CARACTERIZAÇÃO DAS DISSERTAÇÕES DO MESTRADO NACIONAL PROFISSIONAL DE ENSINO DE FÍSICA DEFENDIDAS NO PERÍODO DE 2014 A 2017
Fabiana Gozze Soares, Agenor Pina Da Silva, Newton De Figueiredo Filho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Formação, Práticas E Desenvolvimento Profissional Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CARACTERIZAÇÃO DAS DISSERTAÇÕES DO MESTRADO NACIONAL PROFISSIONAL DE ENSINO DE FÍSICA DEFENDIDAS NO PERÍODO DE 2014 A 2017
Fabiana Gozze Soares 1 , Agenor Pina da Silva 2 , Newton de Figueiredo Filho 3
1 UNIFEI/IFQ/fabi.gozze@gmail.com
2 UNIFEI/IFQ/agenor@unifei.edu.br
3 UNIFEI/IFQ/newton@unifei.edu.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta um estudo bibliográfico de Estado da Arte acerca de dissertações da área de ensino de Astronomia, tendo por objetivo apontar as contribuições dos trabalhos apresentados no Programa de Mestrado Nacional Profissional de Ensino de Física (MNPEF) promovido pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) iniciado em 2013. Mapeamos dissertações defendidas no Mestrado Nacional Profissional de Ensino de Física no período de 2014, quando o programa iniciou suas defesas e publicações, até o ano de 2017. Agrupamos esses trabalhos em categorias descritas em produção anual, níveis de ensino, conteúdos abordados, estratégias didáticas utilizadas e produtos desenvolvidos pelos autores. Verificamos que tais dissertações presentes no Programa do Mestrado Nacional Profissional de Ensino de Física procuram atender as demandas existentes na educação básica na área de Ensino de Física, sendo especificada neste trabalho as dissertações voltadas ao Ensino de Astronomia podendo ter não somente seus produtos utilizados, como também roteiros, planos de aula e sequências de ensino no ensino de Astronomia, assim como, no ensino de Física e no ensino de outras áreas de conhecimento. Sendo assim, este trabalho pretende indicar possíveis necessidades a serem supridas por futuras pesquisas na área de Ensino de Astronomia auxiliando como material de pesquisa para professores pesquisadores.
Palavras-chave : Ensino de Ciências. Ensino de Astronomia. Formação de Professores.
## Introdução
A formação inicial do docente atuante na área de Ensino de Física é extremamente importante, sendo necessário que este tenha os conhecimentos básicos necessários para ir para o mercado de trabalho. Dentro dos conhecimentos necessários está o da área de Astronomia, que apresenta algumas deficiências: falta de conhecimento dos professores, livros com erros conceituais, materiais inadequados, segundo Costa (2016).
Quando essas deficiências não são sanadas durante a formação inicial do professor, tais lacunas podem ser preenchidas em uma formação continuada, na Pós-Graduação, sendo o Mestrado Profissional uma dessas opções, pois ele tem o intuito de em suas pesquisas produzir materiais que auxiliem na melhora da prática docente em sala de aula, além de preencher lacunas, quando necessário, oriunda da formação inicial do pós-graduando (MOREIRA; NARDI, 2009).
Em relação ao Ensino de Ciências, os mestrados profissionais têm por objetivo melhorar o Ensino de Ciências através de uma maior qualificação de professores dessa área, visto que, esta modalidade de nível de ensino atende em
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sua maioria professores em exercício, podendo se estender a recém-formados em licenciatura ou profissionais atuantes em áreas não-formais ou informais de ensino (MOREIRA e NARDI, 2009). A relevância deste tipo de programa se dá por conta da reflexão provocada no profissional enquanto mestrando acerca do resultado que seu trabalho vem a contribuir para o sistema de ensino básico (MOREIRA, 2004).
Desta forma, este trabalho tem por intuito mostrar as contribuições apresentadas nas dissertações presentes no Mestrado Nacional Profissional de Ensino de Física no período de 2014 a 2017 e assim, apontar necessidades que podem vir a ser supridas em futuras pesquisas sendo possível utilizar este trabalho como meio de consulta.
## Metodologia
- O tipo de pesquisa utilizada neste trabalho é a bibliográfica, que, segundo Gil (2008), tem como objetivo estudar um material elaborado e já analisado, como livros, artigos científicos, teses e dissertações. Para esse autor, a principal vantagem deste tipo de pesquisa permite ao investigador analisar uma vasta gama de fenômenos, além de abordar as diversas posições acerca de um problema. Além disso, Fonseca (2002) aponta que
- (...). Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem porém, pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura resposta. (p.32)
Primeiramente foi feito um levantamento das dissertações defendidas no âmbito geral de Ensino de Física pelo programa de MNPEF entre os anos 2014 e 2017 inseridos no Banco de Dissertações do MNPEF. Este banco de dissertações promove a visibilidade da produção científica do programa MNPEF e, claro, das instituições de ensino e pesquisa participantes do programa. Entretanto, também foi necessário realizar um cruzamento de dados acerca dos trabalhos defendidos com os sites das instituições inseridas no programa, pois nem todas as dissertações se encontravam no portal da SBF, sendo necessário verificar as produções nos sites dos 63 polos participantes do programa, embora alguns sites também não estejam atualizados quanto as defesas.
Para identificarmos trabalhos voltados para o Ensino de Astronomia (EA) procuramos nos títulos dos trabalhos pelas palavras chave Astronomia, Astrofísica, Ensino de Astronomia, Planetas, Estrelas e Sistema Solar. Após essa etapa, foi realizada a leitura dos resumos para verificar se os trabalhos selecionados eram voltados ao EA.
A partir das dissertações agrupamos os trabalhos da forma descrita abaixo:
- · Níveis de ensino: apontamos trabalhos voltados para formação de professores, trabalhos destinados ao ensino técnico, voltados ao Ensino Fundamental e voltados ao Ensino Médio;
- · Quais recursos educacionais foram utilizados;
- · Quais conteúdos de Astronomia foram abordados.
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## Resultados obtidos e análise
Apuramos nos 63 polos pertencentes ao MNPEF atualmente, 42 trabalhos realizados na área de Ensino de Astronomia. Na Tabela 01 é feita a comparação entre o número de dissertações em Ensino de Astronomia em relação ao número total de dissertações defendidas no programa na área de Ensino de Física desde sua criação.
Tabela 01: Produção de dissertações em Física e Astronomia
Podemos observar que o número de dissertações o EA é pequena em relação ao número total de dissertações do programa. Além disso, até 2016 houve um crescimento no número de dissertações defendidas, caindo em 2017.
Dentre os conteúdos de Astronomia que foram mais abordados nesses trabalhos, temos: Eclipses, Constelações, Mecânica Celeste, Sistema Terra - Sol Lua, Fases da Lua, Evolução Estelar, Sistema Solar, Origem do Universo e Estações do Ano. Há um grande número de temas que aparecem em mais de um trabalho. Esse resultado é importante de ser destacado, pois, na maioria das vezes, os temas tradicionais (como eclipse, estações do ano, pontos cardeais, origem do universo e evolução estelar) ainda são os que mais aparecem nos trabalhos apresentados nos meios científicos (LANGHI e NARDI, 2010; BATISTA et al, 2017; BRETONES e ORTELAN, 2012).
Em relação aos produtos produzidos, estes se apresentam em sete modalidades:
- · Sequência de Ensino: apresenta o intuito de promover formas diferenciadas de aprendizado (BELLUCCO, 2014). As SEs, foram introduzidas principalmente nos trabalhos desenvolvidos em Clubes de Astronomia;
- · Sequência Didática: programada para ter um papel importante ao longo do ano dentro do currículo definido de cada ano letivo (MEIRELLES, 2014), as SDs foram propostas em sua maioria para aplicação em conteúdos do Ensino Médio, visto que, esses conteúdos além de trazerem os conteúdos de Astronomia, visavam atender aos conteúdos de Física de forma concomitante;
- · Livro/Apostila: o livro foi pensado não apenas em sua utilização pelo professor, mas também pelo aluno que deseja aprender o conteúdo de Astronomia; já a apostila, foi pensada apenas na formação do professor enquanto aluno.
- · Game: o jogo foi utilizado para ensinar sob uma perspectiva mais lúdica os conceitos de Física e Astronomia;
- · Maquete tátil: foi desenvolvida para ser utilizada com alunos possuidores de necessidades especiais, neste caso, possuidor de algum grau de deficiência visual;
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- · Plano de aula: utilizado de forma a facilitar o trabalho docente em sala de aula (DORTA, 2013), foi utilizado na aplicação de uma aula para o ensino de astronomia;
- · HQ: utilizada para auxiliar no desenvolvimento do imaginário do aluno (NASCIMENTO, 2013) foi aplicada para contextualizar o conteúdo abordado em sala de aula.
Em relação aos Níveis de Ensino, agrupamos em 4 categorias: Ensino Superior, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Outros. O Ensino Superior se refere à materiais destinados à formação de professores tendo 1 trabalho destinado a ele. Na categoria Outros e Ensino Fundamental, temos 4 trabalhos em cada categoria, e no Ensino Médio temos 37 trabalhos. Devemos salientar que há trabalhos que se encaixam em mais de uma categoria, como por exemplos, as propostas que foram aplicadas em Clubes de Astronomia e Ensino Técnico se encaixam na Categoria Outros, sendo aplicada para alunos do Ensino Fundamental e Médio.
Nos recursos educacionais utilizados identificamos práticas de observação (6 dissertações) sendo desenvolvidas em sua maioria quando inseridas dentro de sequências apresentadas para Clube de Astronomia. Essas práticas consistiam em observação do céu durante o dia e à noite, se valendo de observações a olho nu e com instrumentos produzidos por alunos. Além da observação, houve trabalhos que utilizaram a História da Astronomia e Mitos Indígenas (7 dissertações). Entretanto em sua maioria, os autores utilizaram a experimentação (20 dissertações) construindo modelos e sistemas astronômicos, e simuladores em suas práticas (27 dissertações).
## Considerações finais
Os trabalhos em Ensino de Astronomia vêm crescendo ao longo dos anos e os Mestrados Profissionais tiveram (e ainda têm) um papel importante nesse crescimento, pois visa atender a demanda não somente existente no ensino básico, mas também no ensino superior. O poder de estar presente em diversas áreas do conhecimento fica bem ilustrado por Poincaré (1995), que enfatiza que o ensino de Astronomia favorece a formação do aluno, não apenas dentro da área acadêmica, mas como cidadão. Segundo ele,
A astronomia é útil porque nos leva acima de nós mesmos; é útil porque é grande; é útil porque nos mostra quão pequeno é o homem no corpo e quão grande é no espírito, já que essa imensidão resplandecente, onde seu corpo não passa de um ponto obscuro, sua inteligência pode abarcar inteira, e dela fruir a silenciosa harmonia. Atingimos assim a consciência de nossa força, e isso é uma coisa pela qual jamais pagaríamos caro demais porque essa consciência nos torna mais fortes. (p. 101).
Embora os próprios autores e pesquisadores da área indiquem a Astronomia como uma área que possibilita trabalhar diversos temas em diversas áreas de conhecimento ainda é pequeno o número de trabalhos nessa área. Neste trabalho foi possível verificar que em torno de 12% do total de trabalhos defendidos no programa MNPEF estão relacionados ao ensino de Astronomia.
As dissertações analisadas procuraram atender as exigências dos documentos oficiais e, principalmente, os objetivos do MNPEF. Todas elas apresentaram seus produtos, que atendiam as especificações propostas pelo MNPEF. Isso é bastante relevante, pois, como destacado no decorrer deste
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trabalho, o MNPEF não tem como foco a pesquisa em ensino de Física, mas sim o desenvolvimento de produtos educacionais, a implementação desses produtos em sala de aula e um relato de experiência dessa implementação. Em nosso trabalho foi possível agrupar os produtos produzidos nas dissertações em 7 categorias, sendo que as duas de maior presença foram Sequência de Ensino (SE) e as Sequências Didáticas (SD). As SE, foram introduzidas principalmente nos trabalhos desenvolvidos em Clubes de Astronomia e as SD, programada para ter um papel importante ao longo do ano dentro do currículo definido de cada ano letivo (MEIRELLES, 2014), foram propostas em sua maioria para aplicação em conteúdos do Ensino Médio, visto que, esses conteúdos além de trazerem os conteúdos de Astronomia, visavam atender aos conteúdos de Física de forma concomitante.
Ao tratarmos da utilização da experimentação, pesquisadores da área de ensino de ciências apontam que esta favorece a imersão do aluno no conteúdo aplicado, proporcionando uma vivência mais que desejada na escola básica (SOARES, 2013; CARVALHO, 1992, 2011; SÉRÉ, 2001; PIETROCOLA, 2005). Tentando não ser repetitivo na argumentação sobre o uso da experimentação no ensino de Astronomia, pode-se afirmar que a atividade experimental pode ser utilizada para motivar e despertar a atenção dos alunos para o aprendizado de um determinado conteúdo além de propiciar condições para o desenvolvimento de competências e habilidades que serão de extrema importância na formação do aluno (SANTAELLA, 2009). Em nossa análise, a experimentação esteve bastante presente, voltada mais para a construção de instrumentos e maquetes do que para a proposta de atividades acompanhadas de roteiros.
Aliado ao uso da experimentação como um recurso pedagógico, outros recursos também foram utilizados nas dissertações. A utilização desses recursos pedagógicos faz com que aumente o nível de interesse dos alunos pela ciência, proporcionando um ensino mais efetivo e que apresenta um sentido real para o aluno estar presente na sala de aula. Nesse sentido foi possível verificar que das 42 dissertações analisadas, 20 delas se utilizam da experimentação em sala de aula. São experimentos de baixo custo, acompanhados de roteiros de utilização e construção de experimentos, principalmente lunetas astronômicas e maquetes do Sistema Solar.
As mídias digitais estão presentes em pouco mais da metade dos trabalhos desenvolvidos, 25 dos 42 trabalhos utilizam esses recursos. As mídias, segundo Lévy (1999), abrangem não somente rádio, TV, e cinema, mas também a internet. Este último, se apresenta como grande ferramenta encontrado nos trabalhos, uma vez que, foi muito utilizado sites e aplicativos de simulações do céu e demonstrações/aplicações de leis da física, como as leis de Kepler, por exemplo. Para Bretones (2013),
Os recursos tecnológicos, em geral, e, em especial os da informática podem ser um grande auxiliar para os professores, particularmente àqueles que trabalham conteúdos de ciências (física, química, biologia, geologia, astronomia etc). (p. 88)
A observação, outro recurso pedagógico utilizado, pode servir como fator de motivação para o aluno nas disciplinas de ciências, bem como, promover seu desenvolvimento intelectual cultural, tecnológico e pessoal (CARVALHO e PACCA, 2013). Dos 42 trabalhos desenvolvidos, apenas 6 aplicaram a observação na sala de aula. A pouca utilização de observações no ensino de astronomia está atrelada ao fato de as escolas não possuírem material adequado para observações durante o dia, bem como, a ocorrência de observações noturnas terem de ser feitas no contra
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turno, o que envolve autorização da escola, dos pais e motivação dos alunos a irem à escola fora do período regular de aulas.
Em relação ao nível de ensino, todos os trabalhos possuem como características servirem como material instrucional para o professor que for trabalhar conceitos de astronomia em sala de aula, ou seja, os trabalhos desenvolvidos fornecem ao professor um material carregado de conteúdos e estratégias de ensino que possibilite um diferencial em sua prática pedagógica. Estes trabalhos foram desenvolvidos em sua maioria para aplicação em conteúdos inseridos no Ensino Médio, seguido pelo Ensino Fundamental, Clube de Astronomia e Ensino Superior, sendo este último, voltado para o curso de Licenciatura em Física. Já o conteúdo aplicado em Clubes de Astronomia foi aplicado para alunos pertencente ao Ensino Médio e Fundamental, ocorrendo em alguns casos uma mesclagem com aluno do Ensino Médio Técnico e Ensino Fundamental com pessoas não pertencente a instituição de ensino ao qual o trabalho foi aplicado.
Dentro do que exposto neste trabalho foi possível perceber que o programa de MNPEF, nos seus 63 polos, estão desempenhando o seu papel em relação à formação de professores voltados ao ensino médio. Isso é importante, pois, ao contrário do proposto pelos mestrados acadêmicos, as dissertações construídas no MNPEF representam uma boa oportunidade de trazer esses resultados às aulas de Física.
## Referências
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