a diferença entre o número de ingressantes e concluintes é preocupante, o que se traduz na falta de profissionais no mercado de trabalho. A exemplo, a falta de professores na área de ensino. Muitas vezes este fenômeno está relacionado com o índice de evasão acadêmico que acontece todos os semestres em todos os cursos de ensino superior.

Todos os anos alunos das diversas áreas de ensino desistem de concluir seu curso de graduação, os fatores que contribuem para isto são diversos. Razões relacionadas ao estudante - como dupla jornada de vida - razões que envolvem o curso ou instituição e os fatores sócio-culturais e econômicos externos são os

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principais citados pelo relatório da Comissão Especial de Estudos sobre Evasão nas Universidade Públicas Brasileiras (1996).

Segundo Ataíde et al (2014) em sua pesquisa sobre a evasão no curso de Licenciatura em Física da Universidade Estadual da Paraíba no ano letivo de 2005, os principais elementos que originaram o problema de evasão foram: a opção equivocada pelo curso e descoberta mais tarde, condições sócio-econômicas particulares dos sujeitos e alguns aspectos pedagógicos e metodológicos do curso adicionados a algumas dificuldades na relação professor-aluno.

De acordo com Junior et al (2015), que conduziram uma pesquisa sobre a evasão no ensino superior na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) no período 2006 a 2012 sobre o assunto durante o período, as seguintes causas de evasão aparecem com maior frequência:

- (i) "Motivos/atributos referentes a características individuais": "Conhecimento sobre o curso"; "Compatibilidade de horários"; "Formação anterior"; e, "Adaptação à vida universitária". (ii) "Motivos/atributos relacionados ao curso e à universidade": "Estrutura de apoio", Recursos didático- pedagógicos"; "Organização do curso"; "Apoio institucional ao aluno"; e, "Currículo do curso". (iii) "Motivos/atributos socioculturais e econômicos Externos": "Mercado de trabalho"; "Questões financeiras"; "Prioridades conflitantes"; e, "Variedade e facilidade de opções".

E ainda conforme Pereira e Lima (2007), as causas apontados pelos alunos a este respeito foram: dificuldades em conciliar trabalho e estudo; frustração das expectativas com o Curso; exigência de dedicação exclusiva ao Curso é incompatível com necessidades profissionais, familiares e pessoais; e decepção com a universidade.

Verifica-se que, apesar do estudo feito por Brasil (1996) ter ocorrido a mais de 20 anos, os motivos que levam a evasão atualmente se repetem e são comuns na maioria das cidades brasileiras.

Visto que a evasão acadêmica é uma realidade complexa que causa prejuízos que podem assumir grandes proporções cujas consequências irão repercutir: na vida do indivíduo que desistiu, na vida daqueles que queriam a vaga, mas por ter sido preenchida não conseguiram (futuramente esta mesma vaga se tornará ociosa), na sociedade, na economia brasileira, etc., refletir ainda mais sobre este tema nos leva a compreensão desse fenômeno podendo contribuir na diminuição dos danos.

Para tratar melhor este tema, faz-se necessário definir evasão escolar no ensino superior. Segundo Brasil (1996) evasão é a 'saída definitiva do aluno de seu curso de origem sem concluí-lo' que podem ocorrer de três maneiras:

- -Evasão do curso : ocorre quando o estudante desliga-se do curso superior por diversos motivos, tais como: abandono (deixa de matricular-se), desistência (oficial), transferência ou reopção (mudança de curso), exclusão por norma institucional;
- -Evasão da instituição : acontece quando o estudante desliga-se da instituição em que está matriculado;
- -Evasão do sistema : ocorre quando o estudante abandona de forma definitiva ou temporária o ensino superior.

Nesta pesquisa, adotaremos o termo 'evasão' como uma referência ao conceito de 'evasão do curso' acima citado.

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## Metodologia

O presente trabalho foi desenvolvido em duas etapas. Primeira etapa referente a pesquisa na literatura a respeito da evasão em cursos superiores e sobre o curso de Licenciatura Plena em Física. Segunda etapa a realização dos cálculos.

Para realização da segunda etapa utilizou-se duas metodologias. A primeira metodologia utilizada para calcular o índice de evasão por turma ( I e ), é descrita por Molin Filho et al (2013). Nela considera-se o ano de ingresso de cada turma, e é determinada pela seguinte equação:

<!-- formula-not-decoded -->

Onde classe 1 representam as informações que são consideradas como evasão e classe 2 as informações que não são evasão. Por exemplo, conforme a tabela do autor a matrícula cancelada e desistente pertencem a classe 1, já formado e matrícula ativa pertence a classe 2. Deste modo, é calculado o índice de evasão por turma ingressante, denominado I e .

A segunda metodologia está baseada na fórmula utilizada pelo Instituto Lobo (LOBO, 2012) e é descrita pela seguinte equação:

<!-- formula-not-decoded -->

Assim:

<!-- formula-not-decoded -->

Esta segunda metodologia é empregada para o cálculo de evasão anual ( Ev ), a qual verifica o percentual de alunos que continuou de um ano para o ano seguinte. Onde E , é o percentual de evasão; Mn , o número total de matriculados no ano n, sendo n o ano em análise; C(n-1) , o número de concluintes no ano n-1 (ano anterior a n ) e I n , o número de novos ingressantes no ano n .

Os dados para realização dos cálculos foram fornecidos pela Secretaria Acadêmica (SERCA) do campus e pela Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do campus de Porto Velho. O período trabalhado é de 2007 a 2017.

## Calculando a evasão no curso de licenciatura em física de Ji-paraná

A partir dos dados fornecidos pela SERCA da UNIR Campus de Ji-paraná, e DTI do Campus de Porto Velho, realizamos a tabulação dos mesmos expressando os resultados através de porcentagem, e em seguida os representamos graficamente para maior compreensão dos valores obtidos. Os seguintes procedimentos foram realizados: a) Coleta de dados da SERCA e DTI - arquivo com dados específicos; b) Análise do dados fornecidos; c) Agrupamento dos dados; d) Tabulação dos dados; e) Cálculo da evasão.

Os dados referentes aos procedimentos a, b, c e d são demonstrados na tabela 1 e são utilizados no cálculo de Molin Filho et al (2013), enquanto os dados da tabela 2 são utilizados no cálculo de Lobo (2012).

Tabela 1. Dados para o cálculo de Molin Filho et al (2013)

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Quadro 1. Legenda da tabela 1.

As informações referentes ao número de matrículas ativas e reintegradas (número de veteranos) foram buscadas junto à DTI, e o número de novos ingressantes e concluintes foram obtidos junto à SERCA.. Os dados para o cálculo de Lobo (2012) encontra-se na tabela 2.

Tabela 2. Dados para o cálculo de Lobo (LOBO, 2012).

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Ressalta-se que no ano de 2007 o cálculo não foi efetuado pois estaria fora do período trabalhado, visto que para o cálculo da segunda metodologia necessita de informações do ano anterior, neste caso para a evasão em 2007 precisaríamos dos dados de 2006.

## Resultado

Com os demais cálculos do índice de evasão por turma obtidos Ie anteriormente gerou-se a tabela 3 e o gráfico 1.

Tabela 3. Resultado do índice de evasão por turma.

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Gráfico 1. Índice de evasão por turma do curso de Licenciatura em Física I e no período de 2007 a 2017.

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Do mesmo modo temos os resultados dos demais cálculos do índice de evasão por ano na tabela 4 e o gráfico 2. v E

Tabela 4. Resultado do índice de evasão por ano.

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Gráfico 2. Índice de evasão por ano do curso de Licenciatura em Física Ev no período de 2007 a 2017.

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## Considerações Finais

Analisando o índice de evasão por turma apresentado na tabela 3 e no gráfico 1, observa-se que os três maiores índices são referentes às turmas dos anos 2010, 2012 e 2015, com 100.00%, 73.33% e 70,21% respectivamente, enquanto os três menores índices são referentes às turmas dos anos de 2007 e 2017, com 53.33% e 34.88% respectivamente. Destaca-se que o índice elevado de 100% no ano de 2010 se deve ao fato de que no respectivo ano não houve oferta para turma de licenciatura e sim para turma de bacharelado, porém há registro de 2 discentes em licenciatura. E o índice de evasão no ano de 2013 se deve ao fato de não ser ofertado turma de licenciatura no referido ano.

Analisando os índices de evasão anual da tabela 4 e no gráfico 2, temos que os três maiores índices encontram-se no anos de 2008, 2011 e 2014, sendo 93.75%, 600% e 131.25% respectivamente. Os três menores índices estão nos anos de 2015, 2016 e 2017, sendo 16.66%, 10.08% e 5.14% respectivamente. Os resultados referentes aos anos de 2011 e 2014, que estão elevados, se deve ao fato de que em 2010 e 2013 não foram ofertados turmas de licenciatura em física.

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Conclui-se que o curso de Licenciatura Plena em Física da UNIR campus de Ji-Paraná possui altos índices de evasão tanto anual quanto por turma. Comparando as duas metodologias, os maiores índices de evasão encontram-se no segundo índice, que é a evasão por turma.

Apesar de não ter sido realizado um levantamento criterioso a respeito dos motivos da evasão dos alunos no curso, visto que o intuito do trabalho era analisar a evasão quantitativamente, pode-se destacar alguns fatores relevantes que levam os discentes ao abandono escolar, como por exemplo, a pouca base matemática e física trazidas do ensino médio; o tempo reduzido para se dedicar ao curso (visto que a maioria dos discentes trabalham e possuem família) e a distância da Universidade (onde a maioria dos alunos provêm de cidades vizinhas à Ji-Paraná).

## Referências

ATAÍDE, J. S. P.; LIMA, L. M.; ALVES, E. de O. A Evasão Escolar e a Repetência no Curso de Licenciatura em Física: Um Estudo de Caso. Disponível em: &lt;http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=snef&amp;cod=\_aevasaoescolarear epetenc&gt; Acessado em: 07 de abril de 2018.

BRASIL / MEC / SESU. Secretaria de Educação Superior / Ministério da Educação. Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras. Brasília, 1996/1997 Disponível em: &lt;http://www.andifes.org.br/&gt; Acesso em 05 de abril de 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Sinopses do ensino superior. Censos do ensino superior. Comunicações pessoais, 2016. Disponível em &lt;http://portal.inep.gov.br&gt; Acesso em: 10 mai. 2018.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Notas Estatísticas da Educação Superior de 2016 . Brasília: Inep, 2016. Disponível em &lt;ww.inep.gov.br&gt;. Acesso em 17.05.2018.

JUNIOR, J. S. S., BRASIL, G. H., CARNEIRO, T. C. J., CORASSA, M. A. de C. Análise Estatística da Evasão na Universidade Federal do Espírito Santo e uma Avaliação de seus Determinantes. Vitória ES, 2014.

LOBO, M. B. C. M. Panorama da evasão no ensino superior brasileiro: aspectos gerais das causas e soluções . In: HORTA, C. E. R. (Org.). Evasão no ensino superior brasileiro. Brasília, DF: Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, 2012. 82 p. (Cadernos ABMES, 25).

MOLIN FILHO, R. G. D., et al. Dados de evasão acadêmica do curso de engenharia de produção da UEM (período de 2000 a 2013). Anais: XLI Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia. Gramado: UFRGS, 2013.

PEREIRA, L. J.M.; LIMA, M. C.A. Evasão no curso de Física da UFMA nos primeiros períodos do curso . Anais do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física (XVII SNEF), São Luiz, 29 jan. a 02 de fev. 2007.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.