O ENSINO DE FÍSICA NA CONSTITUIÇÃO DO PROFESSOR DE CIÊNCIAS DA NATUREZA EM FORMAÇÃO INICIAL
Fabiana Gomes Guntzel, Franciele Braz De Oliveira Coelho, Janaína Viário Carneiro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- O Ensino De Física Na Educação Superior
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA NA CONSTITUIÇÃO DO PROFESSOR DE CIÊNCIAS DA NATUREZA EM FORMAÇÃO INICIAL
## Fabiana Gomes Guntzel , Franciele Braz de Oliveira Coelho , Janaína Viário 1 2 Carneiro 3
- 1 Acadêmica do curso de Ciências da Natureza - Licenciatura/ UNIPAMPA,fabiguntzel@gmail.com 2 Professora do curso de Ciências da Natureza - Licenciatura/ UNIPAMPA,
francielecoelho@unipampa.edu.br
- 3 janainacarneiro@unipampa.edu.br
- Professora do curso de Ciências da Natureza - Licenciatura/ UNIPAMPA,
## Resumo
O estudo foi desenvolvido em um curso de Ciências da Natureza - Licenciatura de uma Universidade Pública do Estado do Rio Grande do Sul. O Projeto Pedagógico do Curso em questão destaca a importância na formação de sujeitos conscientes das exigências éticas e da relevância pública e social dos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores adquiridos na vida universitária. A partir do perfil destacado, torna-se importante relatar de que forma o Ensino de Física contribui com o processo de formação destes professores. A pesquisa desenvolvida analisou o Projeto Pedagógico de Curso do contexto citado, buscando investigar a forma como o Ensino de Física se apresenta no documento. Também foram coletadas as opiniões de acadêmicos e egressos em relação à Física e sua importância no processo de formação docente inicial do professor de Ciências da Natureza, por meio de um questionário virtual publicado em redes sociais, foi possível analisar o Ensino de Física na percepção dos acadêmicos e egressos do curso de Ciências da Natureza- Licenciatura. Com a análise, percebe-se que mais da metade dos participantes já reprovaram em um ou mais componentes de Física do curso. Este alto índice de reprovações, reflete o que também ocorre na Educação Básica. Além das metodologias e formas avaliativas adotadas pelo professor de Física, fatores como problemas de interpretação e pouco domínio da Matemática, também corroboram com este cenário. Assim, sabe-se que o profissional em Ciências da Natureza é diferenciado, por estudar uma área e não apenas um conhecimento específico, sendo assim, é preciso refletir e analisar esta nova conjuntura, para que a Física seja contemplada em sua totalidade, não de forma superficial, permitindo sua compreensão e aplicação em diferentes contextos.
Palavras-chave : Licenciatura. Formação docente. Física.
## Introdução
Atualmente verificam-se intensos avanços tecnológicos, que por sua vez, acarretam na produção de conhecimentos. Em meio a tantas mudanças, o Ensino de Física ainda é abordado em sala de aula por meio de uma metodologia tradicional, dificultando o entendimento de conceitos pelos alunos e suas relações com o cotidiano. De acordo com Xavier (2005), os alunos chegam ao Ensino Médio com medo e muitas vezes traumatizados com o Ensino de Física. Muitos visualizam este componente como algo impossível de se aprender e sem a noção de que a Física é uma ciência experimental e de grande aplicação no dia-a-dia.
De acordo com Bonadiman (2005), as causas apontadas para os discentes não apreciarem a Física, e para explicar as dificuldades dos mesmos na
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aprendizagem, partem de vários fatores aos quais estão relacionados à: pouca valorização do profissional do ensino, condições precárias de trabalho do professor, qualidade dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula, enfoque demasiado na chamada Física/Matemática em detrimento de uma Física mais conceitual, a fragmentação dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula, distanciamento entre o formalismo escolar e o cotidiano dos alunos e também, a falta de conhecimentos básicos em leitura e interpretação de texto.
Surge a importância do educador e o seu papel enquanto profissional, apto a intervir na realidade do aluno, proporcionando aulas dinâmicas e contextualizando os conceitos abordados com as transformações da sociedade. O objetivo desta pesquisa foi de analisar o Ensino de Física na formação docente inicial em Ciências da Natureza.
O estudo foi desenvolvido em um curso de Ciências da Natureza Licenciatura de uma Universidade Pública do Estado do Rio Grande do Sul. O Projeto Pedagógico do Curso em questão destaca a importância na formação de sujeitos conscientes das exigências éticas e da relevância pública e social dos conhecimentos, habilidades, atitudes e valores adquiridos na vida universitária. O curso se propõe a formar egressos que possam se inserir profissionalmente, tendo como base os princípios da autonomia, solidariedade, criticidade, comprometimento com o desenvolvimento sustentável, buscando a construção de uma sociedade justa e democrática. Este egresso poderá atuar na Educação Básica como educador para a Ciência do Ensino Fundamental e nos componentes de Física, Química e Biologia do Ensino Médio.
A partir do perfil destacado para egresso do curso de Ciências da Natureza Licenciatura torna-se importante relatar de que forma o Ensino de Física contribui com o processo de formação destes professores. Segundo Moreira (2000) o currículo do Ensino de Física no Brasil passou por mudanças significativas nos últimos cinquenta anos, citando como iniciativa para torna-la mais atrativa a inclusão de componentes curriculares como: Física do Cotidiano, História e Filosofia das Ciências e recentemente Física Contemporânea.
## A formação em Ciências da Natureza
Os cursos de Ciências da Natureza - Licenciatura apresentam propostas curriculares tendo a interdisciplinaridade como um de seus pilares. Morin afirma que: '[...] os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconvenientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber.' (2003, p. 15). O desenvolvimento da interdisciplinaridade nos cursos de formação de professores permite que a aprendizagem deste profissional ocorra sem fragmentação, superando o conhecimento isolado e ampliando este, para que ocorra a compreensão geral e interação entre os saberes de diferentes áreas.
Em nosso país, as licenciaturas com foco na interdisciplinaridade, que habilitam seus egressos por área do conhecimento, foram incentivadas nas instituições públicas de Ensino Superior por meio do REUNI - Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, criado no ano de 2007. Estruturar currículos com foco interdisciplinar auxilia na busca da complexidade, em seu real sentido - aquilo que é tecido junto (MORIN, 2003).
Como descrito anteriormente, o professor de Ciências da Natureza, poderá atuar no Ensino Fundamental como professor de Ciências Naturais e/ou professor de Física, Química e Biologia do Ensino Médio. Desta forma, ter a compreensão do
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todo em relação a esta área da Ciência é parte essencial na formação deste profissional. Para os autores Pinto e Pinto (2014, p. 12) '[...] esta nova formação parece pretender romper limites disciplinares historicamente instituídos, as licenciaturas interdisciplinares demandarão não só a criação de novos cursos, mas também de 'novos professores'.
Neste contexto, a ideia de disciplinaridade que necessita ser repensada é a que remete a separações distintas para solução de problemas, quando é a junção de conhecimentos que permite a compreensão do que nos rodeia. Assim, a interdisciplinaridade não prevê o fim da disciplinaridade, mas propõe o diálogo entre os componentes de diferentes áreas, na busca pela superação do conhecimento fragmentado. O Ensino de Física na formação do professor de Ciências da Natureza permite que aliado aos conhecimentos de Química e de Biologia, este profissional compreenda fenômenos naturais e tecnológicos. Tendo a Física, grande importância na formação inicial em Ciências da Natureza.
## O Ensino de Física e a formação docente
A compreensão da Física vai além da resolução de problemas e memorização de equações. Aprender a Física envolve identificar fenômenos e diferenciá-los, relacioná-los a situações do cotidiano, analisar sua influência em diferentes aspectos (políticos, sociais, econômicos, etc) e contextos. Pires e Veit (2006) destacam que as ênfases na abordagem de conceitos referentes à Mecânica Clássica no Ensino de Física, reforçam a ideia de que a Física é um 'ramo da Matemática', visão de muitos alunos, sendo esta, uma consequência do fazer pedagógico dos professores.
A utilização de métodos tradicionais de ensino na área da Física resulta no baixo rendimento, retenção e muitas vezes, a evasão dos alunos que não conseguem compreender esta Ciência. Cavalcante, Bonizzia e Gomes (2009, p. 4501-01) enfatizam que: 'Entre as razões do insucesso na aprendizagem em física são apontados métodos de ensino desajustados das teorias de aprendizagem mais recentes e a falta de meios pedagógicos modernos.'.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica (BRASIL, 2002) citam a necessidade da coerência entre a formação ofertada e a prática esperada do futuro educador, indicando '[...] a simetria invertida, onde o preparo do professor, por ocorrer em lugar similar àquele em que vai atuar, demanda consistência entre o que faz na formação e o que dele se espera' (p. 02). Desta forma, ao esperarmos que os professores de Física da Educação Básica explorem os conceitos físicos de forma que o ensino tradicional de memorização e repetição seja superado, faz-se necessário repensar o local de formação e a estrutura curricular dos cursos de formação de professores.
Neste trabalho, buscou-se analisar como o Ensino de Física contribui com a formação docente inicial de professores de Ciências da Natureza, sendo a metodologia e os principais resultados descritos a seguir.
## Metodologia
Este estudo caracteriza-se em relação a sua abordagem como pesquisa qualitativa. Segundo Triviños (1987), a abordagem de cunho qualitativo trabalha os dados buscando seu significado, tendo como base a percepção do fenômeno dentro do seu contexto. Quanto aos objetivos, a pesquisa desenvolvida classifica-se como exploratória em que segundo Gil (1987, p. 45) '[...] são desenvolvidas com o objetivo de, proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato'.
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A pesquisa foi desenvolvida em uma Universidade pública do Rio Grande do Sul, especificamente em um curso de Ciências da Natureza - Licenciatura. Foram utilizados como instrumentos de coletas de dados: (I) análise documental - Projetos Pedagógicos de Curso, versões 2015 e 2017 que encontravam-se em vigência no curso; (II) questionário misto - construído e enviado virtualmente em redes sociais, permitindo que acadêmicos e egressos do contexto da pesquisa, participassem do estudo.
## Resultados e discussões
## O Ensino de Física e a matriz curricular do contexto analisado
O curso de Ciências da Natureza - Licenciatura da pesquisa habilita para o Ensino de Ciências da Natureza e suas tecnologias no Ensino Médio e Ciências Naturais no Ensino Fundamental. Esse curso oferece 50 vagas anuais pelo SISU e possuía em seu Projeto Pedagógico de Curso (PPC) 2015, carga horária total de 3.230 h, com 200 h de ACG, distribuídas em nove semestres. O curso não possuía componentes optativos em sua matriz curricular. Seu PPC 2015 é organizado em eixos temáticos como: (1) Formação pedagógica; (2) Universo; (3) Vida na Terra; (4) Tecnologia e desenvolvimento sustentável. Os eixos temáticos se inter-relacionam através da interdisciplinaridade. Todos os eixos possuem seus respectivos componentes curriculares.
Após análise foram identificados os componentes relacionados à Física que o curso dispõe em sua matriz curricular. Os dados obtidos na análise do PPC 2015 são apresentados no Quadro 1:
Quadro 1 - Componentes Curriculares de Física no curso analisado conforme PPC 2015.
Fonte: Autoras (2018).
Em seu PPC 2015, o curso não apresentava componentes curriculares complementares ou optativos, apenas obrigatórios. Dos componentes apresentados no Quadro 1, todos possuem carga horária de 60 h/aula, sendo 45h/a teóricas e 15h/a práticas, exceto o componente de 'Física dos Seres Vivos', que apresenta uma carga horária de 45h/a, com 30h/a teóricas e 15h/a práticas. Não há prérequisito para matrícula em nenhum dos componentes listados.
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Percebe-se com a análise, que a área de Física no curso está concentrada em poucos componentes curriculares, com carga horária baixa em relação às ementas propostas. Administrar o tempo de aula e os conteúdos previstos para cada componente torna-se um desafio aos professores da área. O mesmo é observado na Educação Básica, em que a redução de carga horária da Física impede que conceitos sejam explorados em sua totalidade. Neste sentido, cabe ressaltar que:
Nos últimos anos a carga horária das aulas de Física vem diminuindo drasticamente, levando os professores, cada vez mais, a selecionarem os conteúdos considerados importantes, o que invariavelmente acaba tornadose sinônimo de mecânica clássica, ou provocando distorções ao fazerem uma abordagem extremamente superficial dos conteúdos, dando a impressão ao estudante que a Física é um ramo da Matemática (PIRES; VEIT, 2006, p. 241).
Assim com componentes curriculares de Física que chegam a contemplar três áreas desta Ciência, como é o caso dos componentes C) e D) listados no Quadro 1, percebe-se a dificuldade que o docente do curso terá em aprofundar tais conhecimentos, com carga horária tão reduzidaO uso de recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação, por exemplo, podem ampliar o tempo de aula para além da permanência dos acadêmicos na Universidade, permitindo que os estudos da área sejam aprofundados. Porém, para que isto ocorra, é preciso que o docente permita-se fugir do tradicional, buscando inovação pedagógica em seu trabalho.
No PPC de 2017, que passou a vigorar no curso para as turmas ingressantes no ano de 2018, observa-se uma nova organização do curso e da área. O curso ainda prevê eixos que se inter-relacionam, dentre eles: (I) Ciências da Natureza; (II) Educação; (III) Formação de professores; (IV) Estágio; (V) Pesquisa; (VI) Flexibilização curricular. A Física apresenta-se na matriz curricular, conforme disposto no Quadro 2:
Quadro 2 - Componentes Curriculares de Física no curso analisado conforme PPC 2017.
Fonte: Autoras (2018).
Nota-se uma melhor distribuição dos conceitos de Física nesta nova organização do curso, com um maior número de componentes da área. As componentes possuem uma carga horária de 60h/a, sendo 45h/a teóricas e 15h/a
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práticas. Todos os componentes apresentam pré-requisitos para cursá-las -aprovação no componente ofertado anteriormente. Neste documento, também observa-se a inclusão de componentes complementares (optativos), dentre eles: Física dos Seres Vivos; Instrumentação para o Ensino de Física; Laboratório de Física.
Em relação aos PPCs analisados, versões 2015 e 2017, indicam que de acordo com as mudanças ocorridas no PPC 2017 do curso, a área da Física passará a ter maior destaque, pelo menos no que se refere à sua matriz curricular, tendo sua carga horária total sendo praticamente dobrada, passando de cinco componentes (PPC 2015) para dez componentes (PPC 2017). Estas mudanças sinalizam uma melhora no Ensino de Física na formação docente em Ciências da Natureza, cabendo destacar que este profissional, ainda atuará nas áreas de Química e de Biologia da Educação Básica. Porém, o aumento da carga horária, apesar de ser um primeiro indicativo de melhoria na área, não garante sua efetivação. O fazer pedagógico do professor, ainda exerce maior efeito neste processo formativo dos acadêmicos.
## O Ensino de Física sob o olhar dos acadêmicos e egressos
Por meio de uma pesquisa de opinião, com uso de questionário virtual publicado em redes sociais, foi possível analisar o Ensino de Física na percepção dos acadêmicos e egressos do curso de Ciências da Natureza- Licenciatura. O instrumento foi respondido por 22 pessoas, sendo quatro egressos e 18 acadêmicos, sendo o período cursado por estes participantes, apresentado no Gráfico 1:
Gráfico 1 - Período do curso dos acadêmicos participantes da pesquisa.
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Fonte: Autoras da pesquisa, 2018.
Todos os participantes já haviam cursado componentes curriculares de Física no curso. Dentre os componentes cursados: Universo Origem (22); Leis Físicas do Movimento e Aplicações Biológicas (17); Leis Físicas na Natureza: oscilações, ondas e fluidos (19); Leis Físicas da Eletricidade e Magnetismo (15); Física dos Seres Vivos (15). Como não participaram do estudo acadêmicos do primeiro período do curso, todos os componentes cursados e citados na pesquisa, compõem o PPC 2015, analisado e descrito anteriormente.
Os participantes foram questionados se já haviam reprovado em algum destes componentes, dos respondentes 54,5% (12) já haviam reprovado. Este alto índice de reprovações, reflete o que também ocorre na Educação Básica. Além das metodologias e formas avaliativas adotadas pelo professor de Física, fatores como problemas de interpretação e pouco domínio da Matemática, também corroboram
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com este cenário. No contexto da pesquisa, muitos alunos são oriundos de escolas de Educação Básica com baixo índice de desenvolvimento (IDEB), conforme avaliado pelo MEC, que também acaba por influenciar no desempenho acadêmico destes. O curso em questão é noturno, com a maioria de seus estudantes trabalhando no período diurno, sendo este, outro fator que pode explicar as reprovações, uma vez que muitos possuem pouco tempo disponível para estudos extraclasses.
Em relação ao Ensino de Física e a formação docente em Ciências da Natureza, os participantes foram questionados sobre as dificuldades no estudo dos conceitos da área de Física. A metade dos participantes afirmou não apresentar dificuldade no entendimento da área (11). A outra metade, afirmou ter dificuldades relacionadas ao entendimento de conceitos de Física, ressaltando a Matemática como um dos entraves. Outros citaram ainda: problemas de interpretação e aplicação dos conceitos estudados com o cotidiano; o fato de não ter cursado o Ensino Médio regular e sim o Curso Normal, que não apresenta este componente; intervalo de tempo longo entre o término do Ensino Médio e o ingresso na Universidade. Dentre as respostas obtidas, destacam-se alguns trechos que confirmam o exposto:
- '[...] Pois, os conteúdos na maioria das vezes são abstratos. E, isto faz com que sejam de difícil percepção no cotidiano [...]'.
'Não tenho grandes dificuldades em relação ao entendimento da parte teórica dos conteúdos, minhas dificuldades maiores são em relação a resoluções matemática dos cálculos. Acredito que essa dificuldade seja ter cursado o curso Normal e nele não ter presenciado muitos conteúdos de física ou matemática.'
Em relação à importância dos conhecimentos de Física na constituição do professor de Ciências da Natureza, os participantes foram unanimes em afirmar que a Física é importante neste contexto. Muitos relacionaram sua importância com a compreensão dos fenômenos naturais e tecnológicos em sua totalidade, aliados aos conceitos de Biologia e Química que também compõem o curso. Outros ressaltaram que os conhecimentos da área da Física serão exigidos no trabalho de sala de aula, enquanto futuros professores da Educação Básica. Destaca-se a seguinte resposta:
'O professor de Ciências da Natureza tem que ter conhecimentos relacionados a Física. Pois, ela explica os fenômenos que ocorrem na natureza e faz com que possamos compreender o mundo que nos cerca.'
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996) orienta para a utilização do cotidiano do aluno com o intuito de compreensão dos conhecimentos, indo de encontro às falas dos participantes da pesquisa. Assim, torna-se indispensável a atuação do professor embasada em novas metodologias, possibilitando que o Ensino de Física torne-se mais atrativo, com real significado no contexto do aluno.
## Considerações Finais.
A área de Ciências da Natureza vem ganhando espaço não somente nos cursos de formação de professores, por meio de licenciaturas com este enfoque, mas também, na Educação Básica através de documentos educacionais como a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017), que propõe uma estruturação por
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áreas para este nível de ensino, sendo a Ciências da Natureza, uma destas. O Ensino de Física se faz presente neste contexto, necessitando ser avaliado e repensado neste novo cenário.
Com a pesquisa, pode-se verificar que no contexto analisado, há um esforço para que o Ensino de Física seja contemplado de forma integral na formação docente em Ciências da Natureza, havendo reestruturação em seu PPC, com aumento de carga horária total e criação de novos componentes da área. Desta forma, percebe-se que no curso há uma abordagem de todas as áreas da Física, desde a Física Clássica até a Moderna, perpassando por componentes com viés do ensino, oportunizando assim, uma formação integral na área da Física para os acadêmicos do curso.
Com a análise das opiniões dos acadêmicos e egressos, pode-se verificar o alto índice de reprovação em Física no curso, sendo destacados fatores como: falta de domínio dos cálculos na Matemática, de interpretação de textos em Português, não ter tido o componente na Educação Básica, entre outros. Apesar deste índice, todos os participantes ressaltaram a importância da Física na compreensão dos fenômenos de Ciências da Natureza e a influencia destes conhecimentos em sua futura atuação docente.
Assim, sabe-se que o profissional em Ciências da Natureza é diferenciado, porque estuda uma área e não apenas um conhecimento específico, não podendo ser exigido deste, um perfil de um licenciado em Física. Este novo cenário precisa ser refletido e analisado, para que a Física seja contemplada na formação de Ciências da Natureza, não de forma superficial, permitindo sua compreensão e aplicação em diferentes contextos, sem que se perca a qualidade no ensino da mesma.
## Referências
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CAVALCANTE, M. A.; BONIZZIA, A.; GOMES, L. C. P. O ensino e aprendizagem de Física no Século XXI: sistemas de aquisição de dados nas escolas brasileiras, uma possibilidade real. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 31, n. 4, p. 4501-14501-6, 2009
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social . 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999.
MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo . 4.ed. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.
PIRES, M. A; VEIT, E.A. Tecnologias de Informação e Comunicação para ampliar e motivar o aprendizado de Física no Ensino Médio. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 28, n. 2, p. 241 - 248, (2006)
PINTO, M .G. C. S. M.; PINTO, A. S. L. G. Formação inicial de professores: as licenciaturas interdisciplinares . In: X ANPED SUL, 2014, Florianópolis. Anais - Trabalhos Completos, Florianópolis, 2014.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais : a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo, Atlas, 1987. 175p.
XAVIER, J. C. Ensino de Física : presente e futuro. Atas do XV Simpósio Nacional Ensino de Física, 2005.
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