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O PAPEL DA PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORAS E PROFESSORES DE FÍSICA

Ester Cristina Guerra, Marcos Corrêa Da Silva, Julia Pereira Carvalho, Thiago Vieira De Oliveira, Ronei Leandro Coelho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIII
Ano
2019
Data
28/01/2019
Linha de pesquisa
Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O PAPEL DA PESQUISA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORAS E PROFESSORES DE FÍSICA

Ester Cristina Guerra¹, Marcos Corrêa da Silva², Julia Pereira Carvalho³, Thiago Vieira de Oliveira 4 , Ronei Leandro Coelho 5

¹CEFET-RJ Campus Petrópolis/ licenciatura em física/ esterguerra.cefet@gmail.com ²CEFET-RJ Campus Petrópolis/ licenciatura em física/ marcos.fismarc@gmail.com ³ CEFET-RJ Campus Petrópolis/ Engenharia ambiental/ juliapcarvalho@globo.com 4 CEFET-RJ Campus Petrópolis/ licenciatura em física/ tvdo1993@gmail.com 5 CIEP 137 Cecilia Meireles/ professor de física/ roneicoelho1@gmail.com

## Resumo

Este trabalho se constitui numa reflexão acerca da pesquisa e o seu papel na formação de professores. Seu objetivo é discutir a importância da formação para a pesquisa no processo de formação docente, situando a pesquisa no campo da educação e problematizando a relação universidade - escola nesse contexto. Parte de uma experiência de pesquisa vivenciada na escola de educação básica por duas alunas do Curso de Licenciatura em Física do CEFET/RJ, campus Petrópolis. Essas alunas eram bolsistas do PIBID quando decidiram investigar as dificuldades de aprendizagem de conceitos sobre propagação de calor de alunos da 2ª série do ensino médio numa escola pública estadual de Petrópolis. Através do relato das bolsistas em reunião do PIBID, sobre o desenvolvimento da pesquisa e seus resultados, foi possível perceber que houve a adoção espontânea de uma forma de fazer pesquisa que adere ao paradigma positivista. Partindo, então dessa experiência, desencadeou-se um processo de reflexão que problematizou as formas de fazer pesquisa em educação e seus pressupostos ontológicos, epistemológicos e metodológicos. Através de uma metodologia qualitativa que traz como seu principal elemento a narrativa, buscamos as vozes das bolsistas para, a partir delas, trazer elementos que defendem a importância de se formar o professor para a pesquisa relacionada à sua prática, cuidando de pensar a forma como essa pesquisa se desenvolve e que tipo de relação é estabelecida com a escola e seus sujeitos.

Palavras-chave: Formação docente; paradigmas de pesquisa; pesquisa em educação.

## Introdução

Este trabalho apresenta a aproximação que duas licenciandas em Física, do Curso de Licenciatura em Física do CEFET/RJ, campus Petrópolis, bolsistas do PIBID, tiveram da pesquisa na escola de educação básica. A forma como a pesquisa delas se desenvolveu chamou a atenção, pois seus pressupostos e os instrumentos de análise utilizados apontaram para a adoção de um paradigma positivista.

Nosso objeto de interesse aqui são as reflexões das bolsistas acerca de sua experiência com a pesquisa em educação despertadas pela análise crítica do material que apresentaram em reuniões do PIBID.

A adoção espontânea de elementos do paradigma positivista (ESTEBAN, 2010) motivou esta reflexão, visto que as estudantes não haviam tido contato prévio

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com atividades de pesquisa em ensino, seja através do PIBID, iniciação científica, ou disciplinas da graduação, bem como relataram não terem feito qualquer leitura prévia acerca das formas como uma pesquisa em educação deve ser conduzida, enquanto planejavam a ação na escola.

O discurso acerca da importância da pesquisa na formação do professor tem sido bastante explorado, juntamente com os perfis de professor reflexivo, crítico ou intelectual crítico (FAGUNDES, 2016). As aproximações entre a universidade e a escola de educação básica nos processos de formação docente também tem se tornado centrais na pesquisa e nos documentos oficiais que tratam dessa formação (BRASIL, 2015). Daí, considerarmos importante pensar a pesquisa na formação de professores, uma vez que a relação universidade-escola tem se fortalecido, assim como o papel da pesquisa na formação docente.

A questão que colocamos aqui diz respeito à importância que a formação para a pesquisa tem para os futuros professores e à necessidade de se discutir as relações entre os diferentes paradigmas de pesquisa e os pressupostos acerca de quais são as peças fundamentais que compõem o mundo natural e o mundo social. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho é discutir a importância da formação para a pesquisa no processo de formação docente, situando a pesquisa no campo da educação e problematizando a relação universidade - escola nesse contexto.

## A pesquisa qualitativa em educação

Esteban (2010) apresenta diferentes paradigmas possíveis de serem usados na pesquisa em educação: o positivista, o interpretativo e o sociocrítico. Abaixo, na tabela 1, apresentamos um recorte de uma de suas tabelas, na qual estabelece dimensões relacionadas à pesquisa.

Quadro 1: Síntese das características dos paradigmas de pesquisa. (ESTEBAN, 2010, p. 34-35)

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A apresentação desse quadro nos ajuda a pensar as relações existentes entre aspectos ontológicos, epistemológicos e metodológicos. Quando se planeja uma pesquisa, sua finalidade, a escolha dos métodos para obtenção de dados e sua análise, carregam de forma subjacente as formas como se pressupõe que a realidade seja constituída e as formas pelas quais é possível conhecê-la. Sendo assim, se torna importante na formação de professores com base na pesquisa que se possa problematizar essas escolhas, mostrando que não são espontâneas, nem sequer neutras, já que carregam concepções acerca de como a realidade é, de como se produz ciência e de qual é o papel que o professor e o pesquisador possuem na sociedade.

Moreira e Caleffe (2006) discutindo pesquisas realizadas na escola por professores pesquisadores discutem a relação entre aspectos ontológicos, epistemológicos e metodológicos.

A escolha do problema, a formulação das questões a serem respondidas, a caracterização dos alunos e professores, as preocupações metodológicas, o tipo de dados e o modo de analisá-los - tudo isso é influenciado ou determinado pela visão de mundo assumida pelo pesquisador. (p. 41)

Voltando às informações do quadro 1, vemos que o paradigma positivista concebe a realidade como estática, única, estável, fragmentável e, por isso, capaz de ser captada através da observação sistemática e neutra. Seus métodos de aquisição de dados incluem o uso de instrumentos de medição, o uso de testes e questionários. A análise é feita por intermédio do uso de métodos quantitativos e estatísticos, sempre buscando a generalização.

Ao adotar essa matriz, o pesquisador reduz os processos educativos que ocorrem na escola a um conjunto de variáveis que, uma vez reconhecidas, podem ser controladas por intermédio de alguma lei universal. E a forma de se ter acesso a esses dados é através da observação, tendo garantida a neutralidade do pesquisador frente a realidade pesquisada.

Gamboa (2012) ao discutir o problema epistemológico da pesquisa educativa nos coloca que em educação predominou durante muito tempo as concepções positivistas de ciência e, mais recentemente, tem-se contraposto a ela novas tendências epistemológicas, tais como a 'pesquisa participante' e a 'pesquisa-ação'.

De acordo com o autor

critica-se a pretensão de se reduzir a complexidade do real à visão simplista e superficial de uma fotografia estática. A perspectiva analítica que fundamenta o positivismo conduz à separação, por um lado, dos que investigam, produzem o conhecimento, determinam seu uso e 'dirigem ao

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povo em seu próprio nome ou com frequência em nome de para quem trabalham' (Brandão, 1981, p. 10) (GAMBOA, 2012, p. 31)

## Metodologia

Esse trabalho pode ser localizado como uma pesquisa qualitativa que tem como seu elemento principal a narrativa das bolsistas do PIBID acerca de seu trabalho e da reflexão provocada por ele. Ele é parte do processo reflexivo inerente à formação do professor que desenvolvemos no PIBID do Curso de Licenciatura em Física do CEFET/RJ, campus Petrópolis. Podemos dizer que usamos nossa experiência de análise do trabalho das bolsistas como forma de traçar um percurso reflexivo acerca da importância de se formar o professor para a pesquisa em educação.

Para tanto, trazemos no texto a voz das bolsistas como elementos de discussão em dois momentos: primeiro, ao relatar sua experiência de pesquisa na escola para a caracterização daquilo que chamamos de adesão da pesquisa a uma matriz positivista. Segundo, quando relatamos em citação direta, suas reflexões sobre o trabalho realizado após termos debatido em reunião aspectos importantes da realização de pesquisas no campo da educação.

## A pesquisa realizada pelas bolsistas

A pesquisa foi desenvolvida numa escola pública da rede estadual no município de Petrópolis, nas turmas 2001 a 2004,de 2a série do Ensino Médio. Tinha como principal objetivo identificar as principais dificuldades de aprendizagem dos estudantes sobre conceitos de propagação do calor. Esse assunto já havia sido abordado pelo professor por meio de várias estratégias: de forma experimental, tradicional (aula expositiva no quadro) e por recursos audiovisuais.

Para identificar as dificuldades de aprendizagem, as bolsistas analisaram as provas realizadas pelos alunos ao final do 1º bimestre, num total de 110 provas, gerando um estudo de cunho estatístico, no qual se obteve o percentual de acertos dos alunos, por turma, em cada questão. Esses resultados são mostrados no Quadro 2.

Esse estudo quantitativo permitiu a formulação de hipóteses que apontaram para o controle de algumas variáveis que se acreditava influenciar de forma expressiva a aprendizagem dos alunos. Com os dados, buscou-se, por exemplo, relacionar o alto percentual de acertos em algumas questões às aulas em que o professor tinha usado a experimentação como principal estratégia didática. Esse dado parecia confirmar uma hipótese inicial que apontava o uso da experimentação como uma estratégia de sucesso. Ou seja, turmas que tiveram aulas sobre propagação do calor com o apoio de atividades experimentais aprenderiam melhor os conteúdos do que aquelas que não tiveram esse suporte.

Quadro 2: Percentual de acertos por questão e por turma.

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Vários fatores foram apontados como relevantes para o bom desempenho na prova. Eles foram transformados em variáveis, as quais poderiam ser manipuladas para se produzir bons resultados de aprendizagem. Esses fatores eram: (i) número total de alunos por turma; (ii) divisão ou não dos tempos de aula; (iii) descrições e características da turma; (iv) uso de experimentação como estratégia didática.

## A análise da pesquisa

Quais elementos desse trabalho nos permite relacioná-lo a uma matriz positivista?

A existência de uma hipótese a ser verificada e a condução da análise de dados pelas bolsistas para que houvesse a confirmação de que o uso de experimentação como estratégia didática favorecia a aprendizagem dos estudantes. Elas relataram que manipularam informações buscando a verificação de sua hipótese.

A realidade estudada foi considerada como única, não sendo feita nenhuma consideração acerca dos alunos e sua origem social, condições de vida, aspectos socioculturais da escola em que estudam, suas relações com o professor e com o conhecimento, ou outras questões que possam mostrar a complexidade inerente ao processo educativo e seu caráter local, pautado nas relações sociais. A aprendizagem dos estudantes foi condicionada a um conjunto de elementos passíveis de serem controlados para a obtenção de resultados satisfatórios de aprendizagem. O bom resultado nas avaliações propostas na escola dependia do controle adequado de variáveis como número de alunos, divisão de tempos de aula e uso de experimentos no ensino de Física.

Quanto ao instrumento usado na obtenção de dados para análise, tivemos a prova como única fonte de dados considerada pelas bolsistas para avaliar a aprendizagem dos estudantes. Através da análise de erros e acertos numa única avaliação foram feitas inferências sobre fatores que influenciariam a aprendizagem.

Nos métodos de análise de dados, foi feito o uso exclusivo de métodos quantitativos e estatísticos.

A confrontação das informações da pesquisa com o Quadro 1 da Esteban nos permitiu apresentar para os participantes da reunião do PIBID a adequação do trabalho de pesquisa das bolsistas à matriz positivista.

Essa percepção serviu como mote para a discussão acerca de diferentes formas de abordagem da pesquisa em educação, que incluem outros paradigmas associados à pesquisa qualitativa e às ciências humanas, das quais, a pesquisa em educação em ciências e ensino de Física se situam (DELIZOICOV, 2004).

## A reflexão realizada pelas bolsistas, autoras da pesquisa

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Essas discussões ocorreram num momento em que o PIBID e vários outros programas do governo estavam sob ataque. Foram algumas tentativas de aprovação de reformas trabalhistas, da previdência e do Ensino Médio, o sucateamento da UERJ, atraso no pagamento dos bolsistas do CNPq e o possível corte de bolsas do PIBID, implementação da escola em tempo integral e, no âmbito local, o fechamento do turno da tarde do Ciep Cecília Meireles, aonde o trabalho foi desenvolvido. Essas questões trouxeram para o PIBID uma dimensão política que antes era pouco discutida e permitiu delinear, com mais clareza para os bolsistas, as relações que a educação e a escola possuem com a sociedade, bem como as formas como questões de caráter político e ideológico interferem no cotidiano escolar e, consequentemente, no trabalho do professor.

A política e suas operações sobre a sociedade mostraram as complexas relações que envolvem entender a escola e seus processos, mesmo que estejamos olhando para um âmbito mais restrito, como foi o caso da pesquisa desenvolvida pelas bolsistas, as quais estavam interessadas em compreender e aprimorar o processo de aprendizagem de conceitos sobre propagação do calor.

Junto com essa percepção, veio a tomada de consciência sobre a forma como a pesquisa foi desenvolvida. As mesmas pessoas que se posicionavam politicamente de forma crítica, lançavam um olhar ingênuo sobre a pesquisa em ensino de Física, valendo-se de pressupostos que contradiziam suas posturas ideológicas, como revela a fala de uma das autoras da pesquisa.

Particularmente, sou militante de movimentos progressistas que representam as minorias. A adoção da matriz positivista no nosso desenho de pesquisa me desapontou quanto pessoa, pois destoava das minhas convicções como cidadã. Pautada na verificação, liberdade de valores, quantitatividade, controle e manipulação de dados o paradigma positivista não diz muito sobre como sinto e vejo a escola, a educação pública e a relação ensino-aprendizagem.

Essas reflexões nos levaram ao questionamento quanto a razão pela qual o paradigma positivista foi adotado de forma espontânea, mesmo por pessoas, cuja visão de mundo parece contradizer os pressupostos do positivismo.

Essa maneira de se realizar pesquisa se consolidou historicamente, junto com o desenvolvimento das ciências da natureza e influenciou sobremaneira a pesquisa social (GAMBOA, 2012, LÖWY, 2003). Sua presença num curso de licenciatura em Física está vívida, principalmente nas disciplinas de conteúdo específico da Física e, mais ainda, naquelas que envolvem o uso do laboratório.

O Curso de Licenciatura em Física do CEFET/RJ, campus Petrópolis ainda é marcado pela separação entre disciplinas de conteúdo específico da Física e aquelas de conhecimento pedagógico, reproduzindo em vários aspectos, a separação consolidada pelo conhecido modelo de formação 3 + 1 (DIAS e PASSOS, 2016, ANDRADE e RESENDE, 2010).

Mais uma vez, a fala de uma das bolsistas do PIBID nos apoia.

Como aluna da física lido exatamente dessa forma com a natureza, a instrumentalização matemática nos permite o controle de variáveis para previsão de fenômenos. Contudo, a discussão proposta é: Seria a pesquisa

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positivista uma lente limitada quando tratamos de pesquisa no campo da educação? A pesquisa no ensino de física tem certa regularidade em adotar essa matriz devida sua formação/trajetória acadêmica? Diante disto, fica evidente a dissonância entre minha atitude e comportamento. Todo esse confronto nos permitiu trabalhar em cima da adoção espontânea do paradigma positivista no ensino de ciências.

A possibilidade de adoção espontânea do paradigma positivista de pesquisa por alunos de licenciatura, futuros professores, nos despertou para a necessidade de trabalhar a pesquisa em educação e suas múltiplas abordagens, a fim de que essa visão que se mostrou tão naturalizada, não se torne a única forma de se fazer pesquisa dos futuros professores, quando os mesmos sentirem necessidade de investigar os processos socioeducativos que envolvem a sua prática profissional.

Mesmo que não estejamos tratando de formar professores-pesquisadores, discutir de forma abrangente a pesquisa em educação se torna elemento fundamental da formação docente. A escola pública está cercada de inúmeros desafios e obstáculos que não podem ser ignorados tão pouco tratados como limitadores de ações, mas, sim como motivadores delas. 'A partir disso o profissional docente necessita de uma formação teórica clara, não ingênua ou tendenciosamente neutra'. (LÜDKE in ANDRÉ,2001, p.51)

## Considerações finais

A pesquisa a ser realizada na escola, seja ela conduzida por pesquisadores da universidade, seja por professores em formação, precisa ser desenvolvida com a intenção de cuidar da relação que está se construindo entre essas duas instituições. Historicamente, vemos um fosso construído criado entre universidade e escola. O esforço por uni-las parte do princípio de que nessas instituições se produz conhecimento e não há como dizer que aquele que se produz na universidade tem status epistemológico superior ao que circula na escola.

Ao enxergar a educação, o ensino e a docência como práticas sociais, se estabelece a multiplicidade dos agentes e fatores socioculturais que constroem essa atividade, além do caráter imponderável que se dá a ação dos agentes sociais que a constituem. Vistos dessa maneira, educação e ensino se mostram como fenômenos complexos e o paradigma positivista já se mostrou limitado para lidar com as questões sociais advindas da escola e de seus processos.

Formar professores implica em mostrar o trabalho docente através de suas dimensões sociais e culturais, problematizando aspectos relacionados ao processo de ensino-aprendizagem, bem como as atividades de pesquisa nessas áreas, apresentando a diversidade epistemológica e metodológica que se apresenta no âmbito das ciências humanas e sociais. Essa formação em pesquisa pode permitir ao futuro professor a possibilidade de investigar a sua prática sob óticas diversas, que não apenas aquela advinda de uma matriz positivista que ainda predomina nas investigações, principalmente, naquelas ligadas às ciências da natureza. Como nos aponta Lüdke

O futuro professor que não tiver acesso à informação e à prática de pesquisa terá, ao meu ver, menos recursos para questionar devidamente sua prática e todo o contexto no qual ela se insere, o que o levaria em direção a uma profissionalidade autônoma e responsável. (LÜDKE in ANDRÉ, 2001, p.51).

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O processo de formação docente está vitalmente ligado à reflexão sobre o mundo. Compartilhar as ações, para reorientação é compreender que o percurso da formação docente não se faz de forma técnica, nem sozinho, mas sempre acompanhado dos agentes que o compõem.

## Referências bibliográficas

ANDRADE, R. C. R., RESENDE, M. R. Aspectos legais do estágio na formação de professores: uma retrospectiva histórica. Educação em Perspectiva, Viçosa, v. 1, n. 2, 2010.

ANDRÉ, M.(org.) O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus,2001

BRASIL. Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial, em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF, 2015. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_docman&view=download&alias=7043 1-res-cne-cp-002-03072015-pdf&category\_slug=agosto-2017-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 14 jul. 2018.

DELIZOICOV, D. Pesquisa em Ensino de Ciências como Ciências Humanas Aplicada. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 21, p.145 - 175, 2004.

DIAS, A. M. I., PASSOS, C.M.B. Passado e presente na formação de professores: por entre perspectivas históricas, legais e políticas. Revista Internacional de Formação de Professores, v. 1, n. 2, 2016.

ESTEBAN, S. M. P. Pesquisa qualitativa em educação: fundamentos e tradições . Porto Alegre: Artmed, 2010.

FAGUNDES, T. B. Os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo: perspectivas do trabalho docente.Revista Brasileira de Educação, v.21, n.65, 2016.

GAMBOA, S. S. Pesquisa em educação: métodos e epistemologias. Santa Catarina: Argos, 2012.

MARANDINO, M. A prática de ensino nas licenciaturas e a pesquisa em ensino de ciências: Questões atuais. Cad.Bras.Ens.Fís.,v.20, n.2: p.168-193,ago.2003

MOREIRA, H., CALEFFE, L.G. Metodologia de pesquisa para o professor pesquisador. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.