A INVISIBILIDADE DAS MULHERES ENQUANTO TRABALHADORAS NAS QUESTÕES DE FÍSICA DO ENEM 2015
Viviana Da Cruz Vicente, Gustavo Isaac Killner
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIII
- Ano
- 2019
- Data
- 28/01/2019
- Linha de pesquisa
- Currículo E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A INVISIBILIDADE DAS MULHERES ENQUANTO TRABALHADORAS NAS QUESTÕES DE FÍSICA DO ENEM 2015
## Viviana da Cruz Vicente , Gustavo Isaac Killner 1 2
- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo,viviana.ifsp@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, gustavoik@ifsp.edu.br
## Resumo
O presente trabalho visa identificar a representação de gênero, presente nas questões de Física do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a fim de problematizar a invisibilidade das mulheres como trabalhadoras nos currículos de Física. Esta investigação se caracterizou por uma pesquisa documental, e também bibliográfica, por meio das aplicações (1ª e 2ª) de 2015. Utilizando a técnica de análise do discurso, a partir de uma leitura minuciosa das questões, foram selecionados os itens que apresentavam seres humanos e, dentre eles, quais estavam envolvidos em algum tipo de atividade produtiva (profissional ou acadêmica). A partir destes, estabeleceu-se o corpus e o percurso gerativo de sentido, conforme estabelecido por Fiorin (2016), o que permitiu reconhecer quais ideologias são veiculadas no nível discursivo dos ítens. Os resultados obtidos indicaram que as mulheres foram invisibilizadas enquanto trabalhadoras/estudantes no referido exame. Considerando que tal avaliação externa apresenta situações problema contextualizadas em seus enunciados, que podem retratar o currículo oculto comumente praticado nas aulas de física, a imagem exibida para mais de dez milhões de pessoas que se envolvem direta ou indiretamente com o exame é a de que apenas homens desempenham atividades econômicas ou intelectuais. Partindo do pensamento que destacar as imagens masculinas é um modo de manter a relação de dominante versus dominado, os itens analisados parecem contribuir para colonizar o currículo, reforçando as desigualdades de gênero. Esperamos, com esta pesquisa, denunciar a concepção binária e androcêntrica do ENEM, buscando promover a igualdade de gênero e motivar outros pesquisadores a prosseguirem estudos associados às temáticas mencionadas.
Palavras-chave : Ensino de Física, Gênero e Currículo.
## Introdução
A partir da década de 70, após as discussões acerca da perspectiva crítica de currículo, emergiu nos Estados Unidos uma forma inédita de pensar o desenvolvimento dos conteúdos escolares: a teoria curricular pós-crítica (SILVA, 2000). Esta, com grande domínio do pós-modernismo, pós-estruturalismo e colonialismo, trouxe a tona a necessidade de refletir sobre as desigualdades de gênero, raça, etnia, cultura e outros temas que se posicionassem contra os estereótipos.
Sob o viés da diversidade, os currículos tiveram que ser repensados de acordo com as novas demandas. Consequentemente, por intermédio do novo contexto social, era esperado que os materiais didáticos e avaliações (internas e externas) atreladas às instituições escolares incorporassem a recente realidade.
Com a intenção de elaborar uma proposta curricular que visasse considerar as mudanças do século XXI e, portanto, que reconhecesse os aspectos
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pertencentes a teoria pós-crítica, era preciso ir além dos conteúdos. O currículo, neste caso, deveria ser compreendido como 'experiências escolares que se desdobravam em torno do conhecimento em meio a relações sociais e que contribuíssem para a construção das identidades dos estudantes' (MOREIRA; CANDAU, 2007, p. 18).
Dentro dos estudos realizados nas últimas décadas, por intermédio dos conceitos curriculares, pesquisas em torno da heterogeneização sexual estiveram presentes. Com a teoria Queer, emergida nos Estados Unidos e Inglaterra, os debates acerca das concepções de gênero vigentes passaram a ser questionados. Silva (2000, p. 107) aponta que:
A teoria queer quer nos fazer pensar queer (homossexual, mas também 'diferente') e não straight (heterossexual, mas também 'quadrado'): ela nos obriga a considerar o impensável, o que é proibido pensar, em vez de simplesmente considerar o pensável, o que é permitido pensar. (...) O queer se torna, assim, uma atitude epistemológica que não se restringe à identidade e ao conhecimento sexuais, mas que se estende para o conhecimento e a identidade de modo geral. Pensar queer significa questionar, problematizar, contestar, todas as formas bem comportadas de conhecimento e de identidade (SILVA, 2000, p. 107).
Apesar das investigações terem expandido os conhecimentos ao redor da concepção de gênero, neste trabalho a análise do exame em questão abordou apenas a descrição binária (homem e mulher). Por meio desse conceito, binário, podemos dizer que os indivíduos possuem papéis sexuais a serem desempenhados na sociedade. A figura feminina, por exemplo, foi por décadas educada para casar e ter filhos. Como ressaltou Rousseau (2004, p. 433):
Da boa constituição das mães depende inicialmente a dos filhos; do seio das mulheres depende a primeira educação dos homens; das mulheres dependem ainda os costumes destes, suas paixões, seus gostos, seus prazeres, e até sua felicidade. (...) Serem úteis, serem agradáveis a eles e honradas, educá-los jovens, cuidar deles grandes, aconselhá-los, consolálos, tornar-lhes a vida mais agradável e doce; eis os deveres das mulheres em todos os tempos e o que devemos lhes ensinar já na sua infância (ROUSSEAU, 2004, p.433).
Portanto, ao considerar o papel da mulher, verificamos que esta foi e ainda vem sendo fortemente moldada apenas para ser mãe e esposa. Contudo, com o passar dos anos e o questionamento do papel 'natural' delas na sociedade, os movimentos feminista e GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) favoreceram discussões englobando os seguintes aspectos: as consequentes desigualdades de oportunidades dadas aos homens, às mulheres e aos demais gêneros sexuais.
Em particular, a partir dos problemas enfrentados pelas mulheres em torno dos estudos e mercado profissional, as feministas realizaram diversas reinvindicações acerca dos conteúdos que eram ministrados nas escolas (que eram diferenciados conforme os gêneros) e também das possíveis causas que a ausência destes poderiam proporcionar no acesso a algumas carreiras.
A partir da década de 80, com a pós-modernidade e as mudanças nas concepções de gênero, a intensificação da diversidade no cenário escolar adquiriu novos contornos. Nesse mesmo período, a globalização e a adoção de padrões externos de avaliação escolar impuseram a urgência de se criar uma avaliação externa, que consubstanciou-se no ENEM. A versão inicial desse exame, mais
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ligada às habilidades e competências, foi elaborada em 1998 e persistiu até 2008. Em 2009 emergiu um novo formato, mais conteudista e menos abstrato, que tem vigorado até os dias atuais.
Em suma, a pós-modernidade possibilitou conquistas a questionamentos femininos. Entretanto, apesar das vitórias adquiridas, as lutas não eliminaram a concepção de que existem papéis sexuais determinados conforme os sexos. Neste sentido, com a finalidade de verificar como é retratada a representação de gênero, associada às atividades profissionais e intelectuais, as questões aplicadas em 2015 de física foram objeto de estudo.
## Um histórico a partir do ENEM
Com a emergência de se criar uma certificação para um currículo baseado em competências e habilidades, após as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a sugestão de um instrumental visando a avaliação externa adquiriu notoriedade.
A primeira versão do exame, aplicada em 1998, se consistia em uma avaliação individual. A participação era voluntária e o propósito do exame era 'possibilitar uma referência para autoavaliação a partir das competências e habilidades que o estruturaram' (BRASIL, 2008, p.14).
Conforme o Documento Básico inicial do ENEM, a intenção, além de avaliar o desempenho da pessoa participante, era de 'aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania' (MEC/INEP, 1998, p.5).
Cada vez mais, com o aumento das desigualdades e diferenças no ambiente escolar, as exigências e características da pós-modernidade contribuíram para que o exame fosse reformulado. O ENEM, inicialmente usado apenas como forma de análise da etapa final da Educação Básica, passou a ser empregado pelas Instituições Federais como método de acesso ao Ensino Superior. Este, por sua vez, ocorria por meio de um cadastro em uma plataforma virtual denominada SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Deste modo, após 2008, o ENEM passou por mudanças significativas envolvendo deste o aumento da quantidade de questões (de 63 para 180 itens), o enfoque delas e o tempo de duração de prova que duplicou.
## Descrição do trabalho desenvolvido
A investigação consistiu em pesquisa documental, a partir do bloco de questões de Ciências da Natureza, propiciada por meio da versão 2015 (1 ͣ e 2 ͣ aplicações) do caderno. Dos noventa itens observados, após uma leitura minuciosa, constatou-se que apenas trinta desses eram de física.
A partir de uma nova investigação, com a finalidade de identificar quais enunciados envolviam pessoas e as relacionavam com atividades profissionais, restaram somente nove itens que se enquadravam nos requisitos procurados. Na sequência, com as categorias elaboradas por meio dos dados, as atividades relacionadas às carreiras foram separadas por sexo (homem e mulher). Os itens que não relacionavam humanos com atividades profissionais foram desconsiderados.
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Por meio da análise das questões de física, nos cadernos investigados, algumas atividades profissionais/acadêmicas emergiram. O quadro 01, apresenta a identificação da questão, descrição de um trecho do item e a respectiva categoria criada.
Quadro 01: Categorias profissionais identificadas em questões do ENEM 2015
## Resultados Obtidos
A partir dos dados obtidos por meio da análise das questões do ENEM investigadas, foi realizada uma categorização que tornasse possível identificar de que maneira as figuras masculinas e femininas se apresentavam nas questões selecionadas. Dos nove itens que tinham presentes atividades profissionais e acadêmicas, não foram encontrados relatos acerca do enquadramento feminino.
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Em termos de percentuais, temos o destaque para a participação masculina em todas as questões analisadas. Desta forma, embora as mulheres tenham adquirido espaço no mercado de trabalho, a figura feminina foi invisibilizada nos excertos de física do exame. Portanto, por meio da teoria pós-crítica, podemos estimar que nem sempre as propostas curriculares são consideradas na construção de um enunciado. Fato que é corroborado, pela desigualdade de gênero presente nas carreiras citadas.
Apesar do contexto social ter favorecido pontos relacionados com a diversidade, o aumento da participação da mulher em postos de trabalhos que eram considerados como sendo masculinos, a avaliação estudada não apresentou reflexos desta transformação. A cultura, que passou a ser incorporada nos estudos curriculares com a concepção crítica, apresenta indícios de uma concepção machista em que o lugar das mulheres não é no mercado profissional e, principalmente, nas atribuições que envolvam força ou maior uso da razão. Em contrapartida, podemos supor que a concepção de que o homem não possui as habilidades para desenvolver determinadas tarefas, ditas como sendo femininas pela sociedade, é considerada a medida que o personagem masculino não é citado vinculado a uma atividade doméstica.
A partir dos dados extraídos pelas categorias, mencionadas no Quadro 01, construímos o Gráfico 01.
Gráfico 01: Distribuição de carreiras ocupadas por homens
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O gráfico acima mostra que o maior setor da pizza corresponde ao percentual de estudantes, masculinos, que são descritos nos fragmentos. Uma possível resposta pode estar vinculada ao fato de que nem sempre elas tiveram acesso aos estudos. No Brasil somente a partir de uma lei, promulgada em 1827, que as protagonistas femininas tiveram direito ao ensino formal. Durante o Império, conforme Demartini e Antunes (1993, p.6), a Escola Normal foi 'uma das poucas oportunidades, senão a única, de as mulheres prosseguirem seus estudos além do primário'. Ao contrário dos homens brancos, criados para serem os chefes da casa, que foram detentores de várias oportunidades. Entre estas, a possibilidade de estudar matemática que favorecia o acesso à pesquisa.
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Por intermédio dos dados contidos nos excertos, verifica-se que os discursos ainda refletem as desigualdades que acompanharam o gênero feminino por tempos. No caso descrito acima, acerca do direito aos estudos, é perceptível que a personagem feminina teve dificuldade em conseguir o acesso à escola formal.
Referente à segunda parte, de maior destaque, verificamos 'cientista'. De acordo com gráfico 01, a informação reforça o estereótipo de que existem atividades profissionais direcionadas aos homens e nestas, consequentemente, não existe espaço à mulher. De acordo com o filósofo Georg Hegel (1770 - 1831): "A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes" (OLIVEIRA, 2012, p. 3).
É interessante notar que quatro carreiras tiveram um empate: a de professor, atleta, eletricista e agricultor. De maneira antagônica, em comparação com a figura masculina, as mulheres não foram citadas nestas. Nas profissões que demandam esforço físico, raramente as mesmas aparecem. Uma possível consequência disto seria elas terem sido consideradas personagens frágeis por um longo período. Podemos verificar, em outras instâncias, em qual profissão o esforço físico pode fazer a diferença na inclusão ou exclusão da mulher a uma carreira que é na de eletricista. No gráfico é notável, mesmo com um percentual menor, que o homem predomina em carreiras que demandam esforços ou habilidades para utilizar ferramentas.
Contraditoriamente, a ação vinculada ao esforço físico, temos a ligação masculina com a parte intelectual. O homem aparece relacionado com a carreira de magistério. No ENEM, ao fazer menção do cargo professor, o personagem masculino é apresentado como sendo da disciplina de Física. Não é de se estranhar que um autor, Giffin (2005, p. 48), descreve o caráter identitário do homem com qualidades relacionadas 'à mente, à produção e à razão'.
## Considerações finais
A análise discursiva, aplicada às questões de física das provas do ENEM de 2015, mostrou que a representação de gênero encontrada corresponde a uma concepção binária, que identifica gênero com sexo biológico. Por ser um papel social, o gŒnero pode ser construído e desconstruído, ou seja, pode ser entendido como algo mutÆvel e nªo limitado.
Em relação aos afazeres designados às mulheres, desde os primórdios da construção da humanidade, é notória a distinção de atividades masculinas e femininas. Ainda que muitas conquistas tenham sido em partes alcançadas (elevação da participação delas no mercado de trabalho, acesso aos estudos e etc.), existe um longo caminho a ser trilhado.
A teoria curricular pós-crítica, embora tenha um significativo propósito em abordar as barreiras enfrentadas pelos grupos minoritários, parece não ter sido considerada na construção das questões de física do referido exame nacional. A partir dos itens analisados, percebe-se a dominação masculina e invisibilidade feminina. Aspectos que indicam a relação de um ser dominante (homem), que só pode existir se tiver um ser dominado (mulher).
Considerando que as avaliações podem evidenciar as práticas encontradas nas salas de aula, e portanto o currículo oculto, temos como objetivo prosseguir nossos estudos analisando versões subsequentes do ENEM. Esperamos que, a
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partir desta pesquisa, pessoas se sintam motivadas a buscar assuntos relacionados às assimetrias de gênero nas avaliações e também nos demais instrumentos didáticos.
## Referências
BRASIL, Ministério da Educação. PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação : SAEB: ensino médio: matrizes de referência, tópicos e descritores. Brasília: MEC, SEB; Inep, 2008. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/saeb\_matriz2.pdf>. Acesso em: 06 set. 2016.
CANDAU, Vera Maria. Indagações sobre o Currículo : currículo, conhecimento e cultura. Brasília: MEC/SEB, 2007.
DEMARTINI, Zeila de Brito Fabri; ANTUNES, Fátima. Ferreira. Magistério primário: profissão feminina, carreira masculina . Cadernos de Pesquisa, n. 86, São Paulo,1993. Disponível
em:<http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/934/939>. Acesso em: 06 set. 2016.
FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso . 11. ed. São Paulo: Contexto, 2016.
GIFFIN, Karen. A inserção dos homens nos estudos de gênero : contribuições de um sujeito histórico. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 47-57, jan./mar. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csc/v10n1/a05v10n1.pdf>. Acesso em: 06 set. 2016.
MEC/INEP. ENEM. Documento Básico. MEC/INEP. Brasília, 1998. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000115.pdf>. Acesso em: 06 set. 2016.
OLIVEIRA, Jessyka Kelly da Silva. A (In)Evolução Feminista : Uma breve análise da figura da mulher e seus comportamentos perante a sociedade. Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação. Palmas, 2012. Disponível em: < http://propi.ifto.edu.br/ocs/index.php/connepi/vii/paper/view/5185/1318>. Acesso em: 06 set. 2016.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da Educação . São Paulo: Martins Fontes, 2004.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade : uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
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